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Operação Stop na Rádio Observador, o espaço em que todas as semanas olhamos para as principais notícias e novidades do mundo automóvel, como sempre, com Alfredo Lavrador. Alfredo, bem-vindo. Estamos a viver-
Olá, Carlos
...um verão anormalmente quente e isso leva-nos a olhar para o que podem fazer os automobilistas, de modo a reduzir o número de mortes e acidentes. Alfredo, dizes que há opções erradas e decisões perigosas que podem fazer a diferença, mas que opções ou decisões menos corretas são essas a que te referes e que podem, de facto, reduzir o número de acidentes e incidentes durante os picos de calor?
Olha, Carlos, vamos começar por um dispositivo, digamos assim, que toda a gente gosta de ter, ou pelo menos a esmagadora maioria, mas que há condutores que desconfiam deles. Refiro-me ao ar-condicionado, que é utilizado nesta altura do ano, não só para arrefecer o ar no habitáculo, como a secá-lo. Mas enquanto isso, há condutores que acusam-no até de provocar doenças. Contudo, é bom ter presente que um automóvel sob a temperatura que se faz sentir hoje, à volta dos 40, 42 graus, facilmente atinge entre 60 e 70 no seu habitáculo, o que desconcentra quem vai ao volante, afeta a visão e a respiração, logo a capacidade de conduzir. E obviamente, com uma temperatura inferior a bordo, aumenta o conforto, ainda que não seja aqui o ponto essencial. É, sim, importante, na medida em que o conforto acaba por melhorar a capacidade do condutor analisar o trânsito à sua frente, reagir, etc. Em relação às doenças, que muitas vezes o ar-condicionado é acusado de propagar, inclusivamente alergias, é bom ter presente também que um ar-condicionado com o filtro bem mantido, ou seja, substituído atempadamente, para eliminar as poeiras e fungos que verdadeiramente se acumulam no filtro de ar do ar-condicionado. Mas dizia eu que um filtro de ar-condicionado substituído atempadamente resolve a maioria, para não dizer a totalidade dos problemas.
Portanto, o ar-condicionado é essencial nesta altura de muito calor. Alfredo, o excesso de temperatura não contribui igualmente para um aumento de fadiga e sonolência de quem conduz?
Tens toda a razão, Carlos. Efetivamente, esta tua questão surge na continuidade da pergunta que fizeste anteriormente e me permite reforçar a ideia de que dentro de um habitáculo, quando está desconfortavelmente quente, isso equivale a que o condutor esteja a guiar nas mesmas condições que registasse um grau de alcoolemia de 0,5 g/l, ou seja, legalmente grosso, como se costuma dizer, ou seja, alcoolizado. Isto se traduz por tempos de reação mais elevados, pior capacidade de visão e até de raciocínio. E muitas vezes tu precisas de raciocinar para evitar problemas e decidir instantaneamente, quase sem tempo pra pensar, como evitar um caso, um problema, um acidente.
E que outro tipo de erro é que os condutores devem evitar e que é simultaneamente perigoso e frequente?
Lamentavelmente, este é um tema muito triste. Todos nós achamos que é impossível, que nunca nos vai acontecer a nós, mas a verdade é que acontece a muita gente, logo, é bom ter em linha de conta. Refiro-me a abandonar crianças, idosos ou animais, sobretudo, normalmente é crianças ou animais, dentro do carro. Mesmo que aconteça só por um bocadinho, como se costuma dizer, para ir buscar qualquer coisa ou realizar um pagamento ao Multibanco ou entregar qualquer coisa a alguém. A verdade é que no interior de um carro, com a temperatura exterior de 40 graus, rapidamente atinge 50, 60 graus em cerca de 15, 20 minutos. Isto é uma temperatura extremamente elevada, tanto para uma criança como para um animal. É bom recordar que o corpo de uma criança, não sou médico, mas provavelmente pela sua menor massa, aquece cinco vezes mais depressa do que um adulto, logo, maximiza a possibilidade de riscos graves e inclusivamente a morte. E, por outro lado, os animais, os cães serão os mais frequentes, não conseguem transpirar como nós pela pele, ou seja, é um dos nossos mecanismos para baixar a temperatura do corpo. Só transpiram pela língua, o que é manifestamente pouco para eliminar uma temperatura de 50 a 60 graus.
Muito pertinente esse conselho, até porque este tipo de casos aconteceu em França nesta recente onda de calor pela Europa. Para terminar, Alfredo, há mais alguma situação que não convenha ser descurada por quem vai ao volante nesta altura?
Olha, Carlos, ocorre-me os pneus. Os pneus são muitas vezes descurados, quase sempre, porque o calor, com o asfalto muito quente e mais derretido, digamos assim, não só aumenta o atrito, como o facto de estar quente, obviamente, aumenta o aquecimento do pneu, logo aumentando a pressão, o que contribui para degradar ainda mais os pneus. E aqui há dois problemas. É claro que não é necessário confirmar a pressão do pneu diariamente, mas uma vez por semana, uma vez de 15 em 15 dias, no limite, uma vez por mês, não faz mal nenhum, antes pelo contrário, e pode evitar alguns problemas. Mas se o fizermos quando o carro está Se fizermos após uma viagem, por muito curta que seja, de cinco a sete quilômetros até à bomba de combustível, onde vamos verificar a pressão, induzimos um incremento de temperatura no pneu que nos vai viciar a leitura e logo a correção de pressão não fica correta. E então, o que é necessário? Já é considerável comprar um pesar, um manômetro de pressão de ar para ter em casa e aí podes colocar a pressão um bocadinho acima daquilo que tu achas que é ideal e depois, se tiveres o carro parado à sombra, podes medir a pressão de dentro do pneu e corrigi-la com esse pequeno manômetro de ar. E por quê? Porque se o pneu já não estiver em boas condições, e os pneus são umas coisas caras que nem toda a gente gosta de adquirir. Nós normalmente trocamos pneus quando os pneus já estão tão gastos que incorremos no risco da multa. Mas a verdade é que há outra multa muito mais dispendiosa, que consiste em utilizar pneus velhos, ressequidos, que durante um verão como o que vivemos agora, com temperaturas muito elevadas, o asfalto em mau estado, etc, correm o risco de cada fissurazinha aumentar para um problema grave, provocando arrebentamentos, descolagem dos diferentes tipos de borracha que constitui o pneu, etc. E tudo isto causa acidentes muitas vezes com consequências graves. E isso é algo que convém que também os nossos ouvintes tenham em conta antes de utilizar o carro, não necessariamente antes de iniciar uma viagem. Basta ser uma curta deslocação para o emprego ou para a escola dos putos, etc. Qualquer deslocação vale a pena.
Muito bem, atenção aos pneus e ao calor. Ponto final na edição desta semana de "Operação Stop". O Alfredo Lavrador volta na próxima semana com mais novidades sobre o mundo do automóvel. Grande abraço, Alfredo.
Abraço, Carlos.