Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está no ar o Português Suave, na Rádio Observador, para responder às dúvidas que os ouvintes enviam ao longo da semana. Eu sou o João Costa e Silva. Claro, Marco Neves.

Olá, tudo bem?

Tu já fazes isto sozinho. Sim, no último episódio viu-se bem que tu já dominas isto muito bem. Eu já posso ir de férias à vontade.

Éramos três, íamos com o José. Se alguém não ouviu o último episódio, vá correr às redes.

Aliás, pare este.

Às redes sociais, não.

Se estiver em podcast, pare e vá ouvir o de domingo.

Então, hoje temos algumas dúvidas. Vamos começar por ouvir a dúvida de João Miranda, que nos enviou um pequeno áudio. Podes dizer o telefone.

Para o 91 002 41 85. Vamos ouvir.

Vamos a isso.

Olá, Marco, sou eu, João Miranda, outra vez a chatear. Eu e a minha amiga brasileira, que se chama Tainá. Estávamos aqui a falar sobre a tradução de nomes para outras línguas, nomeadamente o português traduzimos os nomes dos monarcas, e a minha amiga diz que no Brasil eles não traduzem. Mas depois chegamos à conclusão que, afinal, nós nem sequer usamos a mesma expressão quando falamos da dublagem de filmes e séries, que nós dizemos dublagem, mas os brasileiros dizem, Tainá, como é que vocês dizem?

Dublagem.

E nós estamos aqui um pouquinho intrigados, porque é que no Brasil e em Portugal se diz de uma forma diferente este ato de traduzir conteúdos audiovisuais. Obrigado.

Marco, eu gosto muito desta dupla, do João Miranda e da Tainá, que nos enviam dúvidas, mas falta a discussão.

Exato, às vezes é falta a discussão, mas já pedimos aqui que as pessoas enviem, estão no mesmo e-mail, com uma dúvida.

No pique do momento.

E nós queríamos poder resolver o problema. Mas já foi quase. O João Miranda e a Tainá já estavam quase, não a discutir, mas pelo menos a falar ao mesmo tempo, que já é bom. Há aqui várias questões em relação à tradução dos nomes dos monarcas. A verdade é que os brasileiros não traduzem Isabel II, que dizem Elizabeth II, traduzem o número. Dizem também Charles III, mas também dizem terceiro, não dizem em inglês. Mas, por exemplo, já dizem Henrique VIII, quando falam da história, dizem Henrique VIII. Quando falam do papa, também traduzem. Diriam aqui em latim, vão dizer em português. Ou seja, há esta ideia de que os brasileiros não traduzem os nomes e os portugueses traduzem os nomes das pessoas, mas é falsa, porque tanto os brasileiros como os portugueses, e como os outros falantes das outras línguas, traduzem nomes bíblicos, traduzimos nomes dos papas, traduzimos nomes de figuras históricas, como Cristóvão Colombo, como Martinho Lutero e por aí fora, nomes de muitos monarcas por esse mundo fora. Agora, há uma pequena diferença, de facto, nos monarcas britânicos, em que os brasileiros perderam o hábito de traduzir os monarcas e chegaram ao meio do século XX e começaram a dizer Elizabeth, em vez de dizer Isabel, como já tinha havido uma Isabel, e nós sempre chamámos Isabel I à outra, por isso continuamos a chamar Isabel II à outra, àquela senhora. Mas continuamos a chamar Isabel II à nova monarca, nova nessa altura, em meados do século XX, e os brasileiros perderam. Só esta pequena diferença leva a que muitas pessoas acreditem que há uma diferença tremenda, quando na verdade não há quase diferença nenhuma nesta utilização.

É errado, então, dizer isto.

É errado dizer que nós traduzimos e eles não. Na verdade, todos traduzimos um grande número de nomes. Não traduzimos nem de um lado nem do outro o nome de pessoas atuais, que não seja o papa, ou que não seja um rei. Aí nenhum de nós traduz. É um hábito atual que vem do século XX, esta regra que temos na cabeça, não se traduzem os nomes próprios. É uma regra recente, mas que é bastante viva hoje. Em séculos anteriores, os nomes traduziam-se todos. Nós temos nomes traduzidos. Uma pessoa mudava de país, toca traduzir o nome. Isso é muito habitual. Hoje já não. Portanto, no fundo, Portugal e Brasil aqui estão quase iguais, alinhados, com uma pequena diferença, que depois é amplificada e as pessoas pensam que há uma grande diferença, quando não há essa grande diferença.

Muito bem. Dúvida respondida.

Só uma coisa. Há uma dúvida que eu tenho e que outras pessoas têm. Eu tenho uma resposta, mas não sei se está errada, mas vamos ver se está errada ou não daqui a poucos anos. Poucos? Bem, não estou já morto, senhor. Já vou explicar o que é. O que se passa é, quando Carlos III morrer, daqui a poucos, muitos anos, não sabemos.

Não sabemos.

Pode durar muito. O seu filho, pensamos nós, será rei do Reino Unido e do Canadá e da Austrália e de mais não sei quantos países. E será que vai ser chamado Guilherme ou não vai ser chamado Guilherme? A minha aposta é que vai ser chamado Guilherme, em Portugal. Ou seja, os jornalistas, naquele dia em que ele se tornar rei, vão dizer Guilherme V ou o que for. Ou outro nome, que ele pode escolher outro nome, como alguns papas. Mas não sei, vamos ver se eu estou errado ou não. Cá teremos um episódio especial do Português Suave.

Daqui a poucos, muitos anos, não sabemos. Fica no nome dos deuses, vamos dizer assim.

Quanto à dublagem, não sei se temos tempo só para responder a essa.

