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Está no ar o que sucede com a nossa Ana Garcia Martins, Pipa Calamairos Doce e os seus favoritos, os seus preferidos.
Sim, vamos dizer que sim, mas isso pode mudar. Vocês têm de se esforçar para manter esse título de favoritos.
Já foi criado um ambiente de Guerra Fria na redação.
É. Eu vim para isto, só vim para isto, para instigar o ódio.
Mas é assim, nós somos os preferidos, mas eles têm direito a um bolo. Não sei.
Vamos ver. Eu achava que vocês, como comissão, deviam ter criado uma comissão de boas-vindas para me receber. Mas não, afinal quem vem é que tem que trazer coisas.
Eu também tive que trazer o bolo.
Foi?
Foi, eu trouxe.
Está bem. Vou fazer um tipo de aipo e rábano.
Olha.
Uma coisa saudável assim.
Gosto. Vamos lá. O que sucede então?
Antes de mais, muito bom dia. A vossa semana foi boa?
Foi.
Não precisam de responder. Era uma pergunta meramente retórica para fingir que eu sou uma boa alma e que tenho interesse nas vossas vidas, não tenho? Não, mentira, estou a brincar. A vossa vida interessa-me imenso, mas nós dispomos de pouco tempo, como sabem, para falar de tudo o que anda a acontecer nas redes sociais. E olhem que aconteceu imensa coisa nestes últimos dias. E coisas boas, mas em mal. Sabem aquele tão mal que vira bom? Estão a ver? Estão a acompanhar-me?
Sim.
Pronto, foi isso. Estes últimos dias têm sido um desassossego, ao ponto de eu ontem, juro, fui ver se ainda estávamos em Mercúrio retrógrado, porque eu acho que só um fenômeno assim meio paranormal é que pode explicar o desvario que anda para aí. Normalmente, o Mercúrio retrógrado afeta eletrodomésticos, não sei se sabe o que aconteceu.
Olha, eu fiquei sem máquina de lavar louça. É verdade.
Pois, as coisas deixam de funcionar. Mas eu achei que estávamos perante uma nova versão que afeta exclusivamente a cabecita das pessoas. É como se tivessem apanhado sol a mais. E depois isso faz com que digam coisas estranhas e parvas, e às vezes estranhas e parvas ao mesmo tempo. Bom, começamos então por um dos assuntos mais comentados da semana, o nosso ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que parece ter caído num caldeirão de confiança e embrenhou-se quinta-feira numa animada troca de palavras com André Ventura. Eles juntos transformaram a Assembleia numa espécie de jardim de infância, onde só faltou, eu juro, estamos a isto de ouvir um "quem diz é quem é e o ar é de todos, estúpido". Não aconteceu, mas faltou pouco. Então, depois de todas as salganhadas em que o ministro tem andado metido, a questão do aeroporto de Lisboa, a empresa que detém, juntamente com o pai, que nos últimos anos, de forma absolutamente casual, celebrou 22 contratos com o Estado, a privatização da TAP, André Ventura, perante isto tudo, não resistiu a provocar Pedro Nuno Santos e disse-lhe, vou citar: "Está aqui sem o apoio de ninguém. Se alguém lhe quer tirar o tapete, não é o Chega, nem a Iniciativa Liberal, nem o PSD. Esse tapete é tirado por António Costa e por dois terços da bancada socialista". O malandro, não é, a sugerir que o ministro não tem amigos na Assembleia. Eu avisei que isto parecia um jardim de escola. Ora, Pedro Nuno Santos não se deixou ficar num canto a chorar com a maldade, nem sequer foi fazer queixinhas a António Costa, do gênero: "Aquele menino está a ser mau para mim". Não. Quando André Ventura questionou quanto tempo mais é que Nuno Santos iria ser ministro, este sai-se com um, e esta foi a frase da semana: "Garanto-lhe que vai sair deste Parlamento e eu ainda cá vou estar". Pumba! Toma lá queixa, ó Nuno Santos.
É verdade.
Se achavam que André Ventura ia ficar calado depois disto, acham mal. Acham mal, porque André Ventura não guarda nada para ele. Então, o que é que ele fez? Foi para o Twitter, porque também na assembleia se calhar já chegava.
Exatamente, era isso que eu estava a pensar.
Foi para o Twitter e entregou o assunto a entidades divinas. Escreveu ele: "Aprendi com a vida e com a minha fé que o futuro a Deus pertence. Por isso vamos ver, senhor ministro, vamos ver". E ainda voltou à carga com: "O ministro Pedro Nuno Santos achava que vinha fazer um passeio ao Parlamento, mas nós não deixamos". Que bonito, não é?
