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A primeira receita não me saiu tão bem. A segunda já comecei a achar que já tinha forma. À terceira estava bom e à quarta, de madrugada, foi quando decidi qual seria a receita final.

Afinal, à quarta é que foi de vez com uma receita que marca pela diferença e que valeu a distinção a André Santos e à pastelaria Nata Morango.

O folar salgado tradicional é um pouco mais massudo, mais alto, e eu gosto dele um pouco mais fino, uma camada mais suave.

E foi também de forma suave que passou a ser reconhecido como o segundo melhor folar salgado em Portugal. O top cinco era um sonho que acabou por se tornar realidade. Uma realidade sem lágrimas, mas ainda assim emocionante.

Não chorei, mas dei um saltinho ou outro.

O salto foi dado também no aumento da procura. Os dias da Nata Morango passaram a ser repletos de fornadas de folares salgados. Os clientes já não abdicam de ter esta iguaria premiada em cada mesa.

Isso é uma graça para eles. Não sabia que teria esta proporção a nível de procura.

Mesmo assim, agora fazem-se mais contas às despesas e se antes havia mesas cheias, hoje há mesas apenas com o essencial.

Antes levavam um pouquinho de tudo, agora, se calhar, levam só mesmo aquilo que é para a época. Têm mais atenção, perguntam o preço.

O olhar mais atento dos portugueses ao preço final não deixa morrer a tradição, e essa é a coisa mais importante.

O folar doce e o salgado acaba sempre por ser a tradição e acho que é excelente a ideia desse tipo de concursos que nos faz lembrar às novas gerações a tradição.

Enquanto assim for, uma coisa é certa: o folar de Páscoa não vai desaparecer da mesa nacional.