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Eu acho que está tudo danadinho para me ouvir dizer asneiras.
Achas?
Os portugueses.
As pessoas queriam que tu te passasses um dia, não é?
Eu sinto que se calhar sim.
Pois é. Se calhar sim.
Eu sinto que os portugueses investiram nisso.
Tu não pões muito o pé em falso. Tu não dás um passo.
Só na tua cara não me é estranha.
Mas mesmo assim.
Fora isso.
Mesmo assim, o teu público está a ver-te.
As pessoas queriam que tu te passasses. Eu também queria que tu te passasses. Vou tomar a liberdade de fazer a minha reivindicação.
Para fazeres o nosso jingle.
Pequenas reivindicações de liberdade.
Pronto, acho que pode ser este.
Agora está aqui escrito e eu vou ter de ler. Pequenas reivindicações.
Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.
Pessoas incríveis.
Olá, muito bem-vindas e muito bem-vindos a mais um episódio de Pequenas Reivindicações de Liberdade, este que é um podcast do Observador e hoje com Bárbara Branco.
Olá. Olá, Bárbara, bem-vinda. Obrigada. Estás lindíssima com o rímel azul. Para, Titi.
A Bárbara é a nossa segunda convidada que traz rímel azul.
Pois é. Não sou pioneira no rímel azul neste podcast?
Não. É isso que me leva a crer que está agora na moda, porque já houve uma pessoa que tu viste que usou. Porque é tão improvável alguém usar rímel azul que ver duas no espaço de um mês.
É bastante, não é? Alguma coisa está a mudar.
Alguma coisa está a mudar na nossa sociedade.
Sim.
Continuas a ser, se calhar, pioneira, porque olha para nós as duas, nada mais nada menos.
Eu não vejo rímel azul em nenhuma das duas.
Mas é só o azul ou também cor-de-rosa, verde, cor-de-laranja também estão na moda?
Eu para já só arrisco no azul. Em relação às outras cores, não sei. O verde acho que também está agora muito na moda.
E o cor-de-rosa, não?
Não sei.
Ok.
Não estou muito a par.
Não é a tua área?
Não é bem a minha área. Talvez. Eu acho que o azul é o que se vê mais. Um eyeliner azul já se via bastante e agora passou para o rímel. Portanto, o azul é assim.
Está a alastrar.
Está.
Mas não eram mais as pessoas de lápis azul?
Pois é. Não, eu disse eyeliner.
Tu disseste. Eu queria dizer lápis azul em olhos azuis. Não eram mais as pessoas de olhos azuis que punham o eyeliner azul para realçar os olhos? O que tu pretendes realçar com esse azul?
Os meus olhos.
Não funciona porque tem outra cor.
Eu acho que funciona, Bárbara.
Eu acho que funciona na mesma, por contraste.
Não?
É cor de olhos que a Bárbara não tem.
Para realçar a cor que eu não tenho, por exemplo, mas também para realçar a cor que eu tenho. De repente, um azul nos olhos castanhos banais, que é o que eu tenho. De repente, pões um rímel azul e é tipo: "Ah, ela tem uns olhos castanhos."
Claro.
Como é que é possível uns olhos castanhos serem tão bonitos? Nem ia aí, mas se quiseres ir aí, sim. Eu acho que é mesmo só tipo: "Uau, olhos castanhos."
Muito bem, Bárbara, muito bem-vinda.
Obrigada.
Neste podcast temos a partir de agora um cronômetro a contar e quando tocar, podes sair, levantar e partir tudo pelo caminho, se quiseres.
Depois pagas ao Observador.
Sim, isso depois são problemas que são teus. Nós na temporada anterior dos Rapazes Giros gravávamos em casa da avó Glória, que recebia todos os rapazes com lanchinho e grandes boas-vindas.
Eu não vejo lanchinho.
É verdade. Agora tens apenas este estúdio, Bárbara, com três câmeras, uma só em ti. Não sei do que é que te estás a queixar.
Uma garrafa d'água daquelas caras, que diz Observador, é a água do Observador. Eu não me estou a queixar, eu só estava a constatar um facto.
Eles mandaram fazer uma garrafa com o Observador inscrito. Repara, não é todos os sítios. Isto é poder de compra.
Ya, tens razão. Peço desculpa, estava a ficar mal aí. É a cara de passar uma ideia e nós aceitamos.
Bárbara, aqui vão as boas-vindas da avó Glória, embora não haja lanchinho.
Bárbara, olá. Espero que estejas bem e feliz por estar com as minhas meninas. Elas às vezes passam a linha, prepara-te. Mas é só porque no fundo gostavam de ser como tu. Desejo-te só coisas boas. Enjoy.
Que sorte! Eu só vim por isto. Eu adoro quando a avó Glória termina em inglês. Enjoy.
E foi com paz, não foi?
Foi. Ela está tranquila, está serena.
Pois está.
Que bom.
Bárbara, por que tu és incrível?
