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Começa agora mais um Português Suave na Rádio Observador. Todas as semanas vamos contar com o Marco Neves para esclarecer dúvidas que todos nós temos em relação à língua portuguesa. Marco, bem-vindo mais uma vez.
Bem-vindo.
Vamos lá.
Já estamos no terceiro, não é? Já estamos mais habituados.
Tudo indica que está a correr bem.
Mas hoje vamos falar do quê?
Hoje vamos falar de deputados de Espanha a falar na nossa língua.
Espanhóis a falar português.
Isto já deve ter corrido bem.
Existem alguns espanhóis que falam português. Eles andam aí. Depois vamos ainda falar da razão de alguns portugueses, não espanhóis, portugueses dizerem "dezoito" e outros dizerem "dezoito". Como é que vocês dizem?
Eu digo "dezoito".
Mas tenho amigos que dizem "dezoito".
É a guerra.
E vamos terminar com a origem de um grande palavrão. Eu não vou dizer o palavrão, mas acaba em alho. E vamos falar disso.
Ok, acho que estou a ver qual é.
Vai ser um bom episódio.
Para guardar, para ouvir e guardar. Sim, senhor.
Marco, diz-me uma coisa, vamos também responder às dúvidas dos nossos ouvintes, não é?
Sim, porque nós recebemos várias dúvidas, ainda não respondemos a todas, nem perto disso.
Vamos precisar provavelmente de um ano.
Exatamente.
Vamos tentar chegar.
Vamos ter de começar a desbastar esta lista e hoje vamos responder a uma dessas dúvidas.
Muito bem, vamos a isto. Já sabe, relembrar que o programa tem três segmentos e vamos começar com a Língua nas Notícias.
Então vamos lá, Marco, que palavra é que escolheste para esta semana?
Desta vez eu não escolhi uma palavra, isto é a Língua nas Notícias, não quer dizer que tenha de ser uma palavra, necessariamente. Eu ainda pensei na palavra guerra, mas infelizmente nós vamos ter muitas semanas para falar dessa palavra. Pensei também em chuva, porque voltou. Voltou a chuva. E tinha muito mais opções, mas já que estamos a falar aqui de um programa sobre língua e sobre línguas, não quis deixar passar o Dia Europeu das Línguas, que foi no dia 26 de setembro, foi na quinta-feira, se não estou em erro.
Para que serve este dia, Marco?
Estes dias não servem para nada.
Nem um feriadinho, nem nada.
Não, este serve. Não há feriado, mas estes dias nós dizemos: " dias para isto, dias para aquilo, dias para aquilo outro". Eu diria que este dia serve para alguma coisa, apesar do que eu disse. É uma iniciativa da Comissão Europeia e do Conselho da Europa, e a ideia é levar os europeus a aprender mais línguas. Só para terem ideia, a União Europeia, a instituição, não necessariamente os países em si, porque eles até têm mais, a União Europeia tem 24 línguas oficiais.
Meu Deus, mas 24 é muita língua para se falar.
Se vires bem, não são assim tantas, porque em toda a Europa, o continente todo, existem mais de 200 línguas. E só 24 é que são oficiais, claro que são aquelas que nós algumas conhecemos, outras não.
Mas isso significa o quê? Ser uma língua oficial da União Europeia significa o quê, exatamente?
Além de ser uma língua falada, claro, tem de ser uma língua oficial de um dos Estados e, além disso, é uma língua onde as diretivas, os regulamentos são publicados.
São traduzidos.
É curioso dizeres traduzidos, porque, na verdade, vamos lá ver, quando sai uma diretiva europeia, sai em maltês, em português, em estônio, em inglês. E claro que são traduzidos, os tradutores que trabalham na União Europeia são muitos, mas não há nenhum original. Teoricamente, embora nós saibamos que aquilo foi discutido provavelmente em inglês ou em francês, mas teoricamente aquelas 24 línguas são iguais, no sentido em que não há nenhuma que seja mais importante do que as outras.
Eles estão redigidos individualmente em cada uma das línguas.
É claro que a discussão inicial interna, que deve ser feita em geral, é feita com a versão em inglês, mas sim, as 24 línguas são desenvolvidas. Quando o documento é publicado, é publicado nas 24 línguas imediatamente. É esse o princípio.
