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Se a mãe e o pai não forem educados uns com os outros, não têm autoridade moral para falar de educação com os filhos.

Nós.

Não nos damos muito espaço para estarmos tristes.

Todos os dias, de segunda a sexta.

Amar é o melhor antídoto para a depressão.

Eduardo Sá, no "Porque sim não é resposta".

Precisamos de tropeçar, de ser trapalhões, até para nós percebermos o que queremos de nós numa relação e o que esperamos da outra pessoa.

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Está na hora de falarmos de desporto e conhecermos outras histórias. Por isso, contamos com a ajuda da jornalista do Observador, a Mariana Fernandes. Olá, Mariana, bom dia.

Olá, bom dia.

Agora assustaste-me este compasso. Eu a ver se tinha avião em cima. Começamos em Inglaterra, não é, Mariana?

Sim, começamos. E com um clube que já foi nosso tema aqui, o Forest Green Rovers, um clube da quarta divisão inglesa, que tem mais de 130 anos de história, mas que desde 2010 tem escrito a própria história, por assim dizer. Nesse ano, há mais de uma década, o clube foi comprado por Dale Vince, um empresário das energias renováveis, e tornou-se o primeiro clube do mundo a ter como grande prioridade, para além dos resultados desportivos, as alterações climáticas, o aquecimento global, portanto, a necessidade de proteger e de reservar o planeta em que vivemos. O Forest Green Rovers considera-se um clube vegan desde 2015. O The New Lawn, o estádio do clube, tem inúmeras inovações eco-friendly e o clube tem ainda planos para construir o primeiro estádio feito inteiramente de madeira no mundo inteiro, para além de usar equipamentos feitos de desperdício de café. E agora, mais de 10 anos depois desta revolução que Dale Vince veio implementar neste clube centenário, as novidades podem ir ainda mais longe.

Já são tão à frente, mas ainda querem ir mais longe. E então querem chegar até onde?

Tudo começa no passado domingo, quando o Forest Green Rovers despediu aquele que tinha sido até aqui o treinador, o Mark Cooper, depois de uma série de quatro derrotas seguidas, que fez com que a equipa caísse para o sexto lugar da quarta divisão, portanto, que ficasse fora dos lugares de acesso à terceira divisão. Significa isto que o clube está à procura de um novo treinador, nesta altura, e Dale Vince, em declarações à BBC, abriu a porta à possibilidade de ser uma mulher. O presidente explicou que é necessária uma maior diversidade nos treinadores do futebol europeu e não só a nível de género. Falou, por exemplo, de não existir um treinador negro ou um treinador asiático nas principais ligas europeias e garantiu então que a pessoa contratada será alguém que nunca foi contratado por ninguém anteriormente em Inglaterra. A acontecer, esta treinadora escolhida seria a primeira a orientar uma equipa masculina nas quatro primeiras divisões do futebol inglês, isto depois de o Forest Green Rovers já se ter tornado o primeiro clube, em 2019, a contratar uma treinadora para gerir as camadas jovens e a academia da formação.

Mariana, mas isto é assim tão inovador? Como é nos outros países? Há antecedentes?

Existem alguns, mas muito poucos. Na Escócia, por exemplo, uma treinadora chamada Shelley Kerr treinou uma equipa universitária e em França, que acaba por ser o grande antecedente, Corinne Diacre foi treinadora do Clermont Foot durante três anos, que é aquele clube que contratou a portuguesa Helena Costa também há uns anos, mas que acabou por nunca se estrear, porque saiu em diferendo com a direção quanto à política de contratações. E acaba por ser isso no que toca a antecedentes. Em Inglaterra, nenhum dos 92 clubes que estão neste momento nas quatro principais divisões já teve alguma vez uma treinadora. Esteve perto de acontecer há alguns anos, quando a Emma Hayes, treinadora da equipa feminina do Chelsea, foi considerada para orientar a equipa masculina do Wimbledon, que estava na terceira divisão, sendo que ela na altura disse que a ideia de isto ser considerado um salto na carreira era um insulto, porque treina campeãs do mundo, campeãs europeias e campeãs olímpicas há vários anos. Certo é que se o Forest Green Rovers seguir mesmo em frente com esta ideia, será obviamente histórico para o futebol inglês e para o futebol europeu no geral.

Ficará para a história, sem dúvida. E de Inglaterra passamos para a Colômbia e para um surto de Covid-19.

Sim, um surto que acabou por deixar muito famosa uma equipa muito desconhecida e como tantas outras equipas no mundo inteiro, incluindo em Portugal, claro, os colombianos do Águilas Doradas foram atingidos nas últimas semanas por um surto muito vasto de Covid-19, que afetou 16 jogadores. E para além destes 16 jogadores, que estavam obviamente impedidos de disputar o jogo deste fim de semana contra o Boyacá e a contar para o torneio Apertura da Colômbia, o clube contava ainda com sete lesionados, o que significava que só tinha outros sete jogadores disponíveis para entrar em campo. A estrutura do Águilas Doradas tentou o adiamento da partida junto da organização, como tantas vezes tem acontecido noutros países, mas não conseguiu e decidiu entrar em campo com estes sete jogadores.

Ora bem, e como é que isso correu no terreno?

Mais nunca visto, realmente. Correu da melhor maneira que poderia ter corrido, digamos assim. O leque de escolhas do treinador era tão reduzido que Valencia, um dos guarda-redes, teve de jogar a central para a equipa cumprir as regras, que indicam que qualquer clube tem de ter em campo pelo menos sete jogadores. A verdade é que os Águilas Doradas foram extraordinários, porque conseguiram não sofrer golos e perderam o jogo apenas na secretaria. Isto porque a partida foi empatada para o intervalo, depois de 45 minutos obviamente históricos, e foi interrompida só a cerca de 10 minutos do fim, quando estava 0x0 ainda, depois de um jogador do Águilas Doradas se lesionar, portanto, deixando a equipa com seis jogadores, um número que não permitia a finalização do encontro. Assim, o resultado foi resolvido na secretaria, com o habitual 3x0 a favorecer o Boyacá. Mas para a história ficam claros os sete heróis do Águilas Doradas, que não sofreram golos e que só desistiram mesmo quando não os deixaram continuar.

Incrível. E terminamos estas outras histórias do desporto nos Estados Unidos.

Sim, terminamos nos Estados Unidos e com a herança de um dos maiores trios do desporto internacional. Há cerca de um ano, praticamente o mundo inteiro andava a ver o "Last Dance", a série sobre o último ano de Michael Jordan no Chicago Bulls, e muitos episódios, para além de serem sobre Jordan, eram também sobre Scottie Pippen, sobre Dennis Rodman, os dois colegas de Michael Jordan. Ora, este ano está a ser particularmente positivo para os filhos de Pippen e de Rodman. O filho de Scottie Pippen, que se chama Scottie Pippen Jr., declarou-se para o draft, o que significa que para o ano poderá estar a seguir as pisadas do pai já na NBA. E a filha de Rodman, a Trinity, de quem também já falámos aqui, fez a estreia na Liga de Futebol Feminino dos Estados Unidos, marcou um golo cinco minutos depois de sair do banco, tornando-se assim a jogadora mais nova de sempre a marcar na competição, com apenas 18 anos. Quem sai aos seus realmente não degenera.

A jornalista da Editoria do Desporto do Observador, Mariana Fernandes. Amanhã há mais e outras histórias para conhecer. Obrigada, Mariana, até amanhã.

Até amanhã.

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