Bom, eu estive a pensar, como devem calcular, estive a fazer assim um rewind da minha vida e tentar perceber o que faz de mim incrível. E cheguei a duas conclusões. A primeira é que tenho 25 anos e ainda não parti nada. Não parti ossos nenhuns, não parti a cabeça, não parti nenhum braço. Eu acho isso fixe e incrível. Depois, estar aqui no vosso programa também acho fixe. E a terceira coisa, neste caso são três, é que alguma coisa eu fiz bem na vida para ter sido convidada para o "Cinco para a meia-noite", em que o Toy fez a primeira e única tatuagem dele. E eu acho que isso é incrível sobre mim. Acertei em alguma coisa e tive essa oportunidade. O universo deu-me essa oportunidade.
Porque é um momento para Portugal, não é? E tu estavas lá.
Pelo menos para mim foi um momento e acho que isso faz de mim incrível.
Os ossos, sem dúvida.
Não é? Vocês já partiram alguma coisa?
Eu nunca, nada, também.
Estás a ver? Por isso é que és incrível e estás aqui.
Obrigada, Bárbara. Queríamos chegar aí.
E tu, o que já partiste? Já parti dois. Então olha, a porta é aqui. Mas não foi muito grave.
O que foi?
Foi o pulso e o cóccix.
Dos dois.
O cóccix? Sim, mas rachou só. Ah, ok. Ufa!
Bem, o cóccix rachado deve ser muito doloroso.
Muito doloroso. Pois acredito que sim.
Bárbara, a sorte que nós temos.
Demorou 10 anos quase para curar, eu acho, 100%.
O quê?
Então já estás curada? Já. Que sorte. Não, demorou tipo 10 anos até nunca me doer. Nunca. Então tu ficaste 10 anos com dores no cóccix constante? Em momentos específicos. No final já era tipo, estou sentada há muito tempo e sobe uma dor assim a partir do fundo das costas. Isto é completamente verdade.
Sobe uma dor?
Sobe uma dor, porque começa assim a subir.
Irradia, não é?
Ya Pois. Estou muito solidária contigo. Eu não sei o que isso é, porque sou incrível e nunca parti nada. Mas deve ser horrível.
Mas tu trouxeste esse motivo para seres incrível, sabendo perfeitamente que alguma de nós podia já ter partido alguma coisa?
Não cheguei aí.
Era provável.
Mas pensa, há muita gente, todos os meus irmãos já partiram alguma coisa. A minha mãe já partiu o pé. E eu penso: "O que eu tenho de tão especial para ainda não ter partido nada?"
Mas quando eras criança querias imenso partir. Há uma altura que queremos andar de muletas.
Não, eu estava bem sem partir nada. É horrível teres que andar com muletas, gesso.
Tu deves ter sido muito amada, porque esse é o momento em que pensas: "Agora as atenções vão estar em mim." Quando se parte alguma coisa.
Estava à espera de tipo de atenção, se calhar.
Pois é.
Mas não por essa via.
Eu vou enxotada.
De homens?
Também, não é? Sobretudo.
Já em criança.
Daddy issues.
Já em criança.
Of course.
Sim.
Pois é. Isso às vezes acontece à pessoa.
Desde sempre para sempre.
Eu imaginava isso sobre ti.
Não é? Tenho mesmo carinha de daddy issues.
Sempre, tu vais estar para o resto da vida a resolver os teus daddy issues.
Sim.
É assim, Bárbara.
É a vida.
Cada um tem as suas.
Ao menos nunca parti nada. Por isso é que eu não trouxe isso como motivo para ser incrível, porque claramente há aqui uma lacuna.
Pois há.
Não me orgulho.
Bárbara, nós vamos dizer-te porque tu és incrível. És incrível porque tens muita experiência em teatro, cinema e televisão e consegues sempre surpreender-nos com personagens diferentes e que têm qualquer coisa que é só tua.
Porque aos 21 anos ganhaste um Globo de Ouro de Melhor Atriz de Teatro com o espetáculo "Bruscamente" no verão passado e é admirável vermos uma atriz tão nova a ser valorizada.
És incrível porque estudaste teatro e começaste a trabalhar muito nova e tudo o que tens vindo a alcançar é graças ao teu trabalho como atriz, ainda que daí tenham surgido marcas e publicidade, mas o percurso não foi o inverso, como tantas vezes acontece agora.
És incrível porque em 2025 fazes parte da lista da Forbes 30 Under 30 na categoria Arte.
E por fim, és incrível porque parece-nos que em cada projeto que fazes estás sempre preocupada em contribuir para o bom ambiente da equipa e bem-estar dos teus colegas.
Só isso? Imagina eu agora queixar-me. Eu acho que dissociei um bocadinho a meio.
Paraste de ouvir. Achaste que não era sobre ti.
Não é sobre mim. E depois voltei e pensei: "Espera, Forbes. Afinal é."
Mas foi quando a Titi disse Forbes.
Fica mal.
Quando a Titi saiu no 30 Under 30.
Da Forbes.
Da Forbes. Titi, eu juro que não ia dizer nada.
Eu quase, mas pensei, foda-se.
Eu não ia dizer nada. Mas como a Bárbara disse tão bem Forbes. Agora, de repente, foi tipo, as pessoas vão perceber.
Olha, disse mal.
A Titi descobriu o que era a Forbes contigo. Ela leu uma coisa e pensou: "Forbes, deve ser superfixo se a Bárbara está lá."
Foi um bocado.
Eu sei, por isso é que eu estou a dizer.
Foi quando vi a fotografia no Instagram.
Ficaste tipo: "Eu também acho que queria."
