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Operação Stop na Rádio Observador. Todas as semanas, as principais novidades do mundo automóvel, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, seja muito bem-vindo. Como é que estás? Como é que foi essa semana?
Lindamente, Rafael. E a tua?
Também, dentro do possível. Muito obrigado, Alfredo. Esta semana no Operação Stop vamos falar sobre veículos elétricos. Isto porque foi anunciado um novo plano para fomentar a venda deste tipo de veículos. O objetivo é complementar o plano anterior, que esgotou em minutos as verbas do fundo ambiental. Será esta ou não a melhor estratégia? É o ponto de partida para a Operação Stop desta semana. Alfredo, planos para incentivar a venda de veículos elétricos não são propriamente uma novidade, mas este vai arrancar entre maio e junho. São 20 milhões de euros que saem do fundo ambiental. Esta é, no teu entender, a melhor estratégia para incentivar a descarbonização e diminuir a dependência do petróleo?
Olha, eu não sei se é fácil responder essa pergunta, mas tens toda a razão. A Ministra do Ambiente anunciou para os próximos meses um novo plano para incentivar a venda de veículos elétricos, como é habitual. E esse é um plano que é alargado normalmente às bicicletas elétricas e a carregadores, até para instalar em casa. Os tais 20 milhões que mencionaste deverá dar para colocar no mercado mais 2 mil veículos elétricos a partir de maio, provavelmente até em junho. Mas o mercado já se queixa que o anúncio destas medidas a prazo, a um, dois meses de distância, tem como consequência estagnar de imediato as vendas deste tipo de automóveis. Respondendo especificamente à tua pergunta, a eficácia do programa, não sei se não seria mais interessante investir na rede pública de carga, que é a maior crítica dos consumidores deste tipo de veículos, ou até de alargar aos particulares as ajudas que de momento são conferidas exclusivamente às empresas. Estamos a falar em termos de recuperação do IVA, etc. Uma vez que as empresas são nitidamente muito mais beneficiadas do que os particulares. É basicamente isto. Acho que havia outras áreas do negócio em que se podia investir. Já agora, deixando a minha ansiedade, podia fazer alguma coisa finalmente para a redução dos custos de energia que é fornecida através dos carregadores, sobretudo os DC, mas até mesmo os AC, corrente alterna, que cobram ao minuto a energia que fornecem. Esses são terrivelmente caros.
Até que ponto, Alfredo, é que esta nova verba se pode associar às palavras do Comissário Europeu da Energia?
Olha, digamos que o facto do anúncio da nossa Ministra do Ambiente ocorrer poucos dias depois das críticas lançadas pelo Comissário Europeu, o tal senhor Dan Jørgensen, ele me desculpe se eu pronunciei mal o nome, só por milagre é que pode ser uma casualidade. Basicamente, o Comissário Europeu da Energia pediu aos países que acelerassem a transição energética para tornar a Europa menos dependente da volatilidade dos combustíveis fósseis. E por quê? Porque neste momento estamos em curso com três guerras em simultâneo e todas elas têm em complicar, em puxar para cima os preços dos combustíveis, o que não só é um golpe rude na economia, como também nas vendas de veículos, também nas bolsas de cada um de nós, e torna-se cada vez mais difícil de suportar.
Voltemos então à utilidade destes planos de incentivo à venda de veículos elétricos para tentar perceber, Alfredo, até que ponto é que são funcionais.
Olha, aparentemente, sobretudo pela forma como a verba se esgota num instantinho, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que os programas de incentivos funcionam, estes programas de incentivos. Mas sabes que desde que combinamos fazer este o tema do podcast, fiz uns quantos contactos com elementos do setor e há quem levante dúvidas, que foi uma coisa que me surpreendeu. Chamaram, por exemplo, a atenção da forma pouco controlada como estas candidaturas para estes programas são realizadas. E é algo que vou ter que investigar, porque não quero levantar falsos mitos, mas é uma das explicações para que exclusivamente condutores particulares, portanto, as empresas não são abrangidas por este tipo de proposta, se esgotam em menos de uma hora, muitas vezes. Fazem muita confusão. Não estou a ver 2 mil pessoas agarradas ao telefone ou ao computador a serem os primeiros logo assim que abre as candidaturas para preencher e candidatar-se. Enfim, vamos ver.
