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Vitória do Benfica. Filipe, desde já muito boa noite, mais uma vez. Agora sim, analisando em concreto esta vitória do Benfica, uma vitória por 5 x 0. A grande vedeta do jogo foi realmente Pavlídis. Torna-se rapidamente, e de forma isolada, para já, o melhor marcador do campeonato, ultrapassando Pablo, que tinha sete gols à entrada da jornada, o avançado do Gil Vicente. Em relação à primeira parte e em relação, sobretudo, àquilo que foi a mudança do Benfica, foi mesmo a entrada de um outro extremo. Era um Benfica, de facto, coxo, como dizias, que atacava muito só com o Lukebakio, extremo puro e duro, e agora com a entrada de Gianluca Prestianni, o Benfica tem outro tipo de variabilidade no seu futebol.
Sim, essa é uma das notas mais destacáveis desta exibição do Benfica, e que terminou com goleada sobre o Arouca, que acabou por ser talvez o adversário ideal para o Benfica descomprimir as pernas após aquela segunda parte muito complicada frente ao Newcastle, e que leva a que o Benfica tenha dado uma sapatada relativamente aos últimos jogos aqui no Estádio da Luz. O Benfica só tinha ganho um dos últimos quatro jogos na Luz, numa exibição até pouco convincente frente ao Gil Vicente, mas hoje o cenário foi completamente distinto e tem muito a ver também com as opções que o José Mourinho tomou em termos de equipe inicial, uma das quais em relação a Prestianni, como disseste, e bem, porque foi um jogador que acabou por transformar um pouco o jogo do Benfica, um jogador que foi figura no Mundial sub-20 pela seleção argentina e, portanto, vinha com bastante ritmo, com bastante confiança e acabou por dar sequência. É um extremo, se quisermos, eu creio que até é mais médio-ofensivo do que propriamente extremo, mas é um jogador que dentro de um estilo bastante atrevido, dá ritmo aos ataques, é capaz de trazer maior imprevisibilidade, conseguiu combinações com Samuel Dah, assistiu Pavlídis e com a tal consequência, que é acrescentar diversidade ao jogo do Benfica, que não procurou tantas vezes o Lukebakio, que tem sido realmente o epicentro dos ataques do Benfica recentemente. O próprio Sudakov hoje não teve uma exibição muito brilhante e, portanto, o Prestianni acabou por ter aqui um papel fundamental neste Benfica, que goleou de forma confortável o Arouca. Depois, há que realçar também a entrada do Tomás Araújo, que eu creio que é um jogador, um central, melhor dizendo, que não tem comparação em termos de saída de bola.
Tem mais saída.
Sim, em relação a Otamendi e a António Silva. E o Benfica cresceu nesse aspecto, teve outro conforto para iniciar os seus ataques, muita facilidade para colocar a bola do lado direito até à esquerda, ativando precisamente o Prestianni. E, portanto, foram duas mudanças, meias surpresas, no fundo, promovidas pelo José Mourinho, que acabaram por catapultar a equipe do Benfica. O Benfica marca muito cedo de penalti pelo Pavlídis, volta a marcar e chega ao 2 x 0 na passagem dos 22 minutos. Portanto, o jogo foi ficando relativamente tranquilo para o Benfica, ainda que o Arouca num ou noutro momento tenha criado algum perigo junto à baliza do Trubin, mas nunca esteve verdadeiramente em causa o resultado, e o Benfica teve, de facto, uma das prestações mais interessantes dos últimos tempos.
É uma primeira parte, ainda para concluir a primeira parte, para quem não viu o jogo. O Benfica marca três gols de bola parada, dois de penalti e o pontapé de canto, mas cria realmente inúmeras oportunidades para marcar mais.
Sim, eu até creio que criou mais na segunda parte. Quando o jogo partiu, o Arouca deixou de ser uma equipe rigorosa. Nunca o foi verdadeiramente, mas deixou completamente o rigor defensivo de parte, e aí sim, no segundo tempo, o Benfica até teve mais oportunidades. Ao intervalo estava 3 x 0 e o Benfica teve também essa eficiência em termos de bola parada. Tem os dois penaltis convertidos pelo Pavlídis, que, diga-se de passagem, é um belo executante de grandes penalidades. Hoje nem foi tão espetacular como é habitual, mas é realmente muito eficiente nesse aspecto. E depois o 3 x 0 surge já em cima do intervalo, através de um pontapé de canto, com uma execução assinalável, primeiro do Lukebakio, na forma como coloca a bola a cair no segundo poste, e depois uma impulsão notável do Otamendi. Portanto, o jogo ficou realmente no bolso do Benfica muito cedo, a ponto de o Mourinho depois até conseguir alguma gestão na segunda parte, com as entradas do João Rego, do Scheldrup, o Barreiro, enfim. Foi um jogo que foi caminhando tranquilamente para a vitória do Benfica e com o Arouca que nunca criou perigo verdadeiramente junto da baliza do Trubin. Acabou por ser uma equipe que eu creio que é descomplexada, mas que depois paga muito caro essa ingenuidade, até, que traz para os principais estádios do país, e isso tem se verificado de forma muito frequente perante Porto, Benfica e Sporting.
Olha, o melhor e o pior do jogo.
O melhor vou para o hat-trick de Pavlídis, que foi letal. Dois penaltis com a bola parada, depois uma outra jogada que foi um autêntico penalti em andamento. Portanto, noite muito positiva para o avançado grego, que assume a condição do melhor marcador do campeonato. E depois as opções surpresa do José Mourinho, Tomás Araújo, no centro da defesa, e Prestianni sobre a esquerda do ataque, trazendo realmente um ritmo diferente a esse corredor. E talvez tenha encontrado aqui o tal extremo esquerdo que andava a faltar ao plantel do Benfica depois da saída do Áktor Kógl. Continuo a acreditar que o Benfica vai atacar o mercado de janeiro para se reforçar nesse setor, mas Prestianni deu aqui uma boa resposta perante a oportunidade do José Mourinho, até ultrapassando Scheldrup na hierarquia. Vamos ver se o argentino mantém este ritmo e este rendimento, porque mantendo, parece-me, de facto, um jogador que pode elevar o jogo atacante das Águias.
E quanto ao pior?
O pior tem que ser realmente a prestação do Arouca.
Este romantismo do Arouca.
Não pode ser vista de forma isolada. Já houve um 6 x 0 frente ao Sporting, um 4 x 0 frente ao Porto, com o Porto durante muito tempo a jogar com 10, e hoje o 5 x 0 no Estádio da Luz. Portanto, só aqui estão 15 gols sofridos, o que dá para realmente explicar a enorme quantidade de gols sofridos da equipe do Vasco Siebra, que, como disse, é uma equipe descomplexada, mas que depois cai numa toada de alguma ingenuidade, com vários erros fatais, nomeadamente na forma como comete os penaltis. Não deixa ter bons jogadores, fui falando de alguns, o Pablo González, o David Simão. Teve uma prestação do Omar Fayad, um central egípcio que me parece bastante exótico na forma como aborda os lances. Creio que é um plantel que dará para o Arouca se manter na primeira liga, é certo, mas a verdade é que perante as principais equipes do campeonato, acaba por nunca conseguir verdadeiramente entrar na discussão do resultado.
Filipe Coelho, olha, um grande abraço para ti.
Obrigado, Nuno. Grande abraço.
Fica então disponível o relatório de jogo através da podcast da Rádio Observador.