E foi profundo.
Foi muito profundo. Eu gostei sobretudo desta referência a Deus.
Se calhar podia ter arranjado até um sonzinho e tudo, não sei, só para tornar.
Eu estava a pensar nisso também.
Pronto. Ora os tuiteiros reagiram a esta discussão sobre quem é que vai dar de frosques mais depressa da assembleia e muitos deles ativaram uma coisa que eu nunca tinha visto. Eu confesso que não era muito ativa no Twitter até vir para aqui para o Observador. Há uma coisa chamada "remind me of this tweet". Sabem disso, não é? Que é uma coisa que nós escrevemos um @ e escrevemos "remind me of this tweet", que é uma espécie de alarme que nos relembra um Twitter escrito. E portanto, os tuiteiros querem recordar esta frase de Pedro Nuno Santos, a dizer: "Eu ainda cá estarei e o senhor é que se vai embora". Isto transformou-se no Twitter numa espécie de jogo para tentar adivinhar quanto tempo é que Nuno Santos se aguentará no governo. E portanto, havia gente a escrever: "Lembrem-me deste Twitter daqui a dois anos", que são pessoas até positivas, mas outras a dizer: "Lembrem-me disto daqui a um mês, vamos ver como é que isto está". O que vocês acham? Quem é que vai aguentar mais tempo no Parlamento? Não é quem é que vocês querem, é quem é que vocês acham.
Não.
Isto é muito imprevisível.
Pois é.
Porque o governo pode cair entretanto, depois pode ser dissolvida a assembleia, até podem cair os dois quase ao mesmo tempo.
Olha o Diogo.
Não é incrível o Diogo pensa sempre assim no cenário pior.
Podem cair logo os dois ao mesmo tempo, pode ser. Ao mesmo tempo nunca é, mas ali por tinha um do outro.
Eu gostei de dizer o ministro todo confiante, mas esta é daquelas coisas que muito provavelmente pode vir a virar-se contra ele. Se o governo cai, se ele é demitido, esta frase vai ser replicada até à exaustão, vai virar um meme. Portanto, eu acho que se calhar mais valia ter estado só sossegado da vida dele.
Olha, mas agora que tens Twitter, não és muito mais feliz? Não.
Não, sou muito mais feliz, porque o Twitter é uma selva.
Diziam do Instagram, nada disso.
Não, o Instagram é Bambis. A malta hardcore está toda no Twitter.
Verdade.
Esta frase de Nuno Santos pode ter sido um tiro ao lado quem também? E Catarina, põe aí o nosso. Põe um sonzinho para o tiro ao lado da semana. Ora o tiro ao lado da semana.
Não tínhamos tido a semana passada. Este foi estreado nos menos favoritos.
Foi, porque eles estão a dar tudo, percebem? Eu não vejo o mesmo esforço da vossa parte. A equipa da tarde arranjou um sonzinho.
Mas eu também tenho. Queres outro? Eu tenho. Vês?
Vamos guardar mais pra frente.
Pronto, a equipa da tarde.
Não é tão bonito, gostei mais do tiro ao lado.
Pronto, então fica o tiro ao lado.
O tiro ao lado podia ter sido a frase de Pedro Nuno Santos, mas não sabemos como é que isto vai acabar. Portanto, eu escolhi outra do bispo do Porto, Manuel Linda. Ao que parece, o nosso bispo tomou-lhe o gosto a estar metido em polémicas. E como já, sei lá, para aí há meia hora que ninguém falava nele, ele sentia que andava com uma vida mais parada, mais xoxinha. E então, vai daí para agitar as águas, ele resolveu publicar um Twitter também ele muito bonito, que passo a ler: "Todos os contactos e relacionamentos criam especiais laços de amizade, mas os laços de sangue entre pais e filhos possuem uma tal força que nada os desfaz. Nunca os substituamos pelo apego a um qualquer animal de estimação, típico das sociedades decadentes."
Eu gostei da forma como tu leste aqui o tweet.
Que oportuno, não é? Numa altura em que a Igreja portuguesa está absolutamente debaixo de fogo à conta das queixas de abusos sexuais, aliás, com o próprio Manuel Linda que foi acusado de ter ignorado algumas dessas denúncias, nada melhor do que vir falar do quê? Bichos de estimação.
Eu acho que às vezes é mesmo quem dá mais. Vamos ver quem é que ainda consegue piorar. Eu acho que é assim.
Vamos continuar a escavar por aqui afora. Eu estou um bocadinho com o bispo do Porto, na medida em que também acho meio esquisito quem trata os bichos por filhos e lhes faz roupinhas em tricô, porque isso acontece. Mas depois a pessoa pensa: "Mas quer dizer, entre isso e padres pedófilos, o que é que será pior?" É que com estas declarações é mais ou menos como se o bispo estivesse a dizer: "Abusar de crianças ainda é como o outro. É normal que um padre dá uma festa a uma criança, quando dá por ele entusiasma-se, já vai por ali afora. Agora, ser demasiado carinhoso com os bichos não é alto e para o baio, que há limites pra isto. Que nojo!" Ora, o PAN não achou graça nenhuma a ver os bichos metidos ao barulho. Não achou. E também veio pro Twitter dizer de sua justiça. Inês de Sousa Real, porta-voz do Twitter, disse: "Os laços de amizade que unem o ser humano aos animais nada têm de decadente. Já os abusos contra menores tipificam o que de mais abjeto há em sociedade." Eu imagino que quando Manuel Linda escreveu isto, é como tu estavas a dizer. Eu acho que foi uma espécie de missão suicida, uma prova de amor à Igreja do gênero. Enquanto falamos dos bichos, não falamos dos abusos. Vamos fazer aqui uma manobra de distração. Não resultou, porque os comentários na caixa do Twitter de Manuel Linda multiplicaram-se e todos muito dentro do gênero deixado aqui por este twitteiro que eu escolhi, que diz: "Excelentíssimo senhor bispo, ainda está para ser descoberto o animal de estimação que tenha abusado de menores, ao contrário de muitos padres." Ou seja, animais de estimação, um, padres abusadores de crianças, zero.
Deixa-me adivinhar, esse também foi o comentário mais soft que leste, certamente.
Foi o mais soft que li.
Acredito que sim.
Eu acho que podemos todos concordar, pelo menos todas as pessoas que sejam minimamente normais, iremos sempre preferir pessoas que tratam demasiado bem os animais a pessoas que tratam demasiado mal crianças. Concordamos, acho que estamos todos de acordo nisto, não é?
Sim.
Pronto, estamos de acordo. Não sei se tens mais algum som pra mim, bonito.
Gostaste tanto deste?
Gostei deste. Vamos então à rubrica, ao momento "Nem tudo o que vem à rede é fixe." Este é aquele momento.
Adoro o trocadilho.
Não é maravilhoso?
Adoro. Ouvi na quarta-feira e pensei .
É verdade, eu já tinha pedido elogios na quarta-feira, mas vocês sintam-se à vontade.
Mas eu disse, o Diogo está calado.
Está ótimo.
Melhor trocadilho.
Diogo, tu não queres continuar na lista dos favoritos da Ana?
Mas está excelente, tu a dizeres está excelente.
Está excelente. Eu preferia um: "Isto é o melhor trocadilho que já ouvimos desde a fundação desta rádio ou da rádio em geral."
Eles são mais à tarde. Nós somos só dois, começamos mais cedo.
Eram só três. Na quarta eram só três, Catarina, e vocês valem por cinco, cada um de vós.
Eu senti aqui um elogio.
Vamos começar a ter que cortar relações com pessoas.
Daqui a três semanas ninguém se fala nesta rádio, vai ser um ambiente ótimo.
Olha, prepara-te pra notícia que vai sair. Pipoca Mais Doce queria. Confusão na Rádio Observador.
Gosto disso. Então, nem tudo vem à rede é fixe, é aquele momento em que falamos de alguma coisa que veio parar às redes, mas que se não tivesse vindo parar, também não se perdia nada. Já falaste aqui sobre isto há pouco, Catarina. Duas ativistas, provavelmente depois de terem apanhado demasiado sol na moleirinha, acharam que era boa ideia entrarem pela National Gallery em Londres e despejar o quê? Sopa de tomate em cima de uma das obras mais emblemáticas de Van Gogh, os girassóis.
Eu juro que eu por acaso partilhei logo quando a notícia saiu, eu pensei: "Mas isto está tudo doido, vale tudo?" Não sei, fica só a questão no ar, mas pronto, avança.
Eu ouvi isto e pensei que era um protesto pelo preço absurdo a que estão as flores, porque qualquer raminho de malmequer custa para cima de um dinheirão. Mas não, elas estavam mesmo em protesto pelo preço do petróleo. O que é que o desgraçado do Van Gogh tem a ver com isto? Nada. Se estivesse vivo, teria cortado outra orelha, coitado.
Ainda se fosse o "One Day At A Time", o Arol faria mais sentido.
Sim, tem as latas de sopa. Havia aqui um paralelismo. Assim, não. Eu acho que elas foram pelo valor. O quadro são só uns girassóis, verdade, mas está avaliado em 86 milhões de euros e, portanto, as ativistas acharam que era a obra perfeita para chamar a atenção para este tema. Não satisfeitas, depois disto, ainda se colaram às paredes do museu, mas foram detidas ao fim de poucos minutos. Elas devem ter comprado uma cola mais fraquita. Eu não sei se vocês sabem, a cola leva petróleo, portanto, deve estar caríssima. Elas compraram uma versão um pouquinho mais manhosa e foram detidas muito rapidamente. Para quem possa estar preocupado com o quadro, não com as ativistas, fiquem sabendo, está de boa saúde, intacto, sem estragos.
Tem vidro.
Tem um vidro. Já a prever.
Exato. Não vá alguém lembrar-se.
Porque tem acontecido muito recentemente. Atiraram um bolo de chantilly à cara da pobre da Mona Lisa.
Da Mona Lisa.
Finalmente ganhou alguma expressão. Também ela estava sempre com aquele ar tão sisudo, finalmente.
Exato. Always look at the bright side of life.
Pronto, não houve estragos de maior. A moldura, essa sim, sofreu alguns danos e o quadro vai ficar a cheirar a refogado durante muito tempo. Mas tirando isso, está impecável. O meu medo é que esta moda pegue cá em Portugal, porque com o preço de tudo a aumentar, nós somos meninos para, sei lá, atirar um prato de moelas ou de caracóis a um Paulo Arrego, só porque o café aumentou €0,03. Vocês não puxem por nós, que nós a nível de criatividade ninguém bate o português. Tenho medo pela arte nacional. E por fim, tens mais música, Catarina?
Tenho! Um belo baixo cai sempre bem.
Cai sempre bem. Este também foi profundo. Ora vamos então, coisas que eu descobri esta semana na net. Eu não sei se vocês são consumidores de plataformas de streaming.
Não vais por aí, Ana.
Netflix, HBO.
Não vais por aí.
Eu sou muito viciada.
Também eu.
Sou muito viciada.
Também eu.
Sou capaz de passar tranquilamente um dia inteiro em binge watching.
Fim de semana.
E agora vai começar o tempo. Tu sabes que estão 40 graus na rua, mas tu vens com um casaco de inverno que não tem explicação, Catarina. Quando tu entraste, eu pensei: está tudo tramado, porque eu venho com um casaco de inverno e a Ana vem de calções, ainda a celebrar o bom tempo.
Não, eu venho de calções e fato de banho por baixo, que eu saio daqui direto pra praia. Ficam vocês aqui e eu vou à Madeira.
Mas repara.
Mas vou ouvir-vos, atenção, vou ouvir-vos no carro.
Eu cheguei, estava uma temperatura agradável no estúdio. Passado dois segundos, Diogo começa: "Há muito calor." Liga o ar-condicionado. A Ana chegou e o ar-condicionado, por obra, já não está ligado.
Não?
Não, claro que não.
Mas se a Ana prefere assim, vamos deixar ficar assim.
Eu estou bem, mas eu desculpo o ato da estação. Fica aqui no meu lugar e pronto, trocamos papéis, porque o Diogo disse: "A Ana está bem, fica assim sempre."
Não, é só porque não queremos deixar de ser os favoritos.
É isso. Se calhar a Catarina ajuda não vir com uma samarra vestida. Ajuda num dia que estão 30 graus lá fora.
Mas aqui não estão e eu passo muito frio. Tu não imaginas o que eu sofro com o frio. Eu uso manta pra ver séries todo o ano.
Eu também. Há uma mantinha que nunca sai dali, porque vai que o tempo resfria um bocadinho.
Claro, e o pezinho.
Baixa dos 30 para os 28 e a pessoa já...
Estávamos a falar de plataformas de streaming.
Ai, Deus, que agressivos. Tão sério. Pronto, vamos embora. E eu que sou absolutamente viciada, não vivo sem. Mas numa altura em que os preços estão todos a escalar, surgiu aqui uma ideia. Não, não é atirarem pastéis de bacalhau aos ecrãs como forma de protesto, estejam sossegados. Foi mesmo a própria Netflix que encontrou uma maneira de se pagar menos. Como? Baixando o preço da subscrição para sensivelmente metade, mas...