Muito bem. Mas olha, Marco, há pouco tu disseste-nos que ias falar de espanhóis a falar português. Eu quero saber onde é que andam espanhóis a falar português.
Onde é que está a língua nas notícias?
Exato. O que se passa é que estas 24 línguas não incluem as outras línguas oficiais de Espanha, nós temos o castelhano, que chamamos espanhol, mas também existe o galego, o basco e o catalão. E no caso do catalão, depois também há o valenciano, mas isso vamos deixar para outros dias. Estas três línguas são faladas por milhões de pessoas, mas não há intérpretes no Parlamento Europeu. Estas leis não são publicadas nessas línguas. E houve alguns deputados galegos que encontraram aqui um truque para conseguirem falar.
Um truque.
Exatamente, encontraram um truque. E o truque é a nossa língua. O que é que se passa? O galego é tão próximo do português que fazendo uma adaptação ou outra, eles conseguem falar em galego, o que eles chamam galego, e os intérpretes portugueses interpretam para as outras línguas. Eles no fundo estão a usar o português como truque.
Mas é assim tão parecido?
É a língua mais próxima do português. Aliás, alguns galegos, são uma minoria, mas alguns galegos consideram que o galego e o português são ainda variedades da mesma língua. É um pouco como aquela língua medieval, nós damos na escola, o galego-português, que é o nome que nós damos agora a essa língua.
Sabes falar galego?
Eu às vezes digo aos galegos: "Então quando é que aprendes galego?" Eu confesso que é como se eu fosse imitar um brasileiro a falar. Está tão próximo que parece que eu estou a gozar com o seu sotaque. Eu não consigo aprender. Mas conheço e leio o galego e de facto é muito próximo. O castelhano também é, o espanhol também é próximo. Mas o galego, estamos a falar, por exemplo, há uma terra na Galiza que se chama Os Milagres do Medo.
Os Milagres do Medo?
Sim, que é um nome magnífico, acho que é dos melhores nomes de terra que alguma vez. E é assim, escrito, Os Milagres do Medo.
Em português.
Muito curioso. Marco, vamos continuar no mapa, mas agora o mapa da língua cá em Portugal. Vamos lá, Hélder.
Marco, queres falar de algumas palavras por esse país fora? Disseste na semana passada que tinhas uma lista enorme.
Eu hoje não tinha pensado falar dessa lista, mas a verdade é que é tão grande que eu tenho que começar a desbastar aquilo, mais uma vez, com mais dúvidas.
A partir de agora fazemos assim. Fazemos aos tantos.
E eu então abri a lista e fui ver aquela palavra que me chamava mais a atenção à partida, e aquela que me chamou foi a palavra cabaneiro, que em Viana do Castelo, e talvez não só em Viana do Castelo.
Um abraço para Viana do Castelo.
Olá, Viana do Castelo. Esta palavra quer dizer bisbilhoteiro.
Cabaneiro.
Agora vamos ver se não há pessoas de Viana do Castelo que dizem: "Então, mas nunca ouvi isso."
Há sempre.
Há sempre alguém que nunca ouviu. E eu prometi à minha mulher que lhe dizia, porque eu estava a falar disto em casa: "Olha, a palavra que eu vou escolher para falar no episódio." E prometi à Zélia que lhe dizia que na terra dela, Ponte de Sora, em vez de dizerem cabaneiro, dizem calhandreiro. Eu nunca sei o que isso significa.
O mesmo significado.
Eu nem um nem outro nunca ouvi.
Então o que nós dizemos aqui em Lisboa quando queremos dizer que alguém é bisbilhoteiro? Bisbilhoteiro?
Cusco.
Cusco.
Cusco, exatamente.
Eu acho que é cusco.
Mas muito inteligente em fazeres a vontade à tua mulher.
Muito bem.
Mas estas palavras, tanto o cabaneiro como o calhandreiro, não se usam noutros sítios?
