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Relatório de jogo na Rádio Observador. Augusto Inácio, este relatório deve ser relativamente fácil de escrever. Jogo de sentido único, Sporting venceu por seis gols a zero a equipa do Aves. Esteve nos momentos iniciais com dificuldades em colocar alguma intensidade no jogo e em quebrar as linhas defensivas dos homens da Vila das Aves. A verdade é que quando entrou a primeira bola, podemos falar em debandada da defensiva do Aves.

Eu diria que até os 30 minutos há uma história de um jogo e depois dos 30 minutos há outra história. Os 30 minutos iniciais foi realmente um Sporting pouco dinâmico, pouco intenso, pouco agressivo. Enfim, o Sporting tentou ir à procura do gol dentro daquilo que o jogo dava, mas não procurou intensamente esse gol. O Aves foi equilibrando aos poucos. Chegou-se a esticar no jogo de uma tal maneira que o Perea fez um grande remate e o Rui Silva fez uma grande defesa, estava zero a zero nessa altura. E o que é certo é que as coisas foram andando nesse caminho até que o Sporting, aos 30 minutos, faz um gol e a partir daí temos outra história. Temos uma equipa do Aves que animicamente caiu redondamente, psicologicamente nunca mais se endireitou. O Sporting faz três gols em sete minutos, praticamente, sentenciou a partida e depois já era aquilo que se esperava na segunda parte. Se o Sporting acelerasse os processos, iria marcar muitos mais gols. Se o Sporting não acelerasse os processos, talvez o Aves se aguentasse dentro do registro dos 3, 4 a 0. O que é certo é que o Sporting marcou o quarto, marcou o quinto, marcou o sexto. Aqui, eu a comentar, deixou-me alguma pena, entre aspas, de estar a ver este jogo e a ver a equipa do Aves arrastar-se no campo, porque já não tinha capacidade nem mental, nem física para poder discutir algum lance e o Sporting foi avolumando o resultado. Por isso eu diria que é uma vitória normal do Sporting. Penso eu que de uma maneira que não foi brilhante, foi uma vitória diria vulgar perante um adversário destes, mas sinceramente olhando para o Aves, eu diria que o Aves está com muita dificuldade mesmo, não só em discutir o resultado, não só em discutir os jogos, como também até às vezes, tirando o Sporting desta equação, mesmo os jogos que são campeonatos, como o seu treinador disse, também tem baqueado mentalmente aqui ao club, por isso é que tem perdido muitos pontos também. Enfim, vamos ver o que é que o Aves vai fazer no futuro. O Sporting aproximou-se, o Fogo do Porto está a dois pontos e agora vai estar à espera de segunda-feira do resultado do Fogo do Porto contra o Amadora.

E a verdade é que o Sporting aproveitou também para mexer no 11, foi a jogo com Ricardo Mangas no 11 inicial, também com a diferença no lado direito. Aliás, do lado esquerdo, não, do lado direito, exatamente. Saiu o Fresnedra para ficar Vajánisz, que conseguiu trazer alguma coisa ao jogo do Sporting, apesar de Rui Borges ter dito que estava um pouco irritado com o jogador no início, porque o queria mais projetado na frente, acabou por fazer as delícias, não só dos adeptos, mas também do treinador, com duas assistências e uma criatura neste lado direito.

Sim, o Vajánisz é um jogador que já se sabe que ataca melhor do que defende. E o jogo hoje estava propício para atacar, não era para defender muito, porque o Aves não dava essas preocupações. Diria que o Vajánisz tem um bom passe, tem um bom cruzamento, sabe colocar a bola. Enfim, teve dois gols e duas assistências. É um jogador que ainda anda à procura do seu melhor. O Fresneda tomou a dianteira, tomou a titularidade, porque era um jogador que no princípio da época podia ser vendido. O que é certo é que ele acabou por ficar e agarrou a oportunidade de ficar como titular do Sporting. Por isso temos aqui dois jogadores de perfis completamente diferentes. Fresneda está mais jogador, defende melhor, ataca razoavelmente, Vajánisz defende mal e ataca melhor. Por isso, é uma questão de opção depois do treinador, mas eu diria que o Sporting tem aqui dois jogadores que podem jogar tranquilamente como titular e para não falar de um ou outro, para mim, é melhor jogador que aqueles dois, mas que está emprestado, que é o Diogo Travassos, que eu diria que vai ser o futuro lateral direito do Sporting, mas isso é para outras épocas. Falando desta, Fresneda está muito melhor do que Vajánisz, mas Vajánisz hoje, em termos ofensivos, deu boa conta do recado.

E soubemos também agora, pelas palavras de Rui Borges na conferência de imprensa, que Ullman disse não se ter sentido 100% e por isso pediu para não jogar, para que jogasse um colega na totalidade das suas forças. E a verdade é que acabou por jogar com o Kochorashvili, que não fez um jogo de grande destaque, mas cumpriu 90 minutos com eficácia. Chegou até a ameaçar a baliza da equipa do Aves com remate na segunda parte.