Há sempre um mas.
Há sempre um mas. Introduzindo anúncios. Então, nos Estados Unidos, o valor mensal ronda os $16. Penso que cá seja também 14, 15 euros. É aquelas coisas que a pessoa como paga, enfia o cartão de crédito, depois acha que é de graça. Eu acho que tenho Netflix que nem sei quanto é que custa. Esta nova versão vai custar à volta de $7, mas vem pejadinha de anúncios. Então, por cada hora de emissão, vamos ter mais ou menos entre quatro a cinco minutos de publicidade.
Bem, não sei quanto a vocês, mas sinceramente prefiro pagar mais. Digo eu, não sei.
Era o que eu vos ia perguntar, ainda bem que antecipaste. Atenção, a Netflix resistiu a isto durante muito tempo, mas já se sabe, a vida está má para todos. Não sei, isto vai arrancar a 3 de novembro, não sei se já inclui Portugal, eu penso que não, pelo menos isto ainda não está a ser falado por cá. Se calhar vai entrar assim em modo experimental nos Estados Unidos e depois logo se decide. E era isso que eu queria saber, o que vocês preferem, pagar mais e não levar com uma merçada de anúncios?
Eu prefiro pagar mais, sinceramente.
Cinco minutinhos também, ali antes de um episódio. Antes de começares a ver um episódio, cinco minutinhos é o tempo de ires pôr as pipocas no micro-ondas.
A questão é que eu disse, são cinco minutos, mas eu não sei como é que são distribuídos, porque pode muito bem ser a meio de uma série.
Eu estava a pensar nisso. Há uma coisa muito irritante, as televisões fazem muito isso, que é põem uma coisa qualquer na net, por exemplo Uma entrevista e depois de cinco em cinco minutos está a aparecer um anúncio. Isso é irritante. Não, isso não pode ser. Se for assim, não pode ser.
Eu acho que sim, para te fazer, porque senão eu acho que se for ao início, tu fazes isso, vais ao xixi, vais fazer pipocas, vais fazer não sei o quê, ninguém vê o anúncio. Tu estás ali a correr e ninguém vê.
É que eu sou contra.
Eu acho. Eles não explicam, mas eu acho que aquilo lá vem fatiguinha ali. Estás a meio de uma cena superemocionante. Pumba!
Eu até sou contra aquelas plataformas que lançam episódios todas as semanas. A Netflix habituou-nos mal, nesse sentido.
Pois foi, não vamos ter que ir aí dentro.
Não, nada, claro que não.
Mas olha que a Netflix também já pondera fazer isso.
Não.
Já se fala nisso, precisamente para nos manter ali, para não fazerem como eu, que consumo de forma compulsiva.
Também eu.
Eu vejo uma série uma noite inteira. As pessoas têm que aprender que não podem ser lambonas, têm que dosear o prazer.
Mas a Netflix também está a fazer esta versão mais barata, precisamente porque perdeu agora também uma série de assinantes, não foi?
Sim, baixou muito o número de subscritores, porque eu acho que as pessoas têm uma password e aquilo roda pelas plataformas.
Exato. Não quer dizer que nós façamos isso.
Olha, eu por acaso não faço, eu não dou nada a ninguém, a sério. Eu também sou produtora de conteúdos, noutra escala, é muito diferente. E acho que é uma trafulhice.
Mas eu acho que o objetivo até era mais ou menos isso, porque aquilo permite que seja visto em vários ecrãs ao mesmo tempo.
Mas é sempre só num quarto.
Não, depende do valor que pagas. Eu acho que são dois. Na minha, porque eu sou pobre, eu pago o mínimo possível. Eu acho que só podem estar duas pessoas. Não, mas eu imagino que seja em casa, na mesma casa, está uma pessoa na sala, está o miúdo no quarto. Já percebemos, Diogo, já percebemos quem é que anda a distribuir passwords.
Apanhei-te.
De maneira nenhuma. Aliás, tu querias lá para as horas, estamos mesmo no limite.
Exato, conveniente.
Mas já agora, antes de fechar, só dizer que o "O Que É Que Sucede?" está em segundo lugar nos podcasts de Portugal. E acho que queria mesmo dizer, é importante, e agradecer, e venha de lá todo esse carinho para a Ana, que ela merece.
Apesar da censura do Diogo.
Apesar disso, mas nós continuamos os seus favoritos e até quarta.
Até quarta, um grande beijinho.
Até quarta.
Ana Garcia Martins, a Pipoca.