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Se não ouviu o episódio anterior, não sabe o que está a perder e não vai perceber nada do que aí vem, mas nós resumimos em 20 segundos.
Não me diga, tem correções a fazer. Nem tudo o que vai à rede é bola. É um programa que é sobre hóquei no gelo, badminton?
Já na casa de banho, António Sala dizia para si ao espelho.
Leonel, Leonel, meu caro bigode, está na altura de te deixar crescer outra vez.
O António Sala está na casa de banho estendido no chão.
Meus senhores, isto tem de ser investigado.
"Quem matou António Sala?" A radionovela da Rádio Observador.
A morte de António Sala mergulhou o país no luto. Bandeiras a meia haste, devido cantinho no Panteão e o habitual milagre da multiplicação dos vídeos tributo.
É uma perda para a comunicação social e para o país.
Eu sempre o ouvi. Ele dava um bigode à concorrência.
O António Sala marcou várias gerações. Sempre me surpreendeu pela positiva e pela forma como me fazia sorrir pela manhã.
Tudo justo, mas findas as homenagens, a justiça que se impunha era outra.
Tem de se apurar tudo, de alto a baixo, até ao fim, doa a quem doer.
Foi esta a exigência do chefe de Estado, em declarações feitas no final de mais um dia de 377 condecorações. Para além das justas determinações do presidente, a morte de Sala abalou a forma como organizamos o tempo.
E o resto é história.
Olá, sejam bem-vindos ao 30º episódio de "E o Resto é História". Na verdade, eu acho que não vale a pena sequer continuar a contar. Com a morte de António Sala, recomeçou a contagem do tempo. E assim sendo, caros ouvintes, sejam bem-vindos ao primeiro episódio de "E o Resto é História" DS, o primeiro programa dedicado à história de Portugal no ano um, depois da morte de António Sala. E a pergunta que obviamente vai lançar este programa é: quem matou António Sala? Ou então, uma outra pergunta semelhante: onde é que estava José Sócrates quando António Sala morreu?
Desculpe, essa pergunta é uma afronta. Essa pergunta é indigna de um jornalista.
Ligando a televisão, todos aqueles cujo sonho era pertencer aos quadros da Polícia Judiciária e que se dedicam por isso a comentar crimes em programas de entretenimento, falavam apaixonadamente sobre a morte de António Sala.
Escutem uma coisa, Fátima, José e Cristina. Há aqui três hipóteses quanto ao desaparecimento do António Sala, e eu sei disto porque eu tenho contactos privilegiados com o Ministério Público. São muito simples e, portanto, peço a atenção aos nossos telespectadores que isto é um exclusivo. Ou mataram António Sala, ou António Sala foi assassinado, ou, e esta hipótese também não é a excluir, alguém cometeu o homicídio sobre António Sala.
Ai, filho, que horror! Era tão bom homem o António. Por falar em bom, você que está aí em casa quer ganhar dinheirinho? Ligue 760 100 100 200.
Se o desaparecimento de António Sala abalara o país, o caso está a transtornar, sobretudo, o sítio onde tudo acontecera. Na redação do Observador, para além de todos os temas que com muita relevância urge noticiar, era aquele o tema dominante. Miguel Viterbo Dias, jornalista da Rádio Observador, e João Miguel Santos, animador desse mesmo posto, comentavam entre si.
Estes tipos sabem lá. Nós precisávamos era de um grande investigador, sei lá, um Francisco Moita Flores.
Era isso mesmo. Só pode ser ele. Estamos em pleno enredo de uma novela que ainda por cima se debruça sobre um crime. Quem mais, Miguel? Quem mais?
Sim, João, é que isto sem o Moita Flores a investigar a morte do António Sala, mais depressa conhecemos o desfecho da Operação Marquês.
Calma, pequenotes. A magia da telefonia e a produção da Rádio Observador tudo podem. Ora, se não, reparem.
Meus senhores, muito bom dia. Por acaso sabem me dizer onde posso encontrar a Maria João Simões?
