Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Na Rádio Observador. Começa agora o Jornal das 6, com edição de Miguel Pina Andrade. Miguel, o presidente do Chega apela aos manifestantes que hoje saíram às ruas do Porto e de Lisboa para não transferirem a indignação para a polícia.
André Ventura diz para as pessoas não culparem as forças de segurança por um problema criado pelo Partido Socialista e pelo Partido Social-Democrata.
Não transfiram a vossa indignação para os polícias. A incompetência do que temos tido na habitação é do PS e do PSD. Não é dos polícias que ali estão, nem da Justiça, nem de outros. É do PS e do PSD. Ver alguns a fingir que não tiveram nada a ver com isto e agora a dizer que só querem deixar tudo igual, é uma grande hipocrisia.
André Ventura culpa o PS pela crise da habitação, mas vai mais longe. O líder do Chega refere mesmo que o Partido Socialista destrói o país sempre que governa.
Na habitação, o PS também não quer resolver o problema que ele próprio deixou e criou, e quer que seja o Chega a resolver. Eu só acho isto um pouco injusto. Eu disse no Parlamento, tudo indica, segundo todos os números que conhecemos, que as próximas eleições serão entre o Chega e o Partido Socialista. E eu respeito isso, mas eu não quero deixar de mostrar a minha estupefação perante um partido que destrói sempre o país e deixa o pior sempre que governa, mas nunca assume as responsabilidades daquilo que fez.
André Ventura, em declarações aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa.
Declarações do líder do Chega no dia em que o partido elege o novo presidente.
E André Ventura é o único candidato das eleições diretas que decorrem até às 19h. Ontem, o presidente do Chega divulgou a moção estratégica para um novo mandato de três anos, na qual traça o objetivo fundamental de chegar a primeiro-ministro. Numa altura em que as eleições para os delegados à sétima convenção do Chega estão a decorrer por todo o país. Em Lisboa, há uma decisão polêmica. A lista encabeçada por Bruno Mascarenhas, que tinha sido rejeitada pela Mesa Distrital de Lisboa, com o conhecimento por alegadas irregularidades, foi aceite à última hora, a menos de 24 horas das eleições, numa decisão do Conselho de Jurisdição, que deu entrada no final desta sexta-feira.
E Miguel, milhares de pessoas estão nas ruas de Lisboa e do Porto em manifestações pela habitação.
Em Lisboa, a marcha arrancou do Largo de Camões em direção ao Rossio. No encalço dos manifestantes, tem estado o jornalista do Observador, Martim Madeira, que se junta agora em direto neste jornal. Martim, já consegues ver o Rossio?
Quase a ver o Rossio. Acabamos de passar a zona dos Armazéns do Chiado, viramos à esquerda, estamos agora a descer diretamente e a manifestação está a descer para a zona do Rossio. Há pouco passamos na Rua Garrett, essa rua que também dá acesso aos Armazéns do Chiado, e uma rua onde se fez, ou pelo menos tentou-se fazer, um minuto de silêncio, isto devido a Alcindo Monteiro, um jovem de 27 anos que faleceu nesta rua, foi assassinado nesta rua em 1995 por neonazis num crime de ódio racial. E, portanto, o Movimento da Acampada de Lisboa pediu um minuto de silêncio por Alcindo Monteiro e também se ouviram vários cânticos.
Alcindo, presente! Hoje e sempre. Alcindo, presente! Hoje e sempre. Alcindo, presente! Hoje e sempre. Alcindo, presente! Hoje e sempre. Alcindo, presente! Hoje e sempre. Alcindo, presente! Hoje e sempre.
Aqui nos cânticos a ouvir-se: "Alcindo, presente! Hoje e sempre", aqui o Movimento da Acampada a relembrar o jovem Alcindo Monteiro, que foi assassinado nesta rua, na Rua Garrett, em 1995, devido a um grupo de neonazis. Também, depois desta intervenção, o Movimento da Acampada começou com outros cânticos, neste caso direcionados ao que consideram ser os fascistas e os racistas.
Racistas, chegou a vossa hora! E vocês vão embora! Racistas, fascistas, as imigrantes ficam e vocês vão embora! Racistas, chegou a vossa hora, as imigrantes ficam e vocês...
Um momento dedicado exclusivamente a esta mensagem, de que são todos antifascistas e de que estão em solidariedade e a homenagear Alcindo Monteiro, esse jovem que faleceu em 1995. De resto, Miguel, já estão a descer para o Rossio, apenas dar também a nota de que estão aqui oficiais da Provedoria de Justiça com coletes laranjas, estão aqui para garantir que a polícia A reportagem do jornalista da Rádio Observador, Martim Madeira, que nas últimas horas tem estado a acompanhar este protesto, que já está a chegar ao Rossio. O Movimento Acampada diz que o objetivo é voltar a erguer tendas na praça, mas a PSP já avisou que a tolerância para novos acampamentos vai ser zero. Rumamos agora para a cidade do Porto, onde já são milhares as pessoas que se vão juntando na Praça Dom João I. Contamos com, neste jornal, a presença do jornalista Miguel Pinheiro Correia. Apesar de ainda não terem chegado todos, Miguel, já várias milhares de pessoas começam a encher esta praça que tem sido palco das acampadas na cidade Invicta.
