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Arranca agora mais uma edição do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360 e a qualquer hora, em podcast e sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Quem é o bom de hoje, Miguel?
O bom de hoje é David Neeleman. Ele não fez nada, só precisou de ficar quieto. Ontem, o acionista privado que o governo do PS quis correr da TAP foi elogiadíssimo no Parlamento. Diogo Lacerda Machado, que foi nomeado pelo seu amigo António Costa para a administração da empresa, descreveu David Neeleman, juntamente com Humberto Pedrosa, como um empresário notável e elogiou entusiasticamente o negócio que ele fez com a Airbus, argumentando até que o Estado ganhou muito com esse negócio. Depois, no mesmo dia, Humberto Pedrosa, que era o acionista privado preferido do governo PS, também elogiou o papel de David Neeleman. Eu imagino que António Costa ontem não deve ter gostado nada de ver os telejornais, de ler os jornais e de ouvir a Rádio Observador.
Não, porque isto contraria algumas narrativas, não é? E quando isso até vem de Lacerda Machado, a coisa fica complicada, de facto, para a narrativa do governo.
É verdade. O governo PS sempre quis transformar David Neeleman como o exemplo apagado, acabado do capitalista vizinho.
O vilão da história, claro.
É. Mas pelos vistos sai muita gente a dizer bem dele. Não saio, eu não conheço o senhor.
Também não.
É o bom de hoje. E quem é o mau?
O mau é o PS. Ontem, na Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP, os socialistas chumbaram um requerimento do PSD para obter vários e-mails trocados entre a empresa e o Ministério das Infraestruturas. E o argumento dos socialistas foi o seguinte: disseram "Isto não é pesca por arrastão." Parece-me que precisamente o ponto é esse, é que isto devia ser pesca por arrastão. As coisas que nós já descobrimos sobre a relação entre o governo e a TAP foram tão graves que já levaram à demissão de um ministro, ao pedido de demissão de outro ministro e à saída, sem contemplações nenhumas, da CEO e do chairman da empresa. Aquilo que nós já sabemos mostra-nos que a relação entre o PS e a TAP era profundamente tóxica e muito pouco saudável. Por isso, sim, nós devíamos fazer uma pesca por arrastão para descobrir tudo o que ainda há por descobrir. A TAP transformou-se num símbolo daquilo que há de pior na política portuguesa. Já agora, se puder ser, se não for pedir muito, gostava de saber mais, gostava de saber tudo.
Saber tudo. E doa a quem doer, não é?
Eventualmente.
O Primeiro-Ministro disse que doa a quem doer. Mas já agora, no Ministério das Infraestruturas também não é para levar à letra isto, o doa a quem doer. Não é preciso chegar aí, de facto.
Espero que não. Mas se António Costa disse isso, Paulo, quem sou eu?
Vamos então ao vilão, Miguel.
O vilão é o Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações. Até ontem havia as seguintes dúvidas sobre a atuação do SIS na recuperação do computador do ex-adjunto do Ministro das Infraestruturas. Se João Galamba disse publicamente que Frederico Pinheiro realizou um furto ao ficar com o computador, se António Costa disse publicamente que Frederico Pinheiro realizou um roubo, se foi no pressuposto desse furto ou desse roubo que o gabinete do Ministro das Infraestruturas chamou o SIS, e se o SIS está proibido de atuar como uma polícia criminal, se tudo isto é assim, então como é que o Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações pode defender que o SIS não violou a lei ao ir buscar o computador? Era uma grande dúvida que todos nós tínhamos, mas a resposta surgiu ontem. Segundo o Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações, o SIS não violou a lei ao ir buscar o computador porque os serviços secretos nunca acharam que tivesse havido algum crime. Portanto, quem os chamou disse que havia crime, quem os tutela diz que há crime, mas para ilibarem o SIS, os membros do Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações dizem que não veem crime nenhum. Crime? Onde é que está crime? Não há crime, não vejo crime. Como é que pode haver um crime? Não há aqui crime nenhum. Pronto. Já houve um partido que defendeu isso ontem, mas eu realmente começo a achar que nós, se calhar, vamos precisar de outra comissão de inquérito para perceber o que é que aconteceu aqui.
Vamos então ao resumo: o bom desta quarta-feira é David Neeleman, o mau, o PS, e o vilão, o Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações.