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Primeiro de tudo, eu começava por lhe perguntar se o Centro Colombo está preparado para receber pessoas e quais é que são as medidas de higiene e distanciamento que implementaram para que as pessoas possam deslocar até aqui ao centro.

O Centro Colombo esteve sempre em funcionamento, cumprindo as disposições das autoridades, o que significa que, mesmo durante o estado de emergência, o Centro Colombo esteve em funcionamento. Fomo-nos adaptando e incorporando as medidas que a lei impunha. A mais recente é o uso obrigatório de máscara. Dentro desse espírito, sempre de alinhamento com as autoridades, fomo-nos adaptando e mantendo o centro sempre em funcionamento. E quando falamos em centro, estamos a falar em lojas, que neste momento são de aproximadamente 50 lojas, que estão a cumprir as medidas previstas na lei.

Além das máscaras, haverá também várias formas de recomendar as pessoas a tomarem essas medidas de higiene, por exemplo, dispensadores de álcool gel. Que outras medidas é que tomaram para garantir que essas medidas de higiene estão asseguradas para os clientes?

São algumas medidas que passam pelo distanciamento social e o centro já está, neste momento, sinalizado, de forma a ajudar os clientes a movimentarem-se e minimizar ou praticamente tornar impossível o cruzamento.

Mas como é que vai ser feita essa sinalização?

No chão, já está feita. Sinalética horizontal e vertical. Hoje o Centro Colombo é um centro completamente diferente nessa perspectiva. Está cheio de informação ao longo do centro, de forma a que as pessoas se possam orientar. Nota-se também que as próprias pessoas já estão a criar essa cultura. Acaba por ser, em alguns casos, já redundante. Temos vários dispensadores de gel, sempre um dispensador de gel à vista. Evidentemente, todos os colaboradores usam máscara, luvas e viseira. Temos recipientes para recolha de máscaras e luvas usadas, para evitar que as pessoas quando saem do edifício, que as deitem para o chão. Estas medidas, outra vez, foram implementadas no espaço do centro e dentro das lojas pelos próprios lojistas. Algumas delas estão implementadas há quase dois meses.

Por exemplo, os bancos e os sofás aqui da zona central também foram retirados para evitar que as pessoas se mantenham aqui no centro, sem ser para o objetivo principal, que será fazer compras.

O objetivo principal é um espaço de compras com segurança. Sempre foi um espaço de compras, era também um espaço de lazer. Nesse momento, o que se pretende é que seja um espaço de compras, não um espaço em que as pessoas devam permanecer. Nem sequer é isso que está na lei. A lei o que diz é que as pessoas devem reduzir as suas movimentações à compra essencial. Nessa perspectiva da compra essencial e segura, estamos preparados e é esse o enfoque que queremos fazer.

Paulo Gomes, e como é que vão conseguir controlar as entradas e saídas em todas as portas do centro?

O Centro Colombo tem um dispositivo, sempre teve, desde a sua abertura, de contagem do número de visitantes. Quantos é que entram, quantos é que saem, quanto é que estão dentro do edifício. Isto é feito em todo o seu perímetro. Nós sabemos a cada momento quantas pessoas é que estão dentro do edifício.

Através dessas câmeras que vão contabilizar em tempo real o número de pessoas que estão dentro do centro.

É um sistema de contagem de visitantes com utilização de câmeras térmicas. Um sistema que está testado, em funcionamento já há muitos anos.

Perguntava-lhe também, não sei se tem estes números, para termos uma ideia, quantas pessoas entravam diariamente no Colombo, em média, e quantas é que têm entrado e depois quantas é que esperam que venham visitar aqui o Centro Colombo.

Na anterior realidade, o Colombo tinha 25 milhões de visitantes.

Por dia?

Não, por ano. Normalmente nós divulgamos os números ao ano, depois varia em função do dia em que estamos. Eram números fantásticos. O Centro Colombo tinha resultados fantásticos para todos os seus lojistas, 320 lojas, desde cadeias internacionais até lojistas tradicionais que deixaram de ter o seu espaço na rua e que foram resgatados pelos centros comerciais. Isso era antes. Hoje em dia, o contexto é completamente diferente. O que nos preocupa neste momento, à data de hoje, é garantir que é um espaço de compras seguras. E um espaço de compras seguras não se pode comparar com um espaço que era visitado por clientes que vinham passear. Mudou completamente o nosso objetivo, a nossa forma de pensar. É um espaço de compras, sem dúvida. Sempre fomos. Agora é um espaço de compras seguro. E não é o momento para estarmos a contar o número de clientes que aqui entra. Fazemo-lo apenas por preocupações legais, mas o que queremos é que os clientes venham fazer compras rapidamente e em segurança.

Mas neste novo normal, digamos assim, o número de pessoas a visitar aqui o centro será com certeza mais baixo. Perguntava se têm alguma ideia do número de pessoas que têm visitado nos últimos tempos aqui o Centro Colombo.

É um número completamente diferente. Nós não desejaríamos, neste momento, ter os números de antigamente. Porque seria muito difícil manter as condições de segurança, teríamos clientes que não estavam a vir fazer compras. Nós o que queremos neste momento é clientes que vêm fazer compras. O número tem que ser mais baixo, com certeza, porque há novas regras em termos de comportamento, de saídas. As pessoas, neste momento São mais cuidadosas e menos relaxadas nas suas movimentações. Tem que ser assim, é o novo mundo. E, portanto, vamos todos, de uma forma alinhada, pensar e olhar para estas novas realidades desta forma.

E qual é a percentagem de ocupação que está estipulada para este espaço?

O que está previsto no decreto-lei, para todos os espaços em Portugal, durante estes 15 dias, este primeiro pacote associado ao estado de calamidade, é 0,05 pessoas por metro quadrado, ou seja, cinco pessoas por cada 100 metros quadrados.

E em relação à restauração? Neste momento os restaurantes estão todos a servir em take away, aqueles que optaram por essa via. A longo prazo, qual será a sua forma de atuação? No fundo, pergunto como é que vão assegurar que as medidas sejam cumpridas, se vão retirar mesas, se vão manter este distanciamento entre as mesas para que as pessoas, numa fase posterior, possam também comer aqui neste Centro Colombo.

Na semana passada tivemos conhecimento das medidas concretas que se aplicam à área da restauração, que foram divulgadas através da sua entidade, a ARES, e que nós estamos também a repassar aos restaurantes. Os restaurantes, neste momento, estão todos, não se nota, mas no seu interior as equipes estão a reativar os restaurantes, a ajustar o restaurante às novas medidas. São medidas que incluem, entre outras, as básicas, com certeza, todos os funcionários com máscara, medidas acrescidas em termos de desinfeção dos espaços, sendo que estes espaços já eram muito escrutinados, portanto, tinham medidas de higiene muito apertadas, mas numa outra perspectiva, agora num contexto de pandemia, temos novas medidas. E, portanto, todos os restaurantes, praticamente todos, além do seu desejo em abrir rapidamente, estão a adaptar o espaço de forma a incorporar o que está previsto na lei e as recomendações.

Mas numa fase posterior, a ideia é que as pessoas possam vir comer aqui dentro do centro, certo? Como é que vão garantir essas medidas?

Da mesma maneira que os restaurantes estão a implementar essas medidas, nós acabamos de o fazer, o documento saiu na semana passada e nós num fut corte, em três dias, reorganizámos o mobiliário da zona comum e, portanto, neste momento temos praticamente metade dos lugares que tínhamos, porque estamos a cumprir as distâncias entre mesas, a disposição das mesas que nos foram aconselhadas.

Perguntava-lhe também, já agora que estamos aqui a conversar, se os lojistas foram ou serão testados ou se isso está fora de questão, no fundo. Testagem de despistagem para COVID-19. Por exemplo, há muitos espaços e estabelecimentos que optaram por essa via. Perguntava se estão a pensar nisso ou se está fora de questão.

Vamos ver. As leis aplicam-se a todas as lojas. Não se aplica ao centro e o centro depois é que vai fiscalizar as lojas. E, portanto, os lojistas são cumpridores, como lhes falei, e eles vão aplicar o que está previsto na lei. A lei não obriga, neste momento, que todos os colaboradores de todas as lojas façam testes. O que as lojas estão a fazer é os planos de contingência, equipos em espelho, medidas de higiene. Alguns lojistas poderão adotar a medição de temperaturas, mas eu acho que aí também entra a nossa responsabilidade individual. Um colaborador não vem com febre trabalhar, não faz sentido, pelo menos é algo que na nossa realidade nunca fez sentido, não faz sentido.

Mas se houver eventualmente um caso positivo entre um lojista, o que acontece nesse caso? Já está definido.

