A fabricante alemã de componentes para a indústria automóvel Schaeffler anunciou esta terça-feira o corte de 3.460 postos de trabalho na Europa, a maioria na Alemanha, e o encerramento de cinco unidades na Europa.
Na informação divulgada esta terça-feira, a empresa não faz qualquer referência à sua fábrica em Portugal (Caldas da Rainha), que emprega cerca de 500 pessoas.
No comunicado disponível no seu site, a empresa, que emprega 110 mil pessoas em todo o mundo, justifica o novo programa de redução de pessoal com a crise do setor automóvel, marcada pelo aumento da concorrência, desaceleração da procura por veículos a combustão e o atraso na transição para a mobilidade elétrica.
Os cortes atingirão 16 unidades na Europa e o plano agora anunciado inclui o encerramento de cinco instalações, quatro delas na Alemanha e uma na Bélgica.
Cerca de metade dos postos de trabalho a reduzir globalmente são na área de produção, 30% em investigação e desenvolvimento e 20% noutras áreas funcionais.
O corte de 2.660 postos de trabalho na Alemanha significa que, em relação ao quadro de pessoal principal — que contava com 31.957 pessoas no final de setembro —, cerca de 9% dos lugares serão eliminados até 2028.
Ao levar em conta as reduções de postos decorrentes de programas anteriores, bem como os 1.800 acordos de reforma parcial já assinados, esta percentagem sobe para cerca de 18%.
Os cortes de postos de trabalho, que visam principalmente ajustar o excesso de capacidade tanto na produção quanto em pesquisa e desenvolvimento, serão complementados por uma “contribuição solidária”, refere a empresa, exemplificando com medidas como a redução temporária e voluntária da remuneração, desde a direção executiva até todos os demais níveis hierárquicos.
Esta “contribuição solidária” tem como objetivo reduzir os custos por colaborador, diminuindo assim a necessidade de mais cortes de postos de trabalho e as despesas pontuais a eles associadas.
A empresa espera que a medida proporcione “um alívio imediato” à demonstração de resultados em 2027 e 2028.
“Sem essa contribuição solidária, os cortes de postos de trabalho seriam ainda mais expressivos”, acrescenta o comunicado.
Entre as unidades alemãs afetadas estão a de Dortmund, que atualmente emprega 430 pessoas, e a de Morbach, com 160 funcionários. Ambas pertencem à divisão de Powertrain & Chassis (Sistemas de Propulsão e Chassis) e fabricam produtos para motores de combustão interna.
Além disso, há planos para encerrar as operações na unidade de Berlim, que conta com cerca de 270 trabalhadores, e para fechar a unidade de Schwalbach. Espera-se que grande parte destes funcionários seja transferida para a unidade da Schaeffler em Frankfurt.
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Adicionalmente, foram definidos planos para descontinuar as operações de fabrico de ferramentas na unidade de Höchstadt e realizar ajustes no fabrico de máquinas especiais nas unidades de Erlangen e Schweinfurt. Estão previstos, ainda, ajustes de capacidade e estruturais em outras localidades na Alemanha.
Fora da Alemanha, as capacidades de produção e desenvolvimento nas unidades francesas de Haguenau e Toulouse, bem como nas de Skalica e Kysuce, na Eslováquia, também sofrerão ajustamentos.
A empresa espera que o programa previsto gere uma economia de aproximadamente 300 milhões de euros por ano até 2030 e estima que as despesas pontuais totalizem cerca de 480 milhões de euros. A maior parte desse montante deverá ser reconhecida como provisões para reestruturação já a partir de 2026.
A Schaeffler assegurou que “pelo menos uma parte dos cortes de empregos deverá ser compensada pela criação de vagas em novos setores de crescimento“.
Citado no comunicado, Jochen Schröder, do departamento responsável, entre outras áreas, pela produção, mencionou a “robótica humanoide” e a “defesa”.