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Está connosco ao telefone Duarte Pacheco, deputado do PSD. Bom dia, obrigado pela disponibilidade. Eu começava por lhe perguntar como é que o PSD olha para estas declarações de António Costa, a assumir claramente que quer pôr um travão à proposta que está no Parlamento para evitar a nomeação de Mário Centeno.

Muito bom dia. Estas declarações não têm qualquer novidade. Todos nós já sabíamos que esse acordo estava feito há muitos meses e que vem numa lógica pessoal. O doutor Mário Centeno não apresentou nenhuma razão para desertar e para sair da governação, mas uma ambição pessoal de ser Governador do Banco Portugal, porventura para se vingar de coisas do passado. E, por outro lado, o doutor António Costa, que tem uma lógica de governação, de querer controlar tudo e todos, incluindo as entidades independentes. Recordamos até recentemente as críticas feitas ao Tribunal de Contas, feitas por vários ministros. Portanto, qualquer entidade que não esteja sob o controle do Partido Socialista de uma forma direta e do seu líder, não há ainda descanso. É nessa linha que se insere a tentativa de colocar o doutor Mário Centeno, que passa diretamente do governo para estas funções. E nós, Partido Social-Democrata, há muito que dissemos que deve existir uma verdadeira independência das entidades reguladoras, nomeadamente, sem que os membros do governo passem diretamente para lá e por essa via, não se transformem em direções gerais que têm que obedecer às orientações do Primeiro-Ministro.

Mas acredita que estará agora mais perto essa proposta de Mário Centeno, com estas declarações em que António Costa hoje a reforçar que é o governo que tem poder para decidir, apesar de ir ouvir os partidos, reforçou essa posição e também aqui neste ataque direto, não só à proposta do PAN, mas também ao próprio PSD, dizer que é um ataque mesquinho ao antigo Ministro das Finanças.

Quando a pessoa perde a razão, resolve levantar a voz e criticar tudo e todos. É o que está a passar com o doutor António Costa. Já percebeu que no país todos percebemos este arranjinho que foi feito entre eles os dois, entre o doutor António Costa e o doutor Centeno. E como percebeu que a carapuça caiu, que todos estão hoje a perceber o arranjinho que foi feito, resolve atirar para todo lado, tentando assim ganhar razão. Não tem nenhuma. E infelizmente, não é assim que prestigiamos as instituições do nosso Estado e as instituições que merecem dignidade para permanecerem independentes do poder político.

Que poder é que o Parlamento tem agora para dar seguimento a esta proposta do PAN ou com esta tentativa do PS de não fazer avançar a lei, esta lei vai perder-se antes da nomeação do próximo Governador?

Como é óbvio, o Partido Socialista irá inventar tudo e mais alguma coisa para que a lei não entre em vigor, para poder que um camarada seu possa assumir as funções de Governador do Banco de Portugal de forma direta e imediata. Não quer dizer que o doutor Mário Centeno, daqui a uns anos, passado tal período de nojo, pudesse assumir essas funções, porque significava que não é o seu secretário de Estado, ontem ainda seu secretário de Estado, que iria o propor para o lugar. Garantia-se assim alguma independência face ao poder político. E, portanto, o Partido Socialista irá fazer tudo e mais alguma coisa, não temos qualquer dúvida. Mas para além da questão jurídica, há a questão política. Eu penso que hoje é claro que existe uma maioria no Parlamento que se opõe a essa nomeação. E ela pode ser feita? Pois pode. Mas também decorre uma audição parlamentar, onde o doutor Mário Centeno vai ter que explicar por que desertou da governação do país à procura de um lugar dourado para a sua permanência na vida política portuguesa. Isso ele vai ter que explicar. E depois, esse parecer não é vinculativo. É verdade. Mas se o governo quiser afrontar o Parlamento, estará a fazê-lo e terá aí as consequências também.