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Zero. Abertura da segunda jornada do campeonato com um jogo impróprio para cardíacos, tanto pra adeptos do Vitória Sport Clube como pra adeptos do Sporting. Os adeptos do Sporting, porque estiveram na calha pra ver uma vantagem de 3 x 0 fugir, os do Vitória porque estiveram na esperança até o final de que pudessem pelo menos chegar a um empate, depois de estarem a perder pelo famoso, às vezes fala-se no futebol, do capote. O que é certo é que o Sporting sai de uma primeira parte a vencer por 3 x 0. No início dessa primeira parte, as equipes estavam a estudar, o Sporting depois acaba por minar um bocadinho, mas tem o melhor resultado na primeira parte do que o jogo faz. São três remates e três gols.
É verdade. Um Sporting que soube aproveitar bem as oportunidades que teve. Não estava a fazer um jogo brilhante, mas estava a marcar gols, que era aquilo que mais interessava. Esperava-se que o Sporting ganhasse uma outra personalidade de jogo, que aqui ou acolá foi conseguido, mas sempre naquela de que o jogo não está completamente seguro, mas faz 2 x 0, faz 3 x 0 aos 41 minutos e aqui entra em equação uma coisa que o Nuno Moreno me enviou e que vale a pena agora retratar. Já no jogo que esteve o da Amadora, 36 minutos finais do Sporting sem rematar, dois gols sofridos. No jogo do Vitória, foram 59 minutos finais, ou seja, o terceiro gol do Sporting coincidiu aos 41 minutos de Altimira, o Sporting teve 59 minutos finais sem rematar e sofreu também dois gols. Ou seja, o que isso quer dizer? Quer dizer que o Rui Borges não pode dizer que o Sporting fez uma excelente primeira parte. Não fez nada uma excelente primeira parte. Fez uma primeira parte em que soube aproveitar realmente os grandes erros que o Vitória teve. O Vitória, com pouca qualidade técnica, diria eu, e de ligação no ataque, teve três remates também à baliza, mas praticamente que o Rui Silva não fez nenhuma defesa. Ou seja, foi um Sporting que parecia que estava seguro no jogo e que o Guimarães ia se afundar cada vez mais.
Parecia, efetivamente estava, mas tratou de deixar de estar.
Parecia. Mas depois, quando o Vitória faz o golo, ou seja, o Sporting fica a ganhar de 3 x 1, aí veio todos os fantasmas outra vez, aquilo que aconteceu na Amadora. Um Sporting inseguro, um Sporting que faz substituições e que os jogadores não dão ritmo elevado à equipe, uma equipe pouco organizada, uma equipe que depois sofre o segundo golo numa jogada individual do Zalazar, que perde a bola e pede falta, que não existe falta nenhuma, e o cruzamento destrata que o Nudoi faz o 3 x 2, e aí temia-se que o Sporting pudesse realmente acontecer aquilo que era impensável, que era o Sporting não ganhar o jogo. O que é certo é que o Sporting depois reorganizou-se, teve a pôr gel no jogo, sem atacar, praticamente a trocar a bola e a desgastar o adversário, não dando condição ao adversário de poder ganhar bola e ir outra vez pra cima do Sporting. Enfim, foi um Guimarães que depois praticamente não teve também mais oportunidades de gol, mas foi uma vitória sofrida do Sporting, que deixa uma insegurança muito grande, não só aos adeptos, como também aos próprios jogadores, ao ponto dos jogadores saírem do campo e olhamos pra semblante da cara deles e reparávamos que os jogadores estavam um bocado-
E os adeptos também, não particularmente felizes com a vitória. Não ficou um ambiente propriamente de celebração no estádio.
Nem o Rui Borges também estava feliz. Sinceramente, ganhou três vezes, é verdade. Fala nos jogos de crescimento, também é uma verdade, mas jogos de crescimento num grande clube como o Sporting, não se pode pautar por esta segunda parte. Eu ia dizer uma palavra muito chata, mas já quase que me apetece dizer. Vou dizer, não digo.
Diga, Augusto Inácio.
Foi uma segunda parte miserável.
Miserável.
Miserável do Sporting, que não se admite que o Sporting ganhar 3 x 0, tenha aquela segunda parte.
O Vitória acaba por fazer uma má primeira parte, também com alguns erros individuais, destacados por Tiago Margarido, mas depois das alterações promovidas pelo técnico ex-nacional, agora técnico do Vitória, o jogo mudou de cariz, o Vitória mudou de imagem e de identidade e mais do que um ajuste tático, o treinador falou em atitude, a atitude dos jogadores que entraram, que foi também a grande diferença na segunda parte do Vitória face à primeira.
Eu acho que a resposta está incompleta. O que é que falta dizer da atitude em relação aos jogadores que entraram, em relação ao então foi a equipe. Sendo a primeira parte uma falta de atitude, então provavelmente o treinador do Vitória gostaria de fazer logo 10 substituições, porque não gostou da atitude. Parece-me a mim que houve aqui uma simbiose de duas coisas. A primeira é que o Vitória subiu de produção com essas quatro substituições, é verdade, contagiou todos os seus colegas. Aquele primeiro gol do Samu veio contagiar realmente aquilo que era a confiança dos jogadores do Vitória.
