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"Get High", depois da nova de Chet Faker, aqui está o Gonçalo Correia para o "Lado Bom da Vida", à segunda-feira, com novidades musicais. Gonçalo, bem-vindo.

Olá, bom dia.

Gonçalo, hoje, pelo que percebi, vamos olhar para três artistas emergentes, mais ou menos.

Sim, que estejam a lançar o primeiro, o segundo, terceiro. Num dos casos, terceiro disco, mas também nesse caso será um autor menos conhecido. Tendo em conta que na sexta-feira passada saíram discos também de grupos com bastantes anos, muito consolidados, como os Mogwai e os Tindersticks, decidi ir aqui para uma espécie de descobertas, revelações, surpresas que as pessoas possam não conhecer e que possam ficar a descobrir.

E começamos com Tash Sultana?

Começamos. A Tash Sultana é uma cantora, compositora e multi-instrumentista, porque ela toca tudo e mais alguma coisa. É muito conhecida por isso, pela quantidade enorme de instrumentos que toca, e isso é muito visível, por exemplo, ao vivo, onde a vemos tocar instrumentos de sopro, teclas, guitarras, um bocado de tudo. Ela é australiana, nasceu em 1995 e cresceu em Melbourne, tendo começado a tocar guitarra com três anos. A carreira musical dela começou muito a tocar na rua. É um bocado um produto dos tempos, na medida em que, é verdade, começou a tocar na rua, mas acabou por se tornar muito conhecida através do YouTube, do Bandcamp, das plataformas digitais de música. Ela lançou o segundo álbum na passada sexta-feira, um disco chamado "Terra Firma". Eu não sei se a ideia era escrever "terra firme", acho que era. Alguém da Sony Austrália podia ter se aconselhado aqui com alguém da Sony Portugal, se calhar, para ser "Terra Firma" em vez de ser "Terra Firma". Mas é um disco que tem canções como esta, "Crop Circles", que estamos aqui a ouvir em fundo. E a Tash Sultana tem 25 anos, vai fazer 26. No dia 6 de setembro, se a Covid-19 permitir, deverá atuar no Coliseu de Lisboa. Tem um concerto agendado por ali.

Um concerto que, de resto, Gonçalo, esteve agendado para agosto do ano passado. Depois teve esse adiamento agora para 6 de setembro de 2021.

Sim, é daqueles concertos que têm sido empurrados com a barriga, na esperança de que a coisa possa melhorar por alturas do verão. Vamos ver se será possível ou não. Mas a Tash Sultana, por exemplo, já tinha passado por palcos portugueses, tinha passado pelo festival NOS Alive. É engraçado porque se nós formos ao YouTube procurar pelo nome dela, os cinco, seis vídeos com mais visualizações, mas de muito longe, são gravações de quarto ao vivo da miúda a tocar uma série de coisas e a mostrar-se, porque ela era muito conhecida como uma "one person band" e muito conhecida também por esse lado meio virtuoso. Quer dizer, diz-se que ela toca mais de 20 instrumentos, portanto, de guitarra, de baixo, trompete, flauta, percussão, saxofone, uma série de coisas. E havia um bocadinho este desafio de passar de miúda que é mais conhecida pelas brincadeiras que faz com os instrumentos e pelo virtuosismo e pelo ecletismo na quantidade de instrumentos que toca, para fazer canções gravadas de estúdio para álbuns um bocadinho mais sólidos. E este disco, este "Terra Firma", que anda um bocadinho ali pela onda da pop, da soul eletrónica, do R&B, tem também influências do jazz, alguns ritmos também certamente influenciados pelo hip-hop. Não é ainda um disco perfeito, sem mácula, mas acho que é uma boa aproximação da Tash Sultana a esse conceito de compositora com canções e já não só instrumentista e artista ao vivo.

Gonçalo, vamos aqui olhar então para Lyel Mil. Quem é?

Sim, eu estive a ver, nós falávamos em off sobre como é que se pronunciaria este estranhíssimo nome, e eu fui encontrar aqui um vídeo e parece que se lê qualquer coisa como Leo Mil, alguma coisa assim próxima.

Ok.

É uma americana, ela cresceu na Virgínia, mas vive há muitos anos, há mais ou menos uma década, em Los Angeles. É um disco que tu já perceberás, que já me conheces um bocadinho, que é a minha praia, assim com toadas meio poéticas, meio melancólicas, meio calminhas. Aliás, esta "Every Star Shivers in the Dark", acho que mostra um bocadinho isso.

Mas eu estou a gostar.

Pois.

O órgão pica um bocadinho o miolo.

Sim.

É o meu contributo técnico para esta rubrica.

Sim, o disco foi todo feito um bocadinho aí.

Fundo.

É muito...

Mas é tipo o órgão dos Doors, também pica um bocadinho o miolo, mas faz falta.

Sim, ou da Igreja de Santa Catarina.

Oi, sim.

Não tem um ar angelical este órgão, se eu acho.

Tem. Mas continuamos. Entretanto, estou a ver fotografias da Lyel, Gonçalo, para ver quem é.

Pois, acho que fazes bem.

A nova estrela da subpop, foi logo o que encontrei.

Pois, é isso. Ela já tinha lançado um disco em 2015, agora apareceu com este disco lançado com um bocadinho mais de pompa e circunstância Pelas editoras. Eu acho que este instrumento que estamos a ouvir aqui em fundo, eu nunca consigo distinguir exactamente o tipo de instrumento de teclas, mas eu acho que é um omnichord.

Tiago, percebemos bué disto, repara. E ele está aqui a corrigir-nos. Afinal, não é um órgão. Afinal, qual órgão? Omnichord.

Omnichord, parece-me.

Obrigado, Gonçalo. Omnichord é uma editora de Leiria, não é?

É, também é. Começou por ser uma espécie de substituto eletrónico da harpa, pelos vistos.

É, lá.

E entretanto já é um instrumento eletrónico por si. Há uma coisa que é curiosa nesta história, que é: a Leah O'Neal tinha feito uma série de tentativas de discos ao longo dos últimos anos, já tinha a sua pop rondar e já tinha alguns tipos da indústria atrás dela, e foi mandando tudo para o caixote do lixo e decidiu fazer um álbum que é muito simples. Portanto, é sobretudo à base deste instrumento que aqui ouvimos. Há uma canção um bocadinho com mais guitarra elétrica, mas é palavras, à procura de uma certa poesia nas letras e a cantar com estes tons meio folk, country, uma soul calminha. É um bocadinho isto que temos, mas é um álbum para lançar a Leah O'Neal na indústria musical.

Ela que, como este omnichord, tem ela própria um ar bastante angelical.

Tem. E eu esqueci-me de dizer que o disco se chama "Acquainted with Night", porque parece que apesar de a moça ser uma pessoa matinal, em geral, tal como vocês.

Claro.

É uma pessoa que fez muito este disco e estas canções durante a noite, estranhamente, surpreendentemente.

Gonçalo, para terminar, um minuto para o novo disco de Lu Cargel. Chama-se "Samba de Guerrilha". Tem uma particularidade este disco, não é? O facto de existir ali uma espécie de narrador que acompanha estas histórias que o Lu Cargel nos vai contando.

Sim, isto é meio disco, meio aula de História.

Disco de intervenção também, diria.

Sim, sem dúvida. É um disco que o Lu Cargel também já passou aqui pela Rádio Observador há poucos dias e em 2009, quando tinha lançado o segundo álbum, "Conversa de Fila", deu uma entrevista também longa ao Observador, onde falou um bocadinho do percurso dele. Ele é um poeta, compositor, cantor do Rio de Janeiro, chegou ao Porto em 2012 para estudar Literatura. Já tinha livros de poesia editados, gostava de música, fundou grupos de samba e lança aqui um disco chamado "Samba de Guerrilha", em que tenta selecionar os sambas que ao longo da história foram mais políticos e que olharam mais para a realidade do Brasil, denunciando, nomeadamente, questões relativas ao racismo na história do Brasil, à escravatura, ao processo de abolição da escravatura, à desigualdade também social e económica. E temos estes textos que são espécie de covers, porque são sambas antigos que o Lu Cargel grava, toca e interpreta com, como ouvimos aqui, guitarra elétrica. Os arranjos não são nada típicos de samba, mas é um disco para provar que o samba também não é só festa, não é só carnaval, não é só jovens a beber cerveja e a curtir durante uns dias. É também uma estética musical que serviu também para se misturar um bocadinho com a história do Brasil e para denunciar as chagas da história do Brasil. E é um disco que tem as canções, lá está, e tem uma narração de uma angolana chamada Telma Tvono, uma rapper e autora, escritora angolana, que vai explicando como é que aquele samba aparece, o que é que aquele samba quer dizer, a que factos históricos é que se remonta.

Uma contextualização.

Exatamente. Ouvimos aqui uma das músicas, mas vale a pena descobrir o disco.

Muito bem, Gonçalo Correia às segundas-feiras com o lado bom da vida e as novidades no mundo da música. Tash Sultana, Leah O'Neal e também o quase já português, diria, Lu Cargel, são as sugestões do Gonçalo para esta semana. Obrigado, Gonçalo, e boa semana também pra ti.

Obrigado a todos.

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