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"O Lado Bom da Vida", que hoje é trazido pelo Gonçalo Correia. Olá, Gonçalo.

Olá.

Já não nos encontrávamos no "Lado Bom da Vida" há algum tempo.

É verdade.

Tu não. Tu não tens estado.

Ele tem estado?

Tu tem estado.

Tem que estar ausentado com alguma frequência, Nelson. É isso que constatamos.

Sim, o Natal tem me dado muito trabalho.

Também tem corrido bem.

Sim, eu sei. Aliás, é um dos fatores.

Tem corrido bem sem ti.

Logo, é um dos fatores para isso acontecer.

Diria um bocadinho melhor.

É a altura em que-- sim. Ora bem, e por falar em melhor, Adele é um dos destaques do Gonçalo Correia. Disco novo, já disponível desde sexta-feira. Chama-se "30", não é? À semelhança dos anteriores, sempre com a idade da Adele.

Os britânicos chamam-lhe "Thirty".

Ou é os quilos que ela perdeu, entretanto?

É, pá, numa perna!

Podia de facto ser, porque é uma transformação física impressionante. Nelson, o que achas de ouvirmos aqui, enquanto choramos um bocadinho?

Estou às tuas ordens, Gonçalo. Aqui vamos, "Easy On Me". E há toda uma redação do Observador que sente os queiros a esta hora da tarde, não é?

Não pode dizer isso, porque fica mal em antena, mas eu pelo menos vi-te, isso posso dizer, a abanar vigorosamente os braços e sentir.

Claro, estava a sentir a energia da nossa redação.

E viu-se uma lagriminha ao canto do olho também.

Sim, mas muitas pessoas a amarrarem as mãos junto ao peito também.

O Bonga está a fazer 50 anos.

É verdade. E o que é que tu podes dizer deste disco? À partida, com este single, não foge muito do que conhecemos da Adele. Se bem que foi notícia ela hoje, por causa daquele botão que ninguém gosta no Spotify.

Só para dizer que continua ativo no meu Spotify, porque ela pode não querer shuffle.

Mas se ela não quer, é para toda a gente. O que me parece é que aquilo deixou de aparecer automaticamente quando inicias uma nova sessão. Mas quer dizer, o botão continua lá e continuas a poder usá-lo e ouvir com a ordem que quiseres.

Mas a lógica dela, ela tem alguma lógica naquilo que diz, não é?

Muita. Era uma coisa que me enervava muito, não conseguir ouvir um álbum seguido.

Mas sobretudo quando ele é pensado de uma determinada forma.

Sim, é uma história.

Não faz sentido.

Mas, de facto, a Adele teve esse episódio. Teve também um outro episódio curioso, não sei se viram. Ela ia dar uma entrevista a um jornalista australiano que teve um exclusivo, pelo menos no país, seria o único jornalista a entrevistá-la. E a entrevista estava a decorrer e na altura a Adele perguntou ao jornalista: "Então, e gostaste do meu disco?" E ele diz: "Não ouvi." Parece que não reparou que tinha recebido o e-mail. Aquilo deu bronca, a entrevista já não sai, o canal não deve estar especialmente satisfeito. Mas voltando aqui ao disco, este "30" é um álbum muito autobiográfico. A Adele sempre falou bastante dela nas canções. Neste disco, fala sobretudo daquilo que foi a vida dela nos últimos tempos e daquilo que foi o divórcio pelo qual passou. Ela divorciou-se recentemente. Disse inclusivamente que este disco era uma tentativa de explicar o divórcio ao filho, um rapaz chamado Angelo. Liricamente, há essa questão do divórcio muito a passar pelas canções. Musicalmente, é de facto a rainha da canção melodramática de volta com estas baladas pop. Há ali, às vezes, umas pitadas de uma soul levezinha, há ali uns pós de jazz ligeiro, também de smooth jazz. Aparece ali, isso é uma das novidades, pelo menos a aparecer assim tão-

Diríamos que é um disco para fãs da Adele.

É um disco para fãs, é um disco também para corações partidos.

Para quem se tenha divorciado?

Sim. Para quem se tenha divorciado.

A pensar nisso.

Para quem esteja com vontade de entrar em enxureiras.

Portanto, tudo o que for dos estados de espírito lá para cima, não é?

Sim. Há ali algumas canções mais divertidas de vez em quando para ir limpando o palato.

Só para preparar para a geração a seguir. Tipo um cacete de limpeza.

É um bocadinho isso, mas também há aqui uma coisa que pode acontecer e por isso é que eu estava a dizer que pode ser um disco bom para quem esteja a pensar nisso, porque a tese é da Oprah Winfrey, apresentadora que a entrevistou, que acredita que este disco vai ser responsável por muitos dos divórcios que aí vêm, porque segundo ela, estas canções vão libertar muita gente de casamentos que já não funcionam. Portanto, ao ouvirem a Adele falar sobre aquilo que a levou a decidir, porque foi a Adele que decidiu interromper o casamento.

