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Meu caro amigo, me perdoe, por favor, se eu não lhe faço uma visita, mas como agora apareceu um portador, mando notícias nessa fita.
A fita que Chico Buarque enviou aos exilados brasileiros em Lisboa em 1976, serve ao presidente português para um pedido de desculpas.
Meu caro amigo, me perdoe, por favor, essa demora. Muitos parabéns e muito obrigado, de sempre e para sempre.
O Prêmio Camões chega com quatro anos de atraso às mãos de Chico Buarque. O júri com portugueses, brasileiros, angolanos e moçambicanos justificam a escolha com a excelência da obra. O presidente português não precisa de explicações.
Sabemos que aqueles que em diversas instâncias não gostaram do Camões atribuído a Chico, se dispensaram do absurdo de alegar deméritos estéticos, contestando, em vez disso, as ideias e as opiniões do cidadão Francisco Buarque de Hollanda, que a elas tem inteiramente direito e que por elas deu a cara, tanto em liberdade como em ditadura.
É uma satisfação corrigir um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura brasileira nos últimos tempos, porque esse prêmio deveria ter sido entregue em 2019 e não foi. Todos nós sabemos por quê. O ataque à cultura em todas as suas formas foi uma dimensão importante do projeto que a extrema-direita tentou implementar no Brasil.
Assinado o diploma por Lula e Marcelo, a plateia aplaude de pé.
Reconforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu Prêmio Camões, deixando o seu espaço em branco para assinatura do nosso presidente Lula. Recebo este prêmio menos como uma honraria pessoal e mais como desagravo a tantos autores e artistas brasileiros humilhados e ofendidos nesses últimos anos de estupidez e obscurantismo. Muito obrigado.