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Começa aqui mais um relatório de jogo da Rádio Observador. Vamos analisar o duelo entre Futebol Clube de Alverca e Futebol Clube do Porto, jogo a contar para a jornada 15 da Primeira Liga Portuguesa de Futebol e que teve vitória dos Dragões por três bolas a zero. Conosco hoje temos o Ricardo Quinteiro, vai analisar esta partida entre ribatejanos e também Futebol Clube do Porto. Ricardo, bem-vindo.

Obrigado, Diogo. É um prazer enorme estar aqui.

Vamos partir este jogo nas duas partes, ou seja, os primeiros 45 minutos e depois os restantes 45, até porque pareceu-me que o jogo teve, de facto, alguma nuance da primeira para a segunda parte. Uma primeira parte em que, mesmo até nível estatístico, tivemos muito poucas faltas. Por exemplo, o Alverca só faz uma falta, o Futebol Clube do Porto faz seis, um total de sete faltas numa primeira parte e a equipa portista, embora tenha ido a vencer por 1 x 0, não teve qualquer canto a favor. O Alverca teve dois, o Porto teve zero. Como é que tu analizas, Ricardo Quinteiro, esses primeiros 45 minutos, até tendo em conta esta estatística algo estranha?

Sim, as estatísticas são absolutamente reveladoras daquilo que se passou dentro de campo e até a talhe de foice, como tu referiste a questão dos cantos. É bom lembrar que o Porto, estranhamente, só teve um canto no decurso dos 90 minutos. E uma curiosidade é que nos 24 jogos até agora, 25 com este, o Porto já tinha 12 gols de canto, menos um que nas duas temporadas anteriores juntas. Portanto, isto é revelador da importância que também têm os cantos para a equipa de Farioli. Mas indo ao jogo, a primeira parte, há uma supremacia do Porto logo inicial, um pressing de cerca de cinco minutos. Cinco, 10. Uma oportunidade, recordo, de Rodrigo Mora, que podia antever um jogo onde o Porto iria ser pressionante do início ao fim ou pelo menos durante mais algum tempo. Mas o que é certo é que a partir do minuto 10, 12, a equipa algo que amoleceu um pouco, pegando nas palavras do Luís ao longo do relato, entrou ali num certo ramram e adormeceu-se. Mas o que é certo é que aos 26 minutos faz o gol pelo Borja Sainz, é anulado, mas aquilo foi um ensaio do que viria a passar dois, três minutos depois, uma assistência absolutamente inacreditável de Rodrigo Mora. Eu disse isso no relato, porque me faz lembrar muitas vezes João Vieira Pinto.

É uma bola com olhos.

É uma bola absolutamente com olhos fantásticos. Dos bons exemplos que temos no futebol português. E depois o Porto chega com naturalidade ao intervalo a vencer. Uma nota também de fair play para a equipa do Porto, que exibiu uma camisa de Vasco Sousa quando festejava o primeiro gol. Vasco que se lesionou com gravidade, que já não é jogador do Porto, mas formado nos Dragões.

Está agora no Moreirense e foi operado. Uma fratura muito grave.

É a segunda lesão grave num curto espaço de um par de épocas, portanto é sempre de lamentar. E terminando a análise da primeira parte, uma grande oportunidade e única no jogo todo, pelo menos que eu me recorde, de Marega e depois há a recarga também. Recarga, entre aspas, num segundo momento, mas logo de seguida de Figueiredo. Uma excelente chance de Diego Costa.

Notaste alguma apatia na equipa do Custódio, do Alverca? Ou não?

Sim, eu acho que esta equipa do Alverca, que é uma das boas equipas, é muito positivo este percurso do Alverca. São duas subidas consecutivas, muito jovens, mas também essa imaturidade vê-se nestes momentos. Pegando uma expressão muito portuguesa, falta-lhe alguma rataisse nalguns momentos e portanto isso paga-se caro normalmente quando se joga.

Aliás, é uma equipa, como nós dissemos agora no início do programa, que na primeira parte tem uma falta cometida.

Exatamente.

Em 45 minutos.

Isso é revelador de uma equipa que é passiva em muitos momentos e para se ganhar, eu não estou a apelar ao futebol menos positivo, mas para contrariar uma equipa desta dimensão e que vai com esta avalanche competitiva, falta essa matreirice de condicionar o jogo também, muitas vezes pela falta, que faz parte do jogo.

Depois nos segundos 45 minutos e o Francesco Farioli até mexeu logo a saída do Alberto Costa pra entrada do Francisco Moura. Tivemos uma segunda parte diferente da primeira, essa tal primeira parte se calhar um pouco mais morna. Uma segunda parte em que o Futebol Clube do Porto acaba por fazer o segundo e o terceiro, com que vence. Também de que forma é que analizas essa mudança da primeira para a segunda parte?

