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"Operação Stop" na Rádio Observador. Todas as semanas, as principais novidades do mundo automóvel, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, sê muito bem-vindo. Hoje vamos falar de bactérias, até porque o aumento do preço do gasóleo levou muitos condutores a armazenar combustível em casa, quando o combustível está mais barato, para evitar ser vítima dos aumentos. Mas é preciso ter aqui atenção a uma bactéria. Alfredo, que bactéria é esta e como é que pode aparecer?
José Rafael, olá, bom dia. A bactéria de que falas é denominada bactéria do gasóleo e resulta de uma contaminação microbiana constituída por bactérias e fungos que se alimenta dos hidrocarbonetos do combustível. Hidrocarbonetos é aquilo que constitui o combustível, seja ele gasóleo ou gasolina, ou qualquer outra coisa. As bactérias prosperam não no combustível, mas sim na água que existe associada ao combustível, formando uma espécie de lama ou borra que entope os filtros e corrói o motor. Ou seja, são duas coisas péssimas.
E como é que essa bactéria se desenvolve no gasóleo?
É relativamente simples, José Rafael. Basicamente, depende, como te disse há pouco, da presença da água no gasóleo. A água existe sempre no gasóleo, só que quando abastecemos na bomba, no limite, atinge uma percentagem máxima de 0,02%, ou seja, praticamente irrisória. Porém, quando armazenamos o gasóleo em casa, sob tempo quente, a temperatura elevada faz a condensação aumentar a percentagem de água no gasóleo. E isto é ainda mais evidente em países como Portugal, em que o gasóleo originalmente inclui uma percentagem de biodiesel, o que no nosso país é de 7% e pode atingir 13% em algumas situações. Associamos o biodiesel ao gasóleo para termos um combustível mais amigo do ambiente, mas como eu te dizia, quanto maior é a percentagem de biodiesel no gasóleo, maior é a humidade que potencialmente se gera no combustível mal armazenado. É esta a razão do problema.
E o que é que se pode fazer quando a bactéria aparece, Alfredo?
Vamos lá ver. Deixa-me descrever-te mais ou menos o que é a bactéria, depois já vamos ao que é que se pode fazer. A bactéria cria uma espécie de sujidade suspensa no gasóleo. Imagina uma espécie de caspa, à falta de melhor exemplo, que aparentemente parece inofensiva quando começa a aparecer. Porém, esta espécie de caspa reproduz-se rapidamente e acaba por entupir o filtro de gasóleo e corrói o motor. Posso dizer que, por acaso, vivi este problema, foi o que me chamou a atenção, e era algo que eu desconhecia, posso admitir, quando aluguei um gerador grande a uma empresa dessas que aluga geradores estacionários, cá para casa. Funcionou bem durante um mês, mas um dia comecei a reparar uma coisa esquisita, porque apareciam uns pequenos pelos no interior do filtro de gasóleo. Passadas cinco ou seis horas de os pelos começarem a aparecer, o motor começou a falhar e parou. De maneira que não gostei e fui tentar perceber o que se passava.
E qual é que é, Alfredo, a solução para este problema e o que é que um automobilista pode fazer para evitar o problema da bactéria no gasóleo?
Começando pelo problema. Se este ataque de bactérias for ligeiro, o utilizador pode sempre recorrer a bactericidas ou a biocidas para matar as bactérias, mas se for grave, a solução é potencialmente substituir o filtro de gasóleo, drenar o depósito e substituir o gasóleo velho e com bactérias por outro novo e limpo. Eu, no meu caso, tive de livrar-me do meu gasóleo antigo, substituí-lo por novo e sem bactérias. Com o técnico da empresa a quem aluguei o gerador, até tive de substituir o filtro e o gasóleo que estava no depósito. Portanto, uma dica para os nossos ouvintes é: se por acaso armazenam o gasóleo em casa, comprando quando está mais barato e utilizando quando está mais caro, certifique-se que o guarda num local fresco, na medida do possível, pois a temperatura elevada potencia o problema. Logo, fresco é a palavra de ordem.
Muito obrigado, Alfredo Lavrador, pelo conselho e pelas explicações. Espero que não tenhas mais bactérias no teu gasóleo. Está feita mais uma edição da "Operação Stop". Nós voltamos para a semana com mais novidades sobre o mundo automóvel. Até lá, Alfredo, um grande abraço.
Está combinado.