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Em Lisboa, dezenas de pais protestaram esta manhã em frente a uma creche na freguesia de Carnide. Denunciam maus-tratos a crianças por parte das funcionárias da instituição.

A PSP foi chamada ao local perante este protesto. Ao Observador, a polícia confirma que os pais apresentaram queixa e detalham também que este espaço foi fiscalizado. No protesto, os pais mostraram várias imagens que apontam para maus-tratos a crianças. No local, João Costa Campos, há relatos de castigos violentos e também agressões a crianças.

Sim, são vários os relatos por parte de vários encarregados de educação e também ex-funcionárias aqui desta creche em Carnide. Tenho agora a oportunidade de falar com a mãe, uma encarregada de educação desta criança de perto de dois anos, que tem um traumatismo craniano, teve de ser hospitalizado e receber esse tipo de tratamentos. Os pais desconfiam que esta agressão tenha acontecido aqui, mas o que vos diz a creche é uma situação diferente. Portanto, não falam em qualquer tipo de agressão, falam num acidente.

Sim, exatamente. Eles negam qualquer tipo de agressão, o que nos deixa mais revoltados, porque já sabemos toda a verdade e já temos provas da verdade também. Então eles negam qualquer tipo de agressão. Eles dizem que não foi o que aconteceu, que o que aconteceu foi uma menina também da idade dele, que o empurrou e ele bateu com a cabeça contra uma barreira e foi essa barreira que fez com que ele ficasse com essa marca. Bem, acho que todos conseguimos, e até médicos que nos vão ver e vão ver as provas, conseguem perceber pelos ferimentos e pela gravidade dos ferimentos, que aquilo não pode ter sido apenas uma barreira. Consegue perceber também, ao ver os outros ferimentos, porque ele também tem ferimentos no ombro, que não há como associar aquele ferimento a uma barreira. Quem me dera a mim se realmente tivesse acontecido isso, porque eu procurei muito por essa verdade para me conseguir também tranquilizar e não foi isso que aconteceu. O que aconteceu foi que meu filho foi brutalmente agredido e nós queremos respostas.

Vocês chegaram a esta informação por parte de ex-funcionárias?

Nós chegamos a essa informação por parte de uma ex-funcionária da creche que estava aqui no dia em que isso aconteceu e que foi ela que prestou socorro, visto que as duas auxiliares que estavam na sala dele e que deveriam ter prestado socorro, negaram-se a fazê-lo.

Até agora, a direção da creche não vos disse nada e os encarregados de educação já avançaram com essa queixa e já disseram que se a creche voltar a abrir amanhã, voltam a estar aqui a marcar presença.

Amanhã, se a creche voltar a abrir, nós estaremos aqui e não vamos permitir que nenhuma criança entre, a fazer a mesma coisa que fizemos hoje. Por isso nós não autorizamos que esta creche abra mais e se abrir, porque isso é da vontade deles, nós não autorizamos que ninguém entre. É muito importante dizer que todas as crianças sofriam agressões, todas as crianças, e nós temos provas disso. Todas as crianças, e nós queremos relembrar aos pais, não tragam os vossos filhos para esta escola, porque não é o certo. Nós temos os relatos de funcionárias, não estamos a falar por nós, não estamos a falar de cabeça quente ou porque aconteceu com os nossos filhos. Temos o relato das funcionárias, de duas ex-funcionárias, inclusive. Por isso, não tragam os vossos filhos para esta creche, é o que eu posso dizer neste momento.

Muito obrigado e boa sorte. E são, de fato, várias as imagens que vários encarregados de educação que aqui estão à frente, demonstram precisamente imagens de crianças com agressões, vários hematomas. Os encarregados de educação desta creche já se juntaram e enviaram uma queixa ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal e fizeram também uma queixa junto da Comissão de Proteção de Jovens e Crianças.

João Costa Campos, na creche Academia Sonhar e Crescer, em Carnide. Até o momento não é conhecida qualquer reação por parte da direção desta creche. Os pais exigem que o caso seja investigado por parte do Ministério Público.