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"Quente e Frio" com a Filomena Martins, todas as tardes aqui na Rádio Observador. Olá, Filomena, boa tarde.

Olá, Nelson.

Estava aqui a olhar para o mapa do IPMA, muito amarelo. Amanhã menos um bocadinho, mas vamos continuar ainda com muito calor e estes avisos amarelos do IPMA, pelo menos amanhã e também na quinta-feira.

É isso, ainda vamos ter temperaturas próximas dos 40 graus, mas a previsão do tempo já começa a mostrar uma mudança importante. Primeiro, o calor vai perder força, sobretudo no litoral norte, onde já não há avisos desses, e onde a temperatura pode cair 12 graus em apenas dois dias. E depois, entre domingo e terça-feira, sei que esta notícia te vai interessar, a chuva poderá regressar a várias regiões do país.

Finalmente.

A previsão a 10 dias do IPMA já apresenta esta probabilidade de chuva nas 18 capitais do continente. O sinal mais forte é obviamente no norte e no centro, mas também aparece em Lisboa, no Alentejo e até no Algarve.

Então podemos contar com o calor a ir-se embora a partir de quinta-feira.

Primeiro, o calor vai embora, vai desaparecendo devagar, em alguns sítios mais depressa, noutros mais devagarinho. Mas antes da mudança ainda temos este calor pela frente. Amanhã, quarta, primeiro dia do outono astronômico, o calor ainda aumenta e até em algumas regiões, Évora poderá chegar aos 39, Santarém aos 38 e Beja e Castelo Branco aos 37. Mas enquanto no interior continua muito quente, o litoral norte já começa a arrefecer. No Porto passamos dos 34 desta terça-feira para apenas 22 na quinta. São os tais 12 graus em dois dias. E em Viana do Castelo, por exemplo, a temperatura desce de 31 para 21, são 10. E em Braga de 36 para 28. Essa conta eu já não sei fazer. Esta descida não acontece ao mesmo tempo em todo o país. Lisboa ainda vai chegar aos 34 na quarta e na quinta, Évora terá os tais 38, Castelo Branco 37. Mas este ar fresco a norte vai começar e depois vai se estender a todo o país.

E a chuva já tem dia para chegar?

Para já ainda estamos na tal rota das probabilidades, mas a primeira possibilidade aparece no domingo, sobretudo no norte. Viana do Castelo, depois Braga e Porto já estão na casa dos 50% de haver chuva. E na segunda-feira o sinal aumenta para mais e para mais regiões. Braga chega a 61, Porto, Guarda, Vila Real, Viseu já estão acima dos 60 nessa altura, Lisboa nos 49, Évora também acima praticamente nos 40 e na terça-feira a possibilidade de chuva também se mantém em todo o continente. Não quer dizer que vai chover em todo o país, nem sequer poderemos ter três dias de chuva consecutivos. A previsão do IPMA já admite esta passagem de precipitação, os modelos também o antecipam, com maior probabilidade no norte e centro, mas poderá chegar também ao sul. E para quarta e para quinta, ou seja, para o resto da semana que vem, também ainda há ideia de chuva, portanto, para quem tirou esta semana de férias é péssimo, em várias regiões. Esta passagem e a sua duração ainda é um bocadinho cedo para vermos. Amanhã ou quinta-feira já será mais fácil. Mas a previsão aponta para a interrupção do tempo quente e seco, mas não que se instale já a chuva. Também ainda não podemos dizer que a onda de calor termina ao mesmo tempo em todo o país, vai ser avaliado estação a estação, mas podemos dizer que as temperaturas descem acentuadamente e podemos dizer que os primeiros sinais de chuva já estão aí. Depois, logo vemos o dia exato.

O outono já começa amanhã no calendário, mas ainda deve demorar alguns dias, segundo estas previsões aqui trazidas. Seguimos com o fenômeno de hoje. Como é que as temperaturas caem tanto em tão pouco tempo, que é o que vai acontecer principalmente no litoral norte?

