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Sejam bem-vindos a esta emissão especial do "O Lado Bom da Vida". Habitualmente, esta é uma rubrica das manhãs da Rádio Observador, mas desta vez fomos mais ambiciosos e juntámos uns quantos amigos para dar sugestões para quem está por casa este fim de semana, que, em princípio, será toda a gente. Estes amigos em questão são a Susana Romana, o Alexandre Borges e o Hugo van der Bing, que além de serem pessoas bonitas, também são habituais colaboradores do Observador e gostam muito de ser tratados assim, por colaboradores. Certo? Estão todos de acordo?
Sim.
Então, é o entusiasmo do colaborador. Ora, a ideia aqui é nós darmos às pessoas que nos ouvem e nos veem, bonitas sugestões para passar o tempo e para manter alguma sanidade e higiene mental. E uma das coisas que todos nós gostamos mais de ver nestes tempos são séries. E, portanto, vamos começar pelas séries. E vamos começar pela Susana Romana. Acho que é uma boa ordem, só porque sim. Susana, acho que o Hugo deve estar de acordo.
Eu sinto que nesta vida há pouca meritocracia e alguma coisa de cotas, mas eu vou aceitar. Vou seguir com a vida.
Não posso comentar, acho eu. Acho que o meu contrato implica que eu não possa comentar. Susana, eu não sei se as séries que tu tens estado a ver são as séries que queres recomendar, porque se calhar há coisas obscuras que tu não queres que as pessoas saibam que vês.
Eu vejo muita porcaria. Eu vejo muita coisa que eu sei que é má. É das coisas piores das plataformas de streaming. Começar a ver uma coisa que eu vou em dois episódios e penso: "Isto é mau". E que eu continuo. "Quer seguir para o episódio seguinte?" Eu: "Quero, sim, senhor. Não sei muito bem porquê". Mas eu por acaso tenho a sorte de andar a ver coisas boas. Tenho estado a explorar o catálogo da Amazon. Aconteceu-me aquela coisa de dizer: "Eu vou pôr ali a trial period e não pagar." E já dei por mim, já estou a pagar. Pus a Amazon para ver o segundo filme do Borat, e depois acabei por ficar um bocadinho a explorar a plataforma e tem algumas coisas interessantes. Estou a ver uma coisa chamada "Little Fires Everywhere", que é uma série produzida e protagonizada pela Reese Witherspoon, e que vem um bocadinho de uma linhagem que agora está a acontecer muito nas séries, que é séries sobre problemas e crimes à volta de mulheres brancas muito ricas.
Ok. Tem tudo a ver contigo, portanto.
Tem tudo a ver comigo. Eu estou aqui, vocês não veem, mas para aquele lado é a cavalariça, e depois aqui é isto. E é uma moda que começou um bocadinho depois do grande sucesso do "Big Little Lies". E temos agora na HBO o "Undoing", com a Nicole Kidman, e temos na Amazon o "Little Fires Everywhere", que são séries que normalmente têm a ver com algum tipo de crime ou de mistério que está a desmoronar a maneira de viver em pequenos subúrbios americanos extraordinariamente ricos e que de repente aparece ali alguém que, de alguma maneira, está a corromper aquilo que se esperava. E estou a ver o "Little Fires Everywhere". É giro, mas sinto que é um bocadinho agora pegámos nesta fórmula que correu tão bem com o "Big Little Lies", que até conseguiram a Meryl Streep e tudo, e agora acho que sinto que estão um bocadinho a sugar nesta teta, se calhar, para lá do que seria desejável, mas a série é ok. E estou a ver a quarta temporada do "The Crown", e eu sou muito fã do "The Crown", e esta é provavelmente a melhor temporada do "The Crown".
Vamos tentar não fazer spoilers.
Não, tenho muito respeito pela arte do spoiler. Não faço.
Continua, que eu sei que não queres parar por aí.
Esta temporada do "The Crown" tem uma característica, pelo menos para mim, acredito que para muitas pessoas que veem o "The Crown", diferente em relação às outras, que é: eu lembro-me deste período. Não me lembro incrivelmente bem, porque esta temporada vai entre 79 e 90. Eu nasci em 81, mas já me lembro ali de algumas coisas. Ou seja, é a primeira temporada da qual eu tenho memórias muito concretas e é a primeira temporada que é amplamente filmada e dissecada, na sua versão real, obviamente. Por isso, é uma temporada que se alguma coisa não estiver bem, se alguma coisa falhar, nós damos por ela muito mais rapidamente do que uma coisa que se passa nos anos 50. E está muitíssimo bem realizado, está muitíssimo bem interpretado, de se conseguir reconhecer muito bem, quer a Diana, quer a Thatcher, sem as transformar em bonecos. Como é que a Gillian Anderson, por que eu não dava nada, faz uma Thatcher impecável sem ser muito bonequinho. O "The Crown" troca de elenco de duas em duas temporadas, por isso esta é a última temporada à partida deste elenco, e é uma temporada muito melhor que a anterior. É a melhor temporada com este elenco até agora.
Pronto, agora que já estamos todos nervosos para ver o "The Crown". Alexandre Borges, eu sei que tu és um homem de séries. Tu vais dizer que não, porque fazes aquela coisa da humildade, etc. Mas conta-nos lá o que é que recomendas ao vasto auditório do Observador.
Olha, eu ainda estou a digerir. Eu não dava muito pela Gillian Anderson.
Eu não sou nada "X-Files", não.
É engraçado. É isso mesmo, é "X-Files". Eu acho que durante toda a década de 90 queria casar com a Gillian Anderson.
Se ainda tiveres o desejo, está ótima.
Diz.
Se ainda tiveres esse desejo dentro de ti, ela está incrível, está a envelhecer impecavelmente.
Pois está, exatamente. Só vi isso naquele revival, naquele regresso aos "X-Files", que houve aqui há poucos anos. Muito infeliz, mas em que, de facto, a única coisa que tinha envelhecido bem era ela, isso é verdade. Muito melhor do que o autor da série. E logo agora está a tocar o meu telefone, que fica bem. As séries. Não, o Tiago está a dizer isso para ser querido. É mesmo pra ser querido, porque eu sou uma pessoa que resistiu à internet. Quando apareceu a internet-- Vocês desculpem. Está a tocar tudo por todo lado nesta casa. Aquela coisa do não sei o que aconteceu.
Mas tu ainda não dominas a internet.
Não sabes o que estás a ver? Desculpe-me um pouco mais as explicações. Não, muitas vezes estou superatrasado nas coisas e quando vêm estes períodos que nos motivam a estar aqui a falar hoje, lá está, quer dizer, esta coisa agora de recolheres obrigatórios, confinamentos, quarentenas, as pessoas ficam muito aflitas, porque não sabem o que é que hão de fazer. Eu nunca tenho problema nenhum, porque eu acho que o mundo podia parar durante 10 anos que eu estava superatrasado nos livros que queria ler e nos filmes. Felizmente, o Tiago vai nos encomendando coisas para fazermos para o observador e isso obriga uma pessoa a atualizar-se. De maneira que, acerca das séries, eu falarei brevemente de três coisas, uma delas profundamente interessante. Mas uma já toda gente viu, de certeza, foi a melhor coisa que eu vi nos últimos meses, foi o "Last Dance". Para quem ainda não viu, e confesso que ando um bocado nesta fase. Ultimamente é difícil. Uma série tem que ser incrivelmente boa para me interessar mais do que uma grande série documental. E acho que os documentários estão a atravessar, de facto, um período de ouro, até porque estão cheios de linguagens que vêm da ficção. Cheios de linguagens narrativas importadas da ficção. E há histórias incríveis, e a história do Jordan e daquela última temporada dos Bulls, tal como os conhecemos nessa era mítica. Para mim, tem tudo. E de facto foi onde me aconteceu isto que está a acontecer à Susana. Quer dizer, porque a Susana está a dizer que lhe acontece mesmo com as más séries. Foi, de facto, onde eu não conseguia resistir a ver sempre o episódio seguinte e as minhas reuniões matinais sofreram um bocadinho por causa da qualidade do "Last Dance". Depois, fui obrigado ontem a ver uma coisa, só porque como íamos conversar hoje. "Ok, vou ter que ver aquela coisa que toda gente está a falar que é o 'Gambito de Dama'". E fui ver o primeiro episódio. E a primeira coisa que eu teria a dizer é que "Gambito de Dama" é um nome que não lembra. Parece uma coisa que uma senhora tem no seu toucador.
Exato. Parece uma joalharia.
Exatamente. E gostei muito do primeiro episódio, ainda só uma curtíssima impressão. Vocês sabem o que é, não é? Esta série sobre uma miúda que é um talento, que é um prodígio no xadrez. Não é baseada numa história real, parece importar pequeninas coisas de histórias diferentes. Aparentemente, há até alguns paralelos com a história do Bobby Fischer, grande xadrezista americano, mas aqui temos uma menina. Talvez a série galgue um bocadinho as questões feministas atuais, porque coloca a miúda a triunfar num universo tipicamente masculino.
Até é baseada num livro dos anos 80. O livro é bastante semelhante.
