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Aqui estamos nós. O melhor emprego do mundo é aqui na Rádio Observador com a nossa Rita Camarneiro, Ritinha. Olá, Catarina. Olá, Teresa. Tudo bem com vocês? Tudo. Teresa, nós hoje fomos presenteados com o novo look da Catarina, que está morena.

Está morena, é verdade. O rádio não faz jus a esta mudança visual.

Pois é. Olha, agora estamos as três. Pois, estamos as três. Três morenas. É um degradê. Tu estás mais loirinha, a Teresa está ali no meio, eu sou a mais escura. Só para contextualizar, para quem estiver aqui a pensar, hoje o André não está a 100%, por isso temos aqui a nossa Teresa Borges. Estamos em ótima mão. Enfermeira jornalista, não é? Diversão nas minhas mãos. Vamos lá, mas por onde é que tu andaste? Esta semana fui à Web Summit. E não só fui à procura de startups com ideias inovadoras, as chamadas unicórnios, mas também para perceber o que é ser empreendedor. E atenção, estava muita gente lá. Mas já foi na última hora do Web Summit. E aprendeste a ser empreendedora? Teresa, é assim, isto não é assim, não é? É um conceito muito amplo. Encontrei, por exemplo, um CTO de uma empresa que se chama Cannabud.ai, que falou um bocadinho sobre isto. É o João Santos.

Eu acho que não há idade para o empreendedorismo e acho que em Portugal há muito apoio neste sentido. Acho que basta querer, ter uma boa ideia e ter uma equipa boa.

Então que empresa é essa? Cannabud? É Cannabud? É Cannabud. Era muita gente, eu quase às vezes não conseguia ouvir bem o que as pessoas estavam a dizer, mas depois ouvi agora. É uma empresa que fornece software de gestão no cultivo e produção de cannabis, que promete economizar horas em processos de regulamentação, que há muita, e ele falou-nos um bocadinho desta indústria que é relativamente jovem.

Ou seja, neste momento Portugal está com a maior exportação da Europa a nível de cannabis.

Mas também consome cá dentro?

Muito pouco.

Não estamos só a fazer para exportar.

Exatamente, é muito para exportar, mas acredito que com a introdução de novos medicamentos no mercado farmacêutico, começa a haver também mais investimento.

E pelo que eu percebo, eu que sou uma entendida neste caso, já existe alguns medicamentos produzidos em Portugal. Existem, senhora. São quatro, mas não nos vamos demorar por aqui. Eu pedia sempre a um CEO para me sugerir outra startup e vamos então à próxima. Por exemplo, às vezes não te acontece, Teresa, quereres um machado e não teres? Nesta altura do ano só mesmo para cortar lenha, não vejo outra utilidade. Não, mas é para matar dragões. Conheçam a Mystic.

Sem dúvida. Nós chamamo-nos Mystic. Nós damos infraestrutura aos jogos para deixar os seus jogadores trocarem coisas dentro do jogo. Portanto, damos os protocolos que permitem aos jogadores comprar, trocar, arrendar coisas uns aos outros dentro do jogo. Vamos imaginar dois jogadores. Um arrenda uma espada ao outro para ele poder ir matar um dragão durante uma semana. O jogador dois paga-lhe €2 por dia para usar a espada e depois o jogador recebe uma parte, nós recebemos uma parte, o jogo recebe uma parte, toda a gente fica feliz, no fundo.

Isto está sempre a acontecer, às vezes precisar de um lança-chamas para matar mosquitos e não ter. Eu estava aqui a ouvir. Isso parece os jogos que o meu filho faz. Eu pensei exatamente no teu filho, quando falámos aqui dos jogos. Eu gosto muito dessas coisas assim de estratégia. E agora do machado e do lança-chamas. Se calhar se há uma carta do Magic. Exato. Por exemplo, às vezes temos uma manilha seca, na sueca. Pedir um ás a uns jogadores, por exemplo. Bom, mas também descobri uma empresa que ajuda outras startups. Falei com o CEO que tem um podcast chamado BTalk sobre negócios portugueses e dá dicas de como começar. E vamos então. Qual é a maior dúvida que uma pessoa tem quando começa uma startup?

Como começar.

Como é que se começa? Consegues em 30 segundos dizer como é que se começa uma startup?

Começa-se a fazer. Eu dou respostas muito curtas.

É, foi demasiado, foram 30 segundos. Querias um segundinho e... Sim, isto é o oposto. O oposto de um coach. Exatamente. Sim, o coach fala muito, normalmente diz a mesma coisa. Isto foi ao contrário. Mas se tiverem interesse, podem sempre ouvi-lo mais no podcast dele. Seguimos em frente, isto é sempre a aviar. Siga. Falei também com um grupo que se conheceu lá, recém-formados, que nos falaram de uma área que foi muito destacada nesta edição da Web Summit, que é a Women in Tech.

Nós queremos é com as turbinas eólicas.

Não é bem esta. Tercia, então, vamos lá ver. Calma. Women in Tech. Não sei se será por aí, se não, podemos passar em frente também, porque é outra. Não faz mal. Mas basicamente era um espaço onde várias mulheres falavam sobre tecnologias e de como cada vez há mais mulheres nesta área e também para promover em sítios onde não existe esta igualidade. Mas isso é extremamente interessante. E vamos a mais startups, isto é sempre a rodar. Agora vou mostrar-vos uma empresa revolucionária. Olha, mas se quiseres, voltamos atrás e já temos o som. Ai, já? Então vamos.

E tem sido incrível ver tantas mulheres na área e tanta interajuda e apoio. Ou seja, está a haver imensas palestras, conheci imensas empresas que estão cá para apoiar, para chamar mais mulheres para a área, porque em Portugal se calhar não sentimos isso, mas lá fora há muitas mulheres que nem sequer podem estudar esta área, porque não existem outras mulheres que ensinem, porque a sociedade não permite. Não existem exemplos, exatamente, e então tem sido incrível ver tanta gente a investir em trazer mulheres para a área e a ensinar.

Olha, muito interessante, mesmo. Exatamente. E vamos então a mais startups, isto lá está, é sempre a rodar, como já vos disse. Agora vou mostrar-vos uma empresa revolucionária no que toca à transição energética, é a Windcredible. E agora sim, é aquele som que há bocado estávamos a ouvir.

Nós queremos é com as turbinas eólicas, trazer qualidade de vida às pessoas. Como? Nós temos as grandes turbinas eólicas na montanha, mas queremos tê-las nos telhados da nossa casa. Mas elas são muito grandes, fazem barulho e vibram. Nós agora temos um design Patentearmos em que podemos pôr as turbinas no telhado da nossa casa, não fazem ruído, não vibram e produzem energia elétrica.

Parece-me uma excelente ideia poupar em eletricidade.

Sim, e curiosamente esta parabólica estava desenvolvida há mais de dez anos, mas estava no técnico à espera de ver a luz do dia e foi o projeto de doutoramento de Nelson Batista, o inventor deste aparelho.

Enquanto estávamos como militares da guarda, utilizámos as nossas ferramentas de investigação e encontrámos um nome português, Nelson Batista. Contactámos e o Nelson trabalhava há dois minutos no nosso quartel.

Exatamente. Eram dois militares da GNR que já faziam uma espécie de reciclagem de aparelhos elétricos, de como reaproveitar, e juntaram-se ao inventor Nelson Batista, que juntou estes militares da GNR, que entretanto já saíram para se dedicar exclusivamente a isto. E o António, que foi com quem estivemos a ouvir da Windcredible, fala do que é preciso para não se ficar assoberbado com trabalho.

O que é muito importante, principalmente neste mundo de empreendedorismo, é manter a sanidade mental e o equilíbrio entre a parte efetiva do trabalho e a família.

Isto é o segredo para tudo, não é?

Exatamente.

E é o maior desafio.

É o maior desafio, sim. E vamos à próxima ideia, trata-se de uma startup que se chama Musiversal, não sei se já ouviram falar.

Não.

Falei com o inglês Xavier James. Não é Javier nada, é Xavier. Eu digo em espanhol, mas é Xavier. E ele fala da empresa criada pelo português André Miranda e fala da Musiversal. Vamos ouvir.

Em suma, você gosta de música?

Sim.

Ok. Você já teve melodias ou letras na sua cabeça?

Sim.

Certo. Então você é basicamente uma compositora, certo? O que nós permitimos para você é transformar essa ideia que você tem na sua cabeça em uma música profissional de alta qualidade, do início ao fim, onde você não precisa fazer nada. Tudo o que você precisa é de um telefone ou um laptop e se conectar com todos os nossos profissionais. Você paga uma assinatura mensal e em 20 minutos pode estar em uma sessão remota ao vivo com um baterista de classe mundial de Londres que está tocando bateria para a sua música. E então você toca o baixo com um baixista no Rio.

É outra empresa unicórnio.

Basicamente qualquer pessoa quase pode ser músico, não é?

É verdade, é mesmo uma excelente ideia. E além disso, dá emprego também a músicos.

A músicos?

Sim. É o primeiro e atualmente o único estúdio de gravação online do mundo, onde o utilizador pode gravar em tempo real com músicos de topo. Ou seja, Teresa, podes finalmente lançar o teu álbum de glam rock.

Já tive o cabelo azul, sabes que sim.

A sério? Ai, eu adorava! Então lá está, nesta plataforma podes ir, há uma subscrição.

Só falta a música.

Faltam os músicos, se calhar.

Eu não te imagino, Teresa.

Mas como vocalista?

Não, como vocalista não.

Só tiveste o cabelo azul, não tiveste voz de cabelo azul, é isso?

Sim, não tive nunca tipo.

Mas se tivesse uma banda?

Se tivesse uma banda? Eu acho que era baixista.

Baixista, é? Tocas baixo?

Não toco, mas gostava.

Olha, eu já tive o cabelo rosa.

Pensei que eram aspirações que estavam aqui em causa.

Não, claro, são aspirações.

Sim, claro.

E mesmo se tiveres uma melodia na cabeça, como estava a dizer o Xavier, podes ter com estes músicos e fazem a música por ti e podes ter música original. Lá está.

Vamos esperar agora.

É um bocadinho cara a subscrição, são $150.

É?

Sim.

Mas também já viste que depois tens quase músicos originais.

Verdade. Vamos seguir em frente, porque eu gostava também de dar destaque a uma outra startup que se encontrava neste espaço das empresas unicórnio. Chama-se ID Social Up e procura inclusão no mundo do emprego qualificado a pessoas mais velhas, minorias étnicas. E a Alice fala como surgiu esta ideia. Muitas vezes as ideias surgem de uma experiência menos boa pessoal.

Quando eu me submeti para uma entrevista de emprego para trabalhar na área de comunicação aqui, a recrutadora, num primeiro momento, foi muito receptiva, me convidou para fazer uma entrevista de emprego e falou: "Se prepare para 30 minutos", mas no momento da entrevista, quando ela viu do outro lado da tela uma brasileira altamente qualificada, mas de cor, o que era para ser 30 minutos se encerrou em três.

Verdade, três minutos de entrevista e claro, não ficou. Isso fez com que tivesse esta ideia para criar este ID Social Hub, que procura dar emprego qualificado a várias pessoas, quanto mais multiplicidade, melhor. Bom, e já agora, gostava também de vos dar a conhecer aquilo que considero o pior trabalho do mundo. Sabem qual é?

Coletor de bolsa.

Não.

Eu pensava em segurança de estádio, não que eu goste muito de bola, mas não gosto da profissão.

Por quê? Porque eles estão sempre de costas.

Também é isso.

Exatamente, sim. Não, falo do trabalho voluntário. Porque é um trabalho que não é pago.

Pois.

Mas não é assim visto. Atenção, vamos ouvir um contacto.

No fundo, é conseguir vir ao evento e não ter bilhete, ser voluntário. O bilhete ainda por cima é super caro, é uma forma de estar cá e não pagar. Digamos assim, fazer um trabalho que é leve e no fundo tens a experiência quase toda igual.

Pronto, ouve as palestras.

Exatamente. Mas correu tudo muito bem. Eu falei com os voluntários e também com os seguranças, que correu tudo muito bem, não houve qualquer conflito. Houve muita gente a passar por lá. E fiz também uma compilação com as respostas de vários CEOs à pergunta: quantas horas trabalhas por dia? Vamos ouvir.

Mas diria 10 horas por dia.

Eu vou dizer 10, provavelmente, em média. Portanto, acho que temos que dar tudo.

24.

24? Não pode ser.

Eu trabalho a dormir.

Mesmo enquanto estamos a dormir. Porque eu acordo à meia-noite e mando mensagens ao Felipe e já tenho mensagens do Felipe enviadas para mim. Portanto, o trabalho é constante.

Quantas horas eu trabalho? São muitas, vamos colocar dessa forma.

Já há um mês, mais de 14 horas por dia, 15.

Tens dormido quantas horas por dia, mais ou menos?

Quatro, quando corre bem.

Atenção, fazia parte do Portugal Startup, que estava na organização deste espaço dos unicórnios. Portanto, é normal ter dormido pouco neste último mês. Estava a organizar tudo isto.

Quatro horas de sono?

Quatro horas de sono.

Quatro horas de sono, há pessoas que aqui acordam às quatro da manhã.

Sim. Pois, é verdade. Mas no fundo estamos a falar de pessoas que estão a criar a sua própria empresa, que não se importam de trabalhar mais do que o normal. E já agora, gostava também de partilhar o último som, que é o Web Summit Out of Context.

Eu adoro.

Que é um bocadinho o que eu senti. E peço desculpa, mas está em inglês. "Sorry, I'm sweating like shit because I was vrum, vrum, vrum, vrum."

Vrum, vrum.

Sempre a aviar. Aquilo era muito grande, eram muitos pavilhões e era difícil. Vocês não têm aquela coisa de chegar a um sítio e sentirem uma ansiedade tremenda? Muita gente não sabe que eu tenho ansiedade.

Claro, toda a minha vida é ansiedade.

Bom, então há de ir ao Web Summit, passa-te logo. Durante algum tempo fiquei ali um bocado barata tonta: "Para onde é que eu vou?" Mas fiquei aqui nesta parte dos unicórnios portugueses, que são incríveis e temos muitas boas ideias. E a Vansun, só que já viram, trabalha-se muitas horas.

Pois, já vi. E saís-te lá uma empreendedora, Nata?

Sim, mais ou menos. Já sei o que é preciso é começar. É fazer.

Começar.

É dormir pouco.

Trabalhar muito.

Exatamente.

Pronto. Ficaste convencida?

Mais ou menos. Para o ano volto, se calhar.

É?

É.

Olha, mas não foste ouvir a palestra da Cristina Ferreira.

Não, não cheguei.

Da inteligência artificial.

Não, mas ouvi reviews. Não se aprendeu grande coisa.

Pronto, é isso.

Mas falou-se muito também de inteligência artificial e como no futuro pode ser difícil distinguir aquilo que é real daquilo que é artificial. Isso sim, é um problema.

Sabes que hoje em dia já há muitas agências de marketing que recorrem ao ChatGPT, precisamente?

Eu acho que daqui a uns tempos vão criar uma espécie de robô, um sistema que permite saber se alguém usou ChatGPT ou não, a inteligência artificial.

Pois. Sim. Pronto, mas isso tem pano para mangas. Olha, por exemplo, a Ana Garcia Martins traz quase todas as semanas novidades da inteligência artificial no "O Que É Que Sucede?".

Boa.

Sim, vamos ver. Depois do Me Dia. Olha, Rita, muito obrigada por aí estarmos e até para a semana, o melhor emprego do mundo com a nossa Rita Camarneiro.