Ó Francisco Moita Flores, ela deve estar ali na copa a desfrutar de um poderoso refresco de cevada. Mas antes de lá ir, assine-me só aqui este magnífico exemplar de "Segredos de Amor e Sangue". Francisco, isto é uma obra fenomenal.
Com todo o prazer, muito obrigado pelo seu cumprimento.
Assinado o livro deste jornalista carente, Francisco Moita Flores dirigiu-se à copa, onde Maria João Simões desfrutava de uma majestosa loirinha.
A senhora é Maria João Simões?
Ai, Francisco, ainda bem que veio. Precisamos tanto da sua ajuda.
Minha cara, estou aqui para isso mesmo. Ajude-me a ajudá-la. A Maria João estava cá no dia em que mataram o António Sala?
Estava, não queira saber. Uma tragédia absolutamente lamentável o que se passou.
É de facto uma tragédia muito grande. Aliás, eu já investiguei três homicídios. Este é o terceiro homicídio de António Sala. Os primeiros dois quando ele tinha bigode e que foram notícia pública, como sabe, e que nós tivemos que fazer um esforço muito grande para o ressuscitar.
O bigode ou o António Sala?
Os dois, o bigode e o António Sala, porque o António Sala sem bigode e bigode sem António Sala é o motivo deste crime, segundo aquilo que eu julgo. Isto quer dizer que foi o proprietário de um bigode que matou o António Sala. Eu diria mais, Maria João. Eu julgo que o Toni, o jogador do Benfica, ex-jogador e treinador de futebol, é o principal suspeito da morte do António Sala.
Só, Francisco, isso não faz sentido. A que propósito é que o Toni vem à baila, Francisco? O Toni não estava cá e, para além disso, só deseja mal a jornalistas iranianos que fazem perguntas incômodas.
Minha querida, pense comigo Se se lembrar das últimas palavras de António Sala, as diz aqui, a deixar crescer o Leonel. E como sabe, o Leonel é o seu adereço de estimação. Ele entrava mais uma vez em competição com os bigodes e o bigode de António Sala é qualquer coisa de incomparável.
Tem razão.
Bate qualquer um dos outros bigodes. Todos sabemos que o Toni nunca lidou bem com o facto do bigode do Sala ter sido o mais acarinhado pelo público português.
Francisco, não pode ter sido o Toni, ele não esteve aqui. Mas se assim for, qual foi a arma do crime?
Diz a senhora que ele não esteve aqui, porque só há duas hipóteses: ou foi o Toni ou foi um podcast. Aliás, os podcasts são muito agressivos e são agressivos suficientes para poder matar uma pessoa. Só que o podcast não tem capacidade para pegar numa moca de Rio Maior, porque o Sala foi morto com uma moca de Rio Maior.
Então lá está, não pode ter sido o Toni. Ele é de Anadia.
Não interessa. Ele foi comprar a moca e, portanto, foi o Toni. Ou então um podcast. Também ponho a hipótese de ter sido um podcast.
Um podcast, mas um podcast com bigode, Francisco.
Sim, claro. Estamos sempre no território do bigode. Sem bigode não há suspeitos. É no território do bigode.
Moca de Rio Maior, a arma do crime. Bigode, a escolha de visual que fazia sentido nos anos 70. Eram estes os principais elementos do crime. Restava saber: foi Toni? Foi um podcast com bigode? Será que Toni é um podcast com bigode? São estas as parvoíces às quais vamos tentar responder no próximo episódio de "Quem Matou António Sala?".
"Quem Matou António Sala?", a radionovela da Rádio Observador.
Participaram neste episódio, por esta ordem: Diogo Lopes, Edgar Caetano, Marta Leite Ferreira, João Miguel Tavares, Vicente Figueira, Sofia Sá, Miguel Viterbo Dias, João Miguel Santos, Francisco Moita Flores e Maria João Simões. Texto de Vicente Figueira. Narração de Nelson Ferreira. Sonoplastia de Diogo Casinha, Beatriz Martel Garcia e Bernardo Almeida.