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Uma palavra repetida três vezes, que é o ingrediente da receita da direita para resolver crises. Marta Temido, regresso ao passado e à crise financeira.
Queremos uma Europa mais solidária, porque percebemos bem que a resposta às crises não pode fazer-se novamente como foi feita em 2008, em 2009, em 2010. Não é possível responder às crises com a solução que a direita tem para elas e que se cinge a três palavras: austeridade, austeridade e austeridade. Não é possível.
Uma resposta mais solidária, pede a candidata socialista, que vê na direita o perigo de repetir essa receita. E passando agora para tempos mais recentes, acusa a AD de ter tido dois pesos e duas medidas a lidar com a crise inflacionista.
Quando essa solução já era evidente e este caminho já era evidente para todos, a AD refugiou-se, uma vez mais, num argumento técnico-jurídico para se abster de uma votação no sentido de baixar as taxas de juro. Foi assim, não foi de outra maneira. Invocou apenas a independência do Banco Central Europeu, quando uns meses antes, na verdade, um ano antes, tinha instado o Banco Central Europeu a aumentar as taxas de juro. E nisto se vê aquilo que é duplicidade, aquilo que são dois pesos e duas medidas. Ora dizemos uma coisa, ora dizemos outra. E nós estamos a ficar todos um bocadinho fartos de enganos. Chega!
Marta Temido não quer mais enganos e Pedro Marques não quer retrocessos. O eurodeputado, que está de saída de Bruxelas, avisa para o perigo de retrocessos nos direitos sociais com a aproximação da direita tradicional à extrema-direita.
Eu não acho aceitável nada do que se está a passar aqui ao lado, em Espanha, nessas regiões onde o PP já está a governar com o Vox, onde os direitos das mulheres estão a regredir décadas. E eu não aceito que na Europa, primeiros-ministros, líderes de partidos, venham pôr em causa direitos fundamentais das mulheres conquistados há décadas.
O aviso de Pedro Marques, que deu o exemplo de Espanha, já o antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Tiago Antunes, apontou baterias ao Chega, em Portugal.
E a esses, que querem andar para trás, que ainda hoje defenderam o fecho das fronteiras e o fim da atribuição de autorizações de residência, que fomentam e utilizam o discurso de ódio, que andam de braços dados com a senhora Le Pen e com o senhor Salvini, a esses dizemos muito claramente: não passarão! Não passarão!
O "não passarão" de Tiago Antunes neste comício, em que alertou para as cedências da direita tradicional à extrema-direita como um perigo para os europeus.