Eu acho que se alguém decidir divorciar por causa de uma música da Adele, é porque a coisa está mesmo muito, muito mal.

Pois, é isso. Mas pode sempre, pelo menos, colocar o ônus da culpa. "A culpa não é minha, a culpa é da Adele", dessa cantora britânica. Mas para vocês terem uma ideia, essa entrevista com a Oprah foi vista por mais pessoas do que a última edição dos Oscars ou a última edição dos Grammys. Percebe-se bem o impacto da Adele por aí.

E tem já estado a bater recordes também logo naquelas 24 horas em que foi disponibilizado no Spotify. Olha, vamos agora falar de Leon Nocentelli e de "Another Side". Esta é uma história espetacular de um álbum que estava perdido, não é?

É uma história espetacular e temos aqui uma das canções do disco em fundo, que é demasiado boa para não ouvirmos aqui só uns segundinhos.

"Till I Get There" faz parte de "Another Side", o álbum perdido de Leon Nocentelli. Quem era este senhor?

Muito rapidamente, este senhor fazia parte de uma banda de funk de Nova Orleães chamada The Meters, uma das bandas mais importantes da história da música funk.

The Miters?

The Meters. Podia ser The Miters, mas não, era Meters, de metro. Mas, em 1971, este rapaz, que fazia parte da banda, decidiu ir para um estúdio gravar algumas canções a solo, porque tinha ouvido um disco chamado "Sweet Baby James" do James Taylor, que tinha adorado. E quis fazer uma coisa não tanto funk tradicional, mas mais country folk, com um pouquinho de blues, mas com algum groove. A história deste disco é espantosa. Por quê? Este disco foi gravado em 71 e aparece 50 anos depois, em 2021. Por quê? Porque, na altura, o Leon Nocentelli deixou a única cópia que tinha das gravações deste disco, a cassete com as gravações que tinha feito, dentro de um estúdio, o estúdio de Sea Saint, e aquilo ficou por ali perdido. Entretanto, o estúdio acabou por ser totalmente inundado na altura do furacão Katrina, tudo se perdeu, e o Leon Nocentelli achou que estas gravações se tinham perdido também. Mas alguém, ele não sabe quem terá sido, pegou nas cassetes, inclusive esta, esta era uma delas, e guardou-as.

E meteu-as num saco de arroz para secar, não é? Não.

Eu creio que numa espécie de armazém. O que acontece? As cassetes depois chegam a uma espécie de feira da ladra, uma coisa de rua, em segunda mão.

Um flea market.

Exatamente, flea market. E há um senhor chamado Mike Nichetta que encontra e que as compra. Parece que o Mike Nichetta chegou a receber uma oferta, ele não diz quem é, diz só que era um dos mais importantes rappers do mundo, para comprar esta cassete e algumas outras que ali estavam por 250 mil dólares. Mas ele, como boa pessoa que é, recusou. Acabou por fazer estas cassetes chegarem, esta em específico, ao Leon Nocentelli, e a uma editora chamada Light at the Attic. As cassetes foram vistas, a editora gostou muito e por causa disso é que 50 anos depois aparecem aqui.

Aparece o disco perdido de Leon Nocentelli, que é uma figura também que devem descobrir ou redescobrir. Rapidamente, 30 segundos, por favor. Gonçalo, Silly é um novo projeto na música nacional que tem aí um EP de estreia, não é?

Exatamente. Um EP chamado "Viver Sensivelmente", saiu hoje, são quatro canções e uma intro, portanto, é uma coisa curtinha. É um hip-hop bastante melódico, de uma miúda nova a aparecer na música portuguesa. A parte instrumental tem algumas figuras também da produção musical portuguesa envolvidas, o caso do Pedro da Linha, o caso do Euclides, também um artista que apareceu este ano, e alguns outros. A Silly já tinha lançado dois singles antes chamado "Intencionalmente" e "Além", que não fazem parte do EP. Agora lança estes quatro temas e quem quiser vê-la ao vivo, dia 6 de janeiro no Maus Hábitos, no Porto, e dia 8 de janeiro no Music Box, em Lisboa, para ir embalado com este hip-hop, com alguns tons assim meio dançáveis, mas muito suave, muito doce.

Esta chama-se "Vida a Mil". Estamos aqui a ouvi-la em fundo. É uma das canções de "Viver Sensivelmente". Silly, novo projeto na música nacional, também aqui com dedo de Pedro da Linha e Euclides, entre outros, juntamente com Leon Nocentelli e também com o novo disco da Adele. As três sugestões do "Lado Bom da Vida" desta segunda-feira com o Gonçalo Curral. Obrigado, Gonçalo. Um abraço.

Um prazer.

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