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Início de semana também para as outras histórias do desporto, hoje com a jornalista do Observador. Olá, Mariana Fernandes, bom dia.

Olá, bom dia.

Bom dia. Começamos em Inglaterra e com um jogador.

Sim, é verdade. E começamos com um jogador que nem sequer é muito conhecido, pelo menos para quem não acompanha a Premier League diariamente ou com muita atenção, mas que acaba por ser um dos destaques da liga inglesa pela regularidade que tem. E falamos de James Ward-Prowse, jogador inglês do Southampton, porque no passado fim de semana o médio de 26 anos completou 80 jogos consecutivos a jogar a titular. E mais, nos últimos 100 jogos do Southampton, Ward-Prowse foi titular em 99. Portanto, para além de ter sido obviamente titular em todas as 30 jornadas da Premier League desta temporada, completou também na íntegra os 90 minutos de cada um desses 30 jogos. Isto acaba por ser um pouco incomum nos dias de hoje, principalmente em Inglaterra, em que existe uma densidade competitiva muito elevada, em que os clubes acabam por disputar a Premier League, a Taça de Inglaterra, a Taça da Liga, que obriga também os treinadores a gerir o plantel entre as três competições, mas não no caso de James Ward-Prowse, que contou, entretanto, todos os segredos para ter este ritmo.

E então vamos lá a esses segredos, isso interessa-nos.

Exatamente. E antes mesmo de ir aos segredos, eu acho que é preciso também assinalar que existem segredos, ou seja, que para chegar a este nível, para manter este ritmo competitivo, para ser tão regular ao longo de tanto tempo, é mesmo preciso trabalhar e é sempre bom que estes jogadores, os que trabalham, revelem que o fazem, não digam que é tudo natural e é tudo talento. Depois, quanto aos segredos, tudo começa com a pré-época, onde James Ward-Prowse recomeça o trabalho e os treinos antes de qualquer outro colega da equipa e aqui foca-se principalmente nos conhecidos testes do bip, em que se corre entre um ponto e outro. Depois de um som, tem que se chegar ao outro ponto antes desse mesmo som voltar a tocar e os colegas contam até que o jogador inglês fica a correr sozinho quando a gravação dos sons já acabou, ou seja, vence o próprio teste. Os outros segredos passam também por comer o mesmo pequeno-almoço todos os dias, sempre uma omelete, e por saber quando comer carne vermelha e quando comer carne branca. E por fim, o último segredo está relacionado com as câmaras de crioterapia, que nos últimos anos se tornaram muito utilizadas no futebol, mas que com a COVID-19, pelo menos em Inglaterra, têm agora um obstáculo adicional.

Bem, e que obstáculo é esse?

Isto porque em Inglaterra, em alguns estádios, e porque a estrutura do recinto não permite a separação total das duas equipas nos corredores que dão acesso aos balneários, foram construídos balneários temporários no exterior para as equipas visitantes para evitar a existência de contágios. E no caso de Goodison Park, o estádio do Everton, o balneário dos visitantes está construído no parque de estacionamento, portanto, completamente fora do recinto do estádio em si. O que não impediu James Ward-Prowse de, no mês passado e numa segunda-feira particularmente gelada em Liverpool, ter saído do balneário temporário para entrar numa câmara de crioterapia na rua, sendo que as temperaturas nestas câmaras são para lá de negativas.

Ui, ui, deve ter sido fácil. Deve ter sido mesmo. Olha, Mariana, e continuamos em Inglaterra, mas desta vez passamos para dois treinadores, de um jogador para dois treinadores.

Sim, porque dois treinadores que ontem tiveram uma discussão muito estranha sobre técnicas parentais e passo desde já a explicar. O Manchester United venceu ontem o Tottenham de José Mourinho e existiu um lance particularmente polémico em que um golo do Manchester United foi anulado pelo VAR devido a uma falta, falta essa que fez com que Son, jogador do Tottenham, ficasse no relvado a queixar-se da zona da cara durante alguns minutos. Ora, Solskjær, treinador do Manchester United, que ganhou, apesar disso, disse depois do jogo que se o filho ficasse assim no chão durante tantos minutos depois de uma falta daquelas e precisasse dos 10 colegas para o levantar, não teria comida no final do jogo e na resposta, claro, Mourinho foi Mourinho.

Então vamos lá saber como é que Mourinho foi Mourinho, não é? O que ele disse?

Disse que ainda bem que o pai de Son era melhor do que Solskjær, porque ele próprio também era pai e acreditava que os filhos têm sempre de ser alimentados, independentemente do que fazem, nem que seja preciso roubar, e que estava muito desiludido com as palavras do treinador norueguês. Disse até que se tivesse sido ele a dizer algo parecido, seria um escândalo. E terminou à Carlos Carvalhal, digamos assim, terminou como agora treinador do Braga, tantas vezes quando estava no Swansea e no Sheffield, terminou, portanto, com um provérbio em português traduzido para inglês e explicou que em Portugal temos uma frase que é: "Bread is bread and cheese is cheese." O nosso pão, pão, queijo, queijo.

Muito bom, em inglês ganha outra dimensão. A jornalista da editoria de desporto do Observador, Mariana Fernandes. Amanhã há mais histórias para conhecermos. Obrigada, Mariana. Até amanhã.

Até amanhã.

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