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Operação Stop, Rádio Observador. Vamos ao último episódio de 2025. Na Operação Stop falamos do mundo automóvel. Eu sou o Miguel Cordeiro e comigo já está o Alfredo Lavrador. Alfredo, bem-vindo ao último episódio deste ano.
Obrigado. Eu fiquei sensibilizado com o ênfase deste, a esse último episódio.
É uma viragem de ciclo. Estamos a terminar, mas na verdade, para a semana estamos cá outra vez, mas já para 2025.
Os nossos ouvidos nem sequer vão notar. É só o hábito.
É isso mesmo. E precisamente a propósito disto, a poucos dias de entrarmos no novo ano, é altura de recordarmos o que de melhor aconteceu na indústria automóvel em 2025. Portanto, vamos a isto. Qual é o aspecto positivo que merece o maior destaque neste ano de 2025, Alfredo?
Olha, Miguel, porque somos portugueses e acho que devemos defender as nossas cores e os nossos interesses, entre os aspectos mais positivos de 2025, destacaria a indústria automóvel nacional, que quando já pairavam algumas nuvens muito negras sobre o seu futuro, conseguiu realizar as necessárias atualizações para se manter moderna e atual, ou seja, estar apetrechada para fabricar veículos eletrificados ou 100% elétricos. Só fazendo um breve resumo, depois da fábrica da Stellantis em Mangualta ter começado a produzir as primeiras unidades dos fogões comerciais e passageiros elétricos no final de 2024, eis que a Renault anunciou também que a fábrica de Aveiro iria passar a produzir peças e motores elétricos para os seus veículos híbridos, não só da Renault, como do resto do grupo, mas a maior surpresa, obviamente, foi a da Autoeuropa, que de uma assentada, não só arrancou com os investimentos que mantêm a atividade para os próximos anos, estou-me a referir aos inerentes à fabricação do T-Roc híbrido, como também deu o passo que se esperava para produzir o primeiro automóvel elétrico barato da Volkswagen, que atualmente é conhecido com o nome do protótipo, é o ID Every1, que será vendido abaixo dos 20 mil €. De maneira que foram excelentes boas notícias, cada um à sua dimensão, mas enfim, foi ótimo para a economia nacional e para os empregos, postos de trabalho associados, em cada uma delas.
Sim, as boas notícias sobre as fábricas instaladas em Portugal são sempre de saudar. Representam uma parte significativa daquilo que é a economia nacional, é importante para os trabalhadores, sim, mas o que é que temos mais de 2025 e que nos possa tranquilizar em relação ao futuro próximo?
Olha, nós já falámos aqui várias vezes, e tu lembras-te perfeitamente, que falava-se muito da democratização dos veículos elétricos, mas a verdade é que começámos por carros que custavam 80, 100 mil €, havia uns mais baratos, é certo, mas eram menos procurados, e não havia meio de surgirem os carros baratos. Finalmente, começaram a aparecer, ou a ser anunciado para muito em breve, os carros abaixo dos 20 mil €. A Autoeuropa irá produzir um deles, aquele ID Every1, que tem como objetivo um valor abaixo dos 20 mil €, mas há outros. E todos estes modelos vão se juntar ao Dacia Spring, que já está no mercado e que também custa menos de 20 mil €, mas é um carro mais pequeno. Estes são uns carros maiores e sobretudo são mais largos, são mais carros, vão agradar a mais gente. Mas deixo referir também o Citroën ë-C3, cujas vendas também já arrancaram, e custa 19 mil €, e muito em breve, em 2026, chegará o Renault Twingo, potencialmente pelo mesmo preço dos tais 19 mil €, que já tivemos ocasião de analisar ao pormenor. De maneira que são boas notícias para quem quer um elétrico e não quer ficar endividado, digamos assim.
E o nosso Ben, nosso português concebido em Mateusinhos?
Eu sabia que tu ias lá, e daí que tenha deixado o melhor para o fim. O Ben é um produto surpreendente, é concebido em Portugal, ali em Mateusinhos, no CERM, e será produzido lá, independentemente também se é fabricado noutros locais no estrangeiro. Estamos a falar de um pequeno elétrico, com as dimensões que são muito ligeiramente inferiores à de um Smart Fortwo, toda a gente sabe o que é. Portanto, é um carro com pouco mais de 2,5 metros de comprimento, que deverá possuir várias versões. A filosofia do produto não está ainda clara, mas o construtor fala até três lugares e um espaço para bagagens relativamente impressionante. Suponho que por troca com aquele do terceiro lugar, o lugar traseiro. O mais importante é que o preço aponta para os 8 mil €, ou seja, anda ali taco a taco com o Citroën Ami. Só não sabemos se será homologado como um quadr ciclo, talvez um quadr ciclo pesado, para poder transportar mais gente, os tais três pessoas. Mas há alguns dados a saber, mas de qualquer forma é uma excelente notícia e é um produto concebido em Portugal, o que é bom. Sempre recordamos que temos bons técnicos e capazes de fazer coisas muito giras, de maneira que vamos esperar para ver.
