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Ela é professora de Ciência Política na Universidade de Lisboa e junta-se agora a nós neste jornal das 10h. Muito bom dia, Teresa Ruela. Obrigado por ter aceitado o nosso convite e obrigado pela disponibilidade para estar aqui conosco no jornal das 10h. Gostava de lhe perguntar, tendo em conta também esta sondagem que conhecemos hoje, se podemos esperar surpresas destas eleições.
Bom dia. As surpresas, se calhar, vão se decidir agora nesta última semana de campanha eleitoral. Pelo que percebo da sondagem, há aí uma parcela muito significativa de indecisos e efetivamente a coligação PSD-CDS-PPM não está a descolar nas intenções de voto, face também a este contexto político nacional, regional e regional da Madeira, que não tem favorecido, de alguma forma, esta campanha eleitoral nos Açores. Existe claramente aqui alguma contaminação, algum efeito contágio daquilo que se tem passado na Madeira, desde logo dois dos líderes nacionais do PAN e do partido Iniciativa Liberal têm feito precisamente algumas declarações a partir dos Açores e a campanha propriamente dita das eleições regionais parece que está por fazer.
E Teresa Ruela, olhando para aquilo que esta sondagem diz e também para aquilo que se sente nas ruas, gostava de lhe perguntar se uma maioria está fora de causa e se realmente os acordos feitos depois de 4 de fevereiro vão ser fundamentais para saber o futuro político nos Açores.
Estamos em uma semana um pouco incerta e estamos aqui com algum ruído em torno daquilo que são as potenciais coligações ou os potenciais acordos e como é que, eventualmente, se chegará a uma solução governativa. Acho que teremos mesmo que esperar para o dia das eleições para ver também como é que se distribuem os votos. Neste momento, a incerteza é um dos elementos que reina neste processo eleitoral, precisamente pelo facto e a circunstância em que estas eleições antecipadas foram marcadas. E qual foi o motor que desencadeou esta situação, que foi, desde logo, a não aprovação do orçamento e o próprio acordo parlamentar que não estava firmado do ponto de vista com a Iniciativa Liberal e também com o único deputado do Chega, que fez cair este governo. Essa instabilidade gerou estas eleições antecipadas. E a instabilidade persiste, porque também a nível nacional e a nível regional, neste caso da Madeira, foi necessário recorrer a diferentes fórmulas, quer pós-eleitorais e neste caso, nas nacionais, uma coligação, neste caso a AD, para se propor eleições, para de alguma forma garantir aqui uma concentração de votos nos blocos, especialmente à direita, para tentar garantir essa eleição. Mas neste momento está tudo muito incerto naquilo que se poderá antecipar em termos de resultados eleitorais. E não sabemos, neste momento, quem estará disponível no pós-eleitoral, neste caso, no dia das eleições, para segurar que partido mais votado, se neste caso a coligação CDS/PP e PSD/PPM ou eventualmente uma proximidade, nesta sondagem o PS também está taco a taco, poderá também ser uma solução ou ter uma solução e encontrar uma solução de apoio parlamentar ou mesmo de coligação pós-eleitoral. Neste momento não sabemos. A incerteza, neste momento, acho que é o único dado certo que temos.
Faltando esta semana. Teresa Ruela, já nos disse que pode haver aqui um risco, até já palpável, da crise política da Madeira poder contaminar estas eleições açorianas e esta última semana, mas gostava de lhe perguntar sobre as eleições no continente. Qual é a importância que o resultado nos Açores pode ter na campanha no continente? São corridas que correm em separado ou podem também influenciar-se aqui uma à outra?
As corridas são em separado, mas há efetivamente uma grande expectativa de como é que nos Açores se organizará depois a solução governativa e se essa solução governativa terá respaldo naquilo que são as dinâmicas regionais. Assim foi em 2020, aquando das eleições regionais e a expectativa em relação às eleições antecipadas de 21, qual o impacto que iria ter depois na confrontação de consensos ou de acordos que se poderiam fazer a nível nacional. E, portanto, também os olhares estão muito concentrados naquilo que é os potenciais partidos que podem ajudar, no caso de necessidade, no caso de não existir uma maioria absoluta de votos, ou então a necessidade de existirem acordos parlamentares. E esse olhar está muito focado naquilo que são os partidos, neste caso, o partido Iniciativa Liberal e o partido Chega. E, portanto, esta dinâmica que eventualmente se irá gerar nos Açores, no pós-eleitoral ou durante a noite eleitoral, terá certamente reflexos naquilo que será a campanha eleitoral para as legislativas nacionais, que no dia seguinte começa as legislativas nacionais, precisamente com os debates nas televisões.