Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está conosco em direto neste jornal das 10:00, José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente. Bom dia, obrigado por se juntar a nós em direto. José Pimenta Machado, estes furos anunciados pela presidente da Câmara de Almada vão ajudar a resolver ou pelo menos atenuar o problema?
Muito bom dia a quem nos está a ouvir. Quero deixar aqui duas, três notas, até porque tem havido na comunicação pública alguns conceitos errados. Primeiro, nós não estamos em seca. Felizmente, este ano o país, como sabem, em resultado de muita chuva que caiu nos meses de janeiro, fevereiro e março, temos albufeiras a 86% nesta altura do ano, o que é um bom indicador, e também as nossas águas subterrâneas recuperaram, que no caso particular de Almada, é a grande origem da água através daquele aquífero calcário, um grande aquífero. Nota sobre isso, tenho de esclarecer. O que existe, de fato, em Almada, neste momento, houve um pico de consumo. A média foi mais 4% relativamente ao ano anterior, mas de fato em algumas zonas foram de 15%. Isto é, cada habitante no país, a nível nacional, cada um de nós consome diariamente 180 litros por dia, sendo que em Almada os consumos médios são de 300 litros por cada pessoa/dia e há zonas onde são de 400 litros. Então há aqui um pico de consumo. Logo, temos que ver quais são as causas. Nota um, também sobre isso temos que ver. Deixe-me dar dois números para quem nos está a ouvir.
Sim.
A pressão diária que está instalada no sistema de Almada produz cerca de 50 mil m³/dia de água. Produz essa água. Os consumos são da ordem dos 60 mil. Portanto, há aqui um déficit de 10 mil entre aquilo que é a capacidade do sistema de produzir água e aquilo que é, no fundo, os consumos atuais.
E estes furos podem ajudar a equilibrar isso?
Já lá vou dizer. Ontem estivemos em Almada, estive na terça-feira, a desenhar o plano de contingência com o SMAS e com o ERSAR. E ontem estive numa reunião com a senhora ministra, com a senhora presidente de câmara municipal, com toda a equipe do SMAS. Duas notas. Obviamente, o plano de contingência que foi montado na terça-feira, e essa é a boa notícia, mas temos que tomar com muito cuidado. Está a produzir resultados, estão a reduzir os consumos e os reservatórios estão a recuperar níveis. É uma boa notícia, mas todos têm que continuar a fazer esforço. Aliás, daqui a pouquinho vou ter uma reunião às 14:30 com o SMAS. Outra nota importante-
Consegue quantificar essa recuperação nas últimas horas ou ainda não é possível?
Nós estamos a fazer contas. Eu vou ter uma reunião hoje às 14:30 com toda a equipe para fazer as contas. E esse é um bom indicador e, portanto, o esforço que as pessoas estão a fazer está a produzir efeitos. Temos que continuar nesse caminho. Estamos em contingência, temos de sair desta crise. Segunda nota muito importante, dá esperança ao sistema. Muito rapidamente, ontem na reunião vai entrar em produção um novo furo, que vai produzir cerca de 1800 m³/dia. Isto é quase 20% daquilo que é o total, entre os 50 mil e os 60 mil, para quem está a ouvir e registe estes números. E portanto, é bom para o sistema. E também estamos a trabalhar em mais dois furos, que quando estiverem construídos e a operar, eu creio que em duas semanas, três semanas, estarão concluídos e nós teremos o sistema em equilíbrio. E portanto, o que é fundamental? É implementar o plano de contingência desenhado na terça-feira, que já começa a produzir resultados, as outras começam a recuperar níveis. É acrescentar nova água no sistema, isto é, esse furo que vai entrar neste fim de semana, creio que entre hoje e amanhã, entrar em produção, são mais de 20% daquilo que deve ser entre os 50 mil e os 60 mil, e trabalhar naquilo, nos outros, mais furos para, no fundo, equilibrar o sistema.
E essas são medidas mais de curto prazo, digamos assim.
São medidas, temos que pensar à toda hora. O que interessa agora é gerir a crise, é gerir esta contingência, é resolver o problema das pessoas rapidamente. É o que estamos a trabalhar, eficazmente, obviamente, com a liderança do SMAS de Almada, que tem essa responsabilidade. Nós estamos a prestar o nosso apoio técnico, quer ao nível do processo de licenciamento, enfim, gerimos muito o tema da seca do Algarve, mas também convém explicar aqui outra coisa. Ontem eu vi várias notícias, o Algarve esteve em seca 10 anos, mas nunca faltou a água na torneira. Nunca. Passamos momentos muito difíceis. Eu recordo que em 2024, em janeiro, tínhamos albufeiras que estavam muito baixas, mas de facto, conseguimos gerir.
Esse não é o problema agora.
Não é o caso agora. E portanto, o apelo que eu faço a quem nos está a ouvir é o seguinte: o plano de contingência que foi desenhado no fundo para cessar os usos da água não prioritários, lavagem de ruas, lavagem de carros, lavagem dos jardins, cessar isso, a água deve ser colocada para uso prioritário, que é para o abastecimento público. Estamos a fazer essa aposta, que já começa a produzir resultados, mas, insisto, temos que continuar a fazer isso. E agora estamos a colocar nova água no sistema, aquilo que nós desenhamos do lado da oferta, que é o furo, até este fim de semana, em produção, são cerca de 20% daquilo que deve ser entre os 50 mil que o sistema produz e os 60 mil, aquilo que é a procura.
Isso vai ajudar a equilibrar o sistema. Obrigado.