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"Operação Stop" na Rádio Observador, todas as semanas as novidades sobre o mundo automóvel, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, sê muito bem-vindo. Como é que estás? Como é que foi essa semana?

Obrigado, Rafael. Foi ótima. Aqui em modo eleições, ou preparação para eleições.

Exatamente.

Foi ótima.

E na preparação para este programa, traz-nos a ideia de que vamos falar sobre pneus, antes de mais, sendo que a tua indicação é os pneus ideais para conseguir votar na segunda volta das presidenciais. Obviamente que ninguém vai montar pneus especificamente para minimizar riscos de acidentes a caminho da cabine de voto, seja nesta segunda volta das eleições ou mesmo na primeira, mas em pleno inverno, este é um tema pertinente, Alfredo, e todos os condutores devem estar preocupados com os pneus que utilizam em tempo de frio e tempo de chuva. É disso que queres falar hoje, da diferença entre pneus para piso seco e para piso molhado. Que diferenças é que existem?

Antes de responder à tua questão, deixa-me recordar os nossos ouvintes que tradicionalmente o tempo de chuva traz um incremento no número de acidentes, um incremento no número de mortes, de feridos, por aí fora. É uma tragédia anual e nós temos que tentar pôr fim a isso ou pelo menos minimizar os danos. E sabes que a única coisa do automóvel que toca no solo, no asfalto, na maior parte dos carros, 99% dos casos, é o pneu. O pneu é determinante. É claro que se o condutor exceder e muito o limite de velocidade ou fazer uma manobra completamente estapafúrdia, não há milagres. Os pneus são limitados pelas leis da física, mas os pneus são muito importantes, muito mais do que as pessoas pensam. Além dos pneus que toda a gente compra, há pneus que são melhores para a chuva e pneus que são piores para a chuva. E há uns graficuzinhos que existem nas lojas, especialmente de pneus, que dizem isso mesmo, nível A, nível B, nível C, em relação à presença da água no piso. E há uma grande diferença entre os pneus de inverno e de verão, ou seja, pneus para piso molhado ou para piso seco. Em muitos países europeus, especialmente o norte da Europa, os condutores habitualmente montam pneus de chuva quando chega o inverno, para depois voltarem atrás e regressar aos pneus de verão, quando a chuva dá lugar ao sol. Em Portugal não há essa tradição, porque temos temperaturas mais amenas, mesmo durante o inverno, e mesmo nas regiões em que o gelo e a neve têm por hábito aparecer, tampouco é muito frequente utilizar esses pneus. De qualquer forma, há efetivamente pneus que são melhores no molhado e há muitos portugueses que deveriam, sobretudo aqueles que têm carros mais potentes, com pneus mais largos, e o pneu de baixo perfil, que também não ajuda provavelmente à aderência em piso molhado, esses condutores deveriam seriamente pensar em comprar um jogo de pneus de inverno e precisamente trocá-los. Gastam uma vez mais dinheiro, ok, naquele ano em que compram o segundo jogo de pneus, gastam um pouco mais, mas depois vão gerindo os dois jogos de pneus com que ficam e acabam por, ao fim de uns anos, os custos serem relativamente similares.

E o tipo de piso, ou seja, Alfredo, o tipo de desenho que o pneu apresenta, que lhe permite agarrar ao asfalto melhor em tempo seco ou com chuva?

Olha, o tipo de piso é determinante. Vamos lá ver, cada veículo tem um determinado peso e exerce uma determinada pressão sobre o solo dividido pelos quatro pneus. Quando o piso estiver molhado, quando está piso seco, tudo bem. É fácil, está ali o asfalto, sobretudo aquele utilizado nas estradas tem um grande nível de aderência, os pneus também deverão tê-lo. O comportamento do carro está ali um bocado garantido. Mas quando há água a cobrir o piso, o asfalto, o pneu tem que escoar essa água para chegar ao contacto com o alcatrão. E é aí que começam os problemas. É preciso escoar essa água. E os pneus têm um tipo de piso que escoa melhor ou pior a água, fornecendo rasgos, sulcos mais largos, que permitam afastar a água debaixo do pneu, sejam aqueles sulcos transversais, como sulcos longitudinais. Isso depois tem outras implicações.

Isso quer dizer o quê, Alfredo? Que um pneu bom para a chuva é aquele que é mais largo e que é capaz de escoar a água para que exista mais borracha em contacto com o solo, com o asfalto, neste caso?