Ok, ótimo. É bastante semelhante, isso? Ok, isso desconhecia. Sabia que era baseada, de facto, num livro, mas não sei até que ponto é que o próprio livro transforma alguma história vagamente verídica noutra coisa. Mas enfim, o Kasparov também é consultor da série, e tem esta coisa de trazer o xadrez um bocadinho para o mainstream, que é engraçado. A terceira série que recomendaria, e é coisa profundamente interessante, é uma série chamada "Rede" na RTP 2, da qual eu tenho o gosto de ser autor e de fazer parte. Eu gostava muito que mais gente visse, porque estamos a começar à meia-noite e meia, quase uma da manhã, mas está disponível na RTP Play e se não tiverem mesmo assim muito mais que fazer este fim de semana e quiserem ver os primeiros seis episódios, é um delírio televisivo sobre as redes sociais e sobre a suposta morte da televisão. Estamos num ensaio sobre as redes em que cada episódio nos ligamos à rede a partir do ponto de vista de um user diferente. Num é um homem, noutro é uma mulher, num é um velho, noutro é um adolescente, num é um reacionário de direita, noutro é um indignado de esquerda, etc. E estas pessoas vão-se cruzando depois numas são protagonistas e noutras são o pano de fundo da rede.
Muito bem, ainda bem que fazes estes especiais que é para darmos estas dicas. É para isso que nós existimos. Hugo Van Alphen, eu sei que não és o maior seguidor de séries, podemos dizer isto assim, mas ainda assim quero saber se tens uma sugestão para nós.
Tenho, por acaso, tenho. Também estou um bocadinho como o Alexandre, vejo séries quando tu me telefonas e dizes: "Quer ver uma série?" Que mudou um bocadinho aquele paradigma de quando eu dizia: "Não via isso, nem que me pagassem." E às vezes não é bem exatamente assim. Não, estou a brincar. Por acaso, vou aqui separar em duas coisas. Tanto nos filmes, que já vamos falar mais daqui a bocado, como nas séries, andei à procura de coisas que se passassem todas no mesmo sítio. Todas fechadas no mesmo lugar, como as pessoas vão estar em casa. Nas séries, por acaso encontrei uma da Netflix, que é o "Criminal", que a segunda temporada estreou agora há dois meses, mais ou menos. É uma série policial, não é sempre no mesmo sítio, mas anda à volta de duas salas, mais ou menos. São só interrogatórios policiais e é uma série muito interessante. Não sei se são todos, mas pelo menos alguns são casos verdadeiros e têm a vantagem, para fazerem binges, que existe a versão inglesa, a versão francesa, a versão espanhola e a versão alemã, cada uma no seu registro e com as suas subtilezas. Os espanhóis mais em histéricos, os franceses mais em porcos, os ingleses mais em chic e os alemães mais em contidos e eficazes. Os episódios duram apenas 30 segundos na Alemanha, porque em 30 segundos eles descobrem quem é que matou a pessoa em questão, põe-na num comboio e o resto vocês já sabem. Depois, eu acho que aqui uma sugestão das pessoas estarem em casa. Há mais mundo para além do Netflix e do HBO, essas coisas todas, porque no YouTube, por exemplo, podem-se encontrar as séries que nós víamos quando éramos crianças e cavalgar a onda do revivalismo. Saibam, por exemplo, eu era criança nos anos 80, as novelas brasileiras da Globo que nós víamos nos anos 80, estão todas no YouTube, todos os seus episódios. E então eu queria sugerir que vissem os 347 episódios do "Sassaricando", uma das novelas brasileiras mais divertidas de todas.
Se eu começo a ver e descubro que o episódio 222 não está e que eu vou ficar com a minha telenovela perturbada.
Está tudo, mas está tudo mesmo. Depois há uma que não é da Globo, que é a "Cananga do Japão", que é a minha novela brasileira de sempre, que é uma novela histórica passada nos anos 20, 30, no Rio de Janeiro, que foi a novela da Manchete que conseguiu ultrapassar a Globo. E há outra série que eu não sei eu não sei se sou a única pessoa no mundo que se lembra, mas dava a hora de almoço. É uma novela australiana, daquelas coisas que eles também faziam novelas, que se chama "Carson's Log", cá se chamava "O Império de Carson", que é uma coisa ótima passada nos anos 20, em Sydney, e que é uma história de advogados. Antes de haver estas coisas todas de advogados na Netflix e nessas coisas todas, já havia séries sobre advogados. Isto é uma série awesome e também está toda no YouTube. Não sei se se lembram de ver isto.
Lembro-me do título, só.
E tem grandes atores australianos, como por exemplo, é o caso do X e da Y, os atores australianos, tá certo.
Queria tanto que tivesse com a Kylie Minogue, queria tanto imaginar.
Por acaso sei os protagonistas, que é o Kevin Miles e a Lauren Bailey, porque eu era tão fanático desta série que me lembro do nome do caso todo. E o Kevin Miles é um ator famoso australiano. E a Lauren Bailey também deve ser, senão não tinha entrado nesta série, naturalmente.
Hugo van der Ling, por isso é que tu és convidado para estas emissões especiais. Agora que arrumámos as séries, vamos continuar nas imagens, pelo menos por enquanto, e vamos falar de filmes. Susana Romana. Não sei se tens um filme, se tens mais que um filme, mas dá-nos sugestões.
