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Este é o Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360, sempre com Miguel Pinheiro, que já está conosco. Olá, Miguel, bom dia. Bom dia. Bom dia. Quem é o teu bom de hoje? O bom é a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que esteve ontem no Parlamento e anunciou que as indústrias que consomem muita energia vão ter prioridade para obterem a capacidade de se ligarem à rede elétrica, passando assim à frente dos centros de dados, que também queriam ter prioridade. Os centros de dados precisam de muita energia para funcionar e também precisam de muita água. E a ministra justificou esta opção lembrando que as indústrias trazem mais riqueza, mais emprego e mais exportações do que os centros de dados. Sendo que, atenção, nós não temos de olhar para os centros de dados como se fossem monstros do capitalismo de casino, mas também não podemos olhar pra eles com deslumbramento tecnológico. Era o que mais nos faltava, que Portugal se transformasse num armazém pra centros de dados de terceira categoria, porque trabalhar, produzir e vender é a base de uma economia saudável e nunca podemos perder isso de vista. E aqui o governo acertou. Sim, as prioridades estão bem definidas aqui, claramente. Porque até os centros de dados hoje estão aqui, amanhã podem estar ali. Claro. Mas indústrias... Sim. E há centros de dados diferentes. Sem dúvida. Também. Enfim. Miguel, o teu mau está onde? Ótima pergunta. Onde é que está Rui Rocha? O antigo líder da Iniciativa Liberal foi o deputado mais bem preparado na audição do ministro da Administração Interna no Parlamento. Em vez de se olhar ao espelho pra fazer discursos gongóricos e vazios, ele fez perguntas claras, diretas e embaraçosas, e depois ficou mesmo em silêncio pra ouvir as respostas ou as não respostas do Luís Neves. Mas, nesse mesmo dia, ao final da tarde, aconteceu uma coisa inexplicável. O Parlamento esteve horas a discutir a moção de censura do Chega, e quando chegou o momento da votação, Rui Rocha não estava no hemiciclo e não votou. Sendo que, atenção, até é possível votar à distância. Houve três deputados a fazerem isso. Presumo que isso tenha de ser acertado com alguma antecedência, mas votaram à distância. Agora, Rui Rocha não estava lá presencialmente, nem estava à distância. Estava num estúdio de televisão. O próprio Rui Rocha justificou-se dessa maneira na CNN, disse: "Bem, em vez de estar a votar, dou uma entrevista." E a Iniciativa Liberal disse ao Observador que fez parte da comunicação do dia parlamentar da IL conseguir executar presenças na TV. Obviamente, é importante os deputados falarem às televisões e às rádios. Nós também aqui na Rádio Observador estamos sempre a tentar ter os deputados mais relevantes nos momentos mais importantes. E os políticos têm de explicar o que pensam aos eleitores de todas as formas possíveis. Está tudo certo. Mas convém não perder a noção das prioridades. A votação de uma moção de censura é um dos momentos mais solenes de qualquer parlamento. E quando esse momento solene acontece, os deputados têm que estar no hemiciclo. Ponto. Quer dizer, não é possível fazer as coisas de outra maneira. Mas isto mostra bem onde é que se faz a política hoje em dia. Pelo menos a perspectiva de alguns deputados, onde é que é mais importante estar para fazer política. Mas lá está, só pra não ser mal interpretado. É óbvio que é muito importante, se não ser de nada, ter deputados numa cave a tentarem falar com os eleitores através de meios mediúnicos, ou então acharem que cabe aos eleitores irem perceber o que é que eles pensam. É óbvio que os deputados devem recorrer televisões, rádios, jornais, e é óbvio também que as televisões, as rádios e os jornais devem procurar ter os deputados e os políticos. Está tudo certo, mas naquele momento Rui Rocha tinha de estar no Parlamento. Eu nem entendo como é possível a Iniciativa Liberal ter outra opinião. Ou outra avaliação. É simpático. Certo. Outra avaliação é uma melhor palavra. Estava a usar a palavra errada, peço desculpa. Miguel, o teu vilão criou uma grande confusão. Sim, o vilão é o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro. O que devia ser muito simples, transformou-se num problema muito complicado. Vamos ver. Na primeira conferência de imprensa que deu sobre as suas polêmicas, Luís Neves disse, pra se defender, que o atrelado com 62 bidões com produtos químicos, normalmente usados pra tratar droga, foi entregue ao amigo empreiteiro apenas porque destruí-los custava 150 mil euros e a polícia não tinha esse dinheiro. E depois surgiram notícias, nomeadamente da CNN Portugal e do Nascer do Sol, a dar conta de que destruir aqueles 62 bidões da Operação Pacoba custava bem menos do que 150 mil euros e que, portanto, a versão do ministro da Administração Interna não fazia sentido Por causa disso, havendo aqui informações contraditórias, o grupo parlamentar do Chega perguntou à ministra da Justiça: afinal, o que fazia parte daquele orçamento? A resposta veio e, primeiro, a comunicação social interpretou essa resposta da ministra como dando razão à versão do Luís Neves. Depois, o Observador fez novas perguntas e percebeu-se que os € 150 mil englobavam o material de vários processos e não só da Operação Pacoba. Mas agora sabe-se mais detalhes. Então, na verdade, o orçamento de € 150 mil é apenas para destruir material da Operação Pacoba, mas estão em causa centenas de bidões. Ou seja, destruir os 62 bidões entregues ao empreiteiro seria bem mais barato do que isso. E por causa de todo este sarilho, não sei se as pessoas já se perderam. Eu já me perdi. Atenção, e sou eu que estou a dizer estas coisas e já estou perdido. Mas todo este sarilho aconteceu, a ministra foi acusada de mentir pelo Chega, teve de ir defender-se ontem à Assembleia da República e agora o atual diretor nacional da PJ vai ser ouvido numa audição parlamentar urgente. E todo este problema acontece por quê? Porque a PJ não conseguiu fazer uma coisa básica, que foi pegar num pedaço de papel e lê-lo. Custasse tanto? Custasse tanto? E se a PJ não sabe fazer isto, vai saber fazer o quê? Enfim, só para resumir isto, os problemas de Luís Neves já contaminaram o ministro da Administração Interna, o governo, o Parlamento, a PJ e a ministra da Justiça. Pronto, já vamos nisto. E atenção, isto continua. E não parou, e não acabou. Não acabou.

Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é a ministra do Ambiente e Energia, o mau é Rui Rocha e o vilão é o diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro. São as escolhas de Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.