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Fazemos 50 anos em setembro deste ano.

Portanto, o último ano já foi de portas fechadas.

Exatamente.

Sem margem para uma despedida. O Jamaica diz adeus à rua Cor de Rosa, no ano em que completa meio século. A festa de anos já não vai ser no número seis da Rua Nova de Carvalho. A saída já estava prevista, mas o dono, Fernando Pereira, explica que a pandemia acelerou o processo.

Sem o confinamento, aquilo que tinha sido pensado e aquilo que se mantinha como ideia era que Jamaica, Tóquio, Europa se mantivessem aqui até o novo espaço estar pronto. Com o prolongamento da pandemia, decidimos antecipar a saída, ou seja, neste espaço que toda mundo conhece, o Jamaica não vai voltar a abrir.

Fernando fala entre caixas, entre arrumações, de costas para um balcão já vazio. A entrega da chave está por dias e já se prepara a nova morada.

Cais do gás, os primeiros pavilhões ao lado da estação fluvial do Cais do Sodré.

Com a saída, fica um pouco de saudade, mas também muita ambição para arrancar para o novo espaço.

Eu estou contente porque consigo manter o projeto Jamaica no Cais do Sodré, e vai ser uma nova fase. Fizemos 50 anos, espero que agora se consigam fazer 50 anos no novo espaço.

Do outro lado da linha do comboio, junto ao rio, Fernando Pereira vai encontrar melhores condições para abrir o Jamaica.

Aqui não consegue ter uma copa, tem um bengaleiro limitado, tem uma área ao público limitada, que não conseguia crescer de forma nenhuma. E o novo espaço vai proporcionar tudo aquilo que aqui não conseguimos.

A última noite do Jamaica foi a 12 de março de 2020. E se soubesse o que sabe hoje, Fernando tinha fechado de maneira diferente, porque afinal, essa foi a última vez que teve a porta aberta.

Teria feito de outra maneira. O que teria feito? Seria uma festa do caraças, nem que fosse um bar aberto, vamos beber copos para conseguirmos aguentar o ano que vem aí em confinamento e sem ter este tipo de espaço aberto.

A promessa fica feita para a reabertura. Agora, já numa nova casa, bem ao lado do terminal fluvial do Cais Sodré, o Jamaica vai renascer.