Eu tenho visto muito poucos filmes, mesmo. E eu tento culpar a minha criança de três anos por isso. "Ah, deixa de ir ao cinema, porque tenho um miúdo". Tá, mas enquanto tanto ele vai ter 18 anos e uma pêra ridícula e eu vou continuar a dizer que não vejo filmes por culpa do miúdo. Por isso tenho que começar a deixar de usar esta desculpa. Eu faço parte de uma categoria de pessoas, e não digo isto nem com vergonha, nem com orgulho, que começou de tal maneira a ver séries, que eu deixei mesmo de ver filmes. E alguns dos das pessoas do mundo do cinema que eu admirava e que eu gostava muito, começaram-se também, muitas delas, a virar para séries. Por exemplo, o David Fincher, que é um dos meus realizadores preferidos, e que ultimamente trabalha mais para a Netflix, fez o "Mindhunter", por exemplo, trabalha mais para a Netflix do que propriamente para cinema. Por isso eu dei mesmo uma guinada. Só para vocês terem noção, o último filme que eu vi que gostei muito foi o "Jojo Rabbit". Eu acho que isto já tem tipo um ano.
Tem um ano. Mais coisa menos coisa.
É bom.
Pronto. Por isso o último filme que eu vi, pronto, é uma categoria muito específica de cinema, vamos chamar assim, que foi o segundo "Borat", do qual gostei muito. Obviamente que tem que ser um filme, é um filme que está a pregar a convertidos, por isso, se não gostaram do primeiro, não vão provavelmente gostar do segundo. Não é um tipo de humor que toda a gente aprecie, por isso o "Borat 2" resulta muito bem para quem já gosta do Sacha Baron Cohen, sendo que a diferença em relação ao primeiro "Borat" é que é assumidamente um filme muito mais político e tendo em conta que aquilo tem algum grau de improviso, é interessante perceber como é que eles conseguiram incorporar no filme a questão do Covid-19, porque enquanto eles estavam a filmar, começa a pandemia e eles tiveram que incorporar a pandemia na história e é aliás um dos melhores momentos do filme. Para quem nunca viu o "Borat", aquilo apesar de ter um guião e de ter uma estrutura, aquilo tem muito de improviso, porque o personagem principal, que é um repórter do Cazaquistão, interpela pessoas reais e tenta desconstruir as opiniões delas sobre uma série de questões e tem uma especial potência por rednecks. E ele durante o auge da pandemia do Covid-19, fica a viver em casa de dois rednecks. E é dos momentos mais deliciosos do filme e com eles compõem músicas racistas só para passarem o tempo. Por isso não sabem
Também podem comprar o livro da Susana. É uma coisa interessante para fazer neste fim de semana. Esse foi o último filme que eu vi. Depois, eu sou a pessoa que chega a esta altura do ano e vê as piores comédias românticas de Natal que conseguir encontrar. E sou muito feliz assim, a comer Toblerones e a ver más comédias românticas de Natal e a ser um clichê com pernas. E é o que eu tenho feito.
O importante é que sejas feliz, isso parece muito bem. Alexandre Borges, o que é que tens andado a ver? Ou o que é que não tens andado a ver, mas até gostavas de ver?
O cinema eu já consigo ter mais o meu tempo, que é: tens um filme, uma série de semanas em cartaz, e é só um filme. Portanto, consegues gerir. Com as séries em streaming, parece que tens dois dias para ver uma série inteira ou já estás completamente ultrapassado. No cinema eu consigo, apesar de tudo, ir acompanhando. Atualmente não há muita coisa em cartaz, pelas razões conhecidas, mas curiosamente há imensa produção nacional. Não só porque acho que houve muita produção nacional realmente este ano, como talvez ela se destaque mais porque estreia pouca produção internacional. E portanto, nas salas, vi dois filmes portugueses que ainda estão em cartaz e que recomendo, que é o "Listen", da Ana Rocha de Sousa, muito falado devido aos prêmios que ganhou em Veneza. Mas com muita justiça. E um filme muito pouco falado, no outro lado da moeda, mas que tem resistido, de facto, em cartaz, que é o "Ordem Moral", do Mário Barroso, que eu recomendo vivissimamente. O Mário Barroso é um senhor, septuagenário ou octogenário, grande diretor, histórico diretor de fotografia do cinema português, do José Fonseca e Costa, do Oliveira, etc. E que, talvez há uma década, começou a dirigir os seus próprios filmes, começando no "Milagres", com Salomé. E é muito bom, sendo que é um diretor de fotografia que não se perde no: "Vejam lá este plano muito bonito que eu fiz". Não, todos os planos são incríveis, mas ele não está nada entretido com eles. Até é um realizador com um ritmo bastante mais interessante do que muitos desses pesos pesados para quem trabalhou no cinema português. E o "Ordem Moral" é um filme que conta a