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"Operação Stop" na Rádio Observador. Todas as semanas, as principais novidades do mundo automóvel, como sempre, com Alfredo Lavrador. Alfredo, sejas muito bem-vindo. Como é que estás? Como é que foi essa semana?
Lindamente, Ruy. E agora que te ouço, ainda melhor.
Obrigado, Alfredo, és muito gentil. Meu caro, esta semana vamos falar de um veículo estranho. A Renault vai produzir o veículo mais peculiar nos mais de 120 anos de história da construtora. Chama-se Corus, tem apenas três rodas, uma autonomia de 3 mil km, pode até carregar 500 kg de bombas ou outro armamento. Ora, por esta descrição, já dá para perceber que não estamos a falar de um carro. Alfredo Lavrador, que Renault é este que tem uma autonomia gigante e carrega bombas?
Hoje resolvemos, na "Operação Stop", surpreender não só a ti, porque também não sabias do que eu ia falar, como os nossos ouvintes. Efetivamente, tens toda a razão, não é um carro, mas a verdade é que é um veículo, neste caso voador, que sai de uma fábrica da Renault, é produzido pela Renault e tem componentes Renault, por exemplo, o motor é Renault. Começando pelo princípio, respondendo à tua questão, na realidade, o Corus tem efetivamente três rodas, e aí não faltámos à verdade, uma vez que é um avião, tem duas rodas atrás e lá à frente uma diz, porque é a única forma de o aterrar e de descolar. Trata-se de um drone voador que foi fornecido a pedido dos militares e que a Renault vai fabricar na sua fábrica em Le Mans. A tecnologia em termos de aviônica e capacidade de armamento é dos franceses da Thales, que é um fornecedor habitual dos militares franceses, mas como o caderno de encargos implicava um custo que tinha um teto de € 100 mil, não podia ultrapassar esse valor, a Renault apareceu como especialista não só na motorização, para uma motorização barata e eficiente, capaz de se adaptar ao drone, ainda assim robusta o suficiente para não ter problemas durante o voo, porque é pressuposto aquela coisa chegar ao destino, tanto mais que vai carregar de bombas. Mas a Renault forneceu igualmente o seu know-how na produção, ou seja, montou uma linha de produção específica para criar o drone. E nota que aquela fábrica de Le Mans não é uma fábrica que produza carros, que produza peças, mas é uma fábrica que tem fundição de ferro e de alumínio, bem como estampagem, etc. Logo, poderia produzir a carroceria do drone, bem como a estrutura do drone, e daí a vantagem da Renault. E nota que estamos a falar de uma produção de 600 drones por mês a € 100 mil a unidade. E deixemos mais à atenção que, factos são factos, não há um único Renault que custe € 100 mil. Quer dizer, a menos os Formula 1, mas esses não são de venda ao público.
Alfredo, acredito que a pergunta que esteja a passar na cabeça de muita gente que nos está a ouvir é: por quê? Por que a Renault vai trocar a produção de carros pelo fabrico de drones?
Não vai trocar, vai acumular, digamos assim. Basicamente, aquelas instalações de Le Mans são históricas, funcionam desde 1920. A Renault foi fundada em 1899, aquela começou pouco depois e hoje em dia é uma mistura de fábrica de peças. Eles fabricam chassis, por exemplo, para os carros elétricos. Fabricam eixos, etc, uma série de coisas. Mas sempre peças, não veículos finais. E o que eles fizeram foi libertar um dos armazéns, um daqueles grandes blocos que têm, dos grandes edifícios, e montaram aí uma linha de montagem. Segundo a imprensa francesa especializada em informações militares, há várias semanas que um grupo de 100 caminhões transporta material para aquele edifício, para aí começarem a produzir drones, uma vez que as primeiras unidades vão sair ainda em 2026.
Que mais detalhes é que sabes, Alfredo, deste Renault Corus? Há pouco falavas do motor, que é um motor Renault, mas estamos a falar de um motor elétrico, gasóleo, que velocidades é que atinge, que detalhes é que nos podes dizer mais sobre este carro-drone?
O que se sabe é que a Renault, face ao caderno de encargos, estudou várias possibilidades e acabou por decidir por um motor 2 litros turbodiesel, que teve de transformar para conseguir viver, digamos, funcionar dentro de um avião, que tu sabes que os carros andam sempre a direito, exceto quando têm um acidente grave. Mas nos aviões é diferente, eles curvam inclinando para a esquerda ou para a direita, podem fazer voo invertido, e isto causa problemas de lubrificação. Enfim, teve que adaptar o motor à aviação. O motor, já disse que é um 2 litros turbodiesel, tem autonomia com o depósito que tem a bordo, que também não é muito grande, porque o de drone também não é infinito. Tem uma autonomia para 3 mil km e o motor tem que ter potência suficiente para permitir ao drone voar a 400 km/h. Isto é um drone de longo alcance E de velocidade interessante, mas há drones muito mais rápidos, não é esse o objetivo. Respondendo à tua questão sobre os dados, para além dos 400 km/h a que ele se desloca, o Corus é um drone com 10 m de comprimento e oito de envergadura de asa. É um drone que consegue carregar bastante peso em bombas.
Temos ainda dois minutos, Alfredo Labrador, para perceber que tipo de missões é que este Renault Corus vai desempenhar.
Há uma coisa que eu te posso dizer, e obviamente isto é uma graça, mas não deixa de ser verdade. Eu não estou a pôr em causa a qualidade dos veículos Renault, que tem vindo a evoluir, como todas as marcas ao longo dos anos. Mas este é decididamente o único veículo da Renault que nunca vai ter problemas de fabricação, de defeitos durante o pós-venda. Essencialmente, porque isto é um drone kamikaze, ou seja, é um drone que descola de onde for possível, desloca-se até ao objetivo, que seja ele uma ponte, um aeroporto com aviões militares parados para os bombardear, etc. E a finalidade deste drone é destruir-se contra o solo, contra o inimigo, contra o que quer que seja. E isto faz parte do programa de rearmamento europeu. Ou seja, isto visa preparar a Europa para se autoproteger, ser capaz de se autodefender sem a ajuda dos americanos, que agora estão um bocado pelos dias da amargura. De maneira que como nunca volta da sua viagem, cada drone faz uma viagem e daí o preço ser essencial, não vai haver problemas no pós-venda da Renault.
Ora bem, e é com essa informação que fechamos a edição desta semana do "Operation Stop" e deixamos também a premissa, Alfredo, para a semana voltamos com mais novidades do mundo automóvel e agora aparentemente também do mundo da produção de drones. Alfredo, um grande abraço.
Abraço, José Rafael.