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Luís, muito bem-vindo. Fica disponível através do podcast da Rádio Observador este relatório de jogo. Em relação à partida, o resultado é esclarecedor, uma grande goleada do Sporting, 5 x 1. A começar exatamente pela questão de Rui Borges. Realmente tinha prometido uma equipa nova. Deixa de fora, não só de fora mesmo da convocatória, aqueles que tinham atuado no último jogo no campeonato. Esta malta jovem deu uma grande resposta.
Sim, e eu acho que é preciso primeiro enaltecer a coragem do treinador.
Podia ter corrido mal e a equipe B que está no banco é só juventude.
Exatamente. Não é inédito, ou pelo menos não é nada do outro mundo, que se aposte numa formação alternativa, mas os treinadores normalmente guardam ali umas cartas na manga e desta vez o Rui Borges disse que não, nem sequer colocou a hipótese e expliquei muito bem que foram 48 horas de diferença entre os jogos, isso poderia potenciar alguma lesão, mas não deixa de ser uma jogada arriscada não ter alguns dos consagrados. Estavam ali todos naquele bocadinho de bancada que às vezes apareciam na transmissão televisiva. Aquilo devia estar mais guardado que um cofre-forte, porque está ali muito ouro.
Está ali muito dinheirinho.
Exato. Mas a verdade é que o risco assumido pelo Rui Borges acabou por compensar. E de que maneira. Porque isto não é só ganhar este jogo, é ganhar jogadores, é dar-lhes mais confiança, não só aos que normalmente não são titulares e que aqui tiveram um jogo sereno, sólido e bem conseguido, como principalmente àqueles jovens, como o Salvador Belopa, por exemplo, que se estreiam na equipa principal. E essa foi uma estreia de sonho. Portanto, foi lucro por tudo quanto é sítio. O Sporting cumpre aqui um calendário particularmente difícil, com um jogo 50 horas depois de outro que disputou, e cumpre-o com uma goleada. Não se limita a serviços mínimos, a ganhar sem grande brilho e a malta vai pra casa e diz: "Pronto, também não dava pra mais". Não, ganhou o jogo de forma limpa e muito esclarecedora, com boas exibições individuais e com uma noção de que esta equipa, apesar de poder não ter todos os automatismos bem firmados, e não podia, porque estes 11 jogadores nunca jogaram juntos no mesmo 11, com base no processo e nos métodos assimilados, acabou por render de forma positiva. Acho que o jogo não deslumbrou, como é evidente. Nem podia, mas é um jogo bem conseguido pelo Sporting, com muita gente que nunca tinha jogado junto.
O Sporting ganha, de facto, por 5 x 1. Há aqui algumas figuras que são importantes dizer, desde logo este miúdo de 18 anos que acaba por ser a grande revelação, porque acredito que grande parte, até adeptos do Sporting, não conheceriam o Salvador Belopa. Em relação ainda ao jogo, há realmente também pouca Alverca. O Alverca também, e o Custódio, tivemos a oportunidade de o ouvir há pouco na Flash, também reconhece. Há lesões, há um plantel mais curto, no sentido dos jogadores que podiam dar alguma força.
Da densidade, da qualidade.
Da qualidade, porque ter 30 jogadores, também já aqui falaste isso, tu e o João, às vezes nem é bom.
Não é bom. Aliás, a maior parte dos treinadores preferem entre 23 e os 28. 28 já é muito. 23, 25 jogadores.
Depende do contexto. Um plantel como o Sporting ou a equipa grande tem, obviamente, competições europeias, ainda se pode justificar. Agora, o Alverca, não.
Mas às vezes também funciona o outro lado. Uma equipa como o Sporting, que tem uma equipa B, não precisa ter 28.
Uma fonte de alimentação. É claro.