história da Maria Adelaide Coelho da Cunha, que era a proprietária do Diário de Notícias e que foi afastada pela situação, digamos assim, pelo antigo regime e pelo marido, e que foi internada, declarada como doida, porque, entre outras coisas, se começou a relacionar com um homem bastante mais novo, apesar de o marido ter uma amante muito mais jovem também, e isso ser entendido como uma coisa perfeitamente natural. No caso dela, era sinal que a senhora não estava no seu juízo. Portanto, o "Ordem Moral" e o "Listen", eu recomendaria. Há o "Ano da Morte de Ricardo Reis", que ainda não vi, do João Botelho, obviamente a adaptação do romance do Saramago, mas que admito que seja bom. Há também, a começar neste fim de semana, o Leffest. 14ª edição do festival, agora adaptada a este mundo em que vivemos e que aos fins de semana fecha à 13h. Portanto, há coisas como filmes às 10h. Para quem se quiser aventurar nesse registo, que um jornalista está mais ou menos habituado nos visionamentos de imprensa, mas que é uma coisa muito estranha, que é começar o dia a meter-nos numa sala escura. É até dia 25 de novembro e está no Tivoli, no Nimas, em Lisboa, e no Alba Cine-Teatro, em Sintra. E há o ciclo do Fellini, integral, ainda a decorrer na Cinemateca, também. Em casa, o que é que se consegue ver? Nunca experimentei, mas por que não? O Vídeo Clube da NOS está com uma programação também especial por causa disto da malta estar toda trancada em casa e algumas das coisas que estão disponíveis são precisamente o "Jojo Rabbit", que falava a Susana, o "Parasitas", para quem ainda não viu, ou o "Capone", que eu não vi e provavelmente vou tentar ver. Na linha ali do que dizia o Hugo, e com muita razão, que é: um tipo também não tem que estar agarrado aos Netflix, às HBO desta vida para ver coisas. Pelo contrário, de facto, não faltam opções. Para quem quiser ver uma coisa recentíssima, ainda consegue hoje, sábado para domingo, à última hora, ainda consegue puxar a box atrás ou rebobinar, para usar um verbo antigo, e ver o "Killers", o novo da Fita, na RTP2, que deu há uma semana e portanto ainda estará disponível até esta noite. E lembrar, entre outras coisas, a grande banda sonora do Sérgio Godinho escrita de propósito para o filme, com a "Balada da Rita" e outras coisas, e ver ali a Gama no auge da sua carreira.
Porto-Novos Carates.
Exatamente, está incrível, não é? E a Adelaide Ferreira a fazer de Palito de La Reine, é o nome da personagem. E pronto, última referência. Para a RTP Play, a propósito da morte do Gonçalo Rio Aires Teles, ainda que se consegue ver na RTP Play, um documentário chamado "Em Nome da Terra", documentário da Rita Saldanha sobre ele. Já tem uns sete anos, mas foi na altura emitido na RTP2, mas está disponível na RTP Play.
Muito bem. Hugo van der Dingh, diz-nos em que filmes é que andas metido ultimamente.
Olha, infelizmente não posso falar aqui desses filmes onde ando metido.
Talvez um dia.
Como eu estava a dizer há bocadinho, fui procurar filmes que se passem todos fechados dentro do mesmo sítio, que é onde as pessoas vão estar, e assim é um convite a rever alguns clássicos
Do cinema, que são também alguns dos meus filmes preferidos. Começo pelo mais antigo, "12 Angry Men". Não sei como é que isto se chama em português. "12 Homens Zangados", talvez. É um clássico do cinema, passa-se com 12 homens zangados dentro de uma sala, são 12 homens do júri. Neste mundo, as pessoas adoram coisas com explosões, etc., e aquelas coisas com imensa gente. É uma coisa muito simples, passada, de facto, só numa sala do júri. Basicamente, sem querer estragar o filme, é um veredito, eles tinham que chegar a um veredito sobre se determinada pessoa era culpada ou inocente. E começam com um voto, 11 pessoas a dizer: "Não, é culpado, vamos despachar que eu tenho que ir almoçar". E só uma delas é que diz: "Espera aí, mas se calhar, eu acho que ele é inocente". E depois o resto do filme desenvolve-se a partir daí, não saem dali e é um filme extraordinário. É engraçado mesmo. Eu acho que é preciso buscar por aí.
Diz, continua.
Não sei dizer exatamente onde é que se pode ver este filme.
Pois, era isso.
É um filme bastante antigo. Agora os outros que eu vou falar, já é mais possível encontrar. Quer dizer, ia falar também do "Shining", que é para as pessoas perceberem que se calhar, há coisas piores do que estar fechado em casa durante um fim de semana, como é, por exemplo, estar fechado num hotel com o marido enlouquecido e com machado atrás de nós, como foi o caso da atriz, aquela senhora que eu não me lembro do nome dela, até porque ela nunca fez rigorosamente mais nada no cinema.