À dublagem?

Sim, porque ele perguntou por que nós dizemos dublagem.

Sim, desculpa. Eu achei que já querias avançar pra próxima, mas falta a resposta, claro.

Porque a questão é dublagem e dublagem, são duas adaptações diferentes da mesma palavra francesa. Portanto, vem do francês. Nós fizemos uma tradução literal de dublagem. Os franceses dizem dublagem, mas dizem dublage, e por isso os brasileiros fizeram uma adaptação sonora.

Como já fazem de muitas.

E nós fizemos uma adaptação pelo significado e por isso ficamos com duas palavras diferentes, mas as duas vêm precisamente do mesmo sítio.

Muito bem. Dúvida respondida aqui ao João Miranda e também à Tainá, dois amigos que nos fazem questão de enviar dúvidas todas as semanas, ou às vezes, vamos dizer assim.

Quanto tempo é que temos?

Ainda temos quatro minutinhos e nós somos um programa muito inclusivo. Agora vamos falar de bois.

Vamos falar de bois, exatamente. Miguel de Vasconcelos, um nome histórico.

É verdade, tem essa imponência.

Exato. "Caro professor, surgiu uma questão sobre o provérbio "não metas a carroça à frente dos bois". Apercebi-me que há um equivalente em francês: ne pas mettre le charrue avant les bœufs. Espetei para dizer isto o melhor possível. Qual veio primeiro? Houve as duas do latim ou talvez outra opção?" Eu procurei, não consegui perceber qual é que tinha vindo primeiro, não consigo.

É quase aquela questão: é o ovo ou a galinha?

Exato, é o boi. Mas percebi Mas percebi que há muitas outras línguas que também têm a expressão igual. O alemão tem. Percebi que em castelhano é raro.

O alemão deve ser incrível.

Não consigo dizer, não me peças em alemão.

Não, mas só imaginar a sonoridade.

A sonoridade, exato. O inglês também tem, mas é uma expressão muito pouco usada. Algumas línguas usam mais, outras menos, mas pelos vistos é uma expressão das línguas europeias que andou por aí a passar de mão em mão. Não encontrei em latim, portanto não parece que tenha vindo do latim, mas mais uma vez, pode ter sido simplesmente falha aqui do investigador e não ter conseguido encontrar. Eu andei à procura, mas não tive dados suficientes. Portanto, não conseguimos perceber se foram os franceses, se foram os portugueses, se calhar até foram os alemães. É o que eu posso dizer. Peço desculpa, Miguel Vaz Gonçalo.

Se houver algum ouvinte ninja.

Temos perguntado ao José, que esteve cá no domingo, porque ele tem alguns dados, algumas formas de procurar até mais profundas, mas eu vou ter que perguntar.

Vamos falar com ele.

E agora vamos à Maria José Melo, que nos diz: "Caro Marco e João, neste episódio do 'Português Suave' aparece escrito no título subsaliente, mas em Portugal dizemos e escrevemos subcelente, não é?" E eu digo que sim, é mais comum em Portugal, em português de Portugal, dizer subcelente e escrever. Subsaliente também existe. E atenção, não é uma questão de se estar incorreto, mas é mais comum no Brasil. Ela depois diz uma coisa que eu gostava aqui de ler, porque já tive vários comentários sobre isto e gostava de esclarecer. Diz a Maria José Melo: "Na transcrição do Spotify aparece subcelente". Erradamente, claro. "Apesar do aviso de que pode haver erros, não me parece correto ter essa transcrição. Gosto muito de ouvir o programa, pois sou muito interessada em línguas e linguística. Obrigada. Cumprimentos, Maria José Melo." Só queríamos esclarecer que esta transcrição é do Spotify. Nós não temos responsabilidade, não conseguimos sequer alterar a transcrição.

Nós no Observador temos transcrição. Eu não sei se é em todos os programas, mas estou me a lembrar agora de um que faço, que é o "Em 40 Minutos", e em que a inteligência artificial gera uma transcrição integral do episódio, ou seja, quem não quiser ouvir a entrevista, pode só ler. E fazemos esse aviso para eventuais erros, mas nós conseguimos editar eventualmente.

Se houver assim um erro grave.

Se houver assim um erro muito grave. Tivemos aqui um episódio há pouco tempo ainda com o comentador e jornalista Rui Santos, em que ele dizia, por exemplo: "Não sou do Benfica, não sou do Sporting, não sou do Futebol Clube do Porto", e na transcrição dizia que ele era do Sporting. E tivemos de emendar, por exemplo. Mas, por exemplo, no Observador, nós conseguimos fazer isso. No Spotify, é mesmo a própria plataforma que faz essa transcrição.

Para dizer, neste caso, não é uma questão de pedir desculpa, porque nós, na verdade, não temos mesmo como.

Não temos mãos nisso.

Aquilo é uma transcrição automática que o Spotify cria e não podemos alterar. Mas obrigado pelo aviso e pelas perguntas, Maria José Melo, e também pela simpatia das mensagens. E pronto.

Ficamos por aqui. Há um e-mail para os ouvintes enviarem dúvidas, não é?

portuguessuave@observador.pt e há um telefone que começa por nove.

Boa! 91 002 41 85 para nos enviar áudios, como fez o João Miranda e a Tainá, para depois termos este episódio de quarta-feira.

E quem está noutros países, +351, não nos podemos esquecer, porque nós temos ouvintes de tantos países.

Pois é, +351. Mas também podem enviar por e-mail os áudios. Deve ser mais complicado. O WhatsApp é sempre mais fácil. Marco, um grande abraço e até domingo.

Até domingo.