Nós estamos preparados há mais de 15 anos para uma situação destas, porque o Colombo tinha um plano de contingência em caso de pandemia. Tivemos que, evidentemente, recuperar das nossas prateleiras, atualizar, porque era uma pandemia, não sabíamos sequer o nome do vírus, mas estava previsto um plano de contingência para uma pandemia. E, portanto, caso haja uma ocorrência, fazemos exatamente, outra vez, de acordo com o que as autoridades sanitárias dizem, manter a pessoa isolada e, portanto, dependendo do espaço, teremos que encontrar o ponto de isolamento ou a melhor forma de isolar a pessoa em segurança, para ela e para os restantes, e ligar para a linha 24 e receber as recomendações.

Já agora, nesse sentido, o Colombo tem espaços de isolamento para caso seja detetado um cliente com sintomas suspeitos ou um lojista com sintomas suspeitos? Há zonas de isolamento no centro?

Desde o início deste quadro pandémico que foram imediatamente identificados pelo Colombo espaços de isolamento, que estavam preparados para, caso tivéssemos alguém suspeito, para o manter isolado, ligar à linha 24 e depois atuar de acordo com as indicações. Estas recomendações foram partilhadas com os lojistas. Obviamente, não apanhámos de surpresa. Eles próprios já estavam a criar os seus espaços de isolamento ou o seu procedimento, em caso de identificar alguém que tivesse um quadro suspeito.

No comércio de rua, por exemplo, há lojas que estão a considerar não reabrir, devido ao impacto económico, sobretudo, e porque acham que não terão as condições necessárias para reabrir, mesmo tendo autorização para isso. Será que pode acontecer com alguma loja aqui no centro comercial? Estão a sentir dificuldades por parte de alguns lojistas que possam não reabrir, mesmo já podendo?

Nós gostávamos muito de ter essa questão em cima da mesa já na próxima semana, que é ter a possibilidade de todas as lojas reabrirem na próxima semana e alguns lojistas não o conseguirem fazer. O sentimento que temos é que, independentemente de quando vão abrir, as equipes estão ativas, as equipes dos lojistas estão neste momento no local, às vezes até a tomar algumas cautelas de um espaço que não sequer é abandonado.

Exemplo de algum lojista que queira não reabrir o negócio para já. É isso?

Todos querem reabrir, que não haja a menor dúvida sobre isso. Todos querem reabrir rapidamente. Poderemos ter que ajustar os moldes da operação de acordo com as limitações que são criadas por este contexto em que temos. Equipes que, por estarem em espelho, não podem garantir um horário tão longo, eventualmente uma ou outra limitação, mas todos os lojistas querem muito abrir e estão preparados. Nós vemos as lojas, não estão abertas ao público porque não podem, seria ilegal, mas algumas das lojas têm as equipes a limpar, a organizar o estoque, a manter a segurança do espaço em termos até de sistemas elétricos, de sistemas de ventilação, de forma que no dia em que possam abrir, tudo isto possa ser feito com muita rapidez, com muita segurança.

Então é seguro dizer que apesar de estarem fechados, como disse, porque ainda não é o momento oportuno para reabrirem, há equipes a fazerem um trabalho interno nas lojas neste momento, por exemplo.

Sim. O que a lei previa era que os espaços não podiam estar abertos ao público, justamente para não promover o contato entre pessoas. As lojas podiam, no limite, e algumas fizeram, o restaurante Santa Quai, poderiam manter a sua atividade. É um quadro completamente diferente, mas sempre o puderam fazer.

E a última pergunta era em relação ao impacto econômico, se têm noção do impacto econômico que esta pandemia forçou aqui ao Centro Colombo.

Temos noção que é um impacto enorme e que nos abrange a todos, sem exceção. Não temos noção da dimensão. Temos noção que para ultrapassar este impacto, temos que estar muito alinhados com o que as autoridades preveem e temos que estar muito próximos dos lojistas como sempre estivemos no passado. Um centro comercial, que é um formato de sucesso, foi feito com os lojistas, nos bons e nos maus momentos. E, portanto, com certeza que vamos ter todos a arte, o talento de, em conjunto, todos, encontrar uma solução que nos permita ultrapassar este enorme problema, em termos econômicos, tem uma dimensão que ninguém estava preparado e que nos vai dar algum trabalho durante alguns meses.