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"Quem matou António Sala?", a radionovela da Rádio Observador. Francisco Moita Flores, o nosso convidado no episódio de hoje da radionovela "Quem matou António Sala?", obrigada por ter aceitado o nosso convite para participar nesta brincadeira.
É um prazer e aproveito para-
Gostou da experiência?
Foi engraçado, sobretudo porque estamos a falar de um homem que eu admiro muito e do qual sou amigo.
E para nós foi um gosto tê-lo cá e ver com tanto jeito para a interpretação.
Deixo aqui um abraço ao António Sala.
Então e os suspeitos, quem é que acha que é o verdadeiro suspeito desta novela?
O António Sala nunca acredite que haja alguém que o quisesse matar, porque é um homem demasiado grande e demasiado querido de todos, porque ele, de certa forma, é a nossa história da rádio também.
Absolutamente.
Faz parte de vozes que nos preencheram e que nos acompanharam durante horas, dias, anos. Para além de toda a sua intervenção, quer na área musical, quer na televisão, mas sobretudo a rádio. Associamos sempre rádio a António Sala, e eu tenho um grande carinho por ele.
E o Francisco Moita Flores tem saudades de fazer investigação?
Já estou a ficar com uma idade em que tenho saudades do tempo em que fazia investigação. Tenho saudades desse tempo. Agora faço investigação académica, investigação para ficção.
E já tinha tido outras experiências como ator. Gosta de estar desse lado ou prefere escrever? É porque teve tão bem. Fez-me rir várias vezes.
O meu grande sonho quando era puto era ser ator, mas na altura chamavam-se ensaiadores e o ensaiador numa peça em que eu tentei testar-me disse: "Epá, dedica-te à escrita porque não tens jeito nenhum para isto". E eu nunca fiz representação. Em algumas séries que escrevi, sobretudo com o Jorge Paixão da Costa a realizar, ele pedia-me para eu fazer, a brincar, pequenos papéis. Mas coisas que não ficam.
Mas tem uma capacidade enorme de improvisar.
Isso está ligado à escrita criativa e à ficção.
Porque pegou num texto e tornou o seu. Conseguiu dar aqui a volta.
O mérito também foi vosso, porque me mostraram o que estava feito e foi para dar coerência ao vosso próprio episódio.
E já alguma vez tinha feito rádio?
Sim, fiz rádio durante alguns anos na Emissora Nacional, agora a Antena 1. E é um mundo fascinante. É o grande mundo pelo que tem de mistério, de mágico, de solidário, de vizinho.
É uma companhia, não é?
É a companhia definitiva.
O que é que está a fazer atualmente?
Neste momento, acabei o trabalho de parto, porque acabei um romance. Está em edição.
Quando é que sai?
Vai sair em maio, dia 12 de maio.
Como é que se chama?
Chama-se "Os Cães de Salazar". É uma história interessante, ocorrida em 1937, quando houve um atentado contra o Presidente do Conselho de Ministros, um atentado à bomba na Avenida Barbosa du Bocage. E a polícia política da altura, a chamada Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, assumiu a investigação desse processo e cria uma balbúrdia, uma coisa inacreditável.
E o que o leva a decidir por este ou aquele tema?
São histórias que me aparecem à frente.
E que vê ali potencial para criar.
Percebes que é uma história que é interessante de explorar do ponto de vista dramatúrgico e ficcional. Este foi um desses casos. Foi por acaso, por acidente. Eu estava a preparar um romance, o meu último romance, "O Mistério do Caso Campolide", e caiu-me nas mãos este processo-crime de 1937.
E achou: "Isto é um sinal".
E comecei a ler. Eu tinha uma vaga ideia do atentado, porque tinha já lido algumas coisas há uns anos sobre o atentado, e comecei a ler o processo e fiquei encantado. Foi amor para a vida e não direi para a morte, mas até que o romance terminasse.
E a política está posta de parte?
Completamente arrumada.
Está completamente arrumada. Portanto, agora dedicado à escrita e à sua vida, o que é que faz quando não está a escrever?
Estou a escrever uma série para a RTP, que será exibida a partir de setembro, julgo eu, pela indicação que me foi dada. Escrevo e continuo a escrever.
E nos tempos livres, quando não está a escrever, o que é que faz? O que é que gosta de fazer?
Leio muito e vejo muita ficção.
Portuguesa?
Ficção portuguesa vejo alguma. Eu procuro novidade. Não procuro déjà vu.
Mais do mesmo.
Eu procuro novidade e muitas vezes vejo. Aliás, o meu canal preferido, não leva a mal a publicidade, é o Netflix. E vejo alguma ficção portuguesa, mas efetivamente eu vejo a ficção para explorar novos caminhos, para explorar novas técnicas, porque alguém que é argumentista, como eu sou, não consegue ver um filme, que é uma coisa terrível.
Sem estar a ver o todo. Pois, claro.
Está a história a correr e eu estou a ver como é que se construiu aquela história, como é que entram os personagens, como é que o argumentista faz a ligação dos personagens aos factos, que é uma forma um bocado distorcida de ver uma peça, seja ela um filme ou uma série. E vulgarmente vou lá a segunda vez, já com um outro olhar, mais de cidadão comum, para me distrair e divertir.
Portanto, neste caso, não fez parte de uma série da Netflix, mas fez parte da radionovela "Quem matou António Sala?"
Exatamente.
Muito obrigada, Francisco Moita Flores.
Tem todo o mérito para ir para a Netflix.
Gostámos muito de te ter cá. Muito obrigada pela sua disponibilidade e por ter aceitado o nosso convite.
Muito obrigado pela vossa gentileza e muitas felicidades para a Rádio Observador.
"Quem matou António Sala?", a radionovela da Rádio Observador.