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Começam agora as outras histórias do desporto, hoje contadas pela jornalista da editoria de desporto do Observador, jornalista Mariana Fernandes. Olá, Mariana, bom dia, boa semana.

Olá, bom dia, boa semana.

Bom dia. Começamos com o automobilismo.

Sim, começamos com uma história que nos mostra de forma bastante clara os tempos em que vivemos. O nosso protagonista de hoje chama-se Cem Bölükbaşı, é turco e vai tornar-se nos próximos meses o primeiro a saltar dos videojogos e da realidade virtual para o automobilismo real. Bölükbaşı faz parte da FA Esports Racing, a equipa de corridas de simulação de Fernando Alonso desde 2017, e agora foi convidado a integrar oficialmente, e na vida real, o Campeonato do Mundo de Fórmula 2, categoria que fica imediatamente abaixo da Fórmula 1.

Muito bem, mas como é que isso aconteceu, Mariana? Ele tem algum tipo de experiência?

Tem, e esse dado acaba por ser o mais importante aqui, obviamente. Cem Bölükbaşı foi piloto quando era criança e adolescente, chegou a competir no Campeonato de Karts da Turquia e em vários torneios europeus mais pequenos. Percebeu que a carreira no automobilismo, pelo menos a real, não ia propriamente ser brilhante e decidiu então dedicar-se aos videojogos, integrando esta equipa de Fernando Alonso. Destinguiu-se, ganhou corridas, saltou para a divisão de corridas de simulação da Toro Rosso, aquela que até há bem pouco tempo era a equipa satélite da Red Bull, e começou a intercalar os videojogos com presenças em corridas reais no Euroformula Open ou no Campeonato Asiático de Fórmula 3, até que no passado mês de dezembro, uma viagem até Abu Dhabi para assistir ao último Grande Prêmio de Fórmula 1 acabou por culminar neste convite.

Ou seja, apesar de ele ter experiência, nunca competiu a este nível, é isso?

É exatamente isso. Ele conta que o bom rendimento nos videojogos, onde já se ganha muito dinheiro, onde já se tem muita projeção neste nível, lhe valeu então este convite para ir assistir ao último Grande Prêmio de Fórmula 1 do ano em Abu Dhabi, aquele em que Max Verstappen se sagrou campeão do mundo, e diz que foi no meio de tudo isso que foi convidado para participar nos treinos de pré-temporada da Fórmula 2, sendo depois um dos escolhidos pela Charouz Racing System, uma equipa da República Checa, para ser um dos pilotos para o próximo ano. Vai ser o primeiro turco a chegar tão longe e tão alto no automobilismo e, mais do que isso, é o primeiro a saltar da realidade virtual para a realidade em que todos vivemos.

Mariana, e agora passamos para a Espanha.

Sim, com uma das histórias mais comoventes dos últimos tempos do futebol. Para a contarmos, temos de ir até Bilbao e ao Athletic Bilbao, onde jogam os irmãos Williams. A história de Iñaki e de Nico, de 27 e 19 anos, já foi contada diversas vezes. Em 1994, os pais dos dois irmãos saíram do Gana, de onde eram naturais, cruzaram o deserto do Saara a pé e passaram a fronteira para a Espanha, literalmente a saltar através de uma vedação. Tudo isto com o pormenor ou por maior de a mãe dos dois jogadores estar na altura grávida do primeiro filho, Iñaki. A família ficou em Pamplona, onde os dois começaram a jogar à bola e o Athletic Bilbao acabou por formar os dois irmãos desde muito novos. Esta história é conhecida, é reconhecida, o que não deixou de evitar uma enorme comoção em Espanha quando Nico Williams, com apenas 19 anos, marcou o gol que pôs o Athletic Bilbao na final da Supertaça Espanhola.

E então, mas por ter sido um gol decisivo?

Sim, por isso mesmo. O Athletic Bilbao começou a perder com o Atlético Madrid nesta meia-final da Supertaça, com gol de João Félix, curiosamente. Empatou por intermédio de Yeray Álvarez e Nico Williams, já a 10 minutos do fim, fez então o gol da vitória. Celebrou essencialmente com o irmão, que também estava em campo e que teve uma reação mais efusiva até do que se tivesse sido ele próprio a marcar, mas celebrou também com a mãe, que estava presente no estádio e que abraçou os dois filhos através das grades que a separava do relvado, confessando mais tarde que começou a chorar assim que Nico marcou. O Athletic Bilbao acabou por perder esta Supertaça já ontem, perdeu na final com o Real Madrid, mas algo que já ninguém tira aos irmãos Williams, mais do que serem capa de praticamente todos os jornais desportivos espanhóis naquele dia, viram a mãe, Maria, ser capa do jornal Marca, com as camisolas dos dois filhos nas mãos. Eu não gosto de arriscar, mas diria que terá sido a primeira vez que uma mãe de um jogador, neste caso de dois, fez capa de um jornal desportivo totalmente sozinha.

Tão bom. Olha, Mariana, e terminamos com uma história de superação.

Sim, Antonino Barak tornou-se ontem o primeiro jogador do Hellas Verona a marcar um hat-trick na Série A, na Liga Italiana, contribuindo muito na goleada contra o Sassuolo, mas teve de andar muito para lá chegar, quase literalmente. Começou por ser guarda-redes, porque o pai achava que corria pouco e devagar. Sofreu bullying no primeiro clube em que jogou, precisamente porque o pai era lá dirigente, portanto, existia a ideia de favorecimento. Aos 17 anos, foi diagnosticado com uma malformação congênita na coluna vertebral que o deixou quase sem andar durante seis meses, e em 2018/2019 esteve mais de 100 dias sem jogar, devido a uma inflamação no tendão de Aquiles que desenvolveu simplesmente por ter usado umas chuteiras novas. Este ano está a viver a melhor época da carreira, fez história no Hellas Verona e está a mostrar que às vezes a única solução é mesmo não desistir.

É mesmo uma história de superação, e que superação, não é, Mariana?

É verdade.

Incrível. A jornalista Mariana Fernandes e as outras histórias do desporto nas manhãs 360. Obrigada. Até amanhã.

Até amanhã.

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