De repente descobri um sonho que afinal também tenho.
Sim. Bárbara, vamos passar agora a um segmento de perguntas flash, em que tens de responder o mais rápida e honestamente possível.
Ok.
Lês livros que não gostas só para pareceres minimamente culta num meio teatral?
Quem nunca, claro.
Quem é que tem mais inveja de ti para além de nós sabemos quem?
Para além dessa pessoa, inveja de mim. Neste momento vocês, porque eu estou a usar rímel azul. Of course.
Admite, os escândalos às vezes até dão jeito, não é?
Dão sempre imenso jeito.
O teu namorado adora rock. Vocês fazem sexo a ouvir o quê?
Rock. E não só.
Um exemplo de uma banda.
Não queres dizer mais? Queres uma música?
Sim, queria.
Echolalia, do Yves Tumor.
Acabou de dizer imensas palavras que ninguém percebeu.
Pronto, depois eu escrevo.
Forbes.
Ok.
Jacarandá ou Lacrosse?
Jacarandá.
Por que a tua música preferida é "With or Without You" dos U2?
Porque é uma boa metáfora para a minha vida.
Ser protagonista de uma série como Os Sopranos, mas receber hate todos os dias, ou ser protagonista de uma novela durante três anos e ser amada pelos portugueses?
Ser amada pelos portugueses a fazer novela.
Ser advogada ou CEO de uma empresa de recursos humanos?
CEO de uma empresa de recursos humanos.
O que eu tenho que te fazer para começar a ter trabalho como atriz?
Despir-te?
As pessoas não estão a ver como é que a Bárbara vem vestida hoje, mas eu adorava que isto fosse visível para o nosso público. Bárbara, fuck, marry, kill. Afonso Pimentel, Ricardo Pereira e Paulo Pires.
Kill Paulo Pires, marry Afonso Pimentel e fuck Ricardo Pereira.
Trívia: qual foi o desporto que o Durão Barroso praticou em criança?
Foi horseball.
Quase. Corfeból. Por que ser capa de uma revista é bom?
Porque as pessoas adoram ver-te arranjada, maquilhada e linda.
Quando é que percebeste que fazer sexo podia deitar cá para fora o teu lado mais...
Isso especificamente? Há meio ano.
És boa a dar conselhos sobre relações?
Excelente.
Onde queres chegar que ainda não chegaste?
Quero fazer séries internacionais.
Sandes de panado ou feijoada à brasileira?
Sandes de panado.
Faças todos esses tratamentos de pele porque precisas mesmo ou porque te pagam?
Não pagam, portanto, a primeira hipótese.
A pergunta devia ser: fazes todos esses-
Porque são de borla.
Pois.
Se calhar se tivesse que pagar, não fazia tantas vezes. Quem nunca?
Como é não darem por nada e de repente seres influencer?
Ya, eu também sinto isso em relação a mim. De repente, olha onde eu estou. Como é que cheguei aqui? Não sei.
Achas que ainda serias capaz de ter um namorado que não fosse um ator famoso?
Eu acho que neste momento da minha vida já não tenho capacidade.
A aparência das pessoas de quem gostas é importante para ti? Não. Alguma vez te disseram que és a menina prodígio?
Assim, não. E de forma tão direta e sexy como tu disseste agora, nunca me disseram, de certeza.
Ainda bem que reparaste na sexiness de ti, porque a nossa próxima pergunta é se tu tens ciúmes, porque o teu namorado foi um rapaz giro e ficou completamente doido conosco.
Fiquei com ciúmes.
Como é ser madrasta de um cão bonito?
É incrível. Bonito e inteligente.
Qual foi o pior momento da tua carreira?
O pior? Sei lá, acho que todos os anos há muitos, mas a "Tua Cara Não Me É Estranha" foi um momento difícil. Bastante crítico.
Por que se aceita, não é, Bárbara? Há escolhas que têm que ser feitas bem menos. Alguém nos pressiona a aceitar, não é?
Não, eu aceitei porque quis. Eu acho que isso é mais difícil de gerir internamente.
Pois, foi uma escolha que tomaste.
Ninguém me apontou uma arma à cabeça e disse: "Faz."
Mas pagaram-te.
Claro. De borla não fazia. Compras limpezas de pele, calma.
Mas há pessoas que vão a essas coisas de borla só para aparecer.
Certamente. Também fui um bocadinho para aparecer, para me dar a conhecer. Vá, para me dar a conhecer.
Essa expressão é sempre boa. Que é mesmo onde uma pessoa se quer dar a conhecer é na "Tua Cara Não Me É Estranha".
É um bom contexto.
Agora dizia-me assim: escolhe de todos os sítios do mundo, onde é que tu te queres dar a conhecer, e eu tenho a certeza que era a "Tua Cara Não Me É Estranha".
Isso foi antes ou depois das Doce?
Foi antes, claro.
Eu depois das Doce, fiquei uma mulher nova.
Descobriram que sabias cantar aí? Chamaram-te para as Doce?
Espero que sim, espero que tenha servido para isso.
Tu aqui a tentar justificar as tuas escolhas.
Eu agradeço, para me ajudares a resolver internamente esta decisão de vida.
Tu respondeste a uma pergunta em que querias fazer, tu disseste de uma maneira diferente, séries internacionais.
Sim.
E nós pensamos que tu tens 25 anos, ou seja, já fizeste muita coisa em Portugal. Uma pessoa da tua idade, tendo em conta tudo o que se passa na cultura em Portugal, como é que vê o futuro? Esse é o caminho? O teu futuro.
O teu futuro, claro.
Da tua carreira, não é de repente o futuro da cultura em Portugal. Não, desculpa, da tua carreira em específico, das tuas escolhas.
Pois, não sei bem. Acho que essa internacionalização, para mim, sempre foi uma vontade, de alguma forma. Eu até comecei por querer ir para fora com teatro. Mas não sei, acho que é um caminho muito natural. A Netflix está a filmar cá, as plataformas de streaming estão todas a fazer parcerias com produtoras portuguesas, portanto, acho que é um caminho um bocadinho inevitável. Pelo menos no meu percurso, eu consigo enquadrar. Mas cada vez mais gosto de trabalhar com criadores portugueses, principalmente em teatro. Tenho trabalhado com companhias jovens, com pessoal novo, que traz ideias muito fixes e que me apetecem explorar e trabalhar e portanto, acho que é um bocadinho estar com o pezinho dos dois lados. Parece-vos bem?
Um pezinho dos dois lados a mim parece-me lindamente.
Claro, parece-me ótimo.
É mesmo também o que eu sempre que posso ponho um pé de um lado e outro pé do outro. Sempre.
E vais andando.
E vou andando, sim. É assim que se faz a vida mesmo, é com um pé em cada lado. É bonito.
Não, é bonito e inteligente.
Sim, e raro até, não são todas as pessoas que conseguem fazer isto.
Pois não.
Porque o que se diz normalmente é: um pé à frente do outro.
Pois, e um pé de cada lado. Ninguém fala sobre isso.
Estás sempre um bocado assada.
Sim.
Eu estou. Não sei se é por causa dos pés, mas também não vou agora aqui alongar.
Não, não era para alongar sobre isso.
Não é preciso entrarmos outra vez em conversa de complexos. Não.
Já está, não.
Já foi. Bárbara, qual é que é o teu tema?
Então, o meu tema é coisas que me irritam mais do que deveriam. Porque eu irrito-me muito com muita coisa e estou sempre a mandar vir e portanto decidi fazer uma lista de coisas que me irritam e não sei, eventualmente vocês podem partilhar das mesmas irritações que eu. Se calhar saírem daqui e fazerem a vossa própria lista, aconselho.
Perfeita. Vamos pedir a todos os portugueses que ouçam este podcast que façam também eles a sua própria lista.
Partilhem conosco.
E partilhem conosco.
Vamos abrir um fórum para falarmos sobre estas coisas.
Como ainda não há nenhum programa na televisão chamado irritações, é bom nós agora avançarmos com esta ideia nova.
Sim, pioneira. Pioneiras sempre. Então, uma coisa que me irrita: pessoas a comer como se estivessem a fazer ASMR. Mastigam alto, ouves o bolo alimentar das pessoas a formar-se. Acho desconfortável.
Mas não achas que isso se vê menos hoje em dia?
Será?
Ou não? Tu tens convivido.
Estás atenta a isso? É que eu sou sensível a esta questão.
Pois, a mim parece-me que nós se calhar passamos um bocadinho.
Mas se calhar, Bárbara, eu não me lembro do nome, mas tem um nome, pessoas que não conseguem ouvir mesmo pessoas a mastigar. Eu acho que tu estás a falar de pessoas que comem-
Estás a diagnosticar-me, Mariana? É uma pergunta.
Ok.
Há pessoas que comem que nem monstros, mas há outras que estão com uma batata frita com a boca fechada, não há nada a fazer e vai fazer barulho, porque é uma batata frita. E há pessoas, há um nome, que eu não sei qual é, que não aguentam estar a ouvir pessoas a mastigar ao lado delas, mas mesmo que estejam a mastigar na melhor versão possível, que é de boca fechada.
Tu deves detestar. Odeio de ouvir pessoas a mastigar, mesmo que estejam concentradas em não fazer barulho. Sim, pessoas a mastigar, em geral. Mas será que tenho isso, Mariana?
O que te acontece quando sentes?
Raiva, fico irritada. Por isso é que eu acho que me irrito mais do que devia, porque depois há um lado meu que me vê de fora e pensa assim: "Estás irritada por isto?" Eu fico irritada, mastigo, enerva-me.
Tu deves ter. Eu gostava que passasses para o próximo ponto. Eu vou passar e tu vais me diagnosticar entretanto.
Então, trânsito, em geral. Irrito-me muito no trânsito, pessoas que fazem rotundas por fora, pessoas que circulam na faixa das... Vocês são essas pessoas? Que vão tipo na autoestrada na faixa do meio a pestelar?
Não. Mas eu acho que há pessoas no trânsito que se irritam comigo. Pausa.
Sou eu, provavelmente.
Misofonia. Mas isso não é só de comida, ou é? A aversão a sons de mastigação, como os de outras pessoas mastigando, pode ser um sintoma de uma condição chamada misofonia. A misofonia ou ódio ao som, que é mesmo isso que tu tens, Bárbara, é uma condição em que os sons comuns como mastigar, respirar, digitar entre outros, podem desencadear reações emocionais intensas como irritação, raiva, ansiedade e até mesmo ataques de pânico. Se calar devias ir ver isto. Se calar devias ir.
Portanto, eu abro logo o meu tema assim com: "Tens misofonia?"
Uma doença. Tens uma doença.
Pronto, OK.
Mas isto alivia a tua vida, eu espero. Não é para te sentares mal. Isto é uma condição, claro. Não, e agora esquece. Quando voltares à alta definição e a esses sítios, tu estás-
Não, porque eu tenho misofonia. Dizer isso a chorar.
Sim, porque as pessoas não imaginam como é que é a quantidade de barulhos que há todos os dias e como é que é para uma pessoa como eu, com a minha condição, ter de viver com isso, fingir que estou bem quando não estou, tentar não me irritar e continuar a sorrir num almoço de trabalho em que toda a gente à minha volta parece que faz tudo para me enervar. Calma, não és tu. Eu só espero que um dia tu possas- Sabes que eu sou atriz, Bárbara.
Nana, desapega, que essa dor não é tua.
Foi difícil. Eu ligo-me muito às pessoas que eu tenho perto.
És empática.
Sou muito.
É uma coisa que pus na minha lista, a palavra empatia. Acho que estava analisada. Juro. Está aqui.
Ter empatia.
Não, não, não é ter empatia.
A palavra empatia, sim.
Dizer que se tem.
Temos que ter empatia. Irrita-me. E tolerância? Tolerância, OK. Compaixão, OK. Pergunta aí ao internet. Significa não aguentar a palavra em si. Mas tolerância também se usa muito. Compaixão não se usa tanto. Usa-se, sim. Ter compaixão. Compaixão pelo outro. Isso tudo eu estou supertranquila. A palavra empatia, por mim, já podíamos tirar do dicionário. Abolir. E se for noutra forma, tipo, eu sou muito empática. Também. Já não consegues. Empatia e derivados. Não, empatia e derivados, mas tem que ter... Sim, não é família de palavras. Não é família de palavras. É a palavra e os seus... Exato, não nos estamos a lembrar como é que se diz, não é? Nenhuma de nós, não interessa.
Não tem mal.
Sim.
É isso. Irrita-me.
Será isso porque tu não vês empatia em ti, por isso nunca podes dizer que a tens? Mas eu tenho, Nana. Eu sou atriz, eu tenho que ser empática e pôr-me nos pés dos outros. Ou egocêntrica. Também sou. Isso não significa... Não, eu acho que as pessoas consideram uma pessoa empática. Pronto, isso fica. Isso sobre mim. Afinal. Olha ela. Se está na tua consciência. Mas há muito bons atores que não são empáticos, não é? Diz muito. Mas isto também não é só sobre atores, é sobre pessoas em geral. Agora também toda a gente acha que é muito empática e faz como eu e diz estas coisas. Sim, o que é que é preciso nós termos para sermos empáticos? Mas também estamos a banalizar a palavra empatia. É como a palavra amor. Amo, amo, não sei o quê. Também estamos a banalizar uma dessas coisas. Amor é mais, eu percebo mais. Empatia eu também percebo, sinceramente. Eu partilho. Temos que ter empatia. Temos que ter atenção aos outros. Temos que ter empatia. Eu adoro empatia. Temos que ser empáticos. Eu adoro empatia.
Está tudo certo tu adorares o conceito. Mas diz outra palavra que descreva a mesma coisa.
Qual?
Compaixão.
Mas compaixão não é a mesma coisa que empatia.
Compaiixão é sensibilidade e conexão com o outro. Sei lá, substitui por alguma coisa. Empatia já não há culpa para ouvir empatia.
Se tu não dizes empatia, tens de dizer calçar os sapatos dos outros.
Que é muito chato e também é uma expressão muito parola.
Muito pior.
Mas...
O amor, o problema do amor.
Compaixão.
Tem outro significado, Bárbara. Não insistas na compaixão. Eu já te disse que isso significa outra coisa e não tenho culpa que tu não saibas.
Não é minha desculpa.
O amor tem mais esse problema pra mim, porque não no amar coisas. "Ai, eu amo aquilo, amo isto." Porque também acontece que eu adoro, as pessoas adoram imensa coisa e não adoram, só gostam. Pronto, mas é tipo: "Ai, adorei", e está pronto.
Tem problema de escala.
Temos o problema de escala. Mas no amor, o que acontece é pessoas que usam mesmo a palavra amor. Eu sou amor, nós temos de amar. Ah, já percebi. Aí é mais difícil pra mim do que a empatia.
Então se calar devias resolver isso na terapia, Nana.
Pois era, Bárbara. Cada uma com a sua.
Não que eu faço, eu só trago uma lista. Eu não venho aqui por outras coisas, percebes?
Continua lá a tua lista.
A minha lista. Então.
O trânsito eu interrompi, não foi?
Foi, mas também bem. O que é que mais eu disse sobre o trânsito? Eu no outro dia dei para mim só aos berros no carro porque um senhor não me deixou passar. Foi fução, havia um acidente na faixa da direita, ele não me deixou entrar na faixa da esquerda e eu comecei aos berros com ele.
Eu acho que a solução para as pessoas que se enervam no trânsito é todos nós, todos nós mesmo, já fizemos asneiras no trânsito.
Sim, sim, eu faço, mas quando eu faço, eu acho que tenho o direito de fazer. Percebes?
Mas alguém no outro carro vai estar a reagir como tu. Pronto. E, portanto, quando és tu a reagir, pensa só: "Eu vou ser um pouco mais empática, porque eu já estive nesta situação." Parece-me que as duas coisas, tanto o trânsito e a empatia, têm uma relação entre elas, tu escolheres essas duas irritações. Tu pedes desculpa quando erras no trânsito?
Claro que sim.
E se te pedirem desculpa, tu já ficas bem?
Mais ou menos, não é?
E se não te agradecerem uma boa ação no trânsito? Incomoda-te?
Não.
Tipo, deixas passar.
Não.
Não estás à espera daquela mão levantada.
Não. Gosto de me surpreender quando acontece, tipo, agradeceu.
Eu adoro. Quando eu deixo uma coisa que é, bem, tu estavas a fazer mal e eu ajudei-te e nem te conheço.
E nem sou obrigada.
Sim, não puseste pisca, não fez nada e não agradece. Eu penso: "Para a próxima."
Contigo nunca mais.
Sério. Eu não caio no mesmo erro duas vezes.
Vou ficar-te com a matrícula pra próxima, vais ver.
É. A mim não me enganas outra vez. Foi uma, não são duas.
Pronto, próximo na lista: pessoas lentas no passeio e que ocupam o passeio todo a andar. Chato.
Refere-se àqueles grupos que vão em paralelo?
Às vezes não são grupos, às vezes uma só pessoa consegue ocupar o passeio todo. E obrigam a ir pela estrada, correr o risco de ser atropelada. Olha o grave
Para fazer uma ultrapassagem para voltar ao passeio mais à frente porque a pessoa está a ocupar o passeio todo.
Tu não dizes-
Com licença?
Sim.
Nem sempre. Às vezes fico só frustrada e vou à volta.
Porque tu não tens de falar com a pessoa.
Não tenho de falar. É bom senso. Então vais ocupar o passeio todo? Não. É como as escadas no metro.
Sim.
Andas no meio das escadas? Não.
Nos passeios também se anda à direita.
Pronto.
Mas há muitos países onde é sempre assim, as pessoas vão sempre num dos lados e as outras pessoas no outro sentido.
Em Portugal é difícil, ainda por cima há passeios minúsculos.
Ya.
Eu acho que é mesmo um grande flagelo.
Isso é difícil, para passeios minúsculos a pessoa não tem culpa.
Estas pessoas normalmente estão muito distraídas, estão quase sempre ao telemóvel quando isso acontece. A passada delas nem sequer é sempre igual. E isso é que me começa a irritar. A pessoa está a ir devagar.
Um bocadinho lenta e depois acelera um bocadinho e depois pára.
E depois quando param?
Pois. Normalmente estão distraídas com alguma coisa.
E é mesmo tipo: então?
Quando param no meio do caminho também. Aí tens que falar com elas, que é como eu falo.
Como é que tu dizes? Então?
Então.
Então.
O passeio é de todos.
E se for uma pessoa mais idosa, como é que fazes?
Se a pessoa te reconhecer da novela, tu dizes. Mas estás a ver, eu depois não posso fazer essas coisas, depois as pessoas acham que eu sou mal-educada. Não posso ter más notícias sobre mim a dizer-
Faz de acordo com a tua personagem. A tua personagem tinha momentos assim um bocado bitch.
Posso dizer que é personagem.
Podes. Ela é mesmo como na novela.
Era a Beatriz da novela.
Dizes assim: "A sério, quando eu estou a filmar eu não consigo, isto fica em mim e eu depois dou por mim nestas situações, peço imensa desculpa."
Fico um pouquinha.
Sim. E às vezes quando vão a andar e começam a ganhar velocidade para ultrapassar, imaginem, vão ultrapassar pela esquerda a pé. E a pessoa decide começar a desviar-se para a esquerda para o sítio onde vocês vão ultrapassar e vocês param atrás dela porque já não conseguem. Aí é que é difícil. É pessoas que não vão em linha reta.
Atravessar as estradas também assim na diagonal. Há muita gente que faz isso. Estás a conduzir e tens um peão a atravessar a estrada na diagonal. Para quê?
Tu tens um problema com-
Tenho um problema com o trânsito, como pessoa, na verdade.
Com os seres humanos, é o que eu ia dizer.
O que há aqui em comum?
Podes continuar.
Posso continuar? Pessoas que telefonam. Não gosto que me telefonem. Ou são amigos próximos e gosto de ficar horas a falar ao telemóvel, mas não gosto que me liguem.
Se nós tivéssemos ligado para combinar-
Eu não vinha, não estava aqui agora.
Não tinhas atendido?
Não.
Porque ficas nervosa ou o que é que acontece?
Ya, dá um bocado de ansiedade atender o telemóvel.
Porque vais dizer que sim a tudo.
Agora estou a descobrir uma coisa. Isso é mesmo terapia? Que horror.
É o que nós fazemos.
É quando mandam uma mensagem, tu estás em absoluto controle daquilo que vais responder e daquilo que vai ser perguntado. Tens tempo para desenvolver um raciocínio inteligente. Quando me ligam, eu não tenho tempo para desenvolver raciocínio inteligente.
Ou para te protegeres de alguma coisa que não queres fazer.
Eu não sou inteligente, então tenho que responder por impulso. Mas é tipo, tenho medo de ser burra. Por mensagem controlo isso.
O teu medo é ser burra, nunca tens medo de encontros que não queres, porque há aquelas pessoas que ligam e dizem assim: "O que é que fazes sexta à noite? Estás ocupada?" E tu já dizes: "Não, não tenho nada." E a seguir fazem-te um convite onde tu não queres estar, mas tu já disseste que não tinhas nada. É muito errado primeiro perguntar se a pessoa está livre e só depois dizer qual é a proposta que tens.
Mas eu isso eu digo: "Olha, vou ficar por casa, não me apetece." Eu não tenho dificuldade em dizer que não nessas circunstâncias.
As celebridades respondem sempre isso. Eu acho que é um estatuto de celebridade.
Podemos, não é?
Mas se for um convite de trabalho? De uma coisa, um podcast. Qualquer coisa, percebes?
Às vezes digo: "Olha, esta semana não dá muito jeito. Para a próxima?" Adio.
E se não quiseres ir nunca? Começas a mentir.
"Esta semana não dá. Olha, agora vou para um projeto não sei o quê."
Tu disseste-nos isso.
Mas estou aqui ou não estou?
Mas a rota da dúvida se fomos nós que insistimos.
Mas se eu não quisesse ir, eu não estava aqui. Bem, moving on. Longo, hein? Pessoas que mandam podcasts no WhatsApp, também não há culpa isto.
Olha, a Titi fez-me isso esta semana.
Foi?
Foi.
Não se faz.
Tu também já me fizeste isso.
Pede desculpa à amiga.
Não, também já me fizeste. Mas por quê? Porque tu não queres carregar no link e ir ouvir?
10 minutos de áudio do WhatsApp.
Ah.
Não, mandam podcasts. Não, não é podcast.
As burrinhas achavam que estavam a partilhar conteúdo.
Áudios que parecem podcasts, 10 minutos de áudio.
Mesmo a meio um ponto cinco.
Mas cinco é o máximo, cinco minutos é o máximo, não passamos disso.
Mas vocês têm assuntos importantes para tratar. Percebem?
Não, mas quando são 10 minutos não é de assuntos importantes.
É emocional.
É emocional, normalmente.
Tu nunca mandas áudios emocionais que são um bocado mais longos para as tuas amigas?
Para a minha mãe, muito raramente, quando estou mesmo em SOS. Ajuda-me, preciso de um seguinte.
Imagina, vais dar um passeio e estás triste com uma situação. Tem estado a ocupar a tua cabeça e pensas: "Ai, sei que a minha amiga adorava falar com ela, mas ela agora está ocupada, vou aqui desabafar." E mandas um áudio.
É o que fazes, não é?
Sim, é o que fazemos.
E acabou o meu tempo.
Acabou, mas nós queremos ouvir a teoria dos teus motivos.
Vou ler rápido. Não temos que debater. Pessoas lentas e pouco ágeis a resolver situações.
Que enrolam?
Não, que ficam congeladas. Tens que tomar uma decisão e as pessoas ficam tipo-
Nós não podíamos ser amigas. Continua
Eu prefiro que a pessoa faça merda, mas tome uma decisão por impulso, do que demore a decidir. Desculpem.
Tu estás tão zangada. Isto irrita-me.
Por isso é que eu decidi que queria trazer isto. Dá para purgar para cima de alguém e agora ficam vocês com esta raiva e eu vou levezinha para casa. Pessoas que dizem: "Como assim? Não viste aquele filme?" Ou: "Como assim? Não leste este livro?" A arrogância.
A arrogância de te pôr em causa.
E agora não me apetece ver.
Porque põe-te em causa, não é? Imediatamente tu és uma estúpida por não teres visto.
Ya, é um bocado. E por último, quando vais a um café ou a algum restaurante e as piadinhas do empregado de mesa, já não consigo.
Mas continuas a rir ou não?
Não, já não consigo. Até porque eu tenho o hábito de quando quero pedir alguma coisa é: "Posso pedir-lhe um café?" "Pode pedir."
Então, por favor. Sim, eu vou deixar de ser educada. Então é tipo: "Traz-me então."
Pronto, são estes os meus problemas de primeiro mundo.
Esse eu percebo, irrita muita gente, não me irrita isso, irrita-me piadinhas de flerte de café.
Isso eu adoro. Isso nunca me aconteceu.
Homem de 60 anos. Nunca te aconteceu?
Com um empregado de café.
Sério?
Aquele flerte? Não.
Sim, agora não vou estar aqui também a dar ideias para quem não faz, não comece agora a fazer.
Seres a pioneira do flerte no café.
É, há pouco tempo eu estava com uma amiga que casou e mostrou mesmo assim a aliança ao empregado do restaurante.
Teve de chegar a esse ponto?
Que era para ele parar, sim.
Isso nunca me aconteceu.
É desagradável. Pronto, já disse.
Que pena. Se calhar gostava que me acontecesse.
Eu adoro flerte. Porque achas que não é gira?
Se calhar é disso. Não vale um flertezinho no café?
Eu não me importo quando entro naqueles restaurantes mais típicos, que os senhores trabalharam lá a vida toda, que a primeira interação seja: "Ó menina, mas veio sozinha?" Imagine, eu vou almoçar. "Mas veio sozinha, uma menina tão não sei o quê." E eu . E se eles perceberem que o meu riso não foi, "sabe como é que é" e que não estou ali a responder, está tudo bem, gosto de continuarem.
A mim é assim, flertem comigo em todos os momentos e serviços públicos, que eu estou disposta, que é para isso que eu vivo.
Um flerte nas finanças?
É a única forma de aguentar uma ida às finanças, é com flerte.
Sair de lá com o DECO Mercado.
Que sonho de ir às finanças.
Nas finanças era onde ia funcionar o flerte. Bárbara, nós passamos ao nosso segmento final antes de acabarmos o nosso episódio, chamado "Clickbait Consentido", em que queremos contigo encontrar um título para este episódio, que dê muita vontade às pessoas de carregar. Agora nós vamos ver se tu és assim tão boa, tendo em conta as audiências deste episódio. E, portanto, o que é que as pessoas querem ouvir a Bárbara dizer? O que é que o teu público, Bárbara, pensa: "Não posso acreditar que ela falou sobre este assunto." Pode ser um assunto que tenhamos mesmo falado ou podemos enganar toda a gente.
Não, mas eu por acaso acho que podemos usar qualquer coisa.
Das tuas irritações.
Por exemplo?
Empatia. Ou já não posso com empatia?
Por exemplo.
Bárbara Branco, já não posso com empatia.
A empatia que se... Sim, pá, por mim.
É demais. Não sei se as pessoas querem. Eu acho que o público da Bárbara não é esse.
É mais educado.
É. Não é mais educado.
Então desiste, Nana.
Não é mais educado, é mais simples. E por isso não te quero ouvir dizer asneiras.
Achas? Eu acho que está tudo danadinho para me ouvir dizer asneiras.
Achas?
Os portugueses.
As pessoas queriam que tu te passasses.
E se for assim um dia? Se calhar sim.
Pois é.
Se calhar sim, devíamos investir nisso.
Tu não pões muito o pé em falso. Tu não dás um passo.
Só na tua cara não, mas estranha.
Mas mesmo assim, o teu público ia dar a ver. As pessoas queriam que tu te passasses. Eu também queria que tu te passasses.
E se for sobre a fúria da Bárbara? Pode ser.
Pois é, tu tens muita ira.
Tenho muita raiva.
Sim.
Tenho muita raiva acumulada.
Eu estou furiosa. Tenho muita raiva acumulada. Pode ser.
Que mal é que lhe fizeram?
Sim, é isso mesmo.
Então tenho muita raiva acumulada. Bárbara Branco, tenho muita raiva acumulada.
O teu público gosta muito da tua vida pessoal.
Não. A sério? Não tinha reparado ainda.
O teu público, de facto, abriu a sua porta para a tua vida pessoal.
Acho bem. Pronto, então tenho muita raiva acumulada.
Gostas? Estás confortável?
Estou muito confortável. Não é mentira de todo, portanto.
Muito obrigada, Bárbara, por teres vindo. Obrigadíssima. Tu és ainda mais bonita ao vivo.
É por causa do rímel.
Não é. Não, é porque tu estás assim. Está com uma luz. Está com uma luz. Está qualquer coisa. Tu não estás grávida? Diz-se que as grávidas têm aquela luz.
Não estou.
Vamos cortar agora. Vamos beber.
Não, não estou.
É uma pergunta que nunca se faz, Nana.
Agora daqui a dois minutinhos.
É arriscado fazer?
A Bárbara pode mentir? Tu podes dizer que não estás e depois estás. Sim, mas estou a falar em geral. É arriscado tu dizer que estás grávida.
Não é nesse sentido. Vem na consciência da luz, não é tipo: "Tu estás grávida?" A apontar pra tua barriga. "Tu não disseste que estás grávida?"
Não, eu acho que não dizem isso, porque a pessoa pode estar a tentar e não conseguir. Percebes? É aquelas coisas.
Eu percebo, pronto. Desculpem lá, ó grávidas.
Alguém também tem muita raiva acumulada. Nana.
Ui, ui, diziam isto aqui.
Se calhar eu estou a tentar e não estou a conseguir. Ok? Estamos a ajudar-te.
Pronto. Ouçam todos os podcasts do Observador, que são podcasts bons demais, têm tantos géneros diferentes.
Esqueçam, mesmo.
E estão disponíveis no YouTube, no Spotify, no Apple Podcast, no site, na aplicação, em todo lado, é tão fácil, eu não sei porque é que não estão sempre a ouvir. Tu ouves, não ouves, Bárbara?
Claro, todos.
Pronto. Muito obrigada.
Obrigada eu.
Por teres vindo. Olha, uma vida feliz. És uma pessoa incrível.
Obrigada igualmente. Que fixe, que sorte. Vou tomar a liberdade de fazer a minha reivindicação.
Para fazeres o nosso jingle. Pequenas reivindicações de liberdade. Pronto, acho que pode ser.
Pequenas reivindicações de liberdade.
Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.
Pessoas incríveis.