De destacar realmente a sinceridade também e a honestidade do Ullman. A pergunta que eu faço é que se o jogo hoje não fosse com o Aves, imaginemos que fosse com o Porto, com o Benfica ou com o jogo da Champions, se o Ullman não ia jogar. Claramente que ia jogar. Só que ele sentiu que se fosse jogar num jogo destes, em que as facilidades estavam muito para o lado do Sporting, podia dar a oportunidade a um colega seu de poder jogar e poder descansar este jogo. E Kochorashvili aproveitou bem esta oportunidade, jogou os 90 minutos, fez realmente um jogo razoável, não digo que fez um grande jogo, foi um jogo razoável, e que aproveitou esta oportunidade para se mostrar, porque parece-me a mim que ele passe longo na diagonal, tem um excelente passe. Falta-lhe ainda, na minha opinião, quando está a jogar naquele meio-campo, de algumas vezes quando a equipa está ofensivamente mais projetada para a frente, de ele também aparecer um pouquinho mais na frente também. E às vezes ele resguarda-se, fica um pouquinho mais atrás. O que isso quer dizer? Que não sei se são ordens do treinador ou não, depende, mas olhando para o jogo, houve momentos em que ele podia ter aparecido mais dentro da área, não apareceu, ficou mais atrás, talvez esteja à procura da sua confiança.

E recuperando agora a memória dos primeiros 30 minutos do encontro, o Aves conseguiu, apesar de tudo, apesar da maior tração do Sporting, da maior posse de bola, ainda conseguiu assustar algumas vezes a baliza defendida por Rui Silva. E é precisamente sobre Rui Silva que eu lhe quero perguntar. Em jogos de menor intensidade, mesmo quando é chamado a responder, apesar de estar frio, tem oferecido notável segurança à baliza do Sporting.

Sim, dá uma grande segurança à equipa do Sporting, embora me parecesse que aqui ou acolá, nesta ou naquele jogo, há algum lance que ele às vezes não está bem, principalmente quando foi o segundo golo do Bayern, penso que ele podia ter feito melhor. Diria que fez também três, quatro excelentes defesas e que salvou o Sporting de não sofrer gols. Mas claramente, olha-se para o Rui Silva, olha-se para a baliza e a gente diz assim: "O Sporting tem guarda-redes". O que isso quer dizer é que à frente tem a sua defesa, que dá enorme confiança, e isso, parecendo que não, é um tónico muito positivo para a equipa do Sporting.

Augusto Inácio, resta-nos neste relatório de jogo e para fechar, saber o que foi o melhor e o pior, e vamos começar pelo pior nesta noite em Alvalade. Talvez a situação global do Aves, o que vais apontar, Augusto?

Eu diria que o pior que eu vi neste Aves, embora tivesse um comportamento razoável nos primeiros 30 minutos, foi realmente a grande falta de intensidade, porque não dizê-lo também, de atitude. E quando eu digo de atitude, não é no trabalho, de atitude daquilo que é a perspetiva da posse do adversário quando tem a bola. Reparemos que o primeiro gol do Sporting, do Suárez, estão quatro, cinco jogadores do Aves dentro da área e não houve nenhum deles que se ia ao encontro do Suárez para tentar impedi-lo de rematar. Ficou tudo a marcar com os olhos, como se costuma dizer, tudo na expectativa. Eu acho que foi essa falta de intensidade, falta dessa atitude, que para mim foi o pior que o Aves teve. Repare que o Aves, na primeira parte, só fez três faltas, o que isso quer dizer que é uma equipa pouco competitiva.

Falta de agressividade.

Certo.

E para fechar este relatório de jogo da vitória do Sporting frente ao Aves na 14ª jornada por seis bolas a zero, o melhor pra ti, Augusto?

O melhor, sinceramente, o Luís Suárez foi considerado o melhor jogador em campo, mas para mim foi o Geny Catamo, que se despediu aqui.

E acho que pro público foi, para tripartir a questão, foi Max Iraú, acho que foi o herói do público, apesar do troféu do homem do jogo ter ido para Luís Suárez.

Pois, mas a minha opinião é que o Geny Catamo jogou os 90 minutos.

O herói de Augusto Inácio.

Repara numa coisa. O Geny Catamo, depois de estar ali 3 a 0, até poderia estar se a resguardar para não criar situações que pusessem em causa a sua integração no CAN por Moçambique. E ele manteve sempre a mesma pedalada, a mesma intensidade, fez dois gols, tentou assistir, fez jogadas fantásticas. Para mim, até pela atitude do jogador, não estou a dizer com isso que o Max Iraú não tivesse, que o Luís Suárez não tivesse, qualquer outro jogador não tivesse, mas eu diria, pela perspetiva de ir para o CAN e tentar dar tudo dentro do campo num jogo destes, acho que é de enaltecer a atitude do Geny Catamo.

Está feito, entregue e assinado o relatório de jogo deste Sporting 6 x Aves 0. Mais uma vez com o grande contributo do Augusto Inácio. Um abraço, Augusto.

Um abraço.