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Nuno, novamente muito boa noite, bem-vindo para este relatório de jogo. Vitória do Benfica, 3x0, depois de ter jogado e também empatado com o Fenerbahçe, era um jogo de transição importante para o Benfica, perante uma equipa do Tondela também a atravessar um período complicado. Recordo, uma equipa que ainda não ganhou, sem marcar gols, sobretudo. Para este Benfica, a ideia que fica, e foi aquilo que falou também há pouco na Flash, o Bruno Lage, era começar a mandar cedo no jogo e resolver o mais rapidamente possível. E na realidade, foi isso que acabou por acontecer.
Sim, a história do jogo acabou por ser favorável ao Benfica. O Tondela não entrou mal, encarou o Benfica olhos nos olhos. Nesse aspecto, até o jogo de hoje acaba por ser um bom teste. Se o jogo de hoje fosse demasiado fácil para o Benfica, na minha opinião, isso até seria negativo na preparação do jogo que se segue. Mas o Benfica logo na primeira parte conseguiu ter um resultado que lhe deu conforto e demonstrou ser uma equipa que mesmo sem impressionar nos seus processos de construção e, de alguma forma, mostrando ainda séria dificuldade quando as equipes adversárias estão estruturadas no processo defensivo, conseguiu ser uma equipa competente. Os jogadores foram sérios, com exceção do Pavlidis, que teve aqui uma exibição mais infeliz, e do Obrador, que claramente ainda está a necessitar de ritmo, como disse o Bruno Lage. Todo o resto da equipa tiveram exibições, mesmo aqueles que não começaram assim tão bem, foi de menos para mais, foram jogadores competentes. Nota aqui, na minha opinião, dois jogadores. Djuric, que foi eleito pelo estádio como o homem do jogo. De facto, na lateral direita, que tem sido um problema grave para este Benfica ao longo das últimas épocas. Este Djuric, pelo menos no plano ofensivo, oferece muito mais do que aqueles que o antecederam.
A assistência para golo é brutal.
É muito boa. Ele viu o espaço, o espaço estava lá. De facto, esta equipa do Tondela sendo capaz de ferir o adversário, temos que ter em atenção que houve sete remates do Tondela à baliza do Benfica na primeira parte. Sendo capaz de ferir o adversário, depois tinha ali dificuldades ao nível do seu meio-campo na transição defensiva, e o Djuric queima ali, vai no um para um e, de facto, depois encontra ali uma linha de passe com uma excelente técnica de passe. Há visão de jogo, mas também há muita técnica e atenção quando isto é feito à velocidade que ele o fez, é de facto de assinalar. E também deixar aqui outra nota que já vem sendo habitual. De facto, o Fredrik Aursnes, e consegue-se perceber esta utilização do Fredrik num 4-4-2 a jogar mais sobre a direita, porque ele é capaz de fazer tudo. Portanto, ele faz as tais variações pro interior de que falou o Bruno Lage, mas depois também é capaz de fazer um pique aos 90+6 para aquela pré-assistência do gol do Presteani. Outra nota bastante positiva, a entrada do Presteani, a entrada do Dalot. Os dois laterais deste Benfica e que vão jogar, certamente, contra o Fenerbahçe é o Dalot e o Djuric. Houve aqui uma rotação de laterais, para não causar sobrecarga física sobre qualquer um dos laterais que vão ser titulares, mas que entrou muito bem o Dalot e o Presteani, então, entrou belíssimamente bem. E este menino de 19 anos tem essa qualidade e pelos vistos, também tem esta vontade de poder vir a ser figura no Benfica e poderá ser exatamente aquele disruptor que hoje, na minha opinião, Scheldrup não conseguiu ser, muito também por mérito do defesa direito do Tondela. Mas acima de tudo, dizer que foi uma exibição competente da parte do Benfica, num plano de jogo que não será o plano de jogo do próximo jogo do Benfica contra o Fenerbahçe, mas que permitiu dar confiança. Dou mais uma nota também, Tiago Araújo. Bem, na minha opinião, não demonstrou grande déficit físico contra uma linha avançada do Tondela que era bastante exigente nesse plano. Jogadores jovens, bastante rápidos e poderosos. Não teve erros para assinalar. Portanto, temos aqui claramente um competidor, na minha opinião, em igualdade de circunstâncias com o António Silva. António Silva, que será certamente titular, mas é uma boa notícia para o Benfica, o facto destas opções vindas do banco ou dos jogadores que não costumam ser titulares, terem estado em tão bom plano.
Para fechar o relatório de jogo, o melhor e o pior. Para ti, o melhor.
Para mim, o melhor acabou por ser exatamente o Aursnes. De facto, como disse durante o jogo, muitas vezes há coisas que não são tão evidentes e os movimentos do Aursnes sem bola são fabulosos, as compensações, está sempre onde é preciso. E depois, essa disponibilidade também no plano físico, mas muita inteligência de saber correr, e correr muito, quando é preciso.
E o pior?
O pior acabou por ser, na minha opinião, a exibição do Pavlidis. O Pavlidis teve ali pelo menos duas situações de gol que noutras circunstâncias ele teria finalizado. Não sei até que ponto é que a química entre ele e o Ivanovic está assim tão acertada. Há muitos pontas de lança que preferem jogar sozinhos na frente do que ter ali um competidor pelos passos.
E até pode atrapalhar.
Sim, e neste caso, não digo que atrapalhe, mas claramente nota-se que muitas vezes estão os dois a fazer a mesma função. E que o Pavlidis, não digo que fique tímido nos seus movimentos, mas acaba por se restringir a uma determinada área do ataque, à grande área adversária, e não vemos aquele Pavlidis que vimos muitas vezes na época passada, mais solto e a aparecer sobre os flancos e a ir buscar jogo. Portanto, temos um Pavlidis um pouco menos produtivo neste sistema tático, na minha opinião, daquele que tínhamos quando era ele a referência de ataque.
Relatório de jogo entregue, Nuno Félix. Fica disponível também através de podcast da Rádio Observador.