Sabes que não fiz, porque fiz toda a cabeça com esse filme.
É verdade. Sim, e acho que eles se arrependeram de a ter escolhido logo no terceiro dia de filmagens e depois já era tarde demais. E aliás, aquilo era uma comédia romântica e depois resolveram transformar.
Era um filme totalmente diferente.
Exatamente. Depois lembrei-me também do "8 Femmes", do "Oito Mulheres", também se passa todo fechado dentro de uma casa. Eu não sei também se é fácil de encontrar ou não. Deve de ser.
É pesquisar.
É um musical francês que tem as estrelas todas do cinema francês, desde a Fanny Ardant, à Catherine Deneuve, depois às mais novas. E tem ainda a Danielle Darrieux, que é uma atriz do caraças e que no filme tem para aí 90 anos e morreu há um ou dois, já com 100 anos, e foi a primeira grande estrela do cinema francês e que já lá está, coitadinha, que faz um papel muito engraçado e leva com uma garrafa de champanhe nos cornos da sua própria filha, Catherine Deneuve, só por isso o filme já vale a pena. Depois, mais recentes. Lembrei-me de dois do Polanski, o "Venus in Fur", sei lá como é que vocês chamam essas coisas em português.
"Vênus de Vison", acho que é a tradução mais fixe.
Obrigado. E o "Carnage", que se chama "A Carnificina". O "Carnage".
"Deus da Carnificina", sim.
"Deus da Carnificina", exatamente. Esse aí já esteve no teatro também. O "Carnage" é um filme horrível, mas é uma comédia maravilhosa. Para quem não viu, são dois casais que se encontram por uma questão muito pequenina, uma zanga dos filhos no colégio e que de repente, é o descalabro total uns com os outros, dos casamentos deles, e mostra o pior da humanidade, da natureza humana. O filme é muito curto, acho que deve ter para aí uma hora. É divertido. Eu acho que tenho medo que sirva de trigger para quem está em casa numa situação familiar um pouquinho mais tensa, pode dar ideias para se matarem uns aos outros, mas é uma ideia como outra qualquer. Quem se quiser aventurar a ir ao cinema, juntando só mais um filme ali aos que o Alexandre já disse. O "Amor Fati" vai estar aí nas salas, não só de Lisboa e do Porto, vai estar nas salas da Guarda, das Caldas da Rainha, de Albufeira. Há sítios que eu nem sequer sabia que existiam. Caldas da Rainha, Albufeira. Whatever that is. Não, estou brincando. E vai estar aí numa data de sítios. É um documentário sobre uma coisa awesome, sobre amor, sobre casais e sobre como as pessoas ficam iguais quando se amam. Há vários graus de amor, há amizades, etc. E até com animais, e é incrível ver casais de coisas, de pessoas, animais, que se amam e que ficam iguais fisicamente. Olha, é isto que eu tenho para dizer. De filmes, é isto.
É isto e é muito bem. Depois das séries e dos filmes, vamos aos livros. Susana Romana, sem medo.
Eu vou começar isto dos livros a fazer como o digníssimo professor Marcelo fazia, que é: "Tenho aqui três livros que não li, que ainda não li. Por isso vou buscá-los sem os ter lido".
Não há problema nenhum.
Se é legítimo para o presidente, é legítimo para mim. São três livros que eu recebi cá em casa hoje, porque eu comecei a habituar-me a comprar livros em segunda mão. Um, porque sou tinhosa e são mais baratos, porque o Observador não me paga aquilo que eu mereço ganhar. E o segundo motivo é mesmo quase por uma questão ecológica, se eu posso comprar um livro. E então dois dos livros que eu recebi, inclusivamente, são de bibliotecas, vêm com o código da biblioteca. Bibliotecas, alguns no Reino Unido, alguns deles estão carimbados e tudo. Mas pronto, nenhum destes livros é recente, lá está, ainda por cima comprei em segunda mão Este chama-se "A Greedy Man in a Hungry World", é do Jay Rayner, que é um repórter de gastronomia, e é o livro que é um pouquinho o desmentear a tudo que nós achamos que sabemos sobre comida e sobre restaurantes, e é um pouquinho desmistificar de, afinal, o que é o orgânico. O orgânico existe mesmo ou é uma etiqueta de marketing? E é um pouquinho desconstruir algumas das ideias que nós temos, quer sobre a restauração, que tem estado muito na ordem do dia, quer sobre a alimentação no geral. Este aqui do Jon Ronson chama-se "So You've Been Publicly Shamed" e é uma série de entrevistas com pessoas que passaram vergonhas públicas, pessoas que se tornaram virar as pessoas más, pessoas que fizeram twists, que fizeram com que elas fossem despedidas. Ou seja, são pessoas que eram anônimas, na sua maioria, não são todas anônimas no livro, mas na sua maioria são, que eram anônimas e que de repente se tornam famosas, mas