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Começam agora as outras histórias do desporto, hoje contadas pela jornalista da editoria do desporto do Observador, a Mariana Fernandes. Olá, Mariana, bem-vinda.

Olá, bom dia.

Boa semana. Começamos nos Países Baixos e com uma notícia que marcou o fim de semana.

Uma notícia que vai ter ondas de choque, pelo menos a longo prazo, no futebol holandês e num dos clubes mais importantes da Europa. Domingo à noite, já mesmo nas últimas horas do dia, e quando pelo menos em Portugal só se falava da conquista do Europeu de futsal e dos resultados de futebol Clube do Porto e Sporting, rebentou a bomba de que Marc Overmars, até aqui diretor para o futebol do Ajax, tinha pedido demissão depois de acusações de assédio sexual. Estas acusações terão surgido através de mensagens inapropriadas que Overmars enviou a várias funcionárias do Ajax e num curto comunicado, limitou-se a dizer que não tinha noção de que tinha ultrapassado uma linha, de que agora entendia e estava envergonhado e que não tinha outra opção que não demitir-se.

Mariana, mas esse nome não me é estranho. Ele era jogador de futebol?

Sim, era. A notícia está a chocar ainda mais o mundo do futebol por isso mesmo, porque Overmars foi internacional pela Holanda durante muitos anos, esteve em dois Europeus e dois Mundiais. Representou o Ajax, o Arsenal e o Barcelona, sendo que ganhou a Liga dos Campeões com o Ajax e a Premier League com o Arsenal. Era diretor para o futebol do Ajax há cerca de uma década e tinha recentemente renovado contrato até 2026, sendo que era parte fulcral de um projeto do clube que assenta na figura de Edwin van der Sar, o antigo guarda-redes que agora é CEO, e que pretende levar o Ajax de regresso ao topo do futebol europeu com base na formação e nos jogadores que são criados pelo próprio clube. Agora, até essa ideia sofre um revés, isto numa semana particularmente negra no que toca a casos semelhantes a estes no mundo do futebol.

Então, não foi caso único, terá havido mais, não?

Esteve longe de ser o único. Há uma semana rebentou o escândalo que envolve Mason Greenwood, o avançado do Manchester United. O jogador inglês de 20 anos foi detido devido a acusações de violação, agressão sexual e ameaças de morte por parte da ex-namorada. Permaneceu detido durante alguns dias e foi libertado então sob fiança, sendo que continua a ser investigado e está suspenso do Manchester United, não treina, também não joga. Para além de Greenwood, também Avram Grant, antigo treinador do Chelsea e da seleção de Israel, foi acusado de assédio sexual por parte de várias modelos, jornalistas e apresentadoras israelitas, que garantem que o técnico usava o poder que tinha e que tem no país para as coagir a ter relações sexuais. Por isso não foi uma semana nada bonita para o mundo do futebol.

Mariana, e passamos para o impacto da pandemia no futebol.

Um impacto de € 7.000 milhões em dois anos. Segundo um novo estudo divulgado pela UEFA, terá sido este o valor que a pandemia de Covid-19 custou ao futebol europeu nos últimos dois anos, dividido em € 4.000 milhões em 2019/2020 e € 3.000 milhões em 2020/2021, isto depois de 20 anos de crescimento ininterrupto. As causas são óbvias: a ausência de bilhética devido ao encerramento dos estádios ao público, algo que terá tido impacto de quase € 4.500 milhões, a diminuição das atividades comerciais e de patrocínio e ainda a quebra dos direitos de transmissão dos jogos. Estes resultados ajustam-se às previsões que a UEFA tinha feito em maio de 2021, quando antecipou que a pandemia iria implicar um retrocesso de € 7.200 milhões nos 711 clubes europeus de primeira divisão que estão sob a alçada do organismo. E este estudo deixa ainda uma análise à evolução dos mercados de transferências nestes últimos dois anos já com pandemia.

Então e qual foi o real impacto?

A UEFA conclui que os mercados de verão de 2020, de inverno 2021 e também de verão depois de 2021, tiveram uma quebra de 40% no valor investido, em comparação com os valores que se praticavam em 2019, portanto, antes da pandemia. Ainda assim, o organismo destaca a recuperação financeira dos últimos meses, já que o mercado de inverno, que fechou na semana passada, movimentou € 950 milhões, valor que é inferior em apenas 10% à média dos mercados de inverno que aconteceram entre 2017 e 2019. Nas chamadas Big Five, portanto, as cinco principais ligas da Europa, França é a mesma mais afetada pela pandemia, com os clubes a registarem quebras de 29% desde março de 2020. Segue-se Itália com 26% e só depois então Inglaterra, Alemanha e Espanha com cerca de 20%.

E falaste em Inglaterra, é lá que terminamos as outras histórias.

Sim, com uma notícia boa que vem mostrar que afinal ainda há tempo pra pensar com cuidado e com atenção. O Channel Four, o canal de televisão britânico que vai transmitir os Jogos Paralímpicos de Inverno no Reino Unido, anunciou que toda a equipa que irá apresentar os eventos ao longo dos dias de transmissão será composta por pessoas com algum tipo de deficiência. Entre os nomes estão Ade Adepitan, antigo jogador de basquetebol adaptado, Ed Jackson, antigo jogador de rugby, e Lauren Steadman, campeã paralímpica no triatlo. As transmissões terão ainda legendas em direto e descrições áudio nas repetições que vão ficar disponíveis. É uma medida inédita e única por parte do Channel Four, que vai mostrar que tudo tem, de fato, de ser para todos.

Ainda bem que assim é. A jornalista Mariana Fernandes e as outras histórias do desporto nas manhãs 360. Obrigada, Mariana. Até amanhã?

Até amanhã.

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