E o fato do segundo gol ter chegado quase de rajada face ao primeiro, também fez tremer e muito o Sporting.
Mas também entra a outra parte, que é o demérito do Sporting. Eu não quero tirar o mérito ao Vitória, nunca quer fazer isso, mas o demérito do Sporting. O Rui Borges disse ali uma coisa que eu não sabia: falta de energia. Mas os jogadores que entraram já não tinham energia? Os jogadores que entraram não era para continuar a dar energia e pra continuar a pressionar? Esses jogadores não tiveram essa capacidade que o Rui Borges disse que havia essa falta de energia. Não percebo, não entendi essa parte de dizer que ou falta de energia, ou falta, talvez, não sei, talvez organização, e talvez, aí, sim Atitude. E aí, sim, entra a atitude, que talvez ou falta de atitude dos jogadores do Sporting, não deixar os jogadores do Vitória jogar e deixar os jogadores do Vitória jogar. Quando isso é assim, estás muito confiante no resultado que estás a ter, mas podes sofrer dissabores.
E a verdade é que o Sporting acaba por sofrer um segundo gol, na sequência de um erro grave, diria até infantil, da contratação mais cara de sempre dos Leões. Zalazar esteve em bom plano no primeiro jogo, assistiu e marcou. Hoje fez um jogo um pouco mais apagado, com esta nota para essa bola perdida, antes do segundo gol do Vitória marcado por Nodoi, que volta a fazer o gosto à cabeça, neste caso, aos Leões.
Sim, o Zalazar sabe perfeitamente bem que é um jogador importante do Sporting e está a se dar realmente essa importância à nova estrela da equipe do Sporting. E ele é um jogador, mesmo que esteja no meio de dois adversários, parece que tem vergonha de mandar a bola para fora ou mandar a bola contra o adversário, quer sempre ir para jogar limpinho. E depois, quando não consegue sair a jogar limpinho, pede falta, quando ela não existe. E foi o que aconteceu. Podia perfeitamente bem ter colocado a bola.
Foi um gesto de vedeta, também, um pouco.
Não é uma questão de vedeta. Como ele é estrela, como ele tem vergonha de mandar a bola para fora, tem vergonha de bater a bola contra o adversário. E às vezes isso paga-se caro. Eu acho que o Zalazar vai aprender com isto que fez, porque sabe perfeitamente bem que isto pode acontecer e pode pôr em causa um resultado.
Augusto Inácio, foi um jogo onde o Sporting sofreu bastante e onde o Vitória também sonhou com uma reviravolta, pelo menos recuperar uma desvantagem de três gols. Terminou tudo 3 x 2. Ao menos tivemos espetáculo emocional de assinalar. Na nossa liga, às vezes, não costuma haver esta intensidade na segunda parte. Resta saber o que é que para ti, para depois fecharmos em nota de maravilha, o que foi o pior na noite de hoje em Alvalade?
O pior foi realmente duas coisas. A tremideira da equipe do Sporting, que o último remate que fez à baliza foi aos 45 minutos e deu o terceiro gol ao Altimira. Nos restantes minutos finais da primeira parte e durante toda a segunda parte, o Sporting não fez o remate à baliza, ao ponto de eu poder apreciar quem é este guarda-redes do Vitória, porque não me pareceu, sinceramente, desculpem esta expressão, um grande espingarda. Não me pareceu, mas eu posso estar enganado.
Neste momento é espingarda nenhuma.
Não vi nenhum remate à baliza, nem perigo do ataque do Sporting para poder pôr à prova o guarda-redes do Vitória. Acho que isso foi realmente muito negativo. E foi também quando o Rui Silva foi para o aquecimento receber muitos assobios dos adeptos do Sporting. Não é assim que se apoia um jogador. Podia ter cometido um erro. Esqueceram-se, e a memória é curta, que ele salvou o Sporting da derrota na Amadora ao defender um possível terceiro gol da Amadora com uma excelente defesa que fez. Ser recebido desta forma em casa perante os seus adeptos e no seu estádio, acho que não é positivo e não é assim que o jogador, neste caso, o guarda-redes, ganha confiança, porque os adeptos também não a transmitiram.
Para fechar este relatório do jogo, Augusto Inácio, resta saber o que é que foi o melhor desta vitória sofrida, de tremideira, gosto dessa expressão, do Sporting frente ao Vitória Sport Clube, na inauguração da segunda jornada do campeonato.
Em poucas palavras, o melhor que aconteceu ao Sporting foi os três pontos. De resto, não temos nada positivo.
Augusto Inácio, está feito e entregue o relatório de jogo deste Sporting 3, Vitória Sport Clube 2. Jogo de meia dificuldade para os Leões, que ainda assim conseguem deixar o primeiro jogo em casa com três pontos conquistados. Um grande abraço ao Augusto Inácio, contamos contigo numa próxima vez. Até à próxima.
Um abraço.