Veremos, exatamente, Alfredo. Mas que outras medidas é que se poderiam então adotar para incentivar a venda de veículos como os elétricos, mais baratos de utilizar e menos dependentes do petróleo e das guerras, contudo, Alfredo, importa dizer isto também, mais caros do que outro tipo de veículos.
Aí é que está, mas eu tenho, como sou muito teu amigo, tenho uma novidade pra ti.
Vem ela?
Em relação aos mais caros, não é bem verdade. Já foi verdade, já foi uma verdade avassaladora, mas vamos falar aqui em três tipos de veículos. Os veículos do segmento D, estamos a falar de carros de 4,70 metros, não são as grandes limusines que há muito poucas entre nós, lamentava muito, porque isto não é um país muito rico, mas são os grandes familiares. Para te dar uma ideia, que toda a gente que temos televisão conheça, é uma BMW Série 5, um Mercedes Classe E, um carro desse tamanho, 4,70 metros, 4,80 metros. Nessa categoria, mesmo nas marcas que vendem ambos, ou seja, que vendem versões do segmento D a gasolina, a gasóleo e elétricas, as versões elétricas já não são mais caras do que as versões a gasolina ou a gasóleo. O mesmo acontece se considerarmos o segmento C, que é os carros tipo Golf, Astra, Megane, por aí fora, 308, que é o carro mais vendido do segmento. E também acontece o mesmo com os carros do segmento A hoje em dia, uma vez que já há carros muito abaixo dos 20 mil euros e agora, muito em breve, aliás, já chegou a Portugal, que custa apenas 17 mil euros, o que é francamente interessante. Mas já não são mais caros. Agora, o que o nosso amigo comissário de energia, diretor de energia, o que ele diz também faz sentido. Ou seja, a Europa não tem petróleo. Depende da importação de países, nem todos eles muito aconselháveis, logo, faz sentido diminuir, se não anular, pelo menos diminuir essa dependência e acelerar a autonomia energética, que foram as palavras dele. Isto, enfim, implica, sobretudo, investir em produção de energia solar e eólica, o que não é uma novidade para nós, uma vez que o fizemos muito no passado, mas temos que continuar a fazer, porque pelo menos aí, se houver guerras, se houver mais conflitos, não ficamos agarrados num preço de gasolina e de gasóleo muito pouco aconselhável.
Uma última questão antes de fecharmos a "Operação Stop" desta semana, relacionada com o programa de abate de veículos. Alargar esse programa para carros muito velhos não poderia ser também uma solução mais eficiente?
Tem toda a razão. Assim por baixo, aliás, e não estamos os dois sozinhos aqui. Há muita gente que defende isso mesmo. Se o desejo principal é a falada descarbonização, a forma mais eficiente é através do abate de veículos velhos. Porque são carros que não só gastam mais, como poluem muito mais e são também muito menos seguros em caso de acidente. Sendo aqui bom recordar que Portugal figura, lamentavelmente, entre os países com mais mortes e feridos graves provocados em acidentes rodoviários. Agora, para limitar a dependência do petróleo, é bom ter presente que os carros particulares funcionam apenas durante umas poucas horas por dia. Não sei durante quanto tempo tu utilizas o teu carro, mas se te deres ao trabalho de somar, vais ver que em condições normais não andas muitas horas de carro por dia. Aliás, há muita gente que anda bem menos do que uma hora. Por outro lado, os veículos de transporte público, sejam os autocarros ou os táxis, andam grande parte do dia a circular. E alguns mesmo circulam por obrigação 24 horas por dia. São, sobretudo, estes que deviam ser elétricos, mas a esmagadora maioria continua a ser a gasóleo ou pelo menos a combustíveis fósseis. Logo, se calhar estamos a dedicar muito esforço para o sítio errado.
E é desta forma que fechamos a "Operação Stop" desta semana, como sempre com o Alfredo Lavrador. Alfredo, resta-me apenas deixar-te um grande abraço e dizer-te que estás de regresso para a semana. Até lá, um grande abraço.
Abraço e bom resto de semana.