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Cerca de meio milhão de portugueses vivem na Venezuela. A origem desta comunidade remonta ao século XX, como explica ao Observador o historiador distinguido entre a comunidade portuguesa na Venezuela, Daniel Bastos.

A Venezuela foi uma das grandes rotas extra-europeias da imigração portuguesa. Um período em que a Venezuela atravessava um grande crescimento económico, graças, sobretudo, ao boom petrolífero, contrastava naturalmente com a realidade portuguesa, marcada ainda pela ditadura salazarista e um país secundariamente marcado pela ruralidade e pela precariedade.

Dos 500 mil portugueses na Venezuela, cerca de 300 mil são madeirenses, de acordo com o governo regional da Madeira. Hélder Teixeira é filho de imigrantes madeirenses que fugiram da guerra colonial e acabou por nascer na Venezuela. Quando a situação política venezuelana piorou há cerca de 10 anos, os pais voltaram para a Madeira, mas Hélder Teixeira ficou. Agora com família estabelecida em Caracas, está a passar um momento difícil e por isso mesmo não quer ir embora.

Este é o momento onde nós, tanto como cultura portuguesa e como venezuelano, é um momento de prestar muito mais apoio e que vai fazer falta da parte da reconstrução e prestar muito apoio, não só para a comunidade portuguesa, e também para as comunidades venezuelanas.

Resiliência é a palavra que o historiador Daniel Bastos usa para descrever a comunidade portuguesa na Venezuela.

Esta é mais uma dura batalha, dura dificuldade que a comunidade portuguesa na Venezuela está a atravessar e que eu estou convencido com o seu espírito de resiliência, de sacrifício e de luta que lhe é tão característica, irá conseguir dar a volta por cima.

O historiador Daniel Bastos acrescenta ainda que apesar dos portugueses na Venezuela constituírem uma das maiores comunidades da diáspora, nos próximos tempos serão muitos menos os portugueses que vão escolher a Venezuela como nova casa