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Operação Stop na Rádio Observador. Todas as semanas as novidades e as curiosidades sobre o mundo automóvel, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, sê muito bem-vindo. Como é que estás? Como é que foi essa semana?
Ia-te responder que eu habitualmente lindamente, eu pessoalmente não tive problema nenhum, mas efectivamente é lamentável assistir a esta sucessão de desgraças motivadas primeiro pelo vento, depois pelo excesso da água, etc. Mas olha, cá vamos.
E é motivo também para, na Operação Stop desta semana, darmos destaque precisamente aos efeitos das tempestades e a ligação que têm com os automóveis, com motas, no fundo, com todo o tipo de veículos. Este comboio de tempestades levou rios a extravasar o leito, alagou terrenos, deixou estradas e ruas em muito mau estado. É frequente, Alfredo, ouvir nas notícias relatos de carros que foram arrastados pelas correntes, enquanto outros acabam por ficar parados a meio de um lençol de água que tentavam atravessar. Ora, tendo em conta estas situações e também a tua experiência, como é que um condutor pode proceder para evitar problemas de maior?
Olha, com cuidado, com muito cuidado. Os carros não gostam de água, por vários motivos. E normalmente, quando expostos a águas com profundidades, eu ia dizer profundidades elevadas, mas não é preciso ser muito elevada, porque para teres uma ideia, num veículo normal, a parte inferior do chassis está a cerca de 15 centímetros do chão, da estrada. Um jipe, um SUV pode estar a 20, 25, não passa daí. 25 centímetros é muito pouco. Logo, é muito fácil que a água comece a entrar pelas portas, aquilo tem borrachas, claro, mas não é preciso ser um carro velho ou em mau estado para que a água acabe por entrar passado um pouco e o carro encharcado, cheio de água por dentro, fica em muito mau estado, não só em termos de corrosão, como em termos de cheiros. De maneira que é melhor ter cuidado. Se tiver que fazer 100 quilómetros ou mais para evitar uma zona alagada, é melhor fazê-lo. Se não puder evitar, tente primeiro ver qual é a profundidade do leito do rio ou da poça ou da zona alagada que vai tentar atravessar. E isso é fácil. Ou vendo os outros veículos, os veículos que vão à sua frente, como é que eles se comportam, ou até em sentido contrário, também serve, ou então é possível sacrificar um par de sapatos e arregar as calcinhas e vá ver como é que aquilo está, porque se tiver muita água, é melhor não ir. Porque pode pregar a vida e pode, inclusivamente, se houver corrente, ver o carro ser arrastado e então ainda é pior.
Alfredo, uma pergunta que pode estar a passar agora na cabeça de muitos dos nossos ouvintes é: como é que um automóvel, que são carros pesados, 1500 quilos, às vezes até mais do que isso, como é que um automóvel com um peso destes consegue ser arrastado pela corrente, mesmo que, às vezes, a força da corrente não seja assim tão forte?
Sabes que é um bocadinho pelo mesmo sistema. A explicação é similar àquela que leva, por exemplo, um petroleiro, que é uma coisa que nós sabemos que é pesadíssima, uns milhares de toneladas, flutuar no oceano sem problema nenhum. Basicamente, o carro, se tiver com as portas fechadas, é importante, ninguém abre as portas para ver se a água estava fresca, contém ar lá dentro e enquanto a água não começar a entrar, a tendência do carro é flutuar. Ou seja, mesmo que o carro pese duas ou mais toneladas, ele em condições normais vai flutuar durante uns, não direi que são muitos minutos, mas é possível que ele flutue durante um minuto, depois começará a afundar pela zona mais pesada, normalmente é onde está o motor, tradicionalmente à frente, na maior parte dos carros, mas ele vai flutuar durante cerca de um minuto. E é nessas condições que ele é muito fácil de ser arrastado. Não é preciso a corrente ser muito forte para que o carro seja arrastado. E aí pode ser arrastado para um precipício, para fora da estrada, e é extremamente perigoso. O carro é muito pesado, é um facto. Muitos de nós já uma vez inadvertidamente metemos um pé debaixo de um pneu de um carro e sabemos que aquilo pesa imenso, mas não é tão pesado naquelas condições específicas.
E há diferenças nos carros para lidar com este tipo de situações, ou seja, se há diferenças entre carros que sejam a gasolina, gasóleo, gás natural. Todos nós conhecemos as opções que existem.
Claro. Volto a dizer aquilo que disse no início, o melhor é não arriscar. Mas como o ideal é inimigo do bom e às vezes tem que ser, o tipo de motor que se comporta melhor face à água, numa situação em que tenha que atravessar um leito d'água, é o motor a gasóleo. Todos os outros que existem no mercado, o gasolina, o GTL e o gás natural, todos eles funcionam da mesma forma. São carros com uma vela que gera uma explosão, ao contrário do gasóleo, que tem efetivamente uma vela incandescente, é um tipo diferente de vela Uma fonte de calor para gerar a primeira explosão e depois é por simpatia. Não volta a precisar do sistema de ignição para continuar a funcionar. Logo, tem muito menos probabilidade de parar por falta de corrente na vela. Se tiver dois carros para tentar fugir da situação em que está, escolhe o diesel. É capaz de ter maior probabilidade de sucesso.
E em termos de estratégias, em termos de velocidades e regimes de motor, Alfredo?
Muita gente, quando se vê num aperto deste género, o que quer é sair dele e abandonar o local tão rapidamente quanto possível. O que é bom se estivermos a falar do regime do motor, ou seja, convém ter o motor num regime elevado, porque tem menos tendência a ir para baixo, mas é mau se optar por muita velocidade. O carro pode fazer um certo caixão à frente, ou seja, aquela barriga de água, aquela quantidade de água que o carro arrasta, mas não é certo, porque aquilo que mais mal faz à mecânica, e nós precisamos da mecânica para sair daquela zona alagada, é que o carro faça um caixão tal que o leva a admitir água. E isso é péssimo, porque a água não se consegue comprimir. O motor o que faz é comprimir uma mistura de ar e gasolina. Se entrar lá água, como ela é impossível de ser comprimida, o que vai fazer é furar os pistões, partir as bielas e, sobretudo, deixar-nos no meio da água, que é exatamente aquilo que pretendíamos evitar em primeira instância.
Alfredo, falta-nos apenas falar sobre os carros elétricos.
Por estranho que pareça, todos nós aprendemos desde pequenos que não se brinca com água e eletricidade em conjunto, mas curiosamente os automóveis elétricos têm duas baterias: têm a bateria de 12 V, como todos os carros têm, que alimenta o ajuda, a buzina, o limpa-vidros elétrico, o fechar a porta, por aí fora, mas têm aquela bateria de que todos temos algum medo, ou pelo menos respeito, que é a bateria de alta tensão. Exceto que essa está bem armazenada, não permite a entrada nem de poeira, quanto mais água, logo, não coloca grandes problemas. E os carros elétricos até se safam muito bem a atravessar leitos de rio. Só que, lá está, dependendo sempre da profundidade, mas se tiveres que atravessar um leito de rio num carro a gásóleo ou num carro elétrico, é garantido que teres mais sucesso no carro elétrico. De qualquer forma, é sempre de evitar. Não consigo repetir isto vezes demais.
Ora bem, fica aqui este aviso pertinente por parte do Alfredo Lavrador. Alfredo, fica por aqui o Operação Stop desta semana, mas voltamos a marcar encontro para a semana. Até lá, um grande abraço.
Abraço, Rafael.