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À quarta-feira esclarecemos dúvidas no Português Suave. Podem enviar para o 91 002 41 85 ou através do e-mail.
Portuguêssuave@observador.pt.
Muito bem, Marco Neves, bem-vindo mais uma vez.
Obrigado. Já agora, para este episódio de quarta-feira, os áudios são muito bem-vindos.
Sim, nós gostamos de ouvir a sua voz.
E como nós já fizemos aqui o desafio várias vezes, podem enviar áudios.
Durante a discussão.
Durante a discussão, exatamente.
Nós queremos concretizar esse sonho, um dia ter uma discussão em direto.
Mas de maneira que se perceba a pergunta.
Exato. Podem discutir e depois no final fazem um compacto só com a pergunta final.
Exatamente, porque só mesmo durante a discussão, na sua fase mais acesa, se calhar nós vamos ficar um pouco...
Sim, e não pode ter asneiras.
Falar papel, como se diz.
Ou pode ter, nós depois censuramos.
Sim, pode ter asneiras. Depois nós resolvemos o problema. Depois fazemos a origem de... e não vou dizer.
Já falámos disso.
Já falámos.
Do alho.
O último episódio, para quem não ouviu, teve muita comida, não teve alho, mas teve muita comida.
Continuamos na mesma temática, não sei porquê. Bem, vamos começar por onde hoje, Marco?
Hoje vamos começar por uma dúvida de João de Matos Felis. E agora a minha dúvida é: como é que ele lê o nome dele?
Pois.
Como é que ele lê? Mas isso fica a dúvida para ele próprio. Vamos ouvir.
Boa tarde, Marco e João. Uma discussão que ultimamente tem havido aqui entre família e amigos é se a palavra filosofia se lê o primeiro S como se fosse um Z ou se fosse S de Sofia, por exemplo, filozofia ou filosofia. Se puderem esclarecer, agradeço. Muito obrigado.
Vai esclarecer, Marco.
Sim, há regras ortográficas e da relação entre a escrita e a oralidade que são regras, mas têm exceções. Esta não parece ter exceções. Portanto, quando temos só um S entre duas vogais, lê-se sempre como Z, dentro de uma palavra. Portanto, é filosofia que, de acordo com a nossa ortografia, se lê assim. Se houver alguns ouvintes ou alguns falantes de português que leem com S, talvez seja por influência do que nós sabemos ser a origem Sofia grega. Mas de facto, eu estive a ver em todos os recursos que eu encontrei, todos apontam a pronúncia como sendo filozofia. Se nós quisermos dizer com C, teríamos que escrever com dois S. Portanto, teria que ser filosofia com dois S, que não é o caso. Aqui não há grandes voltas a dar. Agora, há exceções é o contrário. Quando a letra S não está entre vogais e, por exemplo, está entre um N, que vem antes e que depois está a seguir uma vogal, aí, sim, há algumas variações em que, por vezes, esse S, que se deveria ler de acordo com a regra ortográfica como um SE, lê-se como Z, como em trânsito. Mas a exceção é nesse caso. Já falámos dela aqui. No caso em que temos mesmo duas vogais e temos um S no meio, é Z, portanto, filosofia.
Olha, entretanto, eu lembrei-me aqui de uma coisa. É uma dúvida que eu já tenho há muito tempo e nunca te perguntei. Vou fazer isto em direto e nunca disse em off.
Meu Deus.
Há uma expressão que, por exemplo, aqui em Lisboa deve-se dizer assim: "boa vai ela".
Sim.
Que é uma pessoa que anda na boa vida, vida farra e tudo mais. Mas eu preciso saber se as pessoas do norte, ou se isto é só da minha zona, São João da Madeira, não mudaram esta expressão para "bom vai ela". É a forma que eu ouço desde miúdo. Ouvi já aqui em Lisboa, boa vai ela, e fico do gênero: "Mas é assim que se diz?" Porque na minha zona, eu sempre ouvi bom vai ela.
Isso é porque há a leitura do V como B e depois há ali umas mudanças.
Mas gostava de saber se é só uma questão de, não sei se podemos chamar regionalismo.
Mas fica a pergunta. Posso dizer que há estas, as famosas corruptelas, como nós dizemos, todas as palavras são corruptelas.
Eu sempre ouvi assim, bom vai ela, e soa-me estranho agora, até estava a dizer agora, boa vai ela, e soa-me estranho porque estou habituado.
É como uma palavra que eu ouvia muito em Peniche, que era codrilheira, de bisbilhoteira. Derivada de quadrilheira, de quadrilha, mas eu sempre ouvi codrilheira. E quando ouvi a versão mais próxima, achei estranho. Nós, quando estamos tão habituados à forma de uma palavra particular, depois achamos estranhas as outras formas, que até poderão ser mais antigas.
Claro. Portanto, ouvintes do Norte, pronunciem-se. Spotify, WhatsApp, e-mail. Quero saber ou estou sozinho nisto. Vamos a mais uma dúvida.
Mais uma dúvida do Francisco, vamos ouvir.