Isso quer dizer que o pneu bom para a chuva é tradicionalmente o pneu que tem sulcos mais largos, capazes de escoar, como tu disseste muito bem, a água que forma sobre o pneu, mas também aquele pneu que é até mais estreito que o normal. Voltando para o exemplo do norte da Europa, quando aqueles condutores que utilizam dois jogos de pneus, e é por isso que os carros têm normalmente sempre homologadas duas medidas de pneumáticos, de inverno os pneus são mais estreitos. Por quê? Porque voltando àquele exemplo que falava há pouco, se o peso do carro é o mesmo, a pressão que o carro exerce sobre o solo é a mesma, se os pneus forem mais estreitos, a pressão por centímetro quadrado aumenta, logo a capacidade do pneu escoar a água também aumenta. Um mix, um cocktail de pneus ligeiramente mais estreitos fica menos bonito na fotografia, mas não faz mal, porque acaba por sobreviver durante mais quilómetros e a mais incidências complicadas. Mas um cocktail com pneus mais estreitos, borrachas mais macias e sulcos, ou seja, um desenho de piso com sulcos mais largos, é meio caminho andado para chegarmos ao final do inverno com um sorriso nos lábios e com o carro inteiro.

E por que não podemos utilizar um pneu de chuva o ano inteiro, mesmo quando está sol e o piso está seco?

Voltamos às leis da física, que são uma chatice que ninguém consegue ultrapassar. Quando um pneu de chuva altero os sulcos mais largos, tanto transversais como longitudinais, acaba por ter gomos de borracha, ou seja, aqueles bocados de borracha que são coesos, que não têm nenhum recorte, mais pequenos e simultaneamente mais altos. E esses gomos de borracha, típicos dos pneus de chuva, ao serem utilizados em seco, sob a ação do peso do carro, acabam por se movimentar em demasia. Tentam ir para trás quando o pneu trava, tentam ir para frente quando o pneu acelera e o mesmo passando para cada um dos lados durante as curvas. E a borracha ao aquecer, como em muitas outras coisas, degrada-se e inclusivamente saltam pedaços. O pneu é destruído, dura muito menos quilómetros, desgasta-se muito mais e às vezes saltam mesmo pedaços, quando um pneu de chuva é utilizado em piso seco. E é por isso que se desgasta tanto mais que a borracha de um pneu de chuva é mais macia e daí a limitação.

E Alfredo, a tecnologia não pode aqui dar uma mãozinha, permitir conceber pneus que sejam mais aderentes e mais resistentes, quer ao calor, quer quando o piso está molhado?

Já dá, aí tocaste num ponto-chave. Só que não há milagre. A tecnologia existe, por exemplo, para os pneus agarrarem. Os pneus hoje em dia são muito mais eficientes na chuva do que eram há 10 ou 20 anos. E por quê? Por causa de uma adição espetacular ao composto de borracha, estamos a falar da sílica, que todos nós conhecemos nas mais variadas funções, mas a sílica permite que a borracha do pneu vire muito melhor em tempo frio e em piso molhado. Depois também temos outra solução tecnológica que ajudou os pneus a durar muito mais, estou-me a referir ao negro de carbono. Basicamente, quando tu incendeias um recipiente com petróleo, por exemplo, ou queimas um pneu, nós todos já vimos nas manifestações aqueles pneus a arder, há um fumo enorme que é libertado. Esse fumo é o negro de carbono. E esse componente é aquele que permite a borracha ser mais resistente ao desgaste. Lá está, outra solução tecnológica que aumenta a duração do pneu, o tempo de vida útil do pneu. Porém, ainda assim, apesar da sílica de um lado e o negro de carbono do outro, os pneus de chuva, por serem mais macios e terem gomos mais pequenos, logo mais fáceis de contorcer de um lado para o outro, gerando o aquecimento da borracha, limitam, e muito, a vida útil do pneu. De modo que quem possa, se tiver um carro sobretudo com pneus largos e um motor potente, invista nos pneus de chuva.

Ora bem.

Vai ver que tem muito menos problemas.

Ora bem, e é com essa sugestão que fechamos a edição desta semana do "Operação Stop", Alfredo. Nós voltamos para a semana com mais um episódio com as novidades do mundo automóvel e quem sabe com mais dicas preciosas como estas. Até lá, um grande abraço.

Abraço, José Rafael.