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A Maria João Brás está a esta hora na estação de comboios de Entrecampos. Maria João, logo de manhã houve muitos comboios suprimidos e também alguns passageiros revoltados com esta paralisação. Qual é o cenário nesta altura em Entrecampos?

Bom dia, o cenário é muito semelhante àquele que vimos às 07h em Gare do Oriente. Estamos precisamente na estação de comboios de Entrecampos, mesmo no centro de Lisboa, e também aqui foram suprimidos vários comboios. Por exemplo, estamos agora na plataforma dois, onde o comboio para Sintra deveria ter passado às 9h47, mas foi suprimido. A hora apontada agora num dos ecrãs é 10h47. Estamos a falar de uma hora de atraso. Diana Tavares é uma das pessoas que está a aguardar para apanhar outro comboio. Há pouco dizia-me que trabalha à noite, está à espera deste comboio para ir pra casa. Pergunto-lhe: Diana está acordada há quantas horas? Quantas horas é que está acordada? Entretanto, não nos foi possível falar com esta utente, porque está neste momento a atender um telefonema. Temos aqui outra utente, Silvia Triponi, pergunto-lhe: vai pra que direção?

Eu vou à Bomba dela.

E já teve conhecimento se o seu comboio foi suprimido?

Não tive ainda. Eu estava aqui na pesquisa. Sabia da greve, soube já dos comboios da CP. Vejo agora que tem um Fertagus que passa por aqui agora e espero que o meu esteja de acordo.

Portanto, não sabe ainda se o comboio foi suprimido, caso tenha sido, qual será a alternativa?

Aí eu tentarei ir de metro.

Será possível chegar? Não sei se vai trabalhar, se tem outro tipo de compromisso.

Eu vou para um atendimento médico, como ele é às 11h, eu acredito que dê. E se eu puder falar, eu me manifesto de acordo com a greve. Acho que os trabalhadores precisam, sim, fazer movimentação.

Mesmo que isso lhe cause um impacto e cause constrangimentos.

Exatamente. A legislação precisa prever o funcionamento mínimo, o mínimo os sindicatos precisam respeitar e que mesmo assim afeta todo mundo, mesmo que seja mínimo, porém, é a forma dos trabalhadores conseguirem alguma coisa.

Muito obrigada. Portanto, aqui uma utente que também com uma perspectiva um bocadinho diferente, compreende a greve convocada pelo Sindicato dos Maquinistas da Ferrovia. Há pouco iríamos falar com uma outra utente, Diana Tavares, que nos contava que trabalha por turnos, que trabalha de noite e, portanto, está à espera deste comboio para ir pra casa e, neste caso, não tem outra alternativa senão mesmo apanhar o comboio. E, portanto, já são longas as horas em que está acordada. É um caso que demonstra o impacto que esta greve pode ter nos utentes. Como eu dizia, o Sindicato dos Maquinistas da Ferrovia convocou uma greve para esta sexta-feira, abrangendo os serviços da CP, IP, Fertagus, Metro Sul do Tejo, Via Porto e também outras redes de transportes de mercadoria. A greve tem a duração de 24 horas, no entanto, devem ser assegurados cerca de 25% dos comboios. São os serviços mínimos programados, especialmente nos serviços urbanos, regionais e de longo curso. Neste caso particular dos comboios, está em causa uma mudança da legislação e também os depoimentos do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que fazia aqui uma correlação entre os dados dos acidentes ferroviários e também o consumo de álcool pelos maquinistas, o limite do consumo de álcool imposto para os maquinistas. Para hoje são então esperados vários condicionamentos nos comboios em todo o país