E acaba por ser até bastante mais econômico. Vamos ao lado mais racional e mais material da coisa. Eu acho que este Alverca foi de menos, de facto. Uma equipa que rendeu muito pouco. Na primeira parte, mal reagiu ao gol. Na segunda parte, teve um pouco mais de bola, mas acho que o Sporting também deixou. Eu olhando aqui pras estatísticas de jogo, o Alverca teve 34% de bola na primeira parte e acabou o jogo com 41. Quer dizer que na segunda recuperou bastante. Uma equipa que tinha rematado apenas uma vez acaba por terminar com quatro remates. Portanto, na segunda parte houve um pouco mais de Alverca e o jogo foi mais dividido. Mas a nota que realçamos durante o jogo é aquela que eu gostava de deixar aqui. Enquanto o Sporting faz entrar três jogadores de 20 anos, um de 18 e um de 17, e atenção este Grônbae, que ainda vai dar muito que falar, o Alverca fez entrar um jogador que já tinha feito nove jogos esta época, três com 10 e um com 11. Ora, no 11 inicial, só o capitão de equipa, o Naves, tinha nove jogos. Portanto, os cinco jogadores que entraram são realmente mais titulares do que aqueles que hoje entraram no 11 inicial. Custódio não só tinha alguns lesionados, não só tinha algumas limitações físicas para gerir, como também me parece que a certa altura achou que o melhor era apostar no campeonato e deixar a Taça da Liga pra outras nupcias. Podia ter corrido bem, tal como ao Sporting podia ter corrido mal, mas as condições à partida são de um Alverca que também apareceu neste jogo com pouca ambição. Não veio atrás da hipótese única de jogar contra uma equipa do Sporting pouco rodada e colocar todas as fichas nesta partida. Não estou a dizer que concordo que isso acontecesse, mas podia ser um momento de glória efêmera que custasse muito ao longo da temporada. E nesse aspecto, acho que o Custódio foi racional, mas foi um Alverca muito curto.
Falavas na idade, antes de perguntar, para fechar o melhor e o pior, apenas para quem não está dentro deste regulamento. O terceiro critério de desempate tem a ver também com a idade. A idade de jogadores, de plantéis, neste caso, que até poderia ser aqui utilizado. Não é o caso, porque já não há aquela fase de grupos que havia no passado. O pior do jogo pra ti.
Eu acho que o pior é realmente perceber que o Alverca não conseguiu encontrar Uma equipa que fosse minimamente combativa e que pudesse colocar dúvida na cabeça destes jogadores do Sporting, que não têm a confiança nos níveis em que estão os habituais titulares. Foi uma equipa curta, com pouca saída pro ataque, a dada altura na primeira parte, com nove jogadores perto da sua área 10, contando que o guarda-redes não sobrava. Se mesmo que ganhassem as bolas, tinham que correr 70 metros até chegar à outra área, era muito espaço. Acho que o Alverca foi demasiado curto, arriscou pouco e a equipa não teve capacidade para jogar no campo todo. Eu creio que esse é o pior, porque tudo o resto, mesmo não sendo brilhante, acho que esteve bem do lado do Sporting. Do lado do Alverca, estava à espera de um bocadinho mais.
E o melhor?
O melhor acho que é a naturalidade, e eu saliento isso durante a partida, a serenidade com que os jogadores do Sporting, alguns da equipa B, colocaram o seu jogo em campo. Eles têm qualidade, naturalmente. Estava à espera, se calhar, de uma equipa mais ansiosa, dos jogadores a quererem mostrar serviço, de alguns eventualmente a exagerarem um bocadinho nas suas ações para mostrar ao treinador que sabem, mas não. Foi uma equipa muito profissional, muito sóbria e extremamente competente. Já agora, recordar uma coisa, o Salvador Blopa não marca dois gols por jogo, nem nada que se pareça. Ele marca dois gols por época. Portanto, também calma com isso. O rapaz, ainda por cima, nem sequer é um extremo. Ele é ou um ala, parece-me ser a posição mais adequada para ele, mas se não tiver que ser ala, então será um lateral esquerdo. Foi nessa posição que nas seleções portuguesas tem feito carreira. Não é um extremo e, no entanto, aparece neste jogo, marca um gol de pé direito, marca um gol de pé esquerdo, ele é destro, já agora, só faltou marcar um de cabeça e depois termina a dizer que se calhar não sabe ainda se convenceu o treinador ou não. Só me apetece acabar a minha intervenção batendo palmas, mas acho que o som é feio aqui ao microfone, mas fica o meu aplauso para o Salvador Blopa, pelo que jogou e pelo que disse no fim do jogo.
Exatamente. Luiz Francisco no relatório de jogo, fica também disponível através de podcast da Rádio Observador. Luiz, até uma próxima oportunidade.
Até à próxima.