Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Tudo pronto para mais uma edição da "Operação Stop". Conosco está o editor da seção Auto do Observador, o Alfredo Lavrador, como é habitual. Olá, Alfredo.
Olá, Ana Filipa e olá, João.
Ora viva.
O preço dos combustíveis está a aumentar e, por isso mesmo, é compreensível que os condutores tentem economizar, não gastar tanto. Será que com todas as soluções disponíveis, há algumas que são mais aconselháveis do que outras para manter a segurança, tudo em ordem, Alfredo? Portanto, poupar na carteira, mas em condições, sem colocar em risco o carro, a autonomia do carro. O que é que nos podes dizer?
Ana Filipa, eu acho que essa tua análise está perfeita. Lamentavelmente, todos a conhecemos, porque é um facto que os combustíveis estão caros e assim prometem continuar nos próximos tempos. Pelo que faz sentido esta reação normal das pessoas. Cada vez há mais condutores interessados em reduzir a quantidade de combustível de que os seus automóveis necessitam para os transportar de um lado para o outro. E há soluções simples para poupar, que facilmente podem reduzir o consumo de um automóvel normal entre 20% a 30%.
E Alfredo, que truques são esses que nos permitem poupar um bocadinho, baixar, ao que me indica, cerca de 2 L ao consumo de um carro compacto?
Sim, anda à volta disso e é relativamente fácil de conseguir, João. Começar, por exemplo, conduzir com a pressão certa nos pneus para ajudar a reduzir o atrito, uma vez que com mais atrito, o motor tem que fazer mais esforço para deslocar o automóvel e logo consumir mais. Também evitar montar pneus mais largos contribui para diminuir o apetite do motor. Agora, o que é altamente aconselhável para a economia é a atitude do condutor ao volante. E aqui a palavra-chave é a calma, porque se evitarmos conduzir muito em cima do carro da frente, conseguimos fazer acelerações mais progressivas e evitarmos as travagens bruscas, seguidas de novas reacelerações, que tradicionalmente fazem disparar os consumos.
Portanto, é como dizes, são soluções simples, mas ocorre-te alguma asneira que todos nós cometemos e que não ajuda nada à carteira, Alfredo?
Há algumas coisas. A criatividade das pessoas não tem limite e há muitos condutores que, quando veem uma descida, mesmo que ligeira, recorrem ao ponto morto. Quem usa caixa manual, mete a caixa em-
Por acaso estou a pensar aqui nalguns amigos que tenho, que têm essa tese de que o ponto morto ajuda muito a poupar combustível.
Então João, aconselho-te a fazer uma aposta. E é fácil de fazer nos carros com computador de bordo, se eles conseguirem reduzir o consumo dessa forma, conduzindo tu de uma forma normal, se eles te ganharam, quem perder paga o almoço. Vais ver que almoças à borla durante uma eternidade. Não, mas para além do teu óbvio jeito para conduzir, não depende de ti, depende efetivamente do carro, porque colocar a caixa em ponto morto nas descidas, por mais ligeiras que sejam, até pode ser prejudicial. Há muitos anos que os automóveis são equipados com sistemas que cortam o fornecimento de combustível quando se desacelera. Pelo que sempre que o condutor retira o pé do acelerador, a injeção de combustível é zero e o carro gasta isso mesmo, zero. Já se o condutor, na mesma descida, colocar a caixa em ponto morto, esses tais teus amigos, o motor, na prática, fica ao ralanti. O que significa que-
Desculpa, ao ralanti?
Imagina quando chegas ao teu carro e pões o carro a trabalhar, o motor fica a trabalhar. Os ingleses chamam idling. Nós é o ralanti.
Ok.
Num motor normal a gasolina, fica a trabalhar aí a 900 rotações, 800, 900 rotações por minuto.
Certo, se calhar este é um conceito muito óbvio, mas eu não conhecia. Peço desculpa, agora já sei.
Aceito as desculpas. Mas num regime desse género, e se tu tiveres um carro com computador de bordo, verificas que ele consome entre 1,5 L, 2 L/h. E daí a oposição entre gastar 2 L/h ou zero nas descidas.
Portanto, estamos conversados em relação ao ponto morto, mas Alfredo, ainda não nos disseste em que condições é que as tentativas de reduzir os consumos podem então resultar num aumento da insegurança para os condutores e para os restantes.
Há duas situações que são delicadas e não sei se isto só ocorre com os teus amigos ou com os teus conhecidos, mas acontece com muita gente. As pessoas na ânsia de ganhar mais umas décimas de litro, fazem uma asneira que podem pagar caro, que é desligar o motor. E isto é um erro por dois motivos. Primeiro, porque no automóvel convencional, ou seja, todos aqueles que têm motor a gasolina ou a gasóleo, os travões necessitam do vácuo criado pelo motor nas admissões para funcionar corretamente. Ou seja, o vácuo acaba por ser um boost do sistema de travagem. Sem esse vácuo, o pedal fica anormalmente duro e a sensação com que o condutor fica é que está sem travões, porque por muita pressão que faça no pedal, aquilo não trava. O segundo motivo é porque quando se desliga o motor, e todos nós já passamos por essa fase, às vezes desligamos o carro e aquilo fica na posição em que tranca a direção. E decididamente, ninguém quer estar a fazer uma descida quando se aproxima uma curva e ter a direção trancada, porque trancado é isso mesmo, não vira para lado nenhum.
Portanto, poupar é bom, mas não vale tudo, não é, Alfredo? É basicamente isso.
Basicamente, é bom poupar, é bom preocupar-nos com a economia, mas há riscos que convém não correr.
Mas já deixaste aqui dicas muito importantes. O Alfredo Lavrador é o editor da seção Auto e está todas as semanas na Rádio Observador, na "Operação Stop". Portanto, na próxima semana cá estaremos. Alfredo, obrigada.
Está combinado.
Um abraço, Alfredo.
Aquele almoço, se ganhares, não te esqueças de mim e da Ana Filipa.
Sim, eu informo e vou fazer outra coisa, que é: vou enviar o link, esta ligação do programa de hoje, também para algumas pessoas, para que possam ouvir a tua explicação.
Está combinado.
Pronto, e assim se faz promoção da "Operação Stop". Obrigada, Alfredo. Até para a semana.
Abraço.