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Todas as lojas que tenham um selo para irem buscar os pertences ao seu interior, terá de ser com acompanhamento policial.

À porta do centro comercial STOP, vai-se retirando o material de 105 lojas que há vários anos serviam de sala de trabalho para quase 500 músicos.

Pessoas que efetivamente têm aqui dezenas e dezenas de milhares de euros investidos e que laboram aqui para criar música, para fazer trabalho cultural. É inacreditável acordar a uma terça de manhã e percebemos que isto está a acontecer.

A banda de Marco Castro ensaia num dos espaços deste centro comercial e foi apanhada de surpresa quando a Polícia Municipal selou a sala que usava para trabalhar.

Não sei se a Câmara avisou gente aqui de dentro e não nos chegou a nós, sei que nós, músicos, não soubemos de nada. E isto é muito grave, porque nós temos ensaios, temos coisas a fazer, temos trabalho a executar, temos rendimentos a obter desse trabalho para podermos pagar as nossas contas todas e agora ficamos aqui do pé para a mão. E um espaço do qual, nos últimos 30 anos, devem ter saído dezenas e dezenas de projetos de relevância nacional, internacional, e assistimos à morte disso ou à tentativa de matar isso. É triste. Não há outra palavra para descrever, é triste e revoltante.

Também Bruno Costa, presidente da associação Alma STOP, teme o impacto deste encerramento.

Estamos a falar de centenas de projetos e bandas que não vão ter o mesmo tipo de espaço ou um espaço, sequer. E há bandas que precisam de algo assim para existir, apenas. Há pessoas que vêm de cidades diferentes e convergem aqui para trabalhar em conjunto e trabalhar nas suas carreiras e não vão poder fazê-lo.

A Câmara do Porto encerrou estes espaços por falta de licenças de utilização. O caso arrasta-se há vários anos e o projeto exigido para o licenciamento inclui saídas de emergência e sistemas de detecção de incêndios. Mas segundo o administrador do condomínio, Ferreira da Silva, não há dinheiro para as obras.

A questão é essa, eu sempre disse claramente na Câmara que não havia dinheiro para fazer, porque estamos a falar de qualquer coisa, o projeto implica seis milhões de euros e o condomínio não tinha dinheiro.

A administração diz ainda que também foi surpreendida com este encerramento e admite que nada pode fazer. Os músicos já começaram a esvaziar o STOP, mas prometem lutar até o fim.

O STOP não vai fechar! O STOP não vai fechar!