Nós não sabemos. A verdade é que estas palavras provavelmente usam-se noutros sítios, porque é muito difícil. Para se estudar uma só palavra destas, e há linguistas que estudam isto, é preciso ir fazer inquéritos, é preciso ir às terras, porque nós temos sempre a impressão que aquela palavra ou é geral na língua toda, ou é só da nossa terra. E raramente é assim. Muitas vezes as terras vizinhas também usam, ou às vezes até noutro sítio qualquer também se usa. É muito difícil fazer um estudo destes fazendo uma pergunta no Instagram, como eu vi.
Claro.
Isto tem de ser mesmo no terreno. Podemos fazer esta pergunta aos nossos ouvintes. Se mais alguém usa cabaneiro.
Digam-nos.
portugues@observador.pt. Dúvidas e assunto de perguntas e respostas que faz na semana.
Ponham no assunto: cabaneiro.
Exatamente. Olha, Marco, já tentámos aqui perceber mais deste cabaneiro e calhandreiro, mas também disseste que hoje vamos falar da guerra do dezoito versus dezoito.
Que também está no mapa. Ou seja, há uma certa zona do país onde as pessoas deixam de dizer dezoito e passam a dizer dezoito. A linha é difícil de determinar. Normalmente, nós dizemos que mais para norte diz-se dezoito, embora também encontremos dezoito, e mais para sul diz-se dezoito. Escrevemos sempre da mesma maneira.
Mas há alguma que está correta ou mais correta do que a outra?
Neste caso, nós sabemos que nós temos pronúncias diferentes em várias palavras e por vezes há uma pronúncia recomendada. Nós não podemos dizer que seja correta, porque no caso da pronúncia, nós devemos é respeitar as outras pronúncias, mas há aquela que é recomendada até no que toca a ensinar português a estrangeiros, ou então a própria grafia está adequada àquela. No caso desta pronúncia, a própria norma padrão, por exemplo, na ortografia de 1945, houve várias palavras que passaram a ter um acento no Oi para se marcar que se diz Oi. No caso do dezoito, foi uma exceção precisamente porque já se sabia, ou melhor, considerou-se que era uma palavra que se podia dizer das duas maneiras. Portanto, as duas maneiras são consideradas perfeitamente corretas.
Então, mas de onde é que vêm estas duas pronúncias?
Olha, vamos começar pela pronúncia nossa aqui dos três.
Lisboeta.
A pronúncia mais a sul, mais lisboeta. Nós dizemos dezoito e as pessoas do norte muitas vezes gozam conosco, também acontece. Dizem: "O que vocês dizem dezoito?"
Não dizem oito.
Nós não dizemos oito, vocês não dizem baloiço, dizem baloiço.
Baloiço é bom.
E dizem muitas vezes isso quando eu falo deste tema. Pois, eu não digo baloiço, é verdade. Mas o que se passa é que nós temos os números, se repararmos bem, 16, 17, saltamos agora aqui um, 19. E nestes quatro números, só o 18 é que não temos lá o A. Mas na verdade, esta palavra era deza oito, portanto era 16, 17, deza oito, 19.
Antigamente era dez a oito.
Era dez a oito. Falámos já da Galiza hoje, na Galiza ainda é dez a oito.
Deza oito, que estranho.
Era assim que nós dizíamos. E o que acontece em português, e isto é algo que nós fazemos em muitas palavras, quando duas vogais se fundem, normalmente ficamos com uma vogal mais aberta. Por exemplo, se eu disser volta a Portugal, digam lá isso para vocês.
Volta a Portugal.
Nós dizemos volta a Portugal.
É como eu disse.
Volta a Portugal.
Ninguém anda aí dizer volta a Portugal. Isso seria extraordinariamente impossível.
Volta a Portugal.
Exatamente. Portanto, aquele A fica aberto. Há mais, quando nós dizemos vou à praia, aquele A é a junção do a preposição, mais o A artigo, e fica à. Nós também quando dizemos como o, como é que nós dizemos? Como ó caraças.
Como ó caraças.
Como ó.
Portanto, o O também se abre. Aqui, claro, que estamos a falar de uma questão de falar depressa. Mas que são regras que existem na língua. Quando queres falar depressa, fazes esta junção. No caso do 18, as duas letras, as duas letras não, porque isto é uma questão de sons. Os dois sons juntaram-se e ficaram Ó. Portanto, o deza oito juntou-se e ficou dezoito.