Estamos a falar essencialmente aqui de destaques positivos. Nem tudo é positivo, nunca é assim. Entre os piores de 2025, o que é que merece destaque?
Outro tema que já falámos aqui durante o ano, que tem a ver com a forma como a Europa tem lidado com a legislação destinada a diminuir as emissões de CO₂, que afetam o clima. A Comissão Europeia fez marcha atrás, depois de ter combinado tudo há mais de cinco anos e recuperado tudo aquilo que tinha acordado em 2023, portanto recentemente, de repente fez marcha atrás por pressão da indústria automobilística alemã, que tem a Alemanha como o maior contribuidor da União Europeia, logo, tem peso, aquilo que eles querem normalmente acontece. Na prática, o que fizeram foi atrasar ligeiramente o fim dos motores a combustão e, sobretudo, entreabrir uma porta, mas uma porta pequenina, para que estes veículos com motores a gasóleo e a gasolina continuem a ser vendidos. Essa parte, para mim, não me afeta minimamente. É o que é. Enquanto a China e a Índia produzirem energia elétrica com base na queima de carvão, não faz muito sentido estarmos assim obcecados com a redução do CO₂, ou do CO, ou do que quer que seja, tudo o que tenha carbono. A verdade é que o que eu temia, e o que é assustador, é que já apareceram uma série de construtores a dizer que vão suspender ou vão diminuir os investimentos na indústria dos automóveis elétricos. Isto significa que daqui a cinco anos não vai ser preciso falar mais, porque isto é uma tecnologia muito recente e evolui muito rapidamente. Os chineses, que já são uma ameaça para muitos construtores europeus, vão se tornar muito superiores à generalidade dos construtores europeus que decidirem fazer entertravões nos investimentos. E pode ser que quando isto acabar, em 2040, por exemplo, já estejam tão à frente que nenhum de nós, europeus, vai querer comprar um veículo de uma marca local. E isso põe em causa muitos investimentos e muitos empregos, e vai ser uma chatice.
Há mais algum tema que queiras destacar entre os piores de 2025?
Uma curiosidade. Já aqui falámos dos ecrãs digitais táteis, aqueles que todos os carros modernos têm e que nos dão imenso jeito, porque têm ali tudo concentrado e nós andamos ali com o dedo e fazemos tudo um pouco, de seleccionar o sistema de navegação à música, etc. Mas a verdade é que enquanto se está a olhar para o centro do tablier, não se olha para a estrada. E na estrada é um perigo, mas na cidade é um perigo para os peões, porque é fácil atropelar alguém enquanto se está a olhar para o teclado para escrever o nome do restaurante ou do local de reuniões onde queremos chegar. O estudo aponta isso mesmo, ou seja, confirma que efetivamente a atenção dedicada aos ecrãs é altamente perigosa, porque rouba a atenção, desloca para ali a atenção do condutor, que então deixa-se de aperceber de tudo o que se passa à sua volta. Se calhar é até mais grave do que usar os telemóveis como antigamente se fazia, e que foram proibidos. Pelo que, eventualmente, a solução deverá passar pelo reforço dos comandos de voz, ou seja, todos nós sabemos falar, tirando quem tem alguma limitação a esse nível. Hoje em dia com a inteligência artificial é possível, com a evolução dos comandos por voz, basta ver aqueles veículos que já estão no mercado que recorrem ao Google Assist, que todos nós temos nos nossos telemóveis, os Androids. Podem pedir o que quer que seja através do comando de voz sem sequer tocar no telefone. E é bom que as marcas façam evoluir os seus sistemas de comandos por voz para dispensar o condutor de estar ali a carregar. Dito isto, a recuperação que se está agora a verificar de algumas teclas de acesso direto também vão ajudar a que o condutor não tenha que estar tanto tempo, porque escrever Rua do não sei quantos, Lote não sei quê, quinto andar, se calhar é complicado e obriga a concentrarmo-nos no ecrã demasiado tempo, e isso é perigoso.
Sim, portanto temos aqui um ponto negativo de 2025, mas já com uma perspetiva de melhoria.
Eu espero que sim, eu espero que nos dois façam alguma coisa. Porque, na prática, se analisarmos o número de acidentes e de mortes em 2025, pelo menos por aquilo que já está anunciado, não foi brilhante. E isso é péssimo.
Está feita esta "Operação Stop", o último episódio de 2025. Estamos de regresso no próximo ano, que é como quem diz, na próxima semana. Alfredo, um abraço.
Abraço, Miguel.