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Abre agora este relatório de jogo, mais um a olhar para a vitória do Futebol Clube do Porto frente à equipe do Paços de Ferreira e como é óbvio, para isso temos o comentário do treinador Carlos Alberto Inês, que se junta agora a nós. Boa noite, Carlos.
Olá, boa noite, André.
Carlos, vitória do Futebol Clube do Porto a surgir tal como o Sporting ontem nos últimos minutos, mais ou menos por volta da mesma altura, perto do minuto 80, com dois gols de rajada, dois gols em dois minutos, primeiro por Pepe, depois por Sérgio Oliveira, aos 77 e aos 78. Pergunto, Carlos, primeiro de tudo, tendo em conta estes gols tardios, se foi uma vitória justa da equipe do Futebol Clube do Porto.
André, eu antes de falar do Porto, gostaria, porque acho que é importante, darmos os parabéns aos heróis do mar.
Exatamente. Grande vitória de handebol. Aposto que era disso que vai falar.
Grande vitória do handball português e acho que é um momento histórico do desporto português e nomeadamente do handebol, e acho que é importante registrar isso.
É justíssimo e ouvimos há pouco aqui no Jornal das 10 um excerto do relato da RTP 2 que estava a transmitir o jogo e é absolutamente arrepiante.
Um final de jogo fantástico.
Exatamente.
E feliz para nós, felizmente.
Exatamente. Com o gol no último segundo e ainda mais tendo em conta o contexto, depois da perda do Alfredo Quintana. Fica essa homenagem. Muito bem lembrada, Carlos. Olhando agora sim para o jogo. E Carlos, vou ter de o interromper, porque nesta altura fala Sérgio Conceição. Portanto, já vamos a essa análise do jogo. Vamos ouvir muito rapidamente o treinador do Futebol Clube do Porto.
Mesmo com o 0 x 0 tirou um dos avançados, o Marega, também tirou o lateral-direito, Wilson Manna. Lançou o Luís Dias e o Francisco Conceição. Qual foi a sua ideia nessa fase?
A minha ideia era dar coisas diferentes ao jogo. Muitas vezes não é por ter mais gente na frente ou falar de avançados, se consegue chegar com mais perigo à baliza. Penso que o Otávio por dentro, tendo um avançado de referência na frente, tendo o Francisco com o Corona num lado, mas sempre com apoio por dentro do Otávio, conseguiam se quer desbloquear uma união defensiva, um processo defensivo bem organizado a parte do Passos e baixo no campo. Era preciso dar outras coisas ao jogo. Foi isso que eu procurei com o Luís Dias e com o Francisco, para chegarmos de outra forma e para criar diferentes problemas à equipe do Passos.
Analisando, só para fecharmos a situação do campeonato, as jornadas vão passando, o Sporting não desarma, seja como for, com 10 pontos de atraso, continua a acreditar na possibilidade do Futebol Clube do Porto voltar a ser campeão nacional? Continua tendo luta até o fim.
Faltam 33 pontos. Nós estamos aqui a representar um clube grandioso como o Futebol Clube do Porto. Enquanto matematicamente for possível, nós acreditamos e estamos a lutar jogo a jogo, final a final, e depois no final do campeonato, faz-se umas contas e veremos quem será o campeão.
Muito obrigado, Sérgio.
Sérgio Conceição, em direto na flash interview da Sport TV e Carlos Alberto Inês começou precisamente com a pergunta que ia fazer, Sérgio Conceição, a começar aqui, pelo menos as declarações que ouvimos, a começar logo por dizer que era uma vitória justa. Concorda com o treinador do Futebol Clube do Porto?
Sim, concordo. Penso que o Porto foi sempre uma equipe mais forte, de fato, mas o Passos fez um bom jogo, aquilo que se esperaria. Tentou jogar o jogo pelo jogo, claro que nem sempre foi possível, mas mostrou que tem qualidade, tem personalidade e que tenta sempre jogar. Teve dificuldade, de fato, em chegar ao último terço do campo, de forma geral, e aí faltou, digamos que um pouco o engenho, a arte, o talento para poder criar mais perigo. Mas em termos de organização, em termos de qualidade, muito bem o Passos. O Porto foi mais forte, naturalmente, teve mais oportunidades, mas diga-se que aos 62 minutos Marchesín foi decisivo. Um cabeceamento do Marcelo e parece-me que foi muito importante, até talvez o momento do jogo, porque só depois é que o Porto consegue, realmente, através de um canto, o gol do Pepe e depois, de meia distância, o Sérgio consegue o segundo gol. Mas o Porto foi mais forte. Claro que foi mais forte.
Carlos, nesta partida fica também aqui o fato curioso de que a partir do momento em que Francisco Conceição entra em campo, o Futebol Clube do Porto consegue desde logo aproximar-se mais da área, marca dois gols, seis minutos depois de Francisco Conceição entrar. Obviamente que há muitas outras coisas a acontecer no jogo durante esse tempo, mas pergunto se novamente se vê com as entradas de Francisco Conceição, também de Luís Dias, se vê desde logo as alterações no rendimento do Futebol Clube do Porto e se, na sua opinião, não mereciam já estes dois jogadores uma chamada ao 11 titular da equipe de Sérgio Conceição.
