Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Ora quem vai estar atento aos desenvolvimentos de hoje nos Estados Unidos é o João de Almeida Dias, jornalista internacional d'O Observador, que se junta agora a nós aqui no "Jornal Observador". Muito boa tarde, João. As eleições presidenciais foram em novembro. É hoje que chega ao fim esta, podemos dizer, novela?

Não, nem pensar. Aliás, estamos a entrar naqueles últimos três ou quatro episódios em que acontece muita coisa, morrem personagens, uns matam-se uns aos outros, continuando com a metáfora da telenovela. O episódio da Geórgia era um episódio já antecipado, porque a 3 de novembro, de facto, houve votação para os dois lugares no Senado, na Geórgia, mas ao contrário do que exigem as regras estaduais, não houve nenhum candidato a conseguir mais do que 50% dos votos, e então, como disseram na introdução, vai agora haver uma segunda volta. Isto é muito importante precisamente porque diz respeito à questão do Senado, e que Senado é que vai ter Joe Biden à sua frente quando for presidente. Esta questão está longe de estar definida e evidentemente que a telenovela não acaba aqui, porque hoje ou nos próximos dias vamos ter uma versão mínima daquilo que já tivemos em grande ao longo de novembro, que é a questão da contagem dos votos. Não é evidente que se saibam os resultados nesta madrugada. As urnas vão ser fechadas às nossas 00h30. A verdade é que pode haver projeções logo nessa altura, mas também pode haver projeções inconclusivas e podemos ter de esperar algum tempo, até possivelmente alguns dias, no caso de as corridas serem particularmente renhidas. Agora, o que traz um grande fator de atenção a tudo isto é que está o país todo a olhar para a Geórgia. Isso traz aqui um fator de grande importância a um Estado que, como dizia, já não elege um senador democrata há duas décadas, mas que na verdade agora pode muito bem vir a fazê-lo. O que as sondagens referem até aqui é que há uma ligeira vantagem dos dois democratas nestes dois lugares vagos, mas são vantagens muito ténues, são vantagens dentro da margem de erro e acho que não vale a pena, do lado democrata, começar já a deitar foguetes. É uma questão de se esperar para ver qual é que é o resultado aqui. Agora, a história não vai acabar aqui, até porque amanhã, dia 6 de janeiro, há outro processo, esse sim, tem a ver com as eleições presidenciais, tem a ver com a autenticação dos resultados por parte das duas câmaras do Congresso. E o que nós já sabemos é que há senadores republicanos que não estão dispostos a reconhecer os resultados da vitória de Joe Biden no Colégio Eleitoral. É uma questão que, embora não esteja diretamente ligada às eleições na Geórgia, acho que faz parte deste emaranhado muito complicado, deste novelo muito complicado em que se tornou a política norte-americana. Hoje é um episódio, mas amanhã haverá mais e a telenovela não vai acabar, eu diria que nem depois da tomada de posse de Joe Biden no fim de janeiro.

João, e olhando para essa tomada de posse de Joe Biden, um presidente democrata que vai suceder a um presidente republicano, tens um minuto para nos dizer o que é que pode acontecer com uma nova administração que não tenha maioria no Senado.

Vai ter de haver uma necessidade maior de Joe Biden negociar. Felizmente para Joe Biden, não é novidade nenhuma para ele. Joe Biden foi senador desde 1973 até se ter tornado vice-presidente em 2009, e era precisamente um daqueles senadores democratas da cepa negociadora, faz parte desse grupo. Há uns que não são assim de todo, mas Joe Biden fez escola assim. Aliás, e foi precisamente por ser dessa cepa que Barack Obama o chamou para vice-presidente. Durante os oito anos de Barack Obama na Casa Branca, era Joe Biden que ia à frente para negociar com o Congresso, sobretudo com o Senado, quando o Senado tinha uma maioria republicana. Joe Biden terá isso pela frente. Claro que ele não vai ter o Senado que existia nos tempos de Obama, que na altura já era particularmente aguerrido do lado republicano e do lado democrata também. Agora, eu creio que vai ter uma posição ou uma situação ainda mais polarizada e vai ser complicado, mas o que nós podemos esperar, de qualquer das maneiras, é um maior controlo do Senado, se o Senado for republicano, e vai haver certamente situações de bloqueio. Agora, o desafio será chegar a diferentes tipos de acordos que consigam alinhar tudo isto, que é um Congresso democrata onde há diferentes facções do Partido Democrata, em maioria. Temos desde os mais liberais até aos mais moderados. Depois, do outro lado, vamos imaginar que se mantém um Senado republicano, aí Joe Biden terá de satisfazer o outro lado. Como é que Joe Biden gere este triângulo, sendo ele um dos vértices, vai ser uma grande questão. Agora, não nos devemos antecipar àquilo que ainda não temos e acho que é esperar pelos resultados da Geórgia e saber isto, que se nestes dois lugares passarem de republicano para democrata, Joe Biden vai ter uma vida mais fácil porque vai ter um Senado também democrata. Se os republicanos ganharem mais um, então vai ter de começar a negociar.