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Partimos para nova análise com Alexandra Machado, editora de economia do Observador. Alexandra, boa noite. Temos aqui vários destaques ao nível macroeconómico. O PS aponta um crescimento do PIB de 2% em 2028, promete alargamento do IRS jovem com taxas mais baixas, também o PS quer devolver uma parte do IVA pago na aquisição de bens essenciais. São apenas algumas das medidas dos destaques. O que é que destacarias? É um programa realista aquilo que Pedro Nuno Santos apresentou esta tarde?
É um programa que se pode dizer que é de continuidade. Já tinha feito esta referência quando Pedro Nuno Santos apresentou as listas para deputados e agora digo também em relação a este programa, que poderia ser muito bem um programa de António Costa. Foi apresentado por Pedro Nuno, mas na primeira fila da apresentação vimos vários ministros do atual governo e a apresentação do cenário macroeconómico até foi feita por Fernando Medina. E vê-se a tónica de prudência nestas projeções de crescimento, abaixo bastante das projeções de crescimento que a AD, a Aliança Democrática, fez no seu programa, mas um pouco mais ligadas à atual realidade económica.
Mais cauteloso, mas talvez mais realista também.
Mais cauteloso. As da AD ainda falta a prova do algodão, como já alguém disse, de que aquele programa, nomeadamente as descidas de impostos que estão lá protagonizados e projetados, levam àqueles crescimentos económicos que, lembro, em 2028, a AD projeta um crescimento económico de 3,4% e agora o PS de 2%.
Bem abaixo.
Bem abaixo. E o PS também no cenário, não macro, mas no cenário orçamental, também é bastante cauteloso e nunca fala em déficits, mantém as contas equilibradas, mas mesmo equilibradas, ou seja, sem excedentes.
E Alexandra, outro destaque é a ausência de referências à TAP. O que se passou aqui? Não há aqui qualquer referência.
Há uma única referência à TAP neste programa sobre a necessidade da TAP garantir ligações à diáspora portuguesa. Sobre a privatização, nada é dito. Sabemos que Pedro Nuno não é a favor de uma privatização total da TAP e por isso não se atravessa a prometer o que quer que seja em relação à privatização da TAP, embora tenha aqui várias promessas noutros campos, mas em relação a privatizações no geral, não é referido no programa. Mas lembro que isto é um programa, não é um orçamento, não é qualquer proposta de lei, é um programa eleitoral e é com ele que os portugueses vão a votos. Mas de facto é estranha esta ausência da TAP, não só no programa, como nas próprias declarações de Pedro Nuno Santos.
E habitação. Pedro Nuno Santos, a meio do discurso, relembro que foi um discurso muito longo, cerca de uma hora e meia, falou sobre a habitação, diz que é um problema gravíssimo, de facto, mas que não é só em Portugal, também na Europa. Como é que fica aqui Pedro Nuno Santos a falar de habitação, tendo em conta que teve esta pasta quando foi ministro?
Precisamente, foi uma pasta que tutelou e se atravessou bastante por ela e deixou a pasta num dos seus braços direitos, Marina Gonçalves. Mas eu creio que o programa do PS é a prova, ou pelo menos prova em parte, de que Pedro Nuno assume que não correu tudo bem na habitação e por isso fez uma série de propostas para a habitação. Continua a falar no aumento do parque público, agora fixa a meta nos 5% de parque público no total de casas existentes. Lembro que atualmente é cerca de 2%, mas este programa do PS foca-se muito mais no arrendamento e nas pessoas que têm crédito à habitação. E isso há várias medidas novas, que não se estava à espera, nomeadamente uma que a AD já tinha no seu programa, que era dar garantia aos jovens para poderem comprar a sua primeira casa. A AD estipulava uma garantia até aos 35 anos. O PS vai mais longe, vai até aos 40 anos. Vamos lá ver até quando é que nós somos jovens. Qualquer dia somos jovens até muito tarde, mas existe essa novidade. E no arrendamento também há várias novidades, nomeadamente a possibilidade de quem tem crédito à habitação e não tem condições de pagar, o Estado poder comprar a casa e estabelecer um contrato de arrendamento com essa pessoa, para que ela não perca o lugar para viver, mas que não tenha o ônus de pagar todos os meses uma prestação incomportável no seu caso. Já se sabia também a dedução das rendas em IRS. Pedro Nuno Santos também quer ir até aos 800 €, atualmente está nos 600 € e referiu-se a uma série de outras condições, nomeadamente alargar a abrangência do Porta 65. Enfim, na parte do arrendamento houve várias medidas novas anunciadas.
Várias novidades. Obrigado, Alexandra Machado, por esta análise, editora da economia do Observador, a olhar para os destaques deste programa eleitoral do PS que foi apresentado esta tarde por Pedro Nuno Santos