Luís Dias, por vezes, tem sido titular e tem sido um jogador muito importante esta época no Porto, porque é um jogador realmente forte, rápido, que tem grande qualidade e que acrescenta valor, naturalmente. O Francisco, claro que é um jogador ainda júnior e que tem tido alguns minutos, terá mais, é irreverente e isso é muito importante no jogo e no futebol, a irreverência e a qualidade. Acrescenta valor, naturalmente. E mudar o jogo um pouco, porque realmente o Sérgio disse um pouco isso. Não é por ter muitos jogadores na frente de ataque que às vezes se conseguem os melhores resultados. E o que é facto é que em função de que o jogo não estava fácil, de o Porto conseguir situações de claro perigo e de chegar ao último terço e concretizar. E as ações individuais, naturalmente, ajudam isto. Elas ajudam um pouco quando as coisas estão mais difíceis. E foi um pouco por aí. A entrada do Luis Díaz e do Francisco acho que mudou um pouco e o recuo do Corona também ajuda, porque ele é muito ofensivo, naturalmente, e isso também sempre ajuda.
Carlos, nesta partida houve, diria, duas partes distintas, pelo menos a primeira parte, com mais Porto e com a equipa do Futebol Clube do Porto sem conseguir materializar isso. Na segunda parte, o Paços Ferreira, mesmo assim, conseguiu ainda causar alguns calafrios à baliza de Marchesín. Pergunto o que mudou hoje também naquilo que é a equipa do Paços Ferreira, que tem sido a sensação do campeonato. Fez uma exibição agora recentemente em Alvalade, um pouco aquém. Sentiu também isso hoje, que a equipa do Paços poderia ter dado um pouco mais, tendo em conta aquilo que tem feito esta época?
Talvez um pouco mais, mas nem sempre é fácil, porque realmente o Porto tem sempre uma capacidade de pressão muito forte e nem sempre é fácil conseguir sair a jogar. Muitas vezes o Paços, pelo menos algumas, conseguiu, teve esse discernimento, conseguiu tirar a bola da zona de pressão e sair para o meio-campo contrário. Só que o Porto realmente também defendeu bem, teve essa capacidade de se reagrupar com facilidade. Também teve mérito o Porto, porque não deixou muito o Paços se aproximar da área do Futebol Clube do Porto, e isso foi também decisivo, a forma como o Porto fez as recuperações defensivas. E esteve bem, porque o quarteto defensivo do Porto é muito forte em termos físicos e Uribe ajuda muito, também no processo. O Sérgio, todos os jogadores que ajudam bastante e isso dificulta muito, pois como eu disse há pouco, faltou um pouco o talento na zona de decisão ao Paços para poder criar mais situações de perigo.
Carlos, antes de olharmos para o melhor e o pior, sei que é sempre uma pergunta difícil olhar para individualidades, mas não consigo escapar a não perguntar sobre o Pepe. Trinta e oito anos, fez um jogaço frente à Juventus. Não foi considerado na altura o homem do jogo para a UEFA, mas foi amplamente elogiado. Hoje, novamente, volta a marcar. Também Sérgio Oliveira volta a marcar, mas queria focar-me aqui em Pepe. Com 38 anos e até com um penso ainda ali no sobrolho, ainda com o sobrolho cosido. O que há mais a dizer sobre o Pepe na carreira que o Carlos Albertinis tem, também na experiência a ver futebol já de tantos anos. Lembra-se de tantos jogadores que com esta idade conseguissem fazer aquilo que Pepe ainda faz?
É difícil. Eu penso que é um exemplo, de facto, nesse aspeto do profissionalismo, da entrega, da paixão, porque isso é muito importante, a paixão pelo jogo. Obviamente, a determinação e a capacidade profissional são determinantes. Depois o talento também é decisivo. Mas realmente, a atitude, o caráter e o profissionalismo são decisivos em tudo isso. E não é fácil com a idade que o Pepe tem, jogar a este nível e conseguir ser dos melhores muitas vezes dentro de campo. E isso realmente não é fácil para qualquer um.
E hoje relançou esta vitória do Futebol Clube do Porto, marcou ao minuto 77, abriu o jogo, abriu o marcador e aos 78 minutos, Sérgio Oliveira, a seguir as pisadas do capitão azul e branco. Carlos Albertinis, vamos olhar então para o melhor e para o pior desta partida. Começamos pelo lado positivo das coisas. Começamos pelo melhor deste Porto Paços Ferreira.
Não posso fugir muito, porque o jogo foi competitivo, foi bom, mas em termos individuais, temos que destacar o Pepe, por aquilo que também já falámos, mas não gostava de também deixar de referir que o Marchesín foi decisivo, apesar de ter praticamente feito em exclusivo uma defesa difícil. E depois falar um pouco também do Zaidu, porque realmente é um homem que jogava há dois anos a um nível competitivo relativamente pouco exigente e hoje em dia realmente é um jogador que faz um vai e vem inacreditável. Acabou aos 90 minutos a fazer picos pelo corredor esquerdo e, de facto, é de realçar também.
Foi um achado para o Futebol Clube do Porto. Veio do Santa Clara, passou pelo Mirandela antes e este ano, convém relembrar, já foi nomeado pela UEFA para o 11 Revelação da fase de grupos da Liga dos Campeões. É obra para Zaidu. Do sentido contrário, Carlos, o pior desta partida entre Futebol Clube do Porto e Paços Ferreira.
Infelicidade do Jordi naquele remate do Sérgio, porque penso que perdeu um pouco a noção da baliza e não teve a capacidade de defender, porque a bola sai praticamente à figura e deixou a bola entrar. Teve uma infelicidade, um bom guarda-redes, mas talvez o pior do jogo.
Tem sido também um dos guarda-redes revelação deste campeonato. Carlos Albertinis, estamos de volta para a semana, se não estou em erro, na próxima jornada do campeonato, antes de fazermos a pausa para as seleções. Voltamos então para a semana. Este fim de semana fechamos este relatório do jogo com esta vitória do Futebol Clube do Porto frente ao Paços Ferreira por 2x0. Boa noite, Carlos. Obrigado.
Boa noite. Um abraço.
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