Por causa de uma frente de brisa marítima. É uma coisa simples.

É o mar que está arrefecendo isso.

É o mar que faz cair as temperaturas até em poucos minutos, em alguns casos. Qualquer pessoa pode imaginar que está na praia, num dia de muito calor, e de repente começa a sentir aquela aragem mais fresca, é porque o vento mudou de direção e a temperatura vai começar a descer. E às vezes fica mesmo muito frio na praia, muito de repente. E podemos estar a assistir à passagem dessa frente de brisa marítima. Durante o dia, a terra aquece mais depressa do que o mar, sempre. O ar junto ao solo fica quente, sobe. Entretanto, o ar mais fresco que está sobre o oceano começa a avançar pra terra e quando esse ar marítimo encontra o ar quente que estava sobre o continente, forma-se uma espécie de pequena frente fria, é a tal frente de brisa marítima, e a mudança pode ser impressionante. O IPMA explica que em certas situações, a passagem desta frente pode fazer a temperatura descer os tais 10 graus a 12 em poucos minutos. Ao mesmo tempo, normalmente, o vento muda a direção, a umidade também aumenta e portanto fica aquele nevoeiro também muitas vezes. É um fenômeno especialmente interessante nesta semana, que as temperaturas vão baixar muito depressa, sobretudo no litoral, mais do que no interior.

É isso que acontece então lá mais para o final desta semana?

Não só. Não é só uma frente de brisa isolada que explica esta queda de 12 graus previstos para o Porto entre hoje e quinta. Essa mudança acontece numa escala muito maior, com uma entrada também de ar atlântico mais fresco. Portanto, a frente de brisa é um exemplo, à escala local, da rapidez com que o ar marítimo pode fazer descer a temperatura. Aqui estamos a uma escala muito maior, em que vem uma frente, de fato, atlântica, que vai mudar as temperaturas. E nem sequer é preciso chover. Basta que o ar fresco do oceano consiga avançar sobre a região que estava muito aquecida, que é o caso.

Vamos à curiosidade de hoje. Por que a hora mais quente do dia não é ao meio-dia?

Ao meio-dia o sol está no ponto mais alto do céu. Quando fazíamos, não sei, isto é coisas do meu tempo. Quando fazíamos aqueles relógios solares no recreio da escola, eu fazia, punhamos o pau espetado no chão, sabíamos que quando não tivesse sombra era meio-dia, e seria lógico pensar que é também esta a hora mais quente do dia. Mas não é. É por volta das 14, 15 ou até às 16. A temperatura máxima costuma chegar sempre algumas horas depois, ao meio, ao fim da tarde. E é fácil explicar isto, porque mesmo depois do sol atingir o ponto mais alto, o sólido continua a receber mais energia do que aquela que perde e continua a aquecer, e continua também a aquecer o ar que está por cima. Só mais tarde chega o momento em que a superfície deixa de acumular calor, e é nessa altura que a temperatura atinge o valor mais alto, quando já não há mais calor para receber. E podemos ter 30 graus ao meio-dia e depois chegar só aos 35, 36, às 16h ou 17h. Há um fenômeno semelhante ao longo das estações do ano. O dia mais longo do ano acontece em junho, mas a altura mais quente do verão costuma chegar semanas depois. Ou seja, quando o dia está mais quente, porque é o dia mais longo, não é o dia mais quente. Normalmente o sol chega depois. Na prática, a Terra e os oceanos precisam de tempo para acumular calor, é o chamado atraso térmico. Ajuda a explicar por que razão podemos chegar ao primeiro dia do outono, como acontece de madrugada. São 5 minutos, depois da 1h, estamos no outono, ainda com temperaturas próximas dos 40 graus em algumas regiões de Portugal. Portanto, o sol atinge primeiro o seu ponto mais alto, o termômetro responde mais tarde.

Está explicado. "Quente e Frio" com a Filomena Martins, para acompanhar todos os dias depois das 16h aqui na Rádio Observador, sempre disponível em podcast. Até amanhã.

Até amanhã.