Por esta hora, Miguel, já estão quase todos os que participaram nessa marcha que começou na Praça da Batalha, aqui na Praça Dom João I, que já está cheia, está completa e com muitas pessoas a assistir, a partir das ruas adjacentes à Praça Dom João I, a esta mobilização. Para já, não se veem tendas na Praça Dom João I, esse que tem sido o símbolo maior desse protesto que tem decorrido ao longo das últimas semanas na Praça Dom João I, mas é certo que já estão aqui poucas milhares de pessoas. Provavelmente, ou em comparação com as pessoas que vimos na última semana, serão menos do que nesse protesto que também decorreu no fim de semana, que tem sido habitual também ao fim de semana conseguirem mobilizar mais pessoas para esta praça, mas mesmo assim, uma praça bem composta e entre a multidão, há pouco, vimos José Manuel Pureza, o líder do Bloco de Esquerda, que falou ao Observador e explicou que esta mobilização é muito importante e que, mais do que isso, poderá ter impacto, como aliás, já se viu junto dos partidos de direita em ocasiões anteriores.
Eu creio que já se verificou que partidos de direita, como a Iniciativa Liberal ou o Chega, diante da grandeza, da força das manifestações, começaram a dar cambalhotas. Isso não nos surpreende, foi sempre a sua estratégia. Mas, neste caso, eu acho que há todas as condições para que uma mobilização que continue forte venha a ter resultados, venha a ter impacto no Parlamento.
Aqui a mensagem de José Manuel Pureza, que esteve desde o início a acompanhar esta mobilização, esta marcha que começou na Praça da Batalha, que foi chegando nos últimos minutos à Praça Dom João I, e que as críticas de José Manuel Pureza também se fixaram em Pedro Duarte, lembrando também, e ainda há pouco ouvíamos gritos dirigidos a Pedro Duarte, a dizer: "Pedro Duarte, atenção, a tua casa vai virar ocupação", que tem sido um grito habitual nos últimos dias de protesto. E José Manuel Pureza lembrou aqui que Pedro Duarte, desde o início destes protestos, que lidou mal com esta mobilização.
Pedro Duarte começou da pior maneira, como bem sabemos, atirando a polícia contra manifestantes pacíficos, dizendo que seria implacável. E isso fica-lhe colado à pele, do ponto de vista político, entenda-se. Portanto, não creio que haja nenhuma condição de haver um acordo. Agora, pode haver conversas, claro que sim, não há nenhum mal nisso, desde que haja duas coisas. Primeiro, que Pedro Duarte fale de habitação e diga ao que vem. Segundo, que respeite o Estado de direito democrático e, portanto, não ponha em causa as manifestações pacíficas das pessoas.
Aqui José Manuel Pureza a lembrar que não acredita que haverá nenhum acordo entre manifestantes e Pedro Duarte, sendo que o presidente da Câmara já frisou que se quer reunir ou quer reunir-se com os manifestantes, mas não tenciona negociar o que quer que seja, vai apenas ouvir as reivindicações. Tem havido aqui um impasse, os manifestantes ontem falaram da hipótese de reunirem com o presidente da Câmara no Teatro Rivoli, aqui junto à Praça Dom João I, para assim conseguirem ser mais do que, eventualmente, num encontro sugerido por Pedro Duarte na Câmara Municipal. É este o impasse que ainda dura. A verdade é que enquanto há esse braço de ferro, os manifestantes continuam a vir aqui à praça, como se vê hoje. Não há ainda certeza sobre se vão voltar a montar tendas, mas os manifestantes que têm falado com o Observador dizem que hoje, com esta mobilização, é o dia certo para voltar a fazê-lo e prometem oferecer resistência à polícia. É isso que vamos acompanhar ao longo desta noite.
A reportagem do jornalista Miguel Pinheiro Correia, a partir da cidade do Porto, num fim de semana que está a ser marcado por protestos em várias cidades da Europa. Em França, o clima está tenso e já houve confrontos entre os manifestantes e a polícia. Notícias que vamos desenvolver nos próximos espaços informativos.
E é assim que fechamos o jornal das 18h, edição do jornalista Miguel Pina Andrade. Eu sou Rita Camarneiro e estou de saída por agora. Miguel, tu também.
Ainda faço a síntese.
Ainda faz a síntese das 18h30. Então até amanhã.
Até amanhã.