Eu penso que a mudança da primeira para a segunda parte não foi como do dia pra noite.

Sim, não foi imediata, exatamente.

E o jogo não se tornou propriamente eletrizante. Acho que aumentou-se um bocadinho de ritmo, o Porto queria, e bem, resolver o jogo rapidamente. Trocou os laterais, o Alberto pelo Francisco e depois o Martim passa pra direita, o Pepe com o William, o Gabri Veiga pelo Mora, também dá alguma frescura. E depois, com naturalidade, aos 56 minutos acaba por chegar ao gol através de Varela, na recarga do remate de Pepe. Varela muito bem, a confirmar aquilo que tem sido a sua época. Nós falámos no relato que ele não marcava há duas épocas, ele não marcava desde 28. Eu depois fui confirmar, desde o dia 28 de janeiro de 2024, portanto, quase há 23 meses, imenso tempo.

Ele tem essa celebração curiosa.

De quase que a libertar de uma maldição. Mesmo depois quando sai, não sei se reparaste, o cumprimento com Farioli também muito especial, ou seja, um momento importante para o argentino.

Sem dúvida.

E depois uma segunda parte que fica marcada A uma grande bola do William Gomes, à barra, essa sim um pouquinho amaldiçoada, parecia. Mas fica marcada, sem dúvida, pelo golo da jornada e será certamente um dos gols do campeonato.

Da noite é garantido, sim.

Isso certamente.

O golo do Borja.

O golo do Borja Sá ao minuto 69, onde a coruja faz o ninho, acaba por sentenciar o jogo e dar a vitória ao Futebol Clube do Porto. Não sei se queres passar já para o topo e fundo.

Sim, podemos ir avançando neste relatório de jogo para o melhor e para o pior. Vamos começar pelo negativo. Ricardo Quinteiro, quem para ti ou o que é que foi o pior deste jogo?

É mais o que. E é algo que a liga deve atentar.

Ok, já sei o que vais dizer.

A meu ver, desde logo que é o relvado.

O relvado, sem dúvida.

O futebol fica muito prejudicado, jogadores altamente virtuosos como o Gabri Veiga ou o Rodrigo Moro, ou até mesmo o Amorim, no caso do Alverca, ficam muito prejudicados. E depois era o que o Pedro Henriques referia na emissão. A suscetibilidade para a lesão aumenta drasticamente. E nós não nos podemos dar ao luxo de que os jogadores se lesionem, já bem basta as contingências que um jogo de futebol está sujeito. Se nós não pudermos antecipar através do relvado, não andamos a proteger os jogadores. Eu acho que isso é a minha nota mais negativa naquilo que foi um jogo repleto de fair play, que até acabou com todo o estádio quase em uníssono, pelo menos deu uma sensação a desejar um bom Natal a toda a gente.

Sim, confirmo. Eu estava no estádio e confirmo que, de facto, houve esse momento bonito entre os adeptos do Alverca e a equipa do Futebol Clube do Porto, os adeptos portistas também.

Rapidamente os adeptos do Porto começaram a pedir o título também e percebe-se que o façam porque estão lançados para isso.

Sim, tu próprio disseste, é uma época record para a equipa azul e branca em termos de vitórias.

E ampliou agora o recorde.

E ampliou ainda mais o recorde. Fechamos o programa depois do pior, com o melhor. Quem ou o quê, para ti, Ricardo Quinteiro, foi o melhor desta partida?

Eu acho que quando temos um jogador a fazer um gol deste efeito, a visar ainda por cima, e depois por 47 centímetros não fez o hat-trick, eu penso que foram 47, Borja Sá é sem dúvida a minha nota mais positiva deste encontro e a confirmar aquilo que está a ser uma época fantástica para o jogador, a afirmar-se ainda mais no futebol europeu, e acho que entra muito na ideia de Farioli. Eu estava a pensar nisso há bocado, que era o seguinte: quando Mourinho chegou ao Benfica, pediu à equipa para morder mais, disse que era preciso isso. E eu acho que esta equipa de Farioli morde muito, e Borja é um deles. Borja é sem dúvida um deles e é por isso que os resultados estão à vista.

À vista, claro. Muito bem, está entregue o relatório de jogo. Hoje com o Ricardo Quinteiro aqui também a analisar esse duelo entre o Alverca e o Futebol Clube do Porto, da jornada 15, que terminou com vitória portista por três bolas a zero. Ricardo Quinteiro, obrigado. Um abraço.

Obrigado, Diogo. Feliz Natal para todos e obrigado pelo convite.