Mas portanto, lá está marcada sempre esta, não é uma guerra, mas pronto, as pessoas do norte dizem sempre: "Não, vocês não dizem baloiço."
É assim, a verdade é que é um bocado como vingança, porque muitas vezes nós gozamos, nós em geral. E eles então têm sempre aqui algumas oportunidades de se vingarem da forma como nós pronunciamos, mas as palavras são diferentes. Nós dizemos palavras, por exemplo, já falámos disto, acho eu, na semana passada, que nós dizemos pregar e também dizemos pregar. Portanto, nós dizemos baloiço, mas dizemos dezoito. Não há drama nenhum. É assim que a língua funciona.
E temos de nos aceitar assim uns aos outros.
Mas por que no Norte e noutras regiões do país é diferente?
No caso do Norte, o que aconteceu aqui foi que simplesmente houve uma analogia, ou seja, os falantes veem oito e começaram a dizer dezoito.
E faz sentido.
Sim, ou seja, as duas não estão erradas. É um daqueles casos como loiça e louça.
Oito e toro.
Exatamente, em que há as duas possibilidades de pronunciar e não se pode dizer que uma delas esteja errada.
Pronto, muito bem. Está esclarecido. Os dois são aceites.
Estão bem, não andem à bolha com isso.
Exato. Vamos então passar aqui ao último segmento: mitos da língua. Mitos da língua e continuem a enviar dúvidas, já sabem, para o nosso e-mail portuguessoave@observador.pt. Agora já temos um e-mail exclusivo só para isto.
E não se esqueçam que são com dois SS.
É com dois SS, exatamente. Português suave, exato.
Eu cheguei a ter um e-mail que tinha um hífen e tinha muita dificuldade em dizer às pessoas, porque punham underscore.
Não, portugues suave, tudo junto, dois S.
Sim, é mesmo as duas palavras juntas. Marco, vamos começar por um mito que já tínhamos dito aqui há algumas semanas.
Estamos a fazer o tease.
Finalmente temos um palavrão.
Exato, temos um palavrão, que eu não vou dizer.
Isso é que é ter.
Não posso. Mas pronto, este palavrão acaba em alho e é um dos palavrões, senão o palavrão mais conhecido.
É aquele que começa por C, não é?
Exatamente. Tem lá um R no meio. E este palavrão foi a origem de um grande mito que eu acho que, na verdade, já é quase um...
Enraizado.
Enraizado, que é muito difícil às vezes convencer as pessoas que é um mito.
Eu acho que sei qual é, eu já ouvi essa história. A questão do mastro, não é?
Exatamente, o mastro ou cesto da gávea, há várias versões. Há quem diga que a palavra vem do cesto da gávea, ou seja, aquele cesto no cimo das caravelas portuguesas, normalmente aparece a expressão caravelas portuguesas. Há quem diga que vem do mastro, que está no meio desse cesto, supostamente esse seria o nome do cesto, e depois dali passaríamos para, alguém diria aos marinheiros: "Vai para o cesto." E aí passamos a usar. Só que isto é completamente falso, porque não há um único registo disto, para começar. Mas temos registos muito antigos da palavra, muito anteriores às navegações portuguesas, portanto, a palavra já existe há muito tempo. A primeira vez que aparece é num texto latino na zona da atual Catalunha, curiosamente. Já era considerado um palavrão.
Já na altura?
Sim, ou seja, é curioso, porque o texto não diz qual é a palavra e depois aparece um texto mais tarde que diz a palavra e diz: "Nós não podemos propriamente dizer isto, porque é uma palavra muito má".
Proibida.
Proibida. Mas o que é curioso é que não é preciso irmos à Catalunha para sabermos que não tem que ver com as navegações, porque logo naquelas cantigas que nós dávamos na escola, cantigas de amigo, aparece a palavra muitas vezes. Aparece a palavra com o sentido que tem, órgão sexual masculino, nada a ver com barcos, nada a ver com mastros, nem com cestos, e era usada com muita frequência.
Marco, e nós conseguimos precisar, ou pelo menos ter uma noção mais ou menos de quando é que apareceu esta palavra pela primeira vez?
Certamente que apareceu mais cedo na oralidade, mas na escrita este tal caso da Catalunha foi no século X.
Décimo, uau!
900 e qualquer coisa.
É uma palavra bem antiga.
Estamos a falar antes de Dom Afonso Henriques.
Exatamente. Não vou dizer o nome, mas esta coisa é bem mais antiga que o país.
Portanto, Dom Afonso Henriques, se calhar, já dizia isso.
Já dizia: "Alho!"
E à sua mãe, não é?
Exatamente. Mandou a sua mãe para outro lado. Nós podemos pensar mesmo que nunca houve um português que não conhecesse este palavrão.
Pois é, bem pensado.
Desde o início do país que nós temos estas, e não são só estas, os palavrões são palavras muito fortes.
Pensando assim, é incrível.
Isto é fascinante.
Mas olha, os marinheiros não utilizariam a palavra para falar de mastro ou do cesto?
Provavelmente utilizavam. A questão é que eu quase que diria, quase de certeza que sim. Porque quer dizer, há ali uma certa forma que se adequa àquela palavra, mas a questão é, primeiro, não há registo nenhum disso. Nós estamos a imaginar, mas não há registo. Mas uma coisa é nós dizermos que eles usavam a palavra para chamar ao mastro, porque é engraçado. Agora, outra coisa é dizer que foi do mastro que vem a palavra, que isso é que é mentira. A palavra já existia antes. Os navegadores fizeram muitas coisas, mas não inventaram.
Certo. Portanto, já era um palavrão quando apareceu.
Exatamente, já era um palavrão.
Muito bem. Marco, vamos passar aqui à dúvida do nosso ouvinte. Qual é que escolheste?
Eu vou ser rápido, porque já estamos a chegar ao final do episódio. Vou tentar explicar aqui a dúvida o mais rapidamente possível, mas de forma clara. Foi o Fernando Vilarim quem ganhou o prémio esta semana.
Um abraço, Fernando.
Grande Fernando.
O Fernando perguntou-nos, ou melhor, ele até não tinha a dúvida, ele simplesmente pediu-nos para falar deste tema.
Também é válido, pronto.
Ter aceito ou ter aceitado, qual é que é a forma que nós devemos usar?
Então, normalmente, com o verbo ter é aceitado.
Exatamente. Eu vou dizer a regra geral.
Está certo, André.
Exatamente. Pronto, já está feito, acabou.
Obrigada, ficamos por aqui.
Mas o que nós temos é uma regra geral. O particípio é o aceito ou aceitado, são particípios. E há verbos que têm dois. Como aceitado e aceite, como pago e pagado, embora o pagado eu sei que já soa um bocadinho mal ao nosso cérebro. Nós usamos a forma mais curta quando temos um verbo auxiliar ser e estar, portanto, ser aceite, estar aceite. Quando temos o ter e o haver, é ter aceitado ou haver aceitado. Já ninguém diz haver aceitado, porque já perdemos o haver neste sentido, mas é essa a regra geral. Eu só gostava de sublinhar, antes de terminarmos, que infelizmente esta regra geral é muito imprecisa, porque há muitos verbos em que já perdemos uma das formas, há outros em que já é muito rara. Por exemplo, ter pagado. Pagado. Já é muito raro nós dizermos pagado.
Já soa mal quando dizemos.
Exatamente. Já há gramáticas antigas que dizem que podemos dizer ter pago à vontade. Portanto, isto depende de cada verbo. Não é assim tão simples como possa parecer. No caso do aceitar, eu penso que continuamos a cumprir de forma bastante clara esta norma.
Muito bem. Mais uma dúvida esclarecida.
Mais uma missão cumprida.
Mais uma missão cumprida. Olha, mas que bem. Marco, muito obrigada mais uma vez.
De nada, obrigado. Hoje foram temas muito interessantes.
Chegamos aqui a vários pontos, foi incrível. Nós voltamos para a semana com mais um "Português Suave". Até lá, já sabe, não esquecer. Pode sempre enviar as suas dúvidas sobre a língua portuguesa para o e-mail portuguessoave@observador.pt. Português com dois S, não há hífen, não há underscore, não há nada. Português suave, dois S, @observador.pt. Nós voltamos para a semana, Marco. Até lá, obrigada.
Até para a semana, Marco.