tornam-se famosas para serem alvo de chacota, e de ódio, e de rancor, e é um pouquinho como é que elas lidam com isso. E este é só um livro de histórias curtas do Bojan Novak, que algumas das pessoas devem conhecê-lo mais como ator de comédia. Ele entrava, por exemplo, no "The Office" americano, mas é um incrível escritor, sobretudo de pequenas histórias, com ótimo sentido de humor, tem também ótimos livros para crianças. Coisas que eu esteja efetivamente a ler e não só a mostrar-vos as capas. Estou a ler "A Imortal da Graça", do Cipálmio Fonseca. Estou a gostar muitíssimo, passa-se no bairro da Graça e as protagonistas são um grupo de velhotas que têm uma competição entre elas de ver quem é a velhota mais velha do bairro da Graça. E se para isso for preciso matarem-se umas às outras, fixe. A velhota mais idosa do bairro da Graça. Tem imensas críticas sobre os Airbnbs, sobre o turismo. E uma das coisas que é interessante, sobretudo nesta fase de confinamento, é uma das características que se passa nesta Graça deste livro. O livro é um pouquinho realismo mágico, ou seja, tem coisas lógicas e depois tem outras coisas um pouquinho mais fantasiosas. Mas uma das coisas que é interessante no livro, tendo em conta os tempos que passamos, é: neste livro é proibido aos moradores entrar e sair do bairro da Graça. Ninguém pode sair da Graça. Por isso, nesta altura em que ninguém pode sair de casa, tirando os turistas, os turistas são a única exceção, os turistas podem entrar e sair da Graça, são os únicos. E depois, estou a ler um livro do John Cleese sobre criatividade, que na verdade, e para quem está a ouvir isto na rádio, isto não vai fazer sentido, porque quem estiver a ver no Facebook um pouquinho mais, que é: fui super enganada, porque este é daqueles livros com letra gigante, espaços e Facebook do John Cleese. Mas é um livro interessante, o John Cleese tem, que é para procurar no YouTube. O John Cleese deu várias palestras ao longo dos anos sobre criatividade e se procurarem no YouTube encontram várias coisas. Este livro, de alguma maneira, organiza algumas das ideias do John Cleese sobre criatividade, porque ele defende que a criatividade não é uma coisa que se nasce com ou sem, é um músculo que se treina e então são algumas dicas para isso.
Muito bem. Alexandre Borges, é a tua vez. Livros, vamos a isso.
Olha, eu vou ser vergonhosamente breve e a Susana já sugeriu umas coisas e já vimos ali quando estávamos a preparar-nos para entrar no ar, que o Hugo está cheio dele. Portanto, eu vou sugerir uma outra coisa, aliás, duas coisas, que não são livros, é um DVD e uma peça de teatro. Pode ser? Muito rápido. DVD, faz 40 anos de "Raging Bull", de Martin Scorsese, que é só um dos melhores filmes de sempre. E de repente, já agora, DVDs, eu disse isto e pareci mesmo terrivelmente antigo. Vocês sabem que no Corte Inglês já não há DVDs à venda, só reparei noutro dia. Já não há.
E nas Fnac também não acho que há secção, não tem nada a ver.
Mas os vossos computadores têm leitor de DVD?
Não.
Não? Tem que ter um leitor à parte. Tens que comprar um leitor à parte.
E não se consegue encontrar, eu preciso de um e não é muito fácil de encontrar leitores de DVD, se quer.
Exatamente, é isso mesmo. O Hugo estava a dizer: "Não sei onde é que podemos ver estes filmes", e é verdade, é difícil. Para quando o Spotify de cinema, que a tecnologia nos está a dever há uma meia dúzia de anos.
Eu acho que até mesmo as pessoas que querem pagar pelos filmes, mas não dá para ver. Ou seja, se calhar, às vezes, há filmes dos 40 que tens que ir fazer pirataria, mesmo sendo contra, sobretudo quem vive de direitos de autor não gosta de fazer isso, mas não há outra maneira de os ver, só viajando atrás no tempo ou, de facto, pirateando.
Ou então viajar atrás no tempo, qual destas invenções vai chegar primeiro, o Spotify de cinema ou essa máquina do tempo? Tal e qual. É verdade, e é lembrar como o Spotify e similares mataram, felizmente, a pirataria da música. De facto, ela, acho eu, basicamente desapareceu, porque deixou de se justificar. Portanto, o mesmo aconteceria com o cinema e certamente está para breve. Agora, portanto, esta era uma coisa, "Raging Bull", já que ainda não há Spotify de cinema, para já vão ter que se amanhar com os DVDs. Se quiserem lembrá-lo este fim de semana. A sugestão de teatro era, não dá para ver este fim de semana, justamente porque o mundo fecha à 13h e, portanto, apesar de tudo, o pessoal do teatro não se aventou a fazer as peças de manhã, ainda. Diz me.
Já agora, fica já resolvido. A Avenida Q, por exemplo, que está no Teatro Maria Matos, vai fazer sessões de manhã, às 10:00.
Ok, giro. Ainda bem. E de facto, por exemplo, o teatro infantil já costuma ser de manhã. Agora, queria sugerir um espetáculo que se chama "Zé Alguém". Durante a semana, quando puderem, e até o final de novembro, um espetáculo chamado "Zé Alguém", que está no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, que é uma pequenina sala em Algés. Enfim, para quem vive na Grande Lisboa, basicamente é como estar em Lisboa, é logo ali a seguir ao CCB, praticamente. E um espetáculo chamado "Zé Alguém", é um monólogo protagonizado pelo Afonso Lagarto, encenado pela Cláudia Semedo, o texto é do Choulage, do Beware Jack e do Carlos Afonso, e é uma coisa sobre A vida na rua sobre pessoas sem abrigo, a partir de histórias reais e de conversas que tiveram com pessoas sem abrigo e que eu recomendo vivamente, às nove da noite, durante a semana, neste momento.
Muito bem. Hugo van der Dingh, estamos na reta final e vais ter que ser sintético nas tuas sugestões.
Vou ser rápido. Vou começar por uma novela gráfica que se chama "Balada para Sophie", do Filipe Melo, que é mais uma colaboração dele com o Juan Cavia e é uma história awesome, com desenhos maravilhosos. Mandem vir da net, se não quiserem sair de casa. Depois, mais coisas. Saiu agora, pela Bertrand, publicou uma data de reedições de livros do Miguel Silva Cardoso. Aqui temos as 100 melhores crónicas, também uma coisa muito interessante para lerem. Estou a tentar ser rápido. Aqui este livro sei que já está traduzido para português, chama-se "Girl, Woman, Other", em português chama-se "Rapariga, Mulher, Outra", acho que é assim que se chama.
É isso mesmo.
Da Bernardine Evaristo, é um livro que ganhou o Booker o ano passado e são histórias de mulheres negras no Reino Unido e é maravilhoso. Deixa eu deixar para o fim. Também poesia, a antologia poética da Cecília Meireles, saiu pela Relógio d'Água, também uma coisa recente. Leiam, que é muito uplifting. A Adília Lopes já tinha escrito um livro chamado "Estar em Casa" antes da pandemia, que ela é uma pessoa que vê mais à frente que nós, e agora tem o "Dias e Dias", que são também poemas, acho que são todos escritos durante a quarentena. Também, rapidamente, um livro chamado "O Mal sobre a Terra", um livro sobre o terremoto de Lisboa, que era a melhor coisa que nos podia acontecer nesta fase das nossas vidas, penso que também concordam. Depois ia falar de uma coisa, agora a moda das plantas em casa, saiu esta coisa fixe chamada Plantopédia, este é em inglês. Eu comprei este no Under the Cover, que é uma loja ao pé da Gulbenkian, aqui em Lisboa, que tem revistas do mundo todo e acho que é o único sítio em Lisboa, se calhar até no país, onde se encontram revistas que, de outra maneira, não se compram. Há também o catálogo da Gulbenkian, que ainda nem sequer desembrulhei, porque fui buscar há bocado, da obra completa do Amado Negreiros. E vou acabar com livros da Cotovia, trouxe aqui uns do Virgílio, porque a Cotovia fechou. É uma coisa muito triste e é o primeiro dos embates no mundo da cultura, como já aconteceu com os restaurantes todos, que eram os nossos favoritos, que vão todos desaparecer quando acabar esta história da pandemia. A Cotovia é uma vítima na área da cultura. Era provavelmente a mais importante das editoras independentes. Quando voltarmos todos a sair à rua, a Cotovia já não existe. Desistiu. Depois de lutar, infelizmente, a Fernanda Mira Barros, que é a editora da Cotovia, não aguentou mais e fechou, porque as grandes lojas não facilitam, porque a pandemia e porque as pessoas não leem, sobretudo porque as pessoas não dão valor nenhum à qualidade dos livros e à qualidade das traduções e à qualidade em geral. E o catálogo todo da Cotovia está à venda ainda online, no site da Cotovia, até acho que ao final deste mês, ou talvez até ao final de dezembro. E façam esse favor a vocês próprios de conseguir ainda uma parte deste que é provavelmente o mais importante catálogo literário independente português e que, infelizmente, foi com o caraças.
Muito bem. Chegamos ao fim deste especial "Lado Bom da Vida". Obrigado à Susana Romão, ao Alexandre Borges e ao Hugo van der Dingh. Eu ia dizer até à próxima. Na verdade, esperamos não voltar.
Nunca mais, nunca mais apanhas-nos.
Exato. Mas vamos ver o que a pandemia nos reserva. Fiquem em casa, fiquem seguros e até à próxima.
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