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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Tudo pronto para a "Operação Stop" de hoje. Está conosco Alfredo Labrador, o editor da seção Auto do Observador. Alfredo, bem-vindo.
Olá, obrigado.
Ora viva.
Olá, Filipa, e olá, João.
Apesar do meu tom entusiasmado, Alfredo, hoje trazes más notícias. Depois de um cliente escolher e encomendar um carro novo, o construtor pode atrasar o prazo de entrega durante dois anos?
Pois é, é estranho. Mas, lamentavelmente, é verdade. Tanto quanto conseguimos apurar, este é o caso do pior cenário, relativo a veículos mais sofisticados e recheados de equipamento, que necessitam de peças ou de materiais que atualmente estão em falta entre os fornecedores habituais da indústria. A publicação Business Insider revelou que a Mercedes, por exemplo, tem dois anos de atraso para a entrega de modelos como o Classe G, que é um jipe grandalhão e de linhas quadradas, mas luxuoso, e também o Maybach, que é a versão topo de gama, digamos assim, do Classe S. Mas nota que se estes dois anos de atraso são o pior cenário, abundam casos, neste e noutros construtores, em que a data de entrega prevista derrapa facilmente durante seis meses, sendo frequente ultrapassar mesmo os 12 meses.
Alfredo, nós já temos falado aqui ao longo dos últimos tempos de dificuldades por causa do acesso aos componentes, a falta de chips para os construtores. Estes atrasos ainda são por causa dessa falta de chips?
É exatamente isso, João. Por muito estranho que possa parecer, como é que uma indústria tão poderosa, com presença em todos os continentes, Estados Unidos, Europa, China e o resto da Ásia, etc. Estes atrasos são devidos à dificuldade de obter uma das peças mais pequenas entre os muitos milhares de componentes que são utilizados na construção de um automóvel moderno. Acontece que são os chips ou os semicondutores que controlam todas as funções a bordo, daquelas que exigem qualquer tipo de regulação eletrónica. Sei lá, é por exemplo, o caso da gestão do motor, da caixa de velocidades, dos sistemas de segurança, como nós todos conhecemos e usamos todos os dias, como o ABS, o controle de estabilidade ou controle de tração, passando igualmente por soluções de entretenimento, navegação, bancos com massagens, por exemplo, e até o ar-condicionado. Para tu perceberes bem a gravidade da situação, por exemplo, se quiseres comprar um carro novo e preferires uma versão com ar-condicionado à antiga, em que regulas a temperatura e o sistema sopra ar frio ou ar quente por todos os ventiladores por igual, exceto aqueles que estão fechados, claro, os chips não têm que ser necessários. Mas se o teu carro for mais sofisticado, com regulação automática à frente e atrás, em separado, permitindo que o condutor, por exemplo, selecione uma temperatura e o passageiro outra diferente, então já necessitas de semicondutores. E é exatamente aí que as dificuldades começam.
Alfred, mas como dizia o João Alexandre, nós já estamos a ouvir falar deste problema dos chips desde o início de 2020, portanto, um ano e meio depois, por que esta situação não é ultrapassada?
Olha, em termos práticos, a culpa é um bocado dos construtores. Te recordas quando, no início de 2020, como tu falaste, as fábricas de automóveis encerraram devido à pandemia?
Uhum. Certo.
Nessa altura, os construtores de automóveis informaram todos os seus fornecedores, inclusivamente os fabricantes de chips, que iriam passar a necessitar de uma menor quantidade de semicondutores. Os fabricantes de chips encontraram rapidamente outros clientes, como as consolas de jogos, por exemplo, cujas vendas na altura dispararam, devido à mesma pandemia, tudo para manter as suas fábricas a trabalhar a 100%. Ora, quando os construtores de automóveis quiseram retomar os volumes de produção pré-pandemia, os construtores de automóveis tiveram a má notícia que não havia chips disponíveis nem capacidade para os produzir.
Alfredo, e a pergunta que quem nos está a ouvir está a fazer também a esta hora, e em particular aqueles que estão a pensar em comprar carro nos próximos tempos, é: quando é que finalmente é que toda esta situação vai ser ultrapassada?
João, as previsões mais otimistas apontam para uma melhoria não muito acentuada durante 2022, mas o problema só deverá estar definitivamente sanado com a construção de novas fábricas de semicondutores, algumas delas na Europa. Tu sabes que hoje em dia, 90% dos semicondutores, sobretudo os mais sofisticados, vêm de Taiwan, e estas só deverão estar a funcionar em 2023. De maneira que até lá, se queres um carro-
Portanto, aí o prazo dos dois anos.
Exatamente. Espera à vontade.
É isso que há. Alfredo, não falamos há muito tempo da newsletter que assinas, mas vais também falar sobre isto, imagino.
E não demora dois anos a chegar.
Não, sabes que a newsletter é bastante mais rápida.
É semanal, é semanal, como a "Operação Stop" também.
Chega todas as semanas.
É isso mesmo. Portanto, para quem nos está a ouvir e ainda não assina essa newsletter, basta passar pelo site do Observador para começar a fazê-lo, a receber essa newsletter na caixa de correio eletrónico, obviamente. E nós por aqui voltamos à "Operação Stop", também na próxima semana, com Alfredo Labrador, é o editor desta seção Auto do Observador. Está conosco na "Operação Stop", aqui na rádio, todas as semanas. Alfredo, muito obrigada. Até para a semana.
Obrigado e até para a semana.
Obrigada.