Olá, eu sou o Francisco e tenho uma dúvida relacionada com a palavra meter. Em português, de uma forma coloquial, muita gente diz mete, do gênero, mete açúcar, mete sal. E nas línguas germânicas também mete é com, significa com. Portanto, café com leite, mete, coffee met melk, por exemplo, em holandês. Mete significa com e é a mesma coisa que em português, no fundo. E eu queria saber se existe aqui alguma relação entre estas palavras, que são muito diferentes, porque as línguas germânicas são diferentes das línguas latinas, mas se haverá aqui uma correspondência na sua origem ou se isto é um fenômeno que surgiu de forma completamente aleatória.
E então, Marco, vais meter água na fervura?
Vou meter água na fervura, exatamente. Foi completamente aleatório. Ou seja, não há nenhuma relação na origemDo met ou mit, ou o que for, dependendo da língua germânica, e do meter português. A nossa palavra vem do latim mittere, que era algo como enviar ou pôr, que é o que quer dizer hoje. Já tinha uma origem do protoindoeuropeu mais antiga. Depois mudou, foi mudando, até chegar ao nosso meter. Há pessoas que se queixam muito da forma como nós usamos meter com muita frequência, mas sempre quis dizer pôr também. E, portanto, não há relação nenhuma. A outra palavra das línguas germânicas tem uma origem numa proposição germânica já mais antiga. Portanto, é uma coincidência que acontece. As línguas às vezes têm coincidência. A mais conhecida é a coincidência entre o arigatō japonês e o obrigado português, que são formas parecidas e com o mesmo significado, mas têm origens completamente distintas, e nós às vezes pensamos que não, mas são distintas. Não sei se ainda temos tempo, João.
Sim, temos. Um abraço pro Francisco, que nos enviou esta mensagem.
E agora, se temos tempo ainda, vamos ter aqui mais uma mensagem. Não é para mim uma pergunta, mas recebi uma mensagem de Pere Cumellas, que é um professor de português em Barcelona, com nome muito catalão, Pere Cumellas.
Sim.
Por acaso, eu acho que ele já me explicou uma vez, porque nós já trocamos mensagens antes, que o nome dele até tem outra origem, mas já não me lembro e não quero estar aqui a errar o nome do nosso ouvinte. É professor de português em Barcelona e diz: "Antes de mais, parabéns pelo excelente programa, muito útil para os que aprendemos ou ensinamos português a estrangeiros". E obrigado, Pere. "Só uma curiosidade: estava a pensar na questão do entrar no teste ou sair no teste e ocorreu-me que em catalão, acho que existem duas formas, só que com significados distintos. O que entra no teste é toda a matéria que é preciso estudar e que pode cair. O que sai no teste ou que saiu no teste são as perguntas concretas que finalmente foram feitas". E ele pergunta se isto poderá ser assim também em português ou se de fato é uma diferença. Eu penso que não. Ou seja, nós quando dizemos: "Olha, isto saiu no teste".
Exato, que não existe esta diferença.
Nós simplesmente dizemos algo que de fato saiu no teste. E ele diz que em catalão também pode acontecer isto. Se eu disser: "O que vai sair no teste", aí já posso estar a falar de toda a matéria que eu tenho que estudar, porque vai sair no teste. Mas se eu disser no passado, o que saiu no teste, já é só aquilo que saiu. Mas nunca dizemos entrar. Acho que em Portugal nunca dizemos entrou no teste.
É sempre sair.
É sempre sair. Portanto, é parecido com o catalão, no sentido em que ele depois também diz no final da mensagem que há esta diferença. E ele depois termina com uma outra afirmação, não tendo que ver com isto, tendo em conta a minha viagem a Valência e aquilo que eu disse por aqui. Ele queria lembrar, o Pere, que valenciano e catalão são duas denominações da mesma língua, como castelhano e espanhol. E é verdade. Em Valência há uma grande discussão que dava para muitas horas, mas quem vê de fora, assim de longe, concorda que valenciano e catalão são dois nomes para uma língua que é muito variada também, muito importante e que gosto muito. O Pere Cumellas tem já agora um livro chamado "Português para falantes de catalão". Portanto, só para aquelas pessoas que acham que em Espanha não há interesse no português. Há livros só para ensinar português aos que falam catalão.
Quanto mais não seja pela proximidade geográfica. Eu acho que devíamos entender de alguma forma.
O livro é muito interessante. Eu tenho lá em casa, que ele ofereceu uma vez. É um livro muito interessante, porque nós lemos aquilo e vemos como é que a nossa língua é vista de fora. Neste caso, de fora, já um pouco mais para o outro lado da península, e é muito interessante ver a nossa língua explicada de outra maneira. E pronto.
Bem, ficamos por aqui no episódio de quarta-feira, de regresso no domingo. Até lá, envie dúvidas. Áudios. Nós gostamos sempre de ouvir os nossos ouvintes. Para o 910024185, é o nosso WhatsApp e também através do e-mail, Marco Neves.
portuguessuave@observador.pt.
Muito bem, é isso mesmo. Ficamos por aqui, de regresso no